Em um momento em que a inflação americana se recusa a ceder, o Federal Reserve deu nesta quarta-feira o passo mais ousado em quase três décadas: um aumento de 75 pontos-base na taxa básica de juros, levando-a para a faixa de 1,50% a 1,75% ao ano. A decisão, impulsionada por uma inflação de 8,6% ao ano em maio, revela um banco central disposto a aceitar o custo do crescimento mais lento em troca da estabilidade dos preços. É o sinal de que a era do dinheiro fácil chegou ao fim, e que o caminho à frente será deliberadamente mais estreito.
Fed eleva juros em 75 pontos-base, maior aumento desde 1994
A inflação permanece elevada, refletindo desequilíbrios de oferta e demanda
Por que o Fed decidiu por 75 pontos-base agora, quando semanas atrás isso era considerado improvável?
Os números de inflação de maio foram o ponto de virada. A taxa anual de 8,6% superou as expectativas dos analistas, e reportagens sobre possíveis aumentos ainda maiores consolidaram as apostas no mercado.
Mas vale notar que essa mudança de expectativa aconteceu em poucos dias, entre a divulgação do CPI e a reunião. Isso mostra como o mercado estava sensível a qualquer sinal de que o Fed poderia agir mais agressivamente.
A decisão foi unânime?
Quase. Apenas Esther George, presidente da distrital de Kansas City, votou por 50 pontos-base em vez de 75.
Uma dissidência em 18 membros é praticamente consenso. Mas é importante notar que George não votou contra o aumento, apenas por um aumento menor. Isso mostra que havia alguma preocupação com a magnitude do movimento.
O que essas projeções para 2022 e 2023 nos dizem?
O Fed espera juros de 3,4% até o fim de 2022 e 3,8% em 2023. Em março, a maioria dos dirigentes previa algo em torno de 2% a 2,75%. É uma mudança radical em apenas três meses.
Mas essas são projeções, não promessas. Dependem de como a inflação evoluir. Se os preços caírem mais rápido que o esperado, o Fed pode desacelerar. Se subirem mais, pode acelerar ainda mais.
E quanto ao crescimento econômico? O Fed está preparado para uma recessão?
As projeções de crescimento foram revisadas para baixo. Para 2022, caiu de 2,8% para 1,7%. O Fed está sinalizando que espera que seu aperto esfrie a economia.
Isso é o trade-off clássico: controlar a inflação pode custar crescimento. Mas o Fed está dizendo que não tem escolha, porque a inflação é o risco maior agora. A questão é se conseguirá um "pouso suave" ou se vai gerar uma recessão.
O Fed está fazendo mais do que apenas aumentar juros?
Sim. Também está reduzindo seu balanço patrimonial, vendendo títulos que comprou durante a pandemia. Começou em junho com 47,5 bilhões por mês e acelerará para 95 bilhões depois.
Isso é importante porque é um segundo mecanismo de aperto funcionando em paralelo. Mas é menos visível que os aumentos de juros, então o mercado pode não estar precificando totalmente o impacto dessa redução.
Le Pouls
- A inflação americana de 8,6% ao ano em maio — a mais alta em décadas — forçou o Fed a abandonar a cautela e agir com uma urgência não vista desde 1994.
- Em menos de uma semana, o mercado passou de considerar um aumento de 75 pontos-base improvável a apostá-lo como certo, após reportagens do Wall Street Journal e da CNBC e dados de inflação acima do esperado.
- A decisão foi quase unânime no Fomc, com apenas uma voz dissidente pedindo moderação, revelando o grau de consenso interno sobre a gravidade do problema inflacionário.
- O Fed projeta juros chegando a 3,4% até o fim de 2022 e 3,8% em 2023, enquanto revisa o crescimento econômico para baixo — sinalizando que aceita desacelerar a economia para domar os preços.
- Além dos juros, o banco central avança na redução de seu balanço patrimonial, drenando liquidez do sistema em um segundo mecanismo de aperto que opera em paralelo às altas de juros.
Em um momento em que a inflação americana se recusa a ceder, o Federal Reserve deu nesta quarta-feira o passo mais ousado em quase três décadas: um aumento de 75 pontos-base na taxa básica de juros, levando-a para a faixa de 1,50% a 1,75% ao ano. A decisão, impulsionada por uma inflação de 8,6% ao ano em maio, revela um banco central disposto a aceitar o custo do crescimento mais lento em troca da estabilidade dos preços. É o sinal de que a era do dinheiro fácil chegou ao fim, e que o caminho à frente será deliberadamente mais estreito.
O Federal Reserve anunciou na quarta-feira, 15 de junho, um aumento de 75 pontos-base na taxa básica de juros dos EUA, elevando-a para entre 1,50% e 1,75% ao ano. É o maior movimento do banco central americano desde 1994 — um intervalo de 28 anos — e marca uma virada dramática na postura da instituição diante de uma inflação persistente.
A decisão foi quase unânime no Comitê Federal de Mercado Aberto. Apenas Esther George, da distrital de Kansas City, votou por um aumento menor, de 50 pontos-base. O gatilho foi o índice de preços ao consumidor de maio, que registrou alta mensal de 1,0% e anual de 8,6%, ambas acima das expectativas. Reportagens do Wall Street Journal e da CNBC sobre possíveis aumentos ainda maiores consolidaram as apostas em 75 pontos-base na véspera da decisão.
