Execução de Creech adiada após falha na injeção letal em Idaho

Eugene Creech, condenado à morte há 43 anos, permanece no corredor da morte enfrentando execução iminente.
Quarenta e três anos no corredor da morte, e a morte não chegou
Eugene Creech permanecia suspenso entre a sentença de morte e a vida que continuava, por enquanto, a ser vivida.
Mark

Como é que uma execução pode falhar desta forma? Pensava que era um procedimento estabelecido.

Mimi

Tecnicamente é, mas requer que a equipa consiga estabelecer uma via intravenosa — um cateter no braço ou noutro local. Neste caso, não conseguiram. Pode ser por razões médicas, pela condição das veias, ou simplesmente pela pressão do momento.

Luke

Mas não sabemos exatamente porquê, certo? O relatório da prisão não detalha as razões específicas da falha.

Mimi

Correto. Sabemos que falhou, sabemos que levou mais de uma hora, sabemos que tiveram de sair da câmara para buscar mais material. Mas os detalhes médicos específicos não foram divulgados.

Mark

E quanto a Creech? Ele estava consciente de tudo isto?

Mimi

Aparentemente sim. Estava acordado, e num determinado momento pareceu dizer "amo-te" para alguém na sala. Depois o diretor falou-lhe ao ouvido antes de anunciar a suspensão.

Luke

O que é importante notar é que Creech estava no corredor da morte há 43 anos. Isto não é um caso recente. Os seus advogados têm argumentado durante décadas que a condenação era inconstitucional.

Mark

E os tribunais concordaram?

Luke

Não. Quatro tribunais diferentes reveram o caso e nenhum encontrou razão para anular a sentença. Mas agora têm um argumento novo: a incapacidade de executar de forma constitucional.

Mimi

Exatamente. A falha técnica tornou-se uma questão de direitos constitucionais — se não conseguem fazer isto de forma humana, talvez não devessem fazer de todo.

  • Um homem de 73 anos, condenado à morte há mais de quatro décadas, chegou à câmara de execução e saiu dela vivo — não por graça, mas por falha técnica.
  • A equipa médica não conseguiu encontrar uma veia viável durante mais de uma hora de tentativas, bloqueando a vista dos jornalistas e saindo da sala em busca de mais equipamento.
  • Num momento de tensão silenciosa, Creech pareceu dizer 'amo-te' para alguém presente, antes de o diretor da prisão se aproximar e lhe apertar o braço em