Festival do Rio premia 'A Margem do Rio' e documentário sobre Elza Soares

realidade e fantasia se alternam nessa relação
Descrição do núcleo narrativo de "A Margem do Rio", melhor ficção do Festival do Rio.
Mark

Por que "A Margem do Rio" se destacou tanto? O que o filme tem que o diferencia?

Mimi

Ele trabalha com uma tensão muito clara entre realidade e fantasia, usando o espaço dos manguezais de Recife como personagem quase tão importante quanto os atores. A direção consegue manter essa ambiguidade o tempo todo.

Luke

Mas precisamos ser claros: o filme já tinha prêmio de Locarno antes de chegar ao Rio. Então o reconhecimento aqui não é exatamente uma descoberta — é uma confirmação de algo que já estava sendo reconhecido internacionalmente.

Mark

E quanto ao documentário sobre Elza Soares? Como funciona usar a voz de alguém que já faleceu?

Mimi

É uma escolha poética muito forte. A voz dela costurada com arquivos cria uma presença que é quase espiritual. Você ouve Elza contando sua própria história, o que dá uma intimidade que um narrador externo nunca conseguiria.

Luke

Verdade, mas a gente não sabe exatamente como Eryk Rocha editou ou contextualizou essas gravações. Não há detalhes sobre quais arquivos foram usados ou como a narrativa foi construída. É um prêmio baseado em uma escolha estética, não em documentação verificável.

Mark

Há um padrão claro de filmes LGBTQIA+ sendo premiados. Isso reflete a programação do festival ou é realmente onde está a qualidade?

Mimi

Provavelmente os dois. O festival claramente tem uma abertura para essas narrativas, mas também é verdade que há muito cinema queer de qualidade sendo feito agora. "Santo" é um curta delicado, "London" é tecnicamente impecável.

Luke

O que não sabemos é se há seleção de gênero acontecendo — se filmes queer estão sendo favorecidos em categorias mistas ou se estão ganhando porque realmente são os melhores. O Prêmio Felix existe justamente para reconhecer essas produções separadamente, o que é bom, mas também pode criar uma dinâmica onde elas ganham em suas próprias categorias e depois ganham novamente nas gerais.

Mark

"Club Kid" saiu de Cannes e chegou ao Rio com 17 milhões de dólares em direitos de distribuição. Isso é muito dinheiro?

Mimi

Para um filme independente, é extraordinário. Significa que as plataformas e distribuidoras viram algo ali que acreditam que vai funcionar comercialmente em escala global.

Luke

Mas a gente não sabe quem ganhou essa disputa ou qual plataforma vai distribuir. Também não há contexto sobre quanto custou fazer o filme ou qual é a margem de lucro esperada. Dezessete milhões é um número grande, mas sem comparação fica difícil avaliar o que realmente significa.

  • A cerimônia de encerramento distribuiu prêmios por um espectro amplo de produções, mas 'A Margem do Rio' dominou a noite ao sair com cinco troféus, incluindo o principal e o Prêmio Felix para produções LGBTQIA+.
  • O documentário 'Elza', que tece arquivos e a própria voz da cantora falecida há quatro anos, conquistou o prêmio de melhor documentário, reafirmando a força da memória como matéria cinematográfica.
  • 'Vicentina Pede Desculpas' dividiu atenções ao vencer direção, roteiro e o voto popular, enquanto 'London' chegou de Veneza com o Leão Queer e partiu do Rio com mais três troféus.
  • A seção Novos Rumos revelou nomes emergentes como Ulisses Arthur, Thais Fujinaga e Caio J. Bonfim, sinalizando uma geração de cineastas brasileiros com linguagem própria.
  • 'Club Kid', encerramento oficial com estreia latino-americana e direitos vendidos por US$ 17 milhões em Cannes, consolidou a temática queer como fio condutor de toda a programação do festival.

No domingo, o Festival do Rio encerrou sua 28ª edição consagrando vozes que vivem às margens — de rios, de palcos, de identidades. 'A Margem do Rio' reuniu troféus técnicos e artísticos ao retratar encontros noturnos nos manguezais de Recife, enquanto 'Elza' ressuscitou em imagens quase um século de uma voz que o Brasil ainda processa. O festival, permeado por uma programação de temática queer, lembrou que a arte persiste onde a vida insiste em ser vivida fora dos centros.

A 28ª edição do Festival do Rio encerrou no domingo com a consagração de 'A Margem do Rio', dos diretores Enock Carvalho e Matheus Farias. O filme, ambientado nos manguezais de Recife, acompanha um jovem em encontros noturnos com outros homens até que a chegada de um pescador misterioso embaralha realidade e fantasia. Além do troféu de melhor ficção, a produção levou prêmios de fotografia, som, atriz coadjuvante — dividido entre Renna Costa, Artia e Ísis Broken — e o Prêmio Felix para produções LGBTQIA+. O reconhecimento chega após um prêmio especial do júri no Festival de Locarno.

O documentário 'Elza', dirigido por Eryk Rocha, venceu na categoria documentário ao entrelaçar a voz da própria cantora — morta há quatro anos — com arquivos que percorrem quase um século de vida. O curta 'Santo', de Maria Luisa Alves, completou o trio de vencedores principais ao narrar a paixão entre dois entregadores interpretados por João Pedro Mariano e Pedro Tófani.

