Filho de ídolo do Inter sobrevive ao 11 de setembro em Nova York

Larry Pinto de Faria Jr. sobreviveu, mas conhecia vítimas dos ataques, incluindo um colega no restaurante Windows on the World e 86 funcionários de empresa anterior.
Descemos todos sem falar com ninguém, todo mundo quietinho
Como Faria descreveu a descida pelas escadas de emergência da Torre Norte durante os ataques.
Mark

Como é que alguém consegue descer 25 andares de um prédio em chamas e não entrar em pânico?

Mimi

Ele disse que nem sabia, de verdade, o que estava acontecendo. Ouviu um barulho, sentiu o prédio balançar, e saiu. Só depois, descendo as escadas, é que alguém lhe contou que era um avião.

Luke

Mas ele viu destroços caindo. Viu coisas acontecendo. Como isso não dispara o alarme?

Mimi

Talvez porque o World Trade Center já tinha sido atacado em 1993. Alguns colegas dele achavam que era uma bomba. Não era a primeira vez que algo assim acontecia naquele prédio.

Mark

E quando ele saiu? Quando viu a torre caindo?

Mimi

Aí sim ele correu. Ele viu o prédio desabando e começou a correr. Disse que se tivesse caído na direção dele, ele teria morrido.

Luke

Ele estava a que distância? Porque se estava perto o suficiente para ser atingido pela nuvem de fumaça, estava perto o suficiente para ser atingido por muito mais coisa.

Mimi

Ele não especificou a distância exata. Só disse que estava do lado do prédio quando caiu, e que a nuvem de fumaça o atingiu.

Mark

E as pessoas que ele conhecia? Quantas morreram?

Mimi

Um colega estava no restaurante Windows on the World, nos andares 106 e 107. E 86 funcionários de uma empresa onde ele havia trabalhado antes.

Luke

Ele viu os nomes deles depois? Confirmou que morreram?

Mimi

A reportagem não diz isso. Só que ele conhecia essas pessoas e que morreram nos ataques.

Mark

Que tipo de trabalho ele fazia lá?

Mimi

Era economista, responsável por operações financeiras no horário brasileiro. Estava há pouco mais de uma hora no prédio quando tudo aconteceu.

  • Larry Pinto de Faria Jr. estava no 25º andar quando o avião atingiu entre os andares 93 e 99
  • Desceu pelas escadas de emergência e presenciou o colapso da Torre Norte após sair do prédio
  • Conhecia um colega no restaurante Windows on the World e 86 funcionários de empresa anterior que morreram
  • Seu pai, Larry Pinto de Faria, marcou 176 gols em 260 partidas pelo Sport Club Internacional e foi campeão Pan-Americano em 1956

Larry estava no 25º andar quando o avião atingiu entre os andares 93 e 99; desceu pelas escadas sem pânico e presenciou o colapso da torre após sair do prédio. O economista conhecia vítimas dos ataques, incluindo um colega que estava no restaurante Windows on the World e 86 funcionários de empresa anterior.

Larry Pinto de Faria Jr., economista brasileiro e filho do lendário jogador do Inter, escapou da Torre Norte do World Trade Center durante os ataques de 11 de setembro de 2001, descendo calmamente pelas escadas de emergência do 25º andar.

Larry Pinto de Faria Jr. estava no 25º andar da Torre Norte do World Trade Center quando sentiu o prédio balançar sob seus pés. Era a manhã de 11 de setembro de 2001. O economista brasileiro, que havia se mudado para Nova York em fevereiro de 1999 e começava seu trabalho no centro financeiro no ano anterior, atendia um cliente por telefone quando ouviu um estrondo ensurdecedor. Viu destroços caindo do lado de fora da janela. Sem saber ainda que um avião de grande porte havia atingido o edifício entre os andares 93 e 99, ele olhou para um colega ao lado e disse simplesmente: vamos embora, que isto aqui vai cair.

A descida pelas escadas de emergência foi, segundo sua lembrança posterior, surpreendentemente calma. Faria descreveria o trajeto como tranquilo, comparando a atmosfera ao silêncio de uma derrota do Inter no Beira-Rio — todos descendo sem falar, sem pressa, sem pânico. Durante o caminho, voltou a falar com o cliente que atendia no momento do impacto. Foi nessa conversa que recebeu a informação de que uma aeronave havia atingido o prédio, embora ainda desconhecesse as dimensões reais do ataque. O cliente lhe disse que acreditava não ser terrorismo.

Ao chegar ao térreo, Faria encontrou água no piso, partes do forro já caídas e elevadores parcialmente destruídos. A polícia orientava as pessoas a proteger a cabeça porque objetos caíam constantemente do prédio. Foi nesse momento, caminhando para fora, que ele viu a Torre Norte desabando. Começou a correr. O prédio de mais de cem andares caiu sobre si mesmo, e ele foi atingido apenas pela nuvem de fumaça. Se tivesse caído em sua direção, ele teria morrido.

O economista conhecia algumas das vítimas dos ataques. Um colega de empresa estava tomando café no restaurante Windows on the World, localizado nos andares 106 e 107 da Torre Norte, acima do ponto onde o avião havia atingido o edifício. Também morreram 86 funcionários de uma empresa na qual Faria havia trabalhado anteriormente. Naquele momento, ele acreditava que tudo havia terminado — a empresa havia desaparecido, o negócio era incerto. Mas, como ele comentaria anos depois, tudo acabou voltando ao normal com o tempo.

Larry Pinto de Faria Jr. é filho de Larry Pinto de Faria, ídolo do Sport Club Internacional e campeão Pan-Americano de futebol com a seleção brasileira em 1956. Pelo clube gaúcho, o pai marcou 176 gols em 260 partidas. Conhecido como "O Cerebral", ficou marcado especialmente pelos gols contra o Grêmio, particularmente no primeiro Gre-Nal do Estádio Olímpico, quando fez quatro dos seis gols colorados na vitória de 6 a 2. O ex-jogador e ex-deputado estadual morreu em 2016, aos 83 anos, vítima de pneumonia. Seu filho, que nasceu em Porto Alegre, carrega a história de ter estado a poucos andares de distância de um dos maiores ataques terroristas da história, e de ter saído vivo daquele prédio que se desmoronou ao seu redor.

Foi um barulho ensurdecedor e uma pancada muito grande no edifício. Quando deu a pancada, o prédio fez um pêndulo até se ajeitar.
— Larry Pinto de Faria Jr., descrevendo o momento do impacto
Medo mesmo, pavor, eu só tive em um momento. Quando eu saí caminhando, só olhei para cima e vi aquela torre grande caindo no meio dos escombros.
— Larry Pinto de Faria Jr., sobre o colapso da Torre Norte
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