Em Gravataí, uma fábrica de pneus com 52 anos de história e 1.360 trabalhadores enfrenta a possibilidade real de encerramento — não por falha própria, mas pela pressão silenciosa de importações asiáticas vendidas abaixo do custo e pela retração de mercados externos. A Prometeon é um espelho de uma crise mais ampla: a da indústria nacional diante de uma globalização que, quando desequilibrada, pode transformar décadas de trabalho em ociosidade e incerteza. O destino da fábrica gaúcha depende agora menos de suas próprias decisões e mais da velocidade com que o Estado brasileiro escolhe agir.
Fábrica de pneus com 1,3 mil funcionários enfrenta risco de fechamento no RS
Operando com um terço da capacidade ociosa, a fábrica aguarda decisões que não lhe pertencem
Por que a Prometeon não consegue competir com esses pneus asiáticos? É só uma questão de preço?
É mais complexo. Os asiáticos vendem abaixo do custo de produção — é dumping deliberado. A Prometeon tem custos reais, salários, impostos. Não consegue acompanhar preços que não cobrem nem a matéria-prima.
Mas quanto tempo isso já está acontecendo? A empresa só agora percebeu que não consegue competir?
Não é novo, mas intensificou. A queda nas exportações para os EUA, as tarifas americanas — tudo junto criou uma tempestade perfeita.
E o governo federal, está fazendo algo?
Há investigações sobre dumping, mas sem decisão ainda. A União Europeia já aplicou tarifas antidumping em julho. O Brasil está atrasado.
Então a antecipação do ICMS que o governo estadual fez — isso resolve?
Não. É um alívio de caixa, mas não resolve o problema estrutural. Sem sobretaxas federais sobre importações, a pressão continua.
E se a fábrica fechar, o que acontece com os 1.360 funcionários?
Desemprego em massa em Gravataí. A empresa tem 52 anos, é um empregador importante da região.
A empresa investiu em 2021, abriu 200 empregos. Quanto tempo levou para chegar a essa situação?
Menos de cinco anos. O mercado de caminhões esfriou, as importações explodiram. A velocidade da crise foi surpreendente.
The Pulse
- Com 25% de capacidade ociosa e layoffs já realizados em outra unidade, a Prometeon sinaliza que o colapso não é hipótese distante — é trajetória em curso.
- Pneus chineses, indianos e vietnamitas chegam ao Brasil abaixo do custo de produção, derrubando preços e tornando a operação local economicamente insustentável.
- A queda nas exportações para os EUA, agravada por tarifas americanas de 25%, fechou uma das principais válvulas de escoamento da produção gaúcha.
- O governo estadual antecipou um benefício tributário sobre o ICMS como medida de alívio, mas a medida é reconhecida como insuficiente para reverter o quadro.
- Investigações federais sobre dumping seguem sem conclusão, enquanto a União Europeia já impôs sobretaxas a pneus chineses — e 1.360 famílias aguardam uma resposta do Brasil.
Em Gravataí, uma fábrica de pneus com 52 anos de história e 1.360 trabalhadores enfrenta a possibilidade real de encerramento — não por falha própria, mas pela pressão silenciosa de importações asiáticas vendidas abaixo do custo e pela retração de mercados externos. A Prometeon é um espelho de uma crise mais ampla: a da indústria nacional diante de uma globalização que, quando desequilibrada, pode transformar décadas de trabalho em ociosidade e incerteza. O destino da fábrica gaúcha depende agora menos de suas próprias decisões e mais da velocidade com que o Estado brasileiro escolhe agir.
A fábrica da Prometeon em Gravataí existe há 52 anos e emprega 1.360 pessoas. Hoje, opera com apenas 75% de sua capacidade — e o prefeito local recebeu dos próprios executivos da empresa a confirmação de que o fechamento é uma possibilidade concreta.
