A Farm, marca de moda que emergiu como entidade independente após a separação entre Arezzo&Co e Soma, encontra-se agora diante de um momento raro: o mercado de private equity é convidado a precificar não apenas um negócio, mas uma identidade. Até o fim de setembro, fundos têm prazo para apresentar propostas por uma empresa cujo valor real permanece inseparável de seus criadores — Kátia Barros e Marcello Bastos. O que parece uma transação financeira revela, em seu núcleo, uma pergunta mais antiga: quanto vale uma alma criativa quando colocada à venda?
Farm recebe propostas até fim de mês e atrai fundos de private equity
A alma criativa da Farm está em dúvida no mercado
Por que a Farm está sendo vendida agora? Não era parte de um grupo maior?
Era. Birman e Jatahy decidiram separar seus negócios — Arezzo&Co e Soma. A Farm fica no meio, com capital de ambos. Eles querem vender para monetizar e cobrir os custos da cisão.
Mas quanto custa uma cisão assim? E quanto os papéis desvalorizaram? Essas são estimativas ou números reais?
Entendi. E por que a avaliação é tão complicada?
Porque Kátia Barros, a fundadora, é essencial para a marca. Ninguém sabe se a Farm funciona sem ela.
"Ninguém sabe" — isso é especulação do mercado ou há dados que mostram dependência real? Qual é a evidência?
Os acionistas querem R$ 5,1 bilhões. Isso é realista?
Provavelmente não. Eles estão pedindo 15 vezes o Ebitda, o que é muito alto para varejo de moda. A Zara é negociada a 13,7 vezes.
Mas a Farm é comparável à Zara? Tamanho, mercado, crescimento — são realmente equivalentes para usar como benchmark?
E quanto os bancos acham que vale?
J.P. Morgan diz entre R$ 4,4 e R$ 5,5 bilhões. Citi diz R$ 3,5 bilhões. Uma diferença enorme.
Qual é a diferença nas premissas deles? Crescimento? Margem? Ou é só conservadorismo versus otimismo?
Então há um gap real entre o que vendem e o que o mercado quer pagar?
Sim. E ainda há a questão de manter Barros e Bastos na estrutura. Isso adiciona complexidade.
Quando você diz "manter na estrutura", isso significa contrato de trabalho, participação acionária, direito de veto? Qual é o arranjo real que está sendo negociado?
Der Puls
- Acionistas Birman e Jatahy pressionam por avaliação de até R$ 5,1 bilhões — um múltiplo de 15x Ebitda que o mercado de moda considera ambicioso demais.
- O Citi estima a Farm em apenas R$ 3,5 bilhões, criando um abismo entre as expectativas dos vendedores e o que os fundos estão dispostos a pagar.
- A permanência dos fundadores Kátia Barros e Marcello Bastos é tratada como condição crítica por potenciais compradores, tornando a negociação um triângulo complexo de interesses.
- Qualquer acordo exige alinhamento simultâneo entre dois controladores com objetivos distintos, dois fundadores com exigências de governança e fundos que buscam retorno financeiro justificável.
- As propostas chegam até o fim do mês — mas o verdadeiro teste de negociação começa depois, quando os números precisarão encontrar consenso entre partes muito distantes.
A Farm, marca de moda que emergiu como entidade independente após a separação entre Arezzo&Co e Soma, encontra-se agora diante de um momento raro: o mercado de private equity é convidado a precificar não apenas um negócio, mas uma identidade. Até o fim de setembro, fundos têm prazo para apresentar propostas por uma empresa cujo valor real permanece inseparável de seus criadores — Kátia Barros e Marcello Bastos. O que parece uma transação financeira revela, em seu núcleo, uma pergunta mais antiga: quanto vale uma alma criativa quando colocada à venda?
A Farm está formalmente à venda. Separada de seus antigos controladores — Arezzo&Co, de Alexandre Birman, e Soma, de Roberto Jatahy — a marca de moda carioca tornou-se uma estrutura independente e agora aguarda propostas de fundos de private equity até o fim de setembro. O que parecia uma transação direta revelou-se um quebra-cabeça de múltiplas peças.
