Capitão Francisco Laroca e cabo Fabiano Rizzo foram condenados a 22 e 17 anos de prisão, respectivamente, pelo homicídio qualificado do sargento Rullian Ricardo da Silva em abril de 2023. A família viveu três anos de angústia com os policiais em liberdade exercendo funções. Irmã da vítima afirma que pena é menor que o crime merecia, mas representa justiça parcial.
Família de sargento morto em quartel celebra condenação, mas quer PMs na prisão
A luta ainda não terminou, ainda continua até eles realmente estarem lá presos
Por que a família considera a condenação insuficiente se os réus receberam penas de até 22 anos?
Porque eles podem recorrer em liberdade. Durante três anos, enquanto a investigação corria, os dois policiais continuaram trabalhando nas ruas. A família viveu com essa sensação de impunidade o tempo todo.
Mas a sentença foi proferida. Eles foram condenados. Isso não é um reconhecimento de culpa?
É, mas reconhecimento não é o mesmo que punição efetiva. A irmã de Rullian deixou claro: só ficará satisfeita quando eles estiverem realmente na prisão.
E qual é a chance de a condenação ser mantida na segunda instância?
Não sabemos. Um dos juízes já votou pela absolvição por insuficiência de provas. Há um voto divergente no processo. Isso significa que a decisão não foi unânime.
Exatamente. E enquanto isso vai para a segunda instância, eles continuam em liberdade. É por isso que a família diz que a luta não terminou.
A versão de legítima defesa — que Rullian sacou uma arma — foi completamente descartada pelo tribunal?
A condenação sugere que sim, mas a fonte não detalha exatamente como o tribunal refutou essa versão. Sabemos que a família contesta que Rullian tivesse uma arma para uso pessoal, mas não temos a fundamentação completa da sentença.
O que importa é que o tribunal acreditou que houve homicídio qualificado, não legítima defesa. Caso contrário, não haveria condenação.
E quanto à fraude processual? Por que foram condenados também por isso?
A fonte menciona a condenação por fraude processual, mas não explica o que exatamente constitui essa fraude. Pode estar relacionado à forma como a arma foi apresentada ou como o caso foi relatado inicialmente.
O que é certo é que a família quer ver justiça cumprida de verdade, não apenas em papel.
The Pulse
- Capitão Francisco Laroca condenado a 22 anos de prisão; cabo Fabiano Rizzo a 17 anos, 1 mês e 18 dias
- Sargento Rullian Ricardo da Silva morto em 6 de abril de 2023 dentro de alojamento da PM em São Paulo
- Rullian tinha 40 anos, 17 anos de corporação, e cuidava da mãe idosa
- Ambos os condenados anunciaram recursos à segunda instância e permanecerão em liberdade durante apelação
- Família viveu três anos de angústia com os policiais exercendo funções nas ruas
Capitão Francisco Laroca e cabo Fabiano Rizzo foram condenados a 22 e 17 anos de prisão, respectivamente, pelo homicídio qualificado do sargento Rullian Ricardo da Silva em abril de 2023. A família viveu três anos de angústia com os policiais em liberdade exercendo funções. Irmã da vítima afirma que pena é menor que o crime merecia, mas representa justiça parcial.
Justiça Militar condenou capitão e cabo pela morte de sargento em quartel de São Paulo. Família da vítima comemora sentença de até 22 anos, mas considera insuficiente pois réus podem recorrer em liberdade.
A Justiça Militar condenou o capitão Francisco Carlos Laroca Júnior e o cabo Fabiano Rizzo pela morte do sargento Rullian Ricardo da Silva, ocorrida em 6 de abril de 2023, dentro de um alojamento da Polícia Militar em São Paulo. Laroca recebeu sentença de 22 anos de prisão em regime fechado pelo homicídio qualificado, além de 11 meses em regime aberto por fraude processual. Rizzo foi condenado a 17 anos, um mês e 18 dias de reclusão em regime fechado, mais seis meses em aberto pela mesma acusação de fraude. A decisão do Conselho Especial de Justiça da 4ª Auditoria Militar trouxe alívio aos familiares da vítima, mas longe da satisfação que esperavam.