Outros destaques da noite incluem 'Vicentina Pede Desculpas', de Gabriel Martins, que levou direção, roteiro e o voto popular, e 'London', de Victor Di Marco e Márcio Picoli, que somou ao Leão Queer de Veneza mais três troféus no Rio: melhor ator, figurino e o prêmio da Fipresci. Na seção Novos Rumos, voltada a talentos emergentes, 'Não Estamos Sonhando' venceu como melhor longa e revelou nomes como Ulisses Arthur, Pedro Leão e Thais Fujinaga.

O festival encerrou sua programação oficial com 'Club Kid', do diretor Jordan Firstman, em estreia latino-americana. O filme, que gerou disputa acalorada em Cannes com direitos vendidos por US$ 17 milhões, acompanha um homem gay imerso nas pistas de dança de Nova York que descobre ter um filho de dez anos. A temática queer, presente desde a abertura com 'A Bola Preta', atravessou toda a edição como um de seus traços mais marcantes.

A 28ª edição do Festival do Rio fechou as portas no domingo com uma cerimônia que coroou "A Margem do Rio", dos diretores Enock Carvalho e Matheus Farias, como o melhor longa-metragem de ficção do evento. O filme, ambientado em Recife, acompanha um rapaz que passa as noites procurando encontros com outros homens nos manguezais da cidade, até que conhece Jeremias, um pescador misterioso, e a realidade começa a se misturar com a fantasia nessa relação que se desenrola. A produção saiu da cerimônia carregando não apenas o troféu principal, mas também prêmios de fotografia, som e atriz coadjuvante — compartilhado entre Renna Costa, Artia e Ísis Broken. Além disso, conquistou o Prêmio Felix, destinado especificamente a produções LGBTQIA+, consolidando seu destaque no festival.

"A Margem do Rio" já havia acumulado reconhecimento antes do Rio: recebeu um prêmio especial do júri no Festival de Locarno e encerrou sua participação no evento carioca com uma coleção de troféus que refletem o trabalho técnico e artístico envolvido na produção. O documentário "Elza", dirigido por Eryk Rocha, conquistou o prêmio de melhor longa-metragem na categoria documentário. O filme tece a própria voz de Elza Soares — a artista faleceu há quatro anos — com arquivos para contar quase um século de sua vida. Completando o trio de principais vencedores, "Santo", de Maria Luisa Alves, foi escolhido como melhor curta-metragem. O filme integra uma leva de curtas com temática queer do festival e acompanha João Pedro Mariano e Pedro Tófani como dois entregadores que se apaixonam.

Outros destaques da cerimônia incluem "Vicentina Pede Desculpas", de Gabriel Martins, que conquistou os troféus de melhor direção de ficção, melhor roteiro e melhor longa pelo voto popular. "A Professora de Francês" levou prêmios de atriz — compartilhado entre Grace Passô e Isabel Teixeira, de "Diário do Fogo" — ator coadjuvante para Pedro Goifman e trilha sonora original. "London", de Victor Di Marco e Márcio Picoli, que já havia vencido o Leão Queer da Semana da Crítica no Festival de Veneza, saiu do Rio com três troféus: melhor ator para Di Marco, melhor figurino e o prêmio da Fipresci, a Federação Internacional de Críticos de Cinema.

Na categoria documentário, "Cão Sem Plumas" conquistou o prêmio de melhor direção. "Funk" levou melhor direção de arte, enquanto "A Extraordinária Vida de Vera Valdez" e "Ela Foi Ali Guardar o Coração na Geladeira" dividiram o prêmio de melhor montagem. A animação "O Filho da Puta" recebeu um prêmio especial do júri. O Prêmio Felix, que reconhece produções LGBTQIA+, distribuiu suas láureas entre "Em Segredo" como melhor filme internacional, "Pai e Pai" como melhor documentário, "Morfeu e Caronte" com um prêmio especial e "Elefantes na Névoa" com menção honrosa.

Na seção Novos Rumos, destinada a talentos emergentes, "Não Estamos Sonhando", de Ulisses Arthur, foi eleito melhor longa-metragem, enquanto "Ondas de Silêncio", de Caio J. Bonfim, conquistou o prêmio de melhor curta. Thais Fujinaga venceu melhor direção por "Talismã", Nina Prado foi escolhida melhor atriz por "O Deserto de Luiza" e Pedro Leão conquistou melhor ator por "Não Estamos Sonhando". O elenco do curta "Um Domingo", de Maíra Bühler e Rô Albuquerque, recebeu um prêmio especial do júri.

O encerramento do festival foi marcado pela exibição de "Club Kid", de Jordan Firstman, um filme que causou grande repercussão no Festival de Cannes e que agora marca sua estreia latino-americana. A produção teve seus direitos de distribuição arrematados por 17 milhões de dólares — aproximadamente 85 milhões de reais — após uma disputa acalorada entre empresas e plataformas. O filme acompanha um homem gay na casa dos 30 anos que vive imerso nas pistas de dança de Nova York, usando drogas e se relacionando com desconhecidos, até que descobre ter um filho de dez anos e precisa repensar uma rotina que julga incompatível com as novas responsabilidades de pai. Firstman esteve presente no encerramento, que também marcou a continuidade da temática queer que permeou toda a programação do festival — a cerimônia de abertura havia ficado a cargo de "A Bola Preta", outra sensação queer do último Festival de Cannes. Ainda há sessões de repescagem programadas ao longo da semana.

O filme acompanha um rapaz que passa a noite em busca de encontros com outros homens nos manguezais da cidade
— Descrição de "A Margem do Rio" pela programação do festival
A própria voz da artista, morta há quatro anos, é costurada a arquivos para narrar seu quase um século de vida
— Descrição de "Elza" pela programação do festival
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