Birman e Jatahy precisam monetizar a venda no patamar mais alto possível: a cisão teve custos, e os papéis de ambos sofreram desvalorização. A meta é uma avaliação em torno de 15 vezes o Ebitda — o que colocaria a Farm próxima de US$ 1 bilhão, ou R$ 5,1 bilhões. Para referência, o grupo Inditex, dono da Zara, é negociado a 13,7 vezes. E a Azzas inteira, holding que controla as duas empresas, vale apenas R$ 3 bilhões em bolsa.
O mercado não converge com essa visão. O J.P. Morgan projeta entre R$ 4,4 bilhões e R$ 5,5 bilhões; o Citi é mais conservador e estima R$ 3,5 bilhões. A lacuna entre expectativa e oferta é o primeiro obstáculo — mas não o único.
O segundo obstáculo tem nome e sobrenome. Kátia Barros, cofundadora da marca, é descrita por executivos do setor como 'a alma criativa' da Farm. Sem ela e sem Marcello Bastos, o mercado questiona se a empresa manteria identidade e desempenho. Por isso, qualquer comprador terá de negociar não apenas com Birman e Jatahy, mas também com os fundadores — e provavelmente garantir sua permanência em posições de influência.
As propostas chegam até o fim do mês. Mas alinhar dois controladores com objetivos distintos, dois fundadores com exigências de governança e fundos que precisam de retorno financeiro justificável é um desafio que vai muito além do calendário. O verdadeiro trabalho está apenas começando.
A Farm está no mercado. Até o fim de setembro, fundos de private equity têm prazo para apresentar propostas pela marca de moda que está sendo separada de seus antigos donos — Arezzo&Co, controlada por Alexandre Birman, e Soma, controlada por Roberto Jatahy. O que parecia ser uma transação simples de venda tornou-se um quebra-cabeça complexo de negociação, onde o preço é apenas uma das peças.
Quando Birman e Jatahy decidiram separar seus negócios, a Farm emergiu como uma estrutura independente, com capital de ambos. Os dois controladores querem monetizar a venda no patamar mais alto possível — precisam cobrir os custos da cisão e compensar a desvalorização que seus papéis sofreram. Mas há um problema: ninguém sabe exatamente quanto a Farm vale sem seus fundadores.
Kátia Barros e Marcello Bastos criaram a marca e continuam sendo peças-chave em sua identidade. Barros, em particular, é descrita por executivos do setor como "a alma criativa" da empresa. Há dúvidas genuínas no mercado sobre se a Farm conseguiria manter sua essência e seu desempenho financeiro sem ela à frente. Por isso, qualquer comprador precisará não apenas chegar a um acordo com Birman e Jatahy sobre o valor, mas também negociar com Barros e Bastos — e provavelmente mantê-los em posições de governança.
Os acionistas estão mirando alto. Segundo fontes, a Farm sinalizou que quer uma avaliação em torno de 15 vezes o Ebitda — um múltiplo que fundos de private equity consideram excessivo. Para comparação, o Inditex, grupo dono da Zara, é negociado a 13,7 vezes o EV/Ebitda. Com essa métrica, a Farm chegaria a aproximadamente US$ 1 bilhão, ou cerca de R$ 5,1 bilhões. Contexto importante: a Azzas inteira, a holding que controla tanto Arezzo&Co quanto Soma, vale apenas R$ 3 bilhões em bolsa hoje.
Os bancos que analisam a operação chegam a números bem diferentes. O J.P. Morgan projeta que a Farm valeria entre R$ 4,4 bilhões e R$ 5,5 bilhões, baseando-se em uma projeção de vendas brutas de R$ 3,7 bilhões para 2026 e uma margem Ebitda de 18%. O Citi, em seu relatório, é mais conservador e estima algo próximo a R$ 3,5 bilhões. Essa lacuna entre as expectativas dos vendedores e as estimativas do mercado sinaliza o desafio real que está por vir: fechar um acordo quando as partes estão tão distantes em suas visões sobre o que a empresa vale.
O processo de venda, portanto, não é apenas sobre encontrar um comprador disposto a pagar. É sobre alinhar interesses conflitantes — Birman quer um preço, Jatahy quer outro, Barros e Bastos querem garantias sobre sua permanência e influência, e os fundos de private equity querem um negócio que faça sentido financeiro. Até o fim do mês, as propostas chegam. O verdadeiro trabalho de negociação, porém, está apenas começando.
Bemerkenswerte Zitate
A Kátia é a alma criativa da Farm, há dúvidas no mercado de quanto esse negócio valeria sem ela— Executivo do setor