Daiane Michele Fernandes da Silva, enfermeira de 37 anos e irmã de Rullian, expressou o sentimento ambíguo que marca este desfecho. "No momento, a gente está se sentindo bastante aliviado, mesmo que essa pena veio menor. A gente queria uma pena maior, mas estamos muito aliviados", disse ela. A condenação, embora represente um reconhecimento judicial da culpa, não corresponde ao que a família considera proporcional à gravidade do crime. Daiane foi ainda mais contundente ao descrever o que nenhuma sentença poderia compensar: "Nós acreditamos que não há nada, uma sentença maior do que deitar no travesseiro e sentir que tem sangue nas mãos".
O que torna a vitória judicial incompleta é um detalhe processual que frustra a família: ambos os condenados já anunciaram recursos à segunda instância e permanecerão em liberdade durante todo esse processo. Os advogados de Rizzo, Mauro Ribas e Renato Soares, informaram que buscarão reverter a condenação com base em um voto divergente que absolveu o réu por insuficiência de provas. O defensor de Laroca, Abelardo Julio da Rocha, também recorrerá da decisão de primeira instância. Essa possibilidade de apelação em liberdade é o que a família vê como a maior falha da justiça militar neste caso.
O crime nasceu de uma discussão rotineira que escalou para a tragédia. Rullian, com 40 anos e 17 anos de corporação, havia sido promovido a sargento um ano antes. No dia 6 de abril de 2023, ele pretendia folgar para visitar a família em Franca, interior de São Paulo, mas o capitão Laroca o comunicou que deveria assumir o plantão do fim de semana. A discussão entre os dois militares se intensificou. Segundo a versão inicial do Comando da PM, Rullian sacou uma arma durante o confronto, momento em que Laroca disparou três vezes e Rizzo, que era motorista do oficial, atirou uma vez contra o sargento. Rullian foi atingido no pescoço e no tórax, morrendo no local. Um revólver calibre 32 foi encontrado embaixo da coberta do beliche onde ele estava baleado, mas essa narrativa de legítima defesa nunca convenceu a família.
Os três anos que se seguiram foram marcados por uma angústia que a família descreve como quase insuportável. Durante todo esse período, tanto Laroca quanto Rizzo permaneceram em liberdade, continuando a exercer suas funções nas ruas. Daiane relata que essa situação alimentava um sentimento profundo de impunidade. "A gente não conseguia ter paz no coração, não conseguia sentir alívio, porque o sentimento de impunidade estava muito grande, porque em três anos nada foi feito", disse ela. A morte de Rullian deixou um vazio particular na vida de sua mãe idosa, de quem ele cuidava com dedicação. Segundo Daiane, o irmão era reconhecido pela honestidade que manteve ao longo de seus 17 anos de farda e pela constante disposição em ajudar os familiares.
Agora, com a condenação em primeira instância, a família celebra mas não descansa. Daiane deixou claro que a mobilização continua e que só haverá satisfação real quando os dois policiais estiverem efetivamente presos, cumprindo suas sentenças. "A gente pôde sentir um pouco de alívio, mas a luta ainda não terminou, ainda continua até eles realmente estarem lá presos. Eles vão recorrer e vai pra segunda instância, mas eu creio que vamos vencer, que eles vão pagar", afirmou. A condenação, portanto, marca não o fim da batalha judicial, mas um ponto de inflexão: o reconhecimento de que algo grave aconteceu dentro daquele quartel, mesmo que a justiça ainda não tenha colocado os condenados atrás das grades.
Notable Quotes
A gente não conseguia ter paz no coração, não conseguia sentir alívio, porque o sentimento de impunidade estava muito grande, porque em três anos nada foi feito— Daiane Michele Fernandes da Silva, irmã da vítima
A luta ainda não terminou, ainda continua até eles realmente estarem lá presos. Eles vão recorrer e vai pra segunda instância, mas eu creio que vamos vencer, que eles vão pagar— Daiane Michele Fernandes da Silva