Numa quarta-feira de novembro de 2022, o Federal Reserve elevou pela quarta vez consecutiva sua taxa de juros em 0,75 ponto percentual, levando-a ao intervalo entre 3,75% e 4% ao ano — um ritmo de aperto monetário sem precedentes em mais de quatro décadas. A decisão reflete a urgência de domar uma inflação de 8,2% que corrói o poder de compra dos americanos desde os tempos da Guerra Fria. O mundo observa, pois o movimento do banco central mais poderoso do planeta não fica contido dentro das fronteiras americanas: ele remodela fluxos de capital, encarece o dólar e pressiona economias ao redor d
Fed aumenta juros em 0,75 ponto; quarto aumento seguido tenta frear inflação histórica
O ritmo de aumento é o mais rápido em mais de quarenta anos
Por que o Fed está aumentando juros tão agressivamente agora? Isso não era considerado arriscado?
É porque a inflação está fora de controle — 8,2% em doze meses, quando a meta é 2%. Aumentar juros é a ferramenta mais poderosa que têm para retirar dinheiro de circulação e desacelerar a economia.
Mas vale notar que essa agressividade é extraordinária. Não havia aumentos de 0,75 ponto desde 1994, e agora são quatro seguidos. Isso é realmente sem precedentes em décadas.
E qual é o risco real de uma recessão?
Se os juros ficam muito altos, as empresas param de investir, as pessoas param de consumir, o desemprego sobe. É um efeito colateral potencialmente grave da tentativa de controlar a inflação.
O que é importante dizer é que ninguém sabe ao certo se vai haver recessão ou não. Há receios, sim, mas a economia é complexa. O que sabemos é que o Fed está apostando que consegue frear a inflação sem quebrar tudo.
E como isso afeta o resto do mundo?
O dólar fica mais atraente porque os títulos do Tesouro americano pagam mais. Investidores movem dinheiro para lá, o que torna o dólar mais escasso em outros países e mais caro. Isso prejudica economias que dependem de importações em dólares.
Exato. E isso cria um ciclo: quanto mais caro o dólar, mais difícil fica para países em desenvolvimento pagarem suas dívidas externas. Mas isso é uma consequência indireta, não uma decisão deliberada do Fed.
Então basicamente o Fed está tentando resolver um problema americano e criando problemas globais?
Não é bem assim. A inflação global começou com problemas de abastecimento da pandemia e piorou com a Guerra da Ucrânia. Muitos bancos centrais estão fazendo o mesmo que o Fed. Mas sim, como o dólar é a moeda de reserva mundial, as ações do Fed têm peso desproporcional.
E vale lembrar que essa estratégia começou em março, quando a taxa estava praticamente zero. Então há vários meses de aumentos já acumulados. A questão agora é se vão continuar ou se vão parar.
O Pulso
- A inflação americana de 8,2% ao ano — a mais alta em quatro décadas — forçou o Fed a agir com uma velocidade que o próprio sistema financeiro global não via desde os anos 1980.
- Quatro aumentos consecutivos de 0,75 ponto percentual em 2022 sinalizam que o banco central está disposto a aceitar dor econômica para recuperar o controle dos preços.
- O risco de recessão cresce a cada novo aperto: crédito mais caro desacelera empresas, eleva o desemprego e pode transformar o remédio em doença.
- Investidores fogem das bolsas em direção aos títulos do Tesouro americano, tornando o dólar mais escasso e mais caro para países que dependem de importações e têm dívidas em moeda estrangeira.
- A grande questão que paira sobre mercados e governos é se o Fed conseguirá pousar suavemente — conter a inflação sem precipitar uma crise econômica de proporções globais.
Numa quarta-feira de novembro de 2022, o Federal Reserve elevou pela quarta vez consecutiva sua taxa de juros em 0,75 ponto percentual, levando-a ao intervalo entre 3,75% e 4% ao ano — um ritmo de aperto monetário sem precedentes em mais de quatro décadas. A decisão reflete a urgência de domar uma inflação de 8,2% que corrói o poder de compra dos americanos desde os tempos da Guerra Fria. O mundo observa, pois o movimento do banco central mais poderoso do planeta não fica contido dentro das fronteiras americanas: ele remodela fluxos de capital, encarece o dólar e pressiona economias ao redor do globo.
O Federal Reserve anunciou nesta quarta-feira mais um aumento de 0,75 ponto percentual em sua taxa de juros, elevando-a para entre 3,75% e 4% ao ano. É o quarto aumento consecutivo dessa magnitude em 2022 — um ritmo que não se via há mais de quarenta anos nos Estados Unidos.
A urgência da medida reflete uma inflação que acumula alta de 8,2% nos últimos doze meses, depois de ter atingido o pico de 9,1% em junho — o maior avanço do custo de vida desde 1981. O Fed persegue uma meta de 2% ao ano, e a distância entre essa meta e a realidade explica a agressividade da resposta. Antes de junho deste ano, a última vez que o banco central havia elevado juros em 0,75 ponto havia sido em 1994.
