Festa do Peão de Barretos 2026 aposta em artistas no camping e estrutura ampliada

Ele quer curtir a festa, ele quer sentir a festa
Pedro Muzetti descreve a intenção de Gusttavo Lima de vivenciar Barretos além dos palcos.
Mark

Por que você acha que os artistas mudaram de atitude? O que fez eles quererem ficar?

Mimi

Acho que é uma combinação de coisas. A festa cresceu, virou um fenômeno cultural real. Não é mais só um compromisso profissional. Os artistas veem que há algo genuíno acontecendo ali, uma comunidade vivendo um estilo de vida por onze dias.

Mark

Mas isso não é arriscado para eles? Ficar exposto, circulando pelo camping como qualquer pessoa?

Mimi

Talvez seja exatamente o contrário. Quando você está no palco, há uma distância. Mas quando você está no camping, conversando com fãs, assistindo outro artista, você se torna parte de algo maior. Acho que muitos deles descobriram que isso é mais gratificante.

Mark

E a organização? O que ela ganha com isso?

Mimi

Ganha autenticidade. Se os artistas estão realmente vivendo a festa, isso muda a energia do evento inteiro. Não é mais um show que você assiste e vai embora. É uma experiência compartilhada. E quando você investe 30 milhões em infraestrutura, você quer que as pessoas fiquem, que circulem, que vejam tudo.

Mark

O Palco Amanhecer cresceu muito. Por quê?

Mimi

Porque as apresentações que vão até o amanhecer viraram um símbolo da festa. É quando as coisas ficam mais livres, mais espontâneas. Ampliar o palco é reconhecer que isso importa, que merece a mesma estrutura que o estádio principal.

Mark

E essa ideia de um palco só para eletrônico em 2027?

Mimi

É a festa reconhecendo que não é só sertanejo. Há pessoas que vão para Barretos por pagode, por axé, por eletrônico. Se você quer que a festa cresça, você precisa fazer espaço para todos. É expansão, não substituição.

  • A festa mais tradicional do rodeio brasileiro abre sua 71ª edição com 120 shows, cinco palcos e expectativa de um milhão de visitantes em onze dias.
  • A grande tensão desta edição não é logística, mas simbólica: artistas como Gusttavo Lima e Nattan rompem com o protocolo de 'chegar, cantar e partir' para viver o evento como fãs comuns.
  • A organização investiu R$ 30 milhões para sustentar essa nova dinâmica — Palco Amanhecer triplicou de escala, jumbotron hexagonal quase dobrou de superfície e um novo camarote para 800 pessoas foi inaugurado.
  • O sertanejo ainda domina 90% a 95% da programação, mas pagode, axé e eletrônica ganham espaço, e 2027 pode trazer um palco dedicado exclusivamente à música eletrônica.
  • A festa navega entre preservar sua identidade caipira e abraçar uma diversidade musical crescente, sinalizando que Barretos quer ser grande o suficiente para caber muitos Brasis.

A cada agosto, Barretos convoca o Brasil para um rito coletivo que mistura tradição caipira e espetáculo moderno. Na sua 71ª edição, a Festa do Peão vai além dos palcos ampliados e dos 30 milhões investidos em infraestrutura: o que chama atenção é o gesto dos próprios artistas, que escolhem ficar — circular pelo camping, assistir ao rodeio, viver o evento como qualquer visitante faria. É um sinal de que certas festas deixam de ser apenas produto e voltam a ser pertencimento.

A 71ª Festa do Peão de Barretos começa nesta quinta-feira com uma novidade que não está nos cartazes: os artistas querem ficar. Durante onze dias, o parque espera receber cerca de um milhão de visitantes de 2,7 mil cidades, com 120 shows distribuídos em cinco palcos. Mas o que marca esta edição é mais sutil do que qualquer número.

Por anos, o padrão era previsível: o cantor chegava horas antes, subia ao palco e partia. Agora, nomes como Gusttavo Lima, Nattan e Hudson reservam dias inteiros no camping para circular pelo parque, assistir às provas de rodeio e acompanhar apresentações de outros artistas. Jeronimo Luiz Muzetti, presidente da entidade organizadora Os Independentes, vê nisso uma mudança genuína: os artistas querem entregar algo diferente, participar do show uns dos outros, estar presentes de verdade.

Gusttavo Lima, embaixador da festa pela terceira vez, é o símbolo mais visível dessa transformação. Ele retorna com duas apresentações distintas — uma transmitida pela TV Globo no primeiro sábado, com dois horas de grandes sucessos, e outra na semana seguinte, no formato que ele mesmo criou em Barretos: o show que atravessa a madrugada e termina com o amanhecer. Fora dos palcos, quer conhecer lados da festa que nunca viveu. Nattan planeja ficar de uma quinta à outra, hospedado no camping.

Para acomodar essa nova dinâmica, a organização investiu R$ 30 milhões em infraestrutura. O Palco Amanhecer foi ampliado para 1,5 mil metros quadrados, ganhou 19,5 metros de altura, 80 metros de comprimento e, pela primeira vez, um camarote próprio com capacidade para 800 pessoas. No Estádio de Rodeios, o jumbotron passou de quatro para seis faces em formato hexagonal, quase dobrando sua superfície de LED. Outras melhorias incluem novos banheiros, camarotes adicionais e uma área VIP no camping com 50 cabanas privativas.

