Em um momento que ecoa os grandes ciclos de aperto monetário do século passado, o Federal Reserve elevou sua taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual — o maior salto desde 1994 —, sinalizando que a batalha contra a inflação exige sacrifícios que podem reconfigurar o crescimento americano por anos. A decisão, tomada com quase unanimidade em junho de 2022, reflete a tensão perene entre estabilizar preços e preservar o emprego, um dilema que os bancos centrais carregam como fardo constitutivo de sua existência. O mundo observa, pois o que o Fed decide em Washington reverbera em cadeias de su
Fed eleva juros em 0,75 ponto, maior aumento desde 1994, em resposta à inflação
O maior aumento desde 1994, forçado por inflação que ninguém esperava
Por que o Fed precisou fazer um aumento tão grande de uma vez? Não seria melhor ir aumentando gradualmente?
Os dados de inflação de maio assustaram o mercado e o próprio Fed. Quando a inflação sai do controle, esperar pode significar ter que fazer aumentos ainda maiores depois. Eles tentaram sinalizar aumentos menores por semanas, mas os números de preços forçaram a mão.
Mas vale notar que essa mudança de expectativa aconteceu muito rápido — em um fim de semana, baseada em um artigo de jornal. Não sabemos exatamente o que os dirigentes estavam pensando antes daquele artigo sair.
E quanto ao risco de recessão que mencionam?
É o dilema clássico. Aumentar juros desacelera a economia para conter preços. Se desacelerarem demais, caem em recessão. O Fed está apostando que consegue frear a inflação sem deixar o desemprego subir muito.
As projeções deles mostram desemprego subindo de 3,6% para 3,7% em 2022 e 3,9% em 2023. Isso é uma mudança significativa. Mas projeções do Fed nem sempre acertam — especialmente em tempos de incerteza como agora, com a guerra na Ucrânia e bloqueios na China.
Esther George votou diferente. Isso significa que ela acha que o Fed está exagerando?
Ela votou por 0,5 ponto em vez de 0,75. Pode ser que achasse que um aumento menor fosse suficiente, ou que o risco de recessão fosse maior. Mas foi apenas um voto contra dez — a maioria estava convencida.
Um voto dissidente é importante para registrar, mas não muda o fato de que o consenso foi esmagador. A questão real é se esse consenso está certo.
Il Polso
- A inflação ao consumidor surpreendeu o mercado na semana anterior, forçando o Fed a abandonar a cautela e agir com uma intensidade não vista em quase três décadas.
- A votação de 10 a 1 revelou consenso quase absoluto, mas a dissidência de Esther George expõe o debate interno sobre o ritmo adequado do aperto sem provocar recessão.
- As projeções do comitê saltaram dramaticamente: a taxa esperada para o fim de 2022 passou de 1,9% para 3,4%, sinalizando que os aumentos ainda estão longe de terminar.
- O crescimento do PIB foi revisado para baixo e o desemprego projetado subiu, tornando o risco de recessão em 2023 uma possibilidade cada vez mais concreta.
- Powell preparava-se para enfrentar a imprensa e tentar convencer os americanos de que é possível domar a inflação sem destruir o mercado de trabalho — uma promessa difícil de sustentar.
Em um momento que ecoa os grandes ciclos de aperto monetário do século passado, o Federal Reserve elevou sua taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual — o maior salto desde 1994 —, sinalizando que a batalha contra a inflação exige sacrifícios que podem reconfigurar o crescimento americano por anos. A decisão, tomada com quase unanimidade em junho de 2022, reflete a tensão perene entre estabilizar preços e preservar o emprego, um dilema que os bancos centrais carregam como fardo constitutivo de sua existência. O mundo observa, pois o que o Fed decide em Washington reverbera em cadeias de suprimento, moedas e empregos muito além das fronteiras americanas.
Na tarde de uma quarta-feira de junho de 2022, o Federal Reserve anunciou o maior aumento de juros em uma única reunião desde 1994: 0,75 ponto percentual, levando a taxa de referência para a faixa entre 1,5% e 1,75%. A decisão foi precipitada por dados de inflação ao consumidor em maio que surpreenderam o mercado dias antes, acelerando a percepção de que o banco central precisaria agir com mais força do que havia sinalizado.
A votação foi de 10 a 1. Apenas Esther George, do Federal Reserve de Kansas City, discordou, defendendo um aumento de 0,5 ponto. Os demais membros do comitê avaliaram que a combinação de salários em alta, desemprego baixo em 3,6%, pressões herdadas da pandemia, energia cara e os efeitos da guerra na Ucrânia e dos bloqueios na China justificavam o movimento mais agressivo.
As projeções divulgadas junto à decisão revelaram uma reviravolta dramática em relação a março. O comitê passou a esperar juros em 3,4% ao fim de 2022 — ante 1,9% projetados três meses antes — e em 3,8% em 2023. Em contrapartida, as perspectivas de crescimento foram cortadas: o PIB de 2022 foi revisado de 2,8% para 1,7%, e as estimativas de desemprego subiram para os anos seguintes, elevando o espectro de recessão em 2023.
