Em um mercado onde a pesquisa independente foi gradualmente absorvida por grandes bancos e corroída por conflitos de interesse, Felipe Miranda retorna ao cenário financeiro com a Parla — uma plataforma que une inteligência artificial e análise humana credenciada para devolver ao investidor comum o acesso a informação de qualidade. Lançada em parceria com a Leblon Equities, a iniciativa não é apenas um produto, mas uma aposta no futuro da desintermediação financeira: a crença de que a tecnologia pode aproximar o analista independente do investidor sem que nenhum banco precise estar no meio.
Felipe Miranda e Leblon lançam Parla, plataforma de análise de investimentos com IA
O conflito de interesses é intrínseco ao sistema
Por que agora? Miranda já tinha saído da Empiricus. Por que voltar com um novo negócio?
Porque o mercado deixou um vazio. A pesquisa independente enfraqueceu nos últimos cinco anos. Quando os grandes bancos compraram as casas de análise, o conflito de interesses ficou inevitável. Miranda viu a oportunidade de preencher esse espaço.
Mas a Parla não é exatamente pesquisa independente no sentido tradicional. É uma plataforma de IA com analistas credenciados. Como sabemos que a IA não vai introduzir seus próprios vieses?
Boa pergunta. A Leblon desenvolveu essa tecnologia ao longo de três anos, então há expertise ali. E os relatórios são assinados por analistas CNPI, o que traz responsabilidade e credibilidade.
Qual é o tamanho do mercado que eles estão tentando atingir?
Seis milhões de CPFs compram e vendem ações no Brasil. É um número grande, mas a maioria não tem acesso a análise de qualidade. Os planos começam em R$ 39 por mês.
Espera — R$ 39 é muito barato para análise de 500 empresas. Como eles ganham dinheiro com isso?
O plano básico oferece uma versão enxuta e apenas dez relatórios. O plano completo, a R$ 299, é onde está o valor real. Além disso, a Leblon vê isso como uma fonte de receita adicional — a gestora vinha sofrendo com falta de demanda por fundos de ações.
Então é um negócio de volume?
Parcialmente. Mas também é sobre mudar a estrutura do mercado. Chermont, da Leblon, acredita que em três a cinco anos o mercado vai se desintermediando. Analistas especializados vão conseguir receita direta do público, sem precisar de um banco grande atrás deles.
Isso é especulação sobre o futuro. O que sabemos é que a Parla existe agora, cobre 500 empresas, e tem dois planos de preço. Tudo o mais é aposta.
El Pulso
- A pesquisa independente no Brasil enfraqueceu nos últimos cinco anos — juros altos esvaziaram fundos de ações, casas de análise cortaram custos e grandes bancos compraram as principais vozes independentes, incluindo a própria Empiricus, vendida ao BTG Pactual.
- Com analistas presos a estruturas bancárias, o conflito de interesses tornou-se inevitável: como criticar uma empresa quando o bônus do analista depende de quem depende das operações dessa mesma empresa?
- A Parla entra nessa brecha cobrindo mais de 500 empresas no Brasil e nos EUA, com relatórios assinados por analistas credenciados pela CVM e metodologia desenvolvida pela Leblon ao longo de três anos.
- Com planos a partir de R$ 39 por mês, a plataforma mira os 6 milhões de CPFs que operam na bolsa brasileira — investidores que hoje se veem entre um oceano de dados que não têm tempo de ler e recomendações que nem sempre são isentas.
- Pedro Chermont, da Leblon, projeta uma transformação radical do mercado financeiro em três a cinco anos, com analistas especializados alcançando audiências globais via tecnologia — e a Parla posicionada como infraestrutura desse novo ecossistema.
Em um mercado onde a pesquisa independente foi gradualmente absorvida por grandes bancos e corroída por conflitos de interesse, Felipe Miranda retorna ao cenário financeiro com a Parla — uma plataforma que une inteligência artificial e análise humana credenciada para devolver ao investidor comum o acesso a informação de qualidade. Lançada em parceria com a Leblon Equities, a iniciativa não é apenas um produto, mas uma aposta no futuro da desintermediação financeira: a crença de que a tecnologia pode aproximar o analista independente do investidor sem que nenhum banco precise estar no meio.
Felipe Miranda, fundador e ex-sócio da Empiricus, volta ao mercado financeiro com um novo projeto. Em parceria com a Leblon Equities, gestora carioca com 18 anos de história, ele lança a Parla — plataforma de análise de investimentos que usa inteligência artificial como ferramenta central. Ao lado de Larissa Quaresma, Bruno Mérola e Lucas Neri, também ex-Empiricus, Miranda forma o grupo Dylan, que licencia uma tecnologia desenvolvida pela Leblon ao longo de três anos.
A plataforma cobre mais de 500 empresas — 300 no Brasil, o restante nos Estados Unidos — e combina o processamento massivo de dados pela IA com a interpretação humana de analistas credenciados pela CVM. Os relatórios seguem a metodologia da Leblon e são assinados por profissionais com certificação CNPI. O objetivo é oferecer ao investidor pessoa física algo que se tornou raro: análise independente e sem conflitos de interesse embutidos.
