Fed eleva juros em 0,75 p.p. e projeta desaceleração econômica

A inflação permanece em máxima de 40 anos sem sinais de pico
O Fed justifica o maior aumento de juros desde 1994 pela persistência de pressões de preços que não mostram sinais de arrefecimento.
Mark

Por que o Fed decidiu fazer um aumento tão grande agora? Não era possível fazer isso de forma mais gradual?

Mimi

Os dados simplesmente não deixaram espaço para gradualismo. A inflação estava em máxima de 40 anos e não dava sinais de ter chegado ao pico. O Fed havia projetado em março que os juros poderiam subir lentamente, mas a realidade dos preços os forçou a mudar de curso.

Luke

Mas vale notar que nenhuma autoridade estimou recessão formalmente. As projeções apontam para crescimento próximo a zero em 2023, o que é diferente de contração. Ainda há incerteza sobre se conseguem evitar a recessão ou não.

Mark

E o desemprego? Quanto vai subir?

Mimi

O Fed projeta que chegue a 3,7% até o fim deste ano e a 4,1% em 2024. Isso significa milhões de pessoas perdendo empregos para conter a inflação.

Luke

Essas são projeções medianas. A realidade pode ser pior ou melhor. O que importa é que o Fed está explicitamente aceitando que o desemprego vai subir como parte do preço para controlar a inflação.

Mark

Quanto tempo até a inflação voltar ao normal?

Mimi

Segundo as projeções do Fed, o índice PCE — a medida preferida deles — chegaria a 2,2% em 2024. Mas ainda estaria em 5,2% neste ano, então estamos falando de um processo longo e doloroso.

  • A inflação americana atingiu máxima de 40 anos sem dar sinais de pico, forçando o Fed a abandonar uma postura mais cautelosa e agir com urgência incomum.
  • O aumento de 0,75 p.p. — o maior em quase três décadas — surpreendeu mercados e sinalizou que o banco central está disposto a aceitar dor econômica para recuperar o controle dos preços.
  • As projeções do Fed para a taxa de juros saltaram de 1,9% para 3,4% até o fim de 2022, revelando uma recalibração profunda e acelerada da política monetária.
  • O crescimento econômico deve desacelerar a 1,7% e o desemprego subir a 3,7% ainda em 2022, com o crescimento flertando com zero em 2023.
  • Mesmo com os apertos já em curso, o índice PCE de inflação deve permanecer em 5,2% neste ano, indicando que o ciclo de alta de juros está longe do fim.

Em um momento que ecoa os grandes ciclos de aperto monetário do passado, o Federal Reserve elevou os juros americanos em 0,75 ponto percentual — o maior salto desde 1994 —, reconhecendo que a inflação, persistente como raramente se viu em quatro décadas, exige um preço mais alto do que a sociedade havia antecipado. A decisão, tomada em junho de 2022, não é apenas técnica: é uma confissão de que o caminho de volta à estabilidade de preços passará por crescimento mais lento, mais desemprego e sacrifícios distribuídos por toda a economia americana.

O Federal Reserve anunciou na quarta-feira um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa de juros dos Estados Unidos, o maior movimento desde 1994, admitindo que a batalha contra a inflação exigirá sacrifícios maiores do que se imaginava meses atrás. A decisão veio após dados recentes indicarem que o banco central estava perdendo terreno na contenção da alta de preços.

O Comitê Federal de Mercado Aberto reconheceu que a inflação segue elevada, alimentada por desequilíbrios herdados da pandemia, pelos preços da energia e por pressões mais amplas. A taxa de curto prazo foi elevada para a faixa de 1,50% a 1,75%, e as autoridades agora projetam alcançar 3,4% até o fim de 2022 — uma mudança expressiva em relação à projeção de março, que apontava para 1,9%. Para 2023, a expectativa é de 3,8%.

Essa virada reflete a persistência de uma inflação que permaneceu em máxima de 40 anos sem atingir o pico esperado para o primeiro semestre, forçando uma recalibração completa da política monetária. O custo será sentido na economia real: o Fed projeta crescimento de apenas 1,7%, desemprego subindo a 3,7% até dezembro e crescimento próximo a zero em 2023.

Mesmo com as medidas adotadas, a inflação medida pelo índice PCE deve fechar 2022 em 5,2%, recuando apenas gradualmente até 2,2% em 2024. O cenário sugere que o Fed pode estar apenas no início de um ciclo de aperto que será prolongado e doloroso para consumidores e empresas.

O Federal Reserve anunciou nesta quarta-feira um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa de juros dos Estados Unidos — o maior movimento desde 1994 — sinalizando que a luta contra a inflação exigirá sacrifícios econômicos maiores do que se esperava apenas alguns meses atrás. A decisão veio após dados recentes mostrarem que o banco central está perdendo terreno na tentativa de conter o salto de preços que assola a economia americana.

O comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto foi direto: a inflação permanece elevada, alimentada por desequilíbrios entre oferta e demanda herdados da pandemia, pelos preços da energia e por pressões de preços mais amplas. O comitê reafirmou seu compromisso em trazer a inflação de volta ao alvo de 2%, mas as projeções que acompanharam o anúncio revelam o quanto esse caminho se tornou mais íngreme. A taxa de juros de curto prazo agora situa-se entre 1,50% e 1,75%, e as autoridades do Fed esperam elevá-la a 3,4% até o fim deste ano — uma mudança substancial em relação às projeções de março, quando ainda imaginavam juros em 1,9% para 2022. Para 2023, a projeção é de 3,8%.

Essa trajetória mais agressiva reflete uma mudança rápida nas convicções do mercado financeiro e das autoridades sobre o que será necessário para controlar as pressões de preços. Desde março, quando o Fed ainda projetava que poderia elevar juros mantendo o desemprego em torno de 3,5%, a inflação permaneceu em uma máxima de 40 anos sem dar sinais de ter alcançado o pico que as autoridades esperavam chegar ainda no primeiro semestre. Essa persistência forçou uma recalibração completa da política monetária.

O custo dessa recalibração será sentido na economia real. O Fed agora projeta que o crescimento econômico desacelerará a uma taxa de 1,7% — abaixo da tendência — e que o desemprego subirá a 3,7% até o fim do ano, chegando a 4,1% em 2024. Embora nenhuma autoridade tenha estimado formalmente uma recessão, as projeções econômicas apontam para um crescimento próximo a zero em 2023, com os juros devendo cair em 2024 conforme a economia enfraquece.

Mesmo com as ações mais agressivas adotadas nesta quarta-feira, as autoridades ainda veem a medida preferida de inflação do Fed — o índice PCE — em 5,2% neste ano, desacelerando apenas gradualmente para 2,2% em 2024. Isso significa que mesmo com aumentos de juros substanciais já em andamento, a inflação permanecerá bem acima do alvo por um período prolongado, sugerindo que o Fed pode estar apenas no início de um ciclo de aperto monetário que será doloroso tanto para consumidores quanto para empresas.

A inflação permanece elevada, refletindo desequilíbrios de oferta e demanda relacionadas à pandemia, preços de energia mais altos e pressões de preços mais amplas
— Comitê Federal de Mercado Aberto
O comitê está fortemente comprometido em levar a inflação de volta a seu objetivo de 2%
— Comitê Federal de Mercado Aberto
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