Greve começou à meia-noite de terça e afetou quase 1 milhão de passageiros diários nas linhas 11, 12 e 13 da CPTM. Governo paulista comprometeu-se a enviar projeto de lei garantindo absorção de funcionários das linhas concedidas à iniciativa privada.
Fim da greve da CPTM termina com confusão, correria e passageiros pulando catracas
Passageiros pularam catracas para tentar chegar mais rápido
Por que a confusão explodiu justamente quando a greve terminou? Parecia que as pessoas estavam apenas tentando voltar para casa.
Exatamente. Depois de 24 horas presas, sem transporte, as pessoas estavam desesperadas. Quando ouviram que os trens voltariam, não pensaram racionalmente. Pensaram em sair dali. O corpo humano não funciona bem sob pressão.
E a briga entre passageiros e seguranças, minutos antes? Isso parecia separado.
Não era. Era o mesmo estado de tensão. As pessoas estavam frustradas, cansadas, irritadas. Os seguranças estavam em pé de guerra. Tudo que era necessário era um desentendimento qualquer para explodir.
O governo conseguiu o que queria — a greve terminou. Os trabalhadores conseguiram o que queriam — uma promessa de absorção. Então por que o sindicato mantém o estado de greve?
Porque promessa não é contrato. Eles já viram isso antes. O governo pode mudar de ideia, o projeto de lei pode ser alterado na Assembleia, a concessionária pode encontrar brechas legais. Manter o estado de greve é manter a arma carregada.
Qual é o risco real aqui para os trabalhadores?
Que a concessão prossiga, a Trivia Trens assuma completamente as operações, e os funcionários da CPTM sejam demitidos ou realocados para postos piores. Sem a absorção garantida por lei, eles viram seus empregos desaparecerem.
E para a população?
Outro dia de caos. Se a greve volta, é 24 horas sem transporte de novo. Um milhão de pessoas sem conseguir se mover pela cidade. Dessa vez, talvez sem a confusão das catracas, mas com o mesmo vazio nas ruas.
The Pulse
- Greve começou à meia-noite de terça-feira, 4 de agosto, afetando quase 1 milhão de passageiros diários
- Governo comprometeu-se a enviar projeto de lei garantindo absorção de funcionários das linhas 11, 12, 13 e 10
- De 157 ferroviários em assembleia, 131 votaram a favor de retomar o trabalho; 26 votaram contra
- Confusão e brigas ocorreram nas estações durante retomada, com passageiros pulando catracas
Greve começou à meia-noite de terça e afetou quase 1 milhão de passageiros diários nas linhas 11, 12 e 13 da CPTM. Governo paulista comprometeu-se a enviar projeto de lei garantindo absorção de funcionários das linhas concedidas à iniciativa privada.
Greve de 24 horas na CPTM encerrou após acordo sobre absorção de funcionários, mas retomada gerou confusão, brigas e passageiros pulando catracas nas estações.
A estação estava em caos quando os primeiros trens voltaram a circular. Por volta das 18h30 de quarta-feira, assim que a notícia se espalhou de que a greve havia terminado, centenas de passageiros correram em direção às plataformas da Linha 12-Safira. Alguns tropeçaram uns nos outros. Outros pularam as catracas. Houve empurrões, gritos, o tipo de confusão que explode quando pessoas desesperadas tentam recuperar o tempo perdido. Os primeiros trens saíram lotados. Pouco depois, o fluxo normalizou.
Mas antes disso, havia acontecido outra cena. Cerca de dez minutos antes do anúncio do fim da paralisação, uma briga eclodiu na área de embarque do Paese, o sistema de ônibus de apoio que a CPTM havia acionado durante a greve. Passageiros e seguranças da companhia se envolveram em uma discussão que escalou para agressão. Uma mulher que esperava por transporte entrou no meio para tentar separar os envolvidos. Tudo foi registrado em vídeo.
A greve havia começado à meia-noite de terça-feira, 4 de agosto. Afetou as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM, que juntas transportam quase um milhão de pessoas por dia. Passageiros da capital e da Grande São Paulo ficaram sem acesso a um dos principais sistemas de transporte metropolitano. O impasse tinha raízes profundas: três semanas antes, em 21 de julho, a concessionária Trivia Trens, controlada pelo grupo Comporte Participações, havia assumido integralmente a operação das três linhas após um contrato de concessão que previa R$ 14,3 bilhões em investimentos. Mas logo surgiram problemas. Falhas operacionais, atrasos, um incêndio em uma composição. A Artesp, órgão regulador, determinou que a CPTM reassumisse temporariamente a operação por 90 dias enquanto a concessionária fazia ajustes. Os ferroviários, porém, temiam perder seus empregos no processo. Nenhuma garantia havia sido oferecida.
Na manhã de quarta-feira, o governador Tarcísio de Freitas compareceu a uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho. Ele anunciou que o governo enviaria um projeto de lei à Assembleia Legislativa para garantir a absorção dos funcionários das linhas concedidas por órgãos da administração estadual. "Já existe um instrumento jurídico para isso desde 2020, mas ainda assim vamos encaminhar um projeto de lei específico para as linhas 11, 12 e 13 para dar mais força a esse compromisso", disse. A audiência reuniu representantes da CPTM, sindicatos, o governo e o Ministério Público do Trabalho. O sindicato pediu que a linha 10-Turquesa também fosse incluída na proposta, para evitar desigualdade. O governo aceitou. O acordo foi condicionado à retomada imediata da operação a partir das 16h, com 100% dos trabalhadores em serviço.
À tarde, uma assembleia dos ferroviários votou sobre a proposta. De 157 funcionários presentes, 131 votaram a favor de retomar o trabalho. Apenas 26 votaram contra. O sindicato, porém, deixou claro que manteria o estado de greve e continuaria vigilante. Se o governo não cumprisse os compromissos, novas medidas seriam adotadas. Uma próxima audiência foi marcada para 19 de agosto.
Os primeiros trens saíram lotados às 18h30. Meia hora depois, a plataforma já apresentava fluxo normal. A circulação da Linha 12-Safira foi normalizada entre Brás e Calmon Viana. A greve de 24 horas havia terminado, mas a tensão permanecia. Os ferroviários haviam conquistado uma promessa, não uma garantia. E a população, que havia enfrentado um dia inteiro sem transporte, havia visto, no caos da retomada, um reflexo de quão frágil é o equilíbrio que sustenta a mobilidade urbana.
Notable Quotes
Já existe um instrumento jurídico para isso desde 2020, mas ainda assim vamos encaminhar um projeto de lei específico para as linhas 11, 12 e 13 para dar mais força a esse compromisso— Governador Tarcísio de Freitas
A categoria permanecerá em estado de greve, acompanhando atentamente o cumprimento dos compromissos assumidos e não descartando a adoção de novas medidas caso os compromissos firmados não sejam efetivamente cumpridos— Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias