Felix recebeu quatro vezes mais votos que em 2022, consolidando sua força política no DF com uma campanha militante focada em propostas de futuro. O deputado eleito afirma que não negociará flexibilização de direitos trabalhistas, previdenciários ou LGBTQIA+, mas estará aberto ao diálogo em pautas com espaço para mediação.
Fábio Felix, deputado mais votado do DF, promete resistência a retrocessos no Congresso
Não há negociação para flexibilização de direitos
Como alguém que recebeu 224 mil votos consegue trabalhar num Congresso onde a maioria não pensa como ele?
Felix não vê isso como um problema de maioria ou minoria. Ele diz que há renovação no campo progressista também, que chegam deputados novos com energia. Mas ele sabe que vai ser confronto em alguns temas e diálogo em outros.
Mas qual é a diferença prática entre "não negociar" e "estar aberto ao diálogo"? Ele diz que não negocia direitos, mas depois fala em mediação. Onde fica a linha?
É uma questão de poder, não é? Se o PL tem mais deputados, como Felix impede retrocessos?
Ele fala em articulação e resistência. Não é sobre ter maioria; é sobre organizar quem pensa igual e fazer barulho suficiente para que propostas não passem sem debate.
Mas "barulho" não derrota votação. Ele tem números concretos de quantos deputados progressistas terão com ele nessas frentes parlamentares que ele quer criar?
E quanto ao Banco Master? Ele promete uma CPMI, mas como garante que vai sair do papel dessa vez?
Ele reconhece que a CPMI chegou perto antes e não foi instalada. Agora quer usar a força dos votos que recebeu para pressionar. Mas é verdade que é uma promessa que depende de outros.
Exatamente. A CPMI precisa de assinaturas de deputados de vários partidos. Felix tem relacionamento com o PL para conseguir isso? Ele não menciona isso na entrevista.
Então a campanha dele funcionou porque falava de coisas concretas — tarifa zero, controle de aluguel. Isso vai virar lei?
Ele está levando essas propostas para o Congresso. Mas novamente, depende de votação, de coalizão. O que ele controla é trazer o tema para o debate nacional.
E aí está o ponto: há diferença entre trazer tema para debate e transformar em política pública. Felix promete resistência e debate. Isso é honesto, mas não é garantia de resultado.
Der Puls
- 224.224 votos em 2026, quatro vezes mais que os 51.792 recebidos em 2022
- Primeiro deputado assumidamente gay da Câmara Legislativa do DF
- Segundo colocado, Rafael Prudente (PL), recebeu 119.427 votos
- Pretende lutar por CPMI para investigar Banco Master e rombo de R$ 12 bilhões no BRB
- Toma posse em 1º de fevereiro de 2027 para mandato de quatro anos
Felix recebeu quatro vezes mais votos que em 2022, consolidando sua força política no DF com uma campanha militante focada em propostas de futuro. O deputado eleito afirma que não negociará flexibilização de direitos trabalhistas, previdenciários ou LGBTQIA+, mas estará aberto ao diálogo em pautas com espaço para mediação.
Fábio Felix (PSOL) foi eleito deputado federal mais votado do Distrito Federal em 2026 com 224.224 votos. O assistente social e primeiro deputado assumidamente gay da CLDF promete atuar como resistência em um Congresso mais conservador, defendendo direitos trabalhistas e LGBTQIA+.
Fábio Felix chegou ao Congresso Nacional com um mandato que fala por si: 224.224 votos. O assistente social e professor, eleito deputado federal mais votado do Distrito Federal em 2026, quadruplicou a votação que havia recebido quatro anos antes, quando se tornou o distrital mais votado da história de Brasília com 51.792 votos. Agora, aos 34 anos, Felix carrega para a Câmara dos Deputados uma força política que o coloca numa posição rara — não apenas como representante de seu estado, mas como voz de um campo progressista que se vê cercado.
O cenário que o aguarda é o de um Congresso mais conservador. O PL ganhou força nas urnas e chegará com muitos deputados federais. Felix sabe disso. Sabe também que o segundo colocado em votação no DF, Rafael Prudente (PL), recebeu 119.427 votos — menos da metade do que ele conquistou. Alberto Fraga (PL) ficou em terceiro, com 118.579. A diferença não é apenas numérica; é um recado sobre o que o eleitorado do Distrito Federal pediu quando foi às urnas.