O acesso à plataforma funciona em dois níveis: R$ 39 mensais para uma versão simplificada com dez relatórios, ou R$ 299 para acesso completo a todo o conteúdo disponível. Miranda cuida da operação do dia a dia; a Leblon segue focada na gestão de fundos.
A motivação da parceria está enraizada em um problema concreto. Nos últimos cinco anos, a pesquisa independente no Brasil perdeu força. Os juros altos reduziram o interesse em renda variável, casas de análise enxugaram equipes e grandes bancos compraram as principais vozes independentes do mercado. Miranda aponta o nó central: quando um analista trabalha dentro de uma estrutura bancária, sua capacidade de criticar empresas que são clientes do banco fica comprometida — não por má-fé, mas por estrutura.
Pedro Chermont, sócio-fundador e CIO da Leblon, vê a Parla como resposta a uma lacuna histórica: o investidor pessoa física sempre esteve preso entre excesso de informação bruta e recomendações com viés. A plataforma quer ocupar esse espaço intermediário. Chermont também antecipa mudanças profundas nos próximos anos: a tecnologia está desintermediando o mercado financeiro, e analistas especializados em nichos já conseguem construir audiências e receita sem depender de grandes instituições. A Parla aposta que esse é o caminho — análise de qualidade, independente e entregue diretamente a quem investe.
Felipe Miranda, o empresário que fundou e depois deixou a Empiricus, está de volta ao mercado com um novo negócio. Desta vez, ele se associou à Leblon Equities, uma gestora de fundos carioca, para lançar a Parla — uma plataforma de análise de investimentos que funciona com inteligência artificial como ferramenta central. O anúncio veio no início de outubro de 2026. Ao seu lado estão Larissa Quaresma e Bruno Mérola, também ex-sócios da Empiricus, além de Lucas Neri. Juntos, formaram o grupo Dylan, que agora licencia uma tecnologia que a Leblon desenvolveu ao longo de três anos.
A plataforma reúne informações e análises sobre mais de 500 empresas — 300 delas no Brasil, o restante nos Estados Unidos. O modelo combina o que a IA faz melhor — processar volume massivo de dados e organizá-los — com o que humanos fazem melhor: interpretar contexto e tomar decisões. Analistas credenciados pela Comissão de Valores Mobiliários (CNPI) assinam os relatórios, que seguem a metodologia da Leblon. A ideia é oferecer ao investidor pessoa física algo que hoje está raro no mercado: análise independente e de qualidade, sem conflitos de interesse embutidos.
O negócio funciona em dois níveis de acesso. Por R$ 39 ao mês, o investidor ganha uma versão simplificada da plataforma e acesso a dez relatórios. Por R$ 299 mensais, ele tem a plataforma completa, com todas as funcionalidades e conteúdo disponível. O alvo são os 6 milhões de CPFs que compram e vendem ações no Brasil, embora a Parla também mire investidores estrangeiros. Miranda é quem vai gerir a operação do dia a dia. A Leblon, por sua vez, segue focada no que faz desde 2008: gerir fundos de ações.
O que motivou essa parceria é um problema real no mercado financeiro brasileiro. Nos últimos cinco anos, a pesquisa independente enfraqueceu. Os juros altos no país reduziram a demanda por fundos de ações. Casas de análise cortaram custos e qualidade caiu. Grandes bancos compraram as principais casas independentes — a própria Empiricus foi adquirida pelo BTG Pactual. Quando isso acontece, o conflito de interesses fica inevitável. Miranda fala sobre isso com clareza: como um analista pode criticar uma empresa quando seu bônus depende de alguém no banco de investimentos que, por sua vez, depende das operações dessa mesma empresa? A resposta é que não consegue, não completamente.
Pedro Chermont, sócio-fundador e CIO da Leblon, enxerga a Parla como resposta a uma lacuna que existe há décadas. O investidor pessoa física sempre enfrentou um dilema: de um lado, um oceano de informação pública que não tem tempo de ler; do outro, recomendações prontas que nem sempre são independentes, nem sempre sem viés. Faltava o meio — a ferramenta que ajudasse a entender a empresa de verdade. Chermont também vê mudanças radicais chegando nos próximos três a cinco anos. A tecnologia está desintermediando o mercado financeiro. Plataformas como Substack já hospedam analistas especializados em nichos — semicondutores, por exemplo — que talvez não tenham 400 mil clientes, mas conseguem gerar receita consistente. A Parla aposta que esse é o futuro: análise de qualidade, independente, acessível, e entregue direto ao investidor sem camadas de intermediários.
Citas Notables
O conflito de interesses é intrínseco. Como você fala mal de uma empresa sabendo que seu bônus depende de alguém no banco de investimentos?— Felipe Miranda, fundador da Parla
Em três a cinco anos o mercado financeiro deve mudar radicalmente. A tecnologia está desintermediando o mercado.— Pedro Chermont, sócio-fundador e CIO da Leblon