O sertanejo segue como identidade principal, ocupando entre 90% e 95% da programação, mas divide espaço com pagode, axé e música eletrônica. Para 2027, a organização estuda a criação de um palco dedicado exclusivamente ao eletrônico — sinal de que Barretos quer crescer sem perder a alma.

A 71ª Festa do Peão de Barretos abre suas portas nesta quinta-feira com uma mudança que vai além dos palcos e dos refletores. Durante onze dias, até domingo, o parque espera receber cerca de um milhão de visitantes vindos de 2,7 mil cidades diferentes. São 120 shows distribuídos em cinco palcos, mas o que marca esta edição é algo mais sutil: os próprios artistas querem ficar.

Por anos, o padrão era previsível. Um cantor chegava horas antes de sua apresentação, subia ao palco, vivenciava o glamour do momento e partia. Agora, nomes como Gusttavo Lima, Nattan e Hudson, da dupla Edson & Hudson, estão reservando dias inteiros no camping. Querem circular pelo parque, assistir às provas de rodeio, acompanhar apresentações de outros artistas, conversar com fãs. Querem, basicamente, viver a festa como qualquer outro visitante faria. Jeronimo Luiz Muzetti, presidente de Os Independentes, a entidade responsadora pelo evento, vê isso como um reflexo de uma mudança genuína no comportamento dos artistas. "Todos que estão vindo aqui esse ano querem entregar um pouco diferente do ano passado, querem fazer mais, querem ir para o camping, querem estar no camping cantando lá atrás, querem participar do show um do outro", afirma. Onde antes era comum que os músicos chegassem e saíssem no mesmo dia, agora muitos deles reservam um, dois, até três dias na agenda para permanecer em Barretos.

Gusttavo Lima, embaixador da festa pela terceira vez, é o exemplo mais visível dessa transformação. Após três anos longe do evento, ele retorna com duas apresentações distintas. A primeira, neste sábado, será transmitida pela TV Globo e trará um repertório de duas horas apenas com seus maiores sucessos. A segunda, no sábado seguinte, seguirá uma tradição que o próprio Gusttavo iniciou em Barretos: um show que atravessa a madrugada e termina com o amanhecer. Fora dos palcos, ele quer conhecer outros lados da festa. "Ele quer curtir a festa, ele quer sentir a festa. Ele quer assistir o rodeio. Ele quer passar pelo camping, ele quer fazer o que ele nunca fez aqui", diz Pedro Muzetti, diretor da organização. Nattan, por sua vez, planeja permanecer desde quinta até a quinta seguinte, hospedado no camping.

A organização investiu 30 milhões de reais em melhorias na infraestrutura para acomodar essa nova dinâmica e oferecer mais conforto aos visitantes. O Palco Amanhecer, espaço dedicado às apresentações que se estendem até o nascer do sol, ganhou novas proporções: agora ocupa 1,5 mil metros quadrados, com 19,5 metros de altura e 80 metros de comprimento. Pela primeira vez, o palco conta com um camarote próprio, com capacidade para 800 pessoas e visão privilegiada das apresentações. A cenografia do espaço ocupa outros 1.242 metros quadrados. Entre os artistas previstos para o Palco Amanhecer estão Paula Fernandes, Michel Teló, Luan Pereira, Eduardo Costa, Fernando & Sorocaba, Jads & Jadson e Munhoz & Mariano.

No Estádio de Rodeios, o jumbotron que paira sobre a arena passou por transformação significativa. A estrutura anterior tinha quatro faces de LED; agora tem seis, em formato hexagonal. A nova tela terá 409,18 metros quadrados, 7,94 metros de altura e 15 metros de diâmetro — quase o dobro da superfície anterior. O equipamento compartilhará elementos visuais com o palco principal, criando uma unidade visual na cenografia do estádio. Outras melhorias incluem novos banheiros, camarotes adicionais, troca de piso e iluminação especial. Uma área VIP no camping ganhou 50 cabanas privativas que custam até 49 mil reais para quatro pessoas.

A programação musical cresceu ao longo dos anos e agora chega a cerca de 120 apresentações confirmadas. O sertanejo continua sendo a identidade principal — representando entre 90% e 95% da programação — mas divide espaço com pagode, música eletrônica e axé. Há quatro bandas de axé no trio elétrico. Pedro Muzetti reconhece que a festa atrai públicos de todos os gêneros musicais. Para a próxima edição, em 2027, a organização estuda a criação de um palco dedicado exclusivamente à música eletrônica, sinalizando uma possível expansão ainda maior da diversidade musical do evento.

Todos que estão vindo aqui esse ano querem entregar um pouco diferente do ano passado, querem fazer mais, querem ir para o camping, querem estar no camping cantando lá atrás, querem participar do show um do outro
— Jeronimo Luiz Muzetti, presidente de Os Independentes
Normalmente eles vinham aqui, cantavam e iam embora. E a maioria deles hoje não. 'Eu quero ficar em Barretos, quero ficar um, dois dias, três dias, porque eu quero curtir esse evento'
— Jeronimo Luiz Muzetti
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