Aumentar juros é o instrumento mais poderoso que autoridades monetárias possuem para retirar dinheiro de circulação: crédito mais caro leva empresas e consumidores a gastar menos, reduzindo a demanda e, teoricamente, pressionando os preços para baixo. A aceleração dos preços começou com as falhas de abastecimento da pandemia e se agravou com a Guerra da Ucrânia, que elevou os custos do petróleo e dos alimentos em escala global.
Mas a estratégia tem um custo. O principal temor é uma recessão mundial — com estagnação das empresas, aumento do desemprego e queda do consumo. Nesse cenário, investidores abandonam as bolsas em busca da segurança dos títulos do Tesouro americano, que se tornam mais atraentes conforme os juros sobem. Esse fluxo de capital torna o dólar mais escasso fora dos Estados Unidos, pressionando economias que dependem de importações em dólar e tornando suas dívidas externas mais onerosas.
A pergunta que permanece sem resposta é se o aperto monetário conseguirá domar a inflação sem desencadear uma recessão cujos danos superem os do próprio problema que se tenta resolver.
O Federal Reserve anunciou nesta quarta-feira um novo aumento de 0,75 ponto percentual em sua taxa de juros de referência, elevando-a para uma faixa entre 3,75% e 4% ao ano. É o sexto ajuste do banco central americano em 2022 e o quarto consecutivo dessa magnitude — um ritmo de aceleração que não se via há mais de quarenta anos nos Estados Unidos.
A agressividade dessa sequência de aumentos reflete a urgência de uma batalha contra a inflação que assola o país. O índice de preços ao consumidor americano acumula alta de 8,2% nos últimos doze meses até setembro, depois de ter atingido um pico de 9,1% em junho — o maior avanço do custo de vida desde novembro de 1981. Essa inflação está muito acima da meta de 2% que o Fed persegue para o ano. Antes de junho deste ano, a última vez que o banco central havia elevado juros em 0,75 ponto havia sido em 1994, o que dimensiona o caráter extraordinário da situação atual.
O aumento de juros funciona como o instrumento mais impactante que autoridades monetárias possuem para retirar dinheiro de circulação e desacelerar a economia. Quando o crédito fica mais caro, empresas e consumidores tendem a gastar menos, reduzindo a demanda por bens e serviços e, teoricamente, pressionando os preços para baixo. A aceleração dos preços que o mundo inteiro enfrenta começou como reflexo das falhas no abastecimento provocadas pela pandemia, problema que se agravou dramaticamente com a Guerra da Ucrânia, que elevou os custos do petróleo, seus derivados e alimentos em escala global.
Mas existe um custo político e econômico significativo nessa estratégia. Os receios entre analistas e formuladores de política econômica giram em torno de uma possível recessão — uma desaceleração grave da atividade econômica em escala mundial. Uma recessão traz consigo a ausência de crescimento das empresas, aumento consistente do desemprego e queda exagerada do consumo. Sem perspectiva de crescimento, investidores tendem a abandonar os mercados de ações em busca de ganhos mais seguros na renda fixa, particularmente nos títulos do Tesouro americano, que se tornam mais atraentes conforme os juros sobem.
Esse movimento de capital em direção à renda fixa americana tem uma consequência global importante: torna a moeda americana mais escassa em outros países. O dólar ficou significativamente mais caro neste ano quando comparado às principais moedas internacionais, pressionando economias que dependem de importações denominadas em dólares e tornando seus próprios débitos externos mais onerosos.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano funcionam como um termômetro das expectativas do mercado sobre os próximos passos do Fed. Quando investidores antecipam novos aumentos de juros, vendem títulos derivativos dos juros de referência do país, porque o valor desses papéis — fixado até a data do vencimento — tende a ficar menos atraente comparado à futura taxa do banco central. Quem compra esses títulos no mercado secundário paga um preço menor do que o valor inicial. Mas o papel continua oferecendo o mesmo rendimento inicialmente contratado, o que significa que o rendimento proporcional fica mais alto. Se um título de mil dólares paga quarenta dólares de retorno ao ano, seu rendimento é de 4%. Mas se esse mesmo título é negociado por novecentos dólares, o novo proprietário continuará recebendo quarenta dólares até o vencimento — o que representa um rendimento de quase 4,5% sobre o preço pago. O rendimento subiu porque o preço caiu.
O comitê responsável pela política monetária do Fed vem aprovando elevações desde março, quando a taxa estava praticamente zerada. A pergunta que paira sobre mercados e economias é se esse aperto monetário conseguirá frear a inflação sem desencadear uma recessão que cause danos ainda maiores.
Citações Notáveis
O ritmo de aceleração dos juros é o mais rápido no país em mais de quatro décadas— Análise do contexto econômico