A crise tem duas origens principais. De um lado, as exportações para os Estados Unidos caíram com o aumento das tarifas americanas. De outro, e de forma mais devastadora, pneus vindos da China, Índia e Vietnã inundam o mercado brasileiro com preços abaixo do custo de produção — prática conhecida como dumping. A Prometeon fabrica pneus para caminhões, ônibus e máquinas agrícolas, um segmento que não escapa dessa pressão. Em Santo André, outra unidade da empresa já recorreu a layoffs.
A empresa não enfrenta isso sozinha: toda a indústria brasileira de pneus está sob tensão. Diante do risco, executivos buscaram o governo gaúcho, que respondeu antecipando a retirada da substituição tributária do ICMS — um alívio de caixa real, mas insuficiente para atacar a raiz do problema.
A solução definitiva exige ação federal: sobretaxas antidumping sobre os importados asiáticos. Investigações estão em andamento, mas sem prazo de conclusão. A União Europeia já tomou essa decisão em julho. O Brasil ainda pondera — enquanto 1.360 trabalhadores aguardam saber se seus empregos resistirão aos próximos meses.
A fábrica da Prometeon em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, enfrenta o risco concreto de encerrar suas operações. A planta emprega 1.360 pessoas e funciona há 52 anos. O prefeito Luiz Zaffalon recebeu a confirmação dessa possibilidade diretamente dos executivos da empresa. Neste momento, a fábrica opera com apenas 75% de sua capacidade produtiva — uma ociosidade de 25% que reflete a crise enfrentada pelo setor.
A situação não é exclusiva de Gravataí. Na outra unidade da Prometeon, localizada em Santo André, no interior de São Paulo, a empresa já recorreu a layoffs, suspensões temporárias de contratos de trabalho que afetaram funcionários. A redução e até paralisação da produção em ambas as plantas indicam uma pressão estrutural sobre o negócio que vai além de flutuações normais de mercado.
Dois fatores principais explicam o colapso. O primeiro é a queda nas exportações para os Estados Unidos, um destino historicamente importante para a produção gaúcha. Essa redução coincidiu com o aumento das tarifas de importação americanas, que chegaram a 25%. Mas o impacto mais devastador vem de outra direção: uma avalanche de pneus importados da Ásia — principalmente da China, Índia e Vietnã — que inunda o mercado brasileiro com produtos vendidos abaixo do custo de produção. Essa prática, conhecida como dumping, tem como objetivo desestabilizar os concorrentes locais e conquistar fatia de mercado a qualquer preço.
A Prometeon produz pneus para veículos pesados: caminhões, ônibus e máquinas agrícolas. A empresa nasceu como uma divisão da Pirelli, mas hoje opera de forma independente. Em 2021, quando o mercado de caminhões estava aquecido, a companhia investiu na fábrica gaúcha e abriu mais de 200 postos de trabalho. Aquele otimismo parece distante agora.
O problema não é exclusivo da Prometeon. Trata-se de uma crise setorial que afeta toda a indústria de pneus brasileira. Diante disso, a empresa mobilizou seus contatos políticos. Executivos se reuniram com o governo do Estado, que respondeu antecipando a retirada da substituição tributária — um mecanismo que adia o recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A medida oferece algum alívio de caixa, mas é insuficiente para resolver o problema de fundo.
Para enfrentar o dumping, é necessária intervenção do governo federal, que pode aplicar sobretaxas sobre os produtos importados. Investigações estão em andamento, mas ainda sem conclusão. A União Europeia já agiu: em julho, impôs tarifas antidumping sobre pneus chineses. O Brasil, porém, segue em compasso de espera. Enquanto isso, a fábrica de Gravataí continua operando com um terço de sua capacidade ociosa, e 1.360 famílias aguardam para saber se seus empregos sobreviverão aos próximos meses.
Notable Quotes
O risco de fechamento foi confirmado ao prefeito Luiz Zaffalon— Executivos da Prometeon