A Fed elevou a taxa de referência para 0,25%-0,50%, com perspetivas de seis mais aumentos em 2022 até atingir 1,9%. A inflação nos EUA está nos máximos de 40 anos, perto dos 8%, forçando o banco central a agir apesar da guerra na Ucrânia.
Fed sobe juros pela primeira vez desde 2018 e inicia novo ciclo de normalização monetária
Se tivermos de subir os juros mais rapidamente, é o que faremos
Porque é que a Fed esperou até agora para subir os juros, se a inflação já estava tão elevada há meses?
A Fed tinha mantido as taxas perto de zero desde 2020, durante a pandemia. Mas quando a inflação começou a disparar no final de 2021, havia ainda esperança de que fosse temporária. Powell e o comité demoraram a reconhecer que era estrutural.
Mas isso é especulação sobre intenções. O que sabemos é que subiram agora, 25 pontos base, e projetam seis mais este ano. Isso é confirmado.
Exato. E Powell deixou claro que pode ser ainda mais agressivo se necessário. A mensagem era: não temos medo de apertar mais.
Como é que isto afeta as pessoas comuns? Empréstimos, hipotecas, poupanças?
Juros mais altos significam que emprestar dinheiro fica mais caro. Hipotecas, empréstimos ao consumo, tudo sobe. Ao mesmo tempo, as poupanças começam a render mais.
Mas há um lado negativo: a economia deve abrandar. A Fed admitiu que cortou a projeção de crescimento de 4% para 2,8%. Isso pode significar desemprego.
E a guerra na Ucrânia complica tudo isto?
Sim. A Fed disse que as implicações são "altamente incertas", mas que no curto prazo o conflito vai pressionar ainda mais os preços — energia, alimentos — enquanto abrandará a atividade.
Portanto, a Fed está a tentar combater a inflação num momento em que a guerra está a criar mais inflação. É um dilema real.
Powell parecia confiante de que a economia aguenta. Será que aguenta mesmo?
Ele disse que a economia e os mercados estão muito fortes. Mas as projeções mostram crescimento mais lento. É uma aposta de que o aperto não vai ser tão doloroso quanto poderia ser.
Isso é esperança, não certeza. Ninguém sabe realmente como isto vai correr com a guerra, as sanções, e a inflação a disparar simultaneamente.
Le Pouls
- Fed elevou taxa de referência para 0,25%-0,50%, primeira subida desde dezembro de 2018
- Seis aumentos adicionais projetados para 2022, levando a taxa para 1,9% até final do ano
- Inflação nos EUA em máximos de 40 anos, perto dos 8%
- Crescimento do PIB revisto em baixa de 4% para 2,8%
- Apenas James Bullard votou a favor de subida de 50 pontos base
A Fed elevou a taxa de referência para 0,25%-0,50%, com perspetivas de seis mais aumentos em 2022 até atingir 1,9%. A inflação nos EUA está nos máximos de 40 anos, perto dos 8%, forçando o banco central a agir apesar da guerra na Ucrânia.
A Reserva Federal norte-americana subiu os juros em 25 pontos base pela primeira vez desde 2018, iniciando um novo ciclo de normalização monetária. Esperam-se mais seis aumentos este ano para conter a inflação nos máximos de 40 anos.
A Reserva Federal norte-americana deu um passo que não tomava há mais de três anos. Na quarta-feira, 16 de março de 2022, o banco central elevou sua taxa de referência em 25 pontos base, movendo-a para a faixa de 0,25% a 0,50%. Era a primeira subida desde dezembro de 2018, e marcava o início de um novo ciclo de aperto monetário na maior economia do mundo — mesmo enquanto a invasão russa da Ucrânia criava turbulência nos mercados globais e ameaçava desacelerar o crescimento.
A decisão era esperada pelos analistas, mas seu timing carregava peso político e económico. A inflação nos Estados Unidos havia atingido patamares não vistos em quatro décadas, rondando os 8%. O banco central não podia adiar mais. Jerome Powell, presidente da Fed, deixou claro na conferência de imprensa que o momento havia chegado: a economia estava forte, o mercado de trabalho vibrante, e a prioridade agora era restaurar a estabilidade dos preços. "Já não me lembrava como era termos uma inflação tão elevada", admitiu Powell, sinalizando a gravidade da situação e a urgência de agir.
Mas uma subida de 25 pontos base era apenas o começo. O Comité do Mercado Aberto da Fed projetava seis aumentos adicionais ao longo de 2022, o que levaria a taxa de referência para perto de 1,9% até ao final do ano. Três subidas mais eram esperadas em 2023, elevando a taxa para aproximadamente 2,3%. Nenhum aumento estava previsto para 2024. O ritmo era mais agressivo do que o ciclo anterior, entre 2017 e 2018, quando a Fed havia subido os juros oito vezes num total de dois pontos percentuais. A pandemia havia trazido as taxas de volta a quase zero em 2020, e lá tinham permanecido até este momento.
Powel não deixou margem para dúvida sobre a determinação do banco central. Quando questionado sobre a possibilidade de aumentos ainda mais rápidos, respondeu com firmeza: "Se tivermos de subir os juros mais rapidamente, é o que faremos". Explicou que o objetivo era trazer a inflação de volta aos 2% normais, e que isso exigiria não apenas aumentos de taxas, mas também a redução do balanço da Fed — um processo que tornaria as condições financeiras mais restritivas e abrandaria a atividade económica. A boa notícia, segundo Powell, era que a economia e os mercados eram suficientemente fortes para suportar este aperto.
A decisão foi quase unânime. Apenas James Bullard, presidente da Fed de St. Louis, votou a favor de uma subida de 50 pontos base, argumentando que um aumento mais agressivo era necessário. Todos os outros membros do comité apoiaram os 25 pontos base.
As projeções económicas foram revistas em baixa. O crescimento do PIB, que havia sido estimado em 4% três meses antes, foi cortado para 2,8%. A inflação, por sua vez, foi revista em alta: esperava-se agora que atingisse 4,1% em 2022, bem acima da projeção anterior de 2,7%. O comité reconheceu explicitamente que a invasão da Ucrânia criava "enormes dificuldades humanas e económicas" e que as implicações para a economia americana eram "altamente incertas". No curto prazo, porém, o conflito provavelmente aumentaria ainda mais a pressão sobre os preços — através da energia e das matérias-primas — enquanto pesaria na atividade económica.
Powel insistiu que a Fed estava comprometida em recuperar a credibilidade no combate à inflação, algo que havia sido dado como garantido até agora. O banco central usaria todas as ferramentas ao seu alcance — aumentos de taxas e redução do balanço — para assegurar que a inflação elevada não se enraizasse na economia. A mensagem era clara: o ciclo de normalização monetária havia começado, e não havia volta atrás.
Citations marquantes
Já não me lembrava como era termos uma inflação tão elevada— Jerome Powell, presidente da Fed
Se a inflação mostrar a necessidade de subir os juros mais rapidamente, é o que faremos— Jerome Powell, presidente da Fed