Fed eleva juros em 0,75 ponto pela segunda vez em dois meses

A inflação de 9,1% é o nível mais alto em quatro décadas
O Fed enfrenta uma inflação dramaticamente mais severa do que a que enfrentou em 1994, quando implementou aumentos similares.
Mark

Por que o Fed decidiu aumentar os juros em 0,75 ponto novamente? Isso não é um movimento muito agressivo?

Mimi

É agressivo, sim, mas o Fed vê a inflação de 9,1% como uma ameaça que exige ação rápida. Eles estão tentando sinalizar que levam a sério o compromisso de trazer a inflação de volta para 2%.

Luke

Mas vale notar que esse tamanho de aumento não era visto desde 1994. Estamos em território desconhecido em termos de velocidade de aperto.

Mark

E quanto ao mercado de trabalho? O Fed mencionou que a criação de empregos continua robusta.

Mimi

Sim, o Fed reconheceu isso no comunicado. Mas há uma tensão aqui: se você aperta a moeda muito rápido, eventualmente o desemprego sobe. É um risco calculado.

Luke

Exatamente. O comunicado diz que o emprego é "robusto", mas não oferece números específicos. Sabemos que há criação de empregos, mas não sabemos se o Fed tem dados recentes que sugerem desaceleração iminente.

Mark

E essa redução do balanço patrimonial? Como funciona?

Mimi

O Fed acumulou quase 9 trilhões em títulos durante anos de estímulo. Agora está vendendo esses ativos sistematicamente para drenar dinheiro da economia. Em agosto, 47,5 bilhões por mês. Em setembro, 95 bilhões.

Luke

O ponto importante é que isso é um segundo mecanismo de aperto, além dos juros. Estamos vendo uma política monetária muito restritiva em múltiplas frentes simultaneamente.

Mark

Qual é o risco aqui?

Mimi

O risco é que você aperte demais e cause uma recessão. Ou aperte de menos e a inflação continue fora de controle. O Fed está apostando que consegue acertar no meio.

Luke

E não sabemos ainda se vai funcionar. Esses aumentos levam tempo para passar pela economia. O Fed está agindo com base em dados de junho, mas estamos em julho. Há um lag.

  • A inflação americana de 9,1% — mais que o triplo da meta do Fed — criou uma urgência que forçou o banco central a adotar medidas não vistas em quase três décadas.
  • O segundo aumento consecutivo de 0,75 ponto em dois meses representa uma escalada agressiva que surpreende pela velocidade, mesmo que o resultado individual de cada reunião fosse esperado pelo mercado.
  • O Fed opera agora em duas frentes simultâneas: além de elevar juros, está liquidando sistematicamente uma carteira de quase 9 trilhões de dólares em títulos, com o ritmo de venda dobrando em setembro.
  • O risco central é o fio da navalha entre conter a inflação e provocar uma recessão — apertar demais pode destruir empregos e crescimento, apertar de menos deixa os preços sem controle.
  • O banco central sinalizou abertamente que novos aumentos virão, reafirmando o compromisso de levar a inflação de volta a 2% mesmo diante de um mercado de trabalho ainda aquecido.

Pela segunda vez em dois meses, o Federal Reserve elevou sua taxa de juros em 0,75 ponto percentual — um movimento que não se via desde 1994 —, levando a taxa oficial americana à faixa de 2,25% a 2,5%. A decisão reflete a gravidade de uma inflação de 9,1%, a mais alta em quarenta anos, e a disposição do banco central de aceitar os riscos do aperto econômico para devolver a estabilidade de preços ao país. É um momento em que a política monetária carrega o peso de escolhas sem saída fácil: agir com força demais pode sufocar o crescimento; agir de menos é abandonar o campo à inflação.

Na quarta-feira, 27 de julho, o Federal Reserve anunciou mais um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa de juros dos Estados Unidos — o segundo movimento dessa magnitude em apenas dois meses. A taxa oficial chegou à faixa de 2,25% a 2,5%, marcando o quarto aumento desde o início do ciclo de aperto monetário em março. Aumentos dessa proporção não eram vistos desde 1994, quando Alan Greenspan conduzia o banco central em um cenário muito diferente do atual.

A diferença entre os dois momentos históricos é reveladora. Naquele ciclo dos anos 1990, a inflação havia chegado a 2,7%. Em junho de 2022, o índice atingiu 9,1% — o maior em quarenta anos e mais que o triplo dos níveis considerados saudáveis. O abismo entre os dois contextos ilustra a dimensão do desafio que o Fed enfrenta hoje.

Após dois dias de reunião, o Conselho de Governadores deixou claro que não pretende recuar. Em comunicado, reafirmou o compromisso de elevar ainda mais os juros até que a inflação retorne à meta de 2%, reconhecendo ao mesmo tempo que o mercado de trabalho americano segue robusto. Paralelamente, o banco central mantém em curso a redução de sua carteira de quase 9 trilhões de dólares em títulos — um segundo instrumento de aperto monetário. Em agosto, as vendas mensais somam cerca de 47,5 bilhões de dólares; a partir de setembro, esse volume dobra.

A combinação de juros mais altos com encolhimento do balanço patrimonial forma um aperto duplo, projetado para drenar liquidez e aliviar a pressão sobre os preços. Mas a estratégia carrega riscos: ir longe demais pode frear o crescimento e prejudicar o emprego. O Fed escolheu seu caminho e, por ora, não dá sinais de desvio.

O Federal Reserve anunciou na quarta-feira, 27 de julho, um novo aumento de 0,75 ponto na taxa de juros oficial dos Estados Unidos. Era a segunda vez em dois meses que o banco central americano adotava um movimento dessa magnitude, sinalizando uma escalada agressiva na luta contra a inflação que assola o país.

Com essa decisão, que saiu conforme esperado pelos analistas de mercado, a taxa oficial chegou a uma faixa de 2,25% a 2,5%. Tratava-se do quarto aumento desde que o Fed iniciou seu ciclo de aperto monetário em março. O que tornava essa sequência particularmente notável era o tamanho dos movimentos: aumentos de 0,75 ponto não eram vistos desde 1994, quando Alan Greenspan liderava o banco central e implementou uma série de altas para evitar que a inflação saísse completamente do controle.

Mas a situação atual era dramaticamente diferente daquela época. Em junho de 2022, a inflação americana atingiu 9,1%, o nível mais alto em quatro décadas. Em comparação, durante aquele ciclo de aperto de 1994, a inflação havia chegado apenas a 2,7%. O abismo entre os dois momentos refletia a magnitude do desafio que o Fed enfrentava: uma inflação que havia mais que triplicado em relação aos níveis considerados saudáveis.

Após dois dias de reunião, o Conselho de Governadores do Fed deixou claro que não pretendia parar por ali. Em comunicado, o banco central reiterou seu compromisso de voltar a elevar a taxa de juros, sinalizando que novos aumentos viriam. "O comitê está fortemente comprometido com o objetivo de devolver a inflação a 2%", afirmou o Fed, ao mesmo tempo em que reconhecia que a criação de empregos nos Estados Unidos continuava robusta.

Além de elevar a taxa de juros, o Fed também mantinha em marcha um segundo instrumento de política monetária: a redução de seu portfólio de títulos. O banco central possuía quase 9 trilhões de dólares em ativos, principalmente títulos do Tesouro e hipotecários, acumulados durante anos de estímulo econômico. Agora estava se desfazendo desses papéis de forma sistemática. Em agosto, o Fed planejava vender 30 bilhões de dólares em letras do Tesouro e 17,5 bilhões em títulos hipotecários. A partir de setembro, esses números dobrariam: 60 bilhões e 35 bilhões de dólares respectivamente. O processo continuaria até que o banco central atingisse níveis que considerava "ligeiramente acima" do que chamava de "amplas reservas", conforme plano divulgado em maio.

A combinação de juros mais altos e redução do balanço patrimonial representava um aperto monetário duplo, projetado para drenar liquidez da economia e, assim, reduzir a pressão sobre os preços. Era uma estratégia de risco: apertar demais poderia desacelerar o crescimento econômico e prejudicar o mercado de trabalho. Apertar de menos deixaria a inflação fora de controle. O Fed havia escolhido seu caminho, e tudo indicava que continuaria nessa direção.

O comitê está fortemente comprometido com o objetivo de devolver a inflação a 2%
— Federal Reserve
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