Em seu comunicado, o Fed apontou desequilíbrios de oferta e demanda herdados da pandemia, preços elevados de energia e a invasão da Ucrânia pela Rússia como fontes de pressão inflacionária. O banco central afirmou estar "altamente atento aos riscos inflacionários" e sinalizou que novos aumentos serão necessários.
As projeções internas revelam a escala da mudança. A estimativa mediana para a inflação em 2022 subiu de 4,3% para 5,2%, enquanto o crescimento econômico foi revisado de 2,8% para 1,7% — sinal de que o Fed aceita esfriar a economia como preço pelo controle dos preços. Para os juros, a projeção mediana para o fim de 2022 saltou de 1,9% em março para 3,4%, e para 2023, de 2,8% para 3,8%. Treze dos 18 membros do Fomc esperam juros entre 3% e 3,5% até dezembro.
O Fed também avança na redução de seu balanço patrimonial, iniciada em junho, com cortes mensais que chegarão a 95 bilhões de dólares — um segundo mecanismo de aperto, operando em paralelo às altas de juros, para drenar liquidez e desacelerar a inflação.
O Federal Reserve anunciou nesta quarta-feira, 15 de junho, um aumento de 75 pontos-base na taxa de juros básica dos EUA, elevando-a para a faixa entre 1,50% e 1,75% ao ano. É o maior movimento desde 1994, um intervalo de 28 anos, e marca uma mudança dramática na postura do banco central americano diante de uma inflação que se recusa a ceder.
A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto foi quase unânime. Apenas Esther George, presidente da distrital de Kansas City, votou por um aumento menor, de 50 pontos-base. Uma semana antes, o mercado considerava um movimento dessa magnitude pouco provável. Mas os números de inflação de maio mudaram tudo. O índice de preços ao consumidor mostrou uma taxa mensal de 1,0% e anual de 8,6%, ambas acima do que os analistas esperavam. Reportagens do Wall Street Journal e da CNBC sobre possíveis aumentos ainda maiores consolidaram as apostas em 75 pontos-base na noite de anteontem.
O Fed não agiu sozinho neste movimento. Além de elevar a taxa básica, aumentou a taxa de juros paga sobre saldo de reserva para 1,65%, a partir de quinta-feira, e elevou a taxa de desconto em 75 pontos-base, de 1,00% para 1,75%. Em seu comunicado, o banco central foi claro sobre o que vê à frente: "A inflação permanece elevada, refletindo desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia, preços mais altos de energia e pressões mais amplas sobre os preços." A invasão da Ucrânia pela Rússia foi citada como fonte adicional de pressão ascendente sobre os preços e peso sobre a atividade econômica global. O Fomc sinalizou que está "altamente atento aos riscos inflacionários" e que novos aumentos serão apropriados.
As projeções do Fed para os próximos anos revelam a magnitude da mudança de cenário. Para a inflação medida pelo índice de preços de gastos com consumo, a mediana das estimativas para 2022 subiu de 4,3% em março para 5,2% agora. Para 2023, caiu de 2,7% para 2,6%. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, também subiu: de 4,1% para 4,3% em 2022, e de 2,6% para 2,7% em 2023. No longo prazo, o Fed mantém a meta de 2,0%.
O crescimento econômico, por sua vez, foi revisado para baixo. Para 2022, a mediana das estimativas caiu de 2,8% em março para 1,7% agora. Para 2023, de 2,2% para 1,7%. Para 2024, de 2,0% para 1,9%. É o sinal de que o Fed espera que seu aperto monetário esfrie a economia, reduzindo a demanda e, com ela, a pressão sobre os preços.
Os dirigentes do Fed também revisaram drasticamente suas expectativas para onde os juros irão. Para o final de 2022, a mediana das projeções subiu de 1,9% em março para 3,4% agora. Para 2023, de 2,8% para 3,8%. Para 2024, de 2,8% para 3,4%. No longo prazo, o consenso aponta para uma taxa de 2,5%, acima dos 2,4% projetados em março. Dentre os 18 membros do Fomc, 13 acreditam que a taxa básica estará entre 3% e 3,5% até o fim de 2022. Em março, apenas um dirigente esperava juros de 3% ou mais.
O Fed também reafirmou seu plano de reduzir o tamanho de seu balanço patrimonial, iniciado em 1º de junho. Durante os três primeiros meses, o banco central reduzirá suas compras de títulos lastreados em hipoteca em 17,5 bilhões de dólares ao mês e de Treasuries em 30 bilhões, totalizando 47,5 bilhões mensais. Depois disso, o ritmo de redução acelerará para 95 bilhões por mês: 60 bilhões em Treasuries e 35 bilhões em MBS. É um segundo mecanismo de aperto, funcionando em paralelo aos aumentos de juros, para drenar liquidez da economia e desacelerar a inflação.
Citations marquantes
A inflação permanece elevada, refletindo desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia, preços mais altos de energia e pressões mais amplas sobre os preços— Comunicado do Federal Reserve
O Comitê está altamente atento aos riscos inflacionários— Comunicado do Federal Reserve