Mas Felix não vem para negociar tudo. Em entrevista ao g1, ele foi claro sobre as linhas que não cruza. Direitos trabalhistas, direitos previdenciários, direitos da população LGBTQIA+ — nesses temas, disse, não há espaço para flexibilização. Ele citou o histórico: o PL já tentou revogar o casamento igualitário, tentou flexibilizar as leis trabalhistas, e durante o governo Bolsonaro entrou no Supremo contra a criminalização da homotransfobia. "Não há negociação para flexibilização de direitos", afirmou. Ao mesmo tempo, Felix sinalizou disposição para diálogo em pautas onde haja espaço para mediação, reconhecendo que um Congresso mais conservador exigirá articulação e resistência, não apenas confronto.
Sua campanha, segundo ele próprio, funcionou porque combinava três elementos: mobilização nas ruas, presença forte nas redes sociais e defesa de propostas concretas para o futuro. Ele trouxe temas que ressoaram com o eleitorado — tarifa zero no transporte público, controle de aumentos abusivos em aluguéis, discussão sobre custo de vida. Não era apenas agitação visual, insistiu; era conversa, convencimento, diálogo direto com as pessoas através das câmeras e dos comentários nas redes. Num contexto em que as pessoas passam em média nove horas do dia em telas, Felix entendeu que estar lá era estar onde o povo está.
No Distrito Federal, Felix já deixou marca. Presidiu a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa a partir de 2019, recebendo mais de oito mil denúncias enquanto esteve à frente. Participou de CPIs sobre feminicídio e atos antidemocráticos — incluindo a investigação dos ataques de 8 de janeiro de 2023. Trabalhou na Comissão Especial da Vacina durante a pandemia. Antes de chegar ao legislativo, atuou como assistente social na Rodoviária do Plano Piloto com adolescentes em situação de rua, depois no antigo CAJE, onde denunciou tortura e violação de direitos. É servidor do sistema socioeducativo e ativista LGBTQIA+.
Para os próximos quatro anos, Felix tem duas prioridades que o preocupam. A primeira é a defesa dos servidores públicos e do serviço público em si. O governo já anunciou intenção de fazer reforma administrativa, atacar a estabilidade dos servidores, mexer em direitos previdenciários. Felix quer estar engajado numa frente parlamentar que resista a isso, argumentando que os serviços públicos alcançam quem mais precisa e que atacá-los é privilégio de quem odeia políticas sociais. A segunda é a defesa dos direitos LGBTQIA+. Ele é casado — um direito conquistado por decisão do Supremo — e quer reativar com força a frente parlamentar do Congresso Nacional em defesa desses direitos. Citou que agora há mais de dez deputados comprometidos com a causa e pessoas LGBTQIA+ que estarão com ele nessa luta, formando, segundo ele, a maior bancada LGBTQIA+ num Congresso Nacional de um país da América Latina.
Há também a questão do Banco Master. Felix pretende lutar pela instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o caso. A CPMI chegou perto das assinaturas necessárias antes, mas não foi instalada. Felix quer mudar isso a partir de 2027. O Master, disse, tem tentáculos em várias instituições, e a investigação é importante porque o Distrito Federal, especialmente o Banco de Brasília, foi a principal vítima nacional do esquema — um rombo de mais de doze bilhões de reais. Ele quer que esse dinheiro seja resgatado e devolvido aos bancos públicos do DF, não que a população local pague a conta.
Felix toma posse em primeiro de fevereiro de 2027, para um mandato de quatro anos. Chega com a força de 224.224 votos nas costas e com uma agenda clara: resistência onde não há negociação, diálogo onde há espaço, e trabalho concreto em pautas que afetam a vida das pessoas — moradia, transporte, direitos, serviço público, investigação de crimes financeiros. Num Congresso que promete ser mais conservador, ele é um dos rostos de quem diz que não vai recuar.
Bemerkenswerte Zitate
Não há negociação para flexibilização de direitos. Nesse caso, não há qualquer negociação.— Fábio Felix, em entrevista ao g1
A nossa campanha foi uma campanha muito militante, com um pé na rua, um pé muito forte nas redes e defendendo propostas para mudar o futuro da população.— Fábio Felix, sobre sua estratégia de campanha