A mudança de expectativas havia sido abrupta. No início daquela semana, o mercado ainda aguardava 0,5 ponto, em linha com as sinalizações anteriores do Fed. Foi um artigo no Wall Street Journal, seguido por reportagens similares, que sugeriu que os dirigentes estavam alarmados e consideravam um passo maior — levando economistas do Goldman Sachs a revisarem suas projeções na mesma semana. Jerome Powell, que havia prometido levar os juros rapidamente a um nível neutro e depois além, se preparava para explicar a decisão em entrevista coletiva, reafirmando a esperança de desacelerar a economia sem elevar o desemprego de forma severa — uma promessa cada vez mais difícil de garantir.
O Federal Reserve anunciou na quarta-feira à tarde uma decisão que marcaria um ponto de inflexão na política monetária americana. A taxa de juros básica subiria 0,75 ponto percentual — o maior aumento em uma única reunião desde 1994 — levando a faixa de referência para entre 1,5% e 1,75%. A decisão chegou após dados de inflação ao consumidor em maio terem surpreendido o mercado na sexta anterior, acelerando expectativas sobre o quanto o banco central precisaria apertar as condições de crédito para conter a pressão de preços.
A votação refletiu consenso quase total entre os dirigentes. Dez dos onze membros do comitê de política monetária apoiaram o movimento de 0,75 ponto. Apenas Esther George, presidente do Federal Reserve de Kansas City, discordou, argumentando que um aumento de 0,5 ponto seria mais apropriado. O comitê observou que os salários vinham crescendo com força nos meses anteriores e o desemprego permanecia baixo, em 3,6%. Mas a inflação seguia elevada, alimentada por desequilíbrios entre oferta e demanda herdados da pandemia, preços de energia em alta e pressões mais amplas sobre os custos.
O comunicado oficial sinalizava vigilância contínua. Os dirigentes disseram estar preparados para ajustar a política conforme necessário caso surgissem riscos que impedissem atingir o objetivo de inflação de 2%. Mencionaram explicitamente a invasão russa da Ucrânia como fonte de dificuldades econômicas e humanas, criando pressão adicional sobre preços e pesando na atividade global. Os bloqueios relacionados à pandemia na China, apontaram, provavelmente piorariam as interrupções nas cadeias de suprimento.
As projeções divulgadas pelo Fed revelavam uma mudança dramática em relação a março. Os dezoito membros do comitê agora esperavam que a taxa de juros terminasse 2022 em 3,4%, versus 1,9% projetado três meses antes. Todos os dezoito participantes da reunião esperavam que o Fed elevasse as taxas para pelo menos 3% ainda em 2022. Para o fim de 2023, a mediana das projeções era de 3,8%, acima dos 2,8% anteriores. Em 2024, esperava-se 3,4%, também acima da projeção anterior de 2,8%.
Mas as perspectivas para o crescimento econômico foram revisadas para baixo. A mediana para expansão do PIB em 2022 caiu de 2,8% para 1,7%. Para 2023, foi reduzida de 2,2% para 1,7%, e para 2024, de 2% para 1,9%. A taxa de desemprego projetada para 2022 subiu de 3,5% para 3,7%, e para 2023, de 3,5% para 3,9%. O movimento maior de juros, embora reduzisse a necessidade de aumentos futuros, elevava a probabilidade de recessão no próximo ano.
A mudança de expectativas havia sido abrupta. No início da semana, operadores e economistas esperavam um aumento de 0,5 ponto, alinhado com sinalizações que o Fed vinha fazendo há semanas. Mas na segunda-feira à tarde, um artigo no Wall Street Journal seguido por reportagens similares em outros veículos sugeriu que dirigentes do Fed estavam alarmados com o agravamento da inflação e consideravam um movimento maior. Economistas do Goldman Sachs alteraram suas projeções de 0,5 para 0,75 ponto naquela semana, descrevendo o artigo como uma sinalização da liderança do Fed.
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, havia dito em falas anteriores que queria levar a taxa de juros rapidamente a um nível neutro, que a maioria das autoridades definia entre 2,4% e 2,5%, e depois mais alto conforme necessário. Com aumentos de 0,75 ponto, o Fed atingiria esse nível já em julho. Powell também havia advertido que a luta contra a inflação seria dolorosa, embora repetidamente tentasse assegurar aos americanos que o banco central buscaria desacelerar a economia e os preços sem elevar muito o desemprego em relação ao nível saudável de 3,6%. Ele daria entrevista coletiva às 15h30 no horário de Brasília para explicar a decisão.
Citazioni salienti
O comitê está preparado para ajustar a orientação da política monetária conforme apropriado caso surjam riscos que possam impedir o atingimento dos objetivos— Comunicado oficial do Federal Reserve
A invasão da Ucrânia pela Rússia está causando enormes dificuldades humanas e econômicas e criando pressão ascendente adicional sobre a inflação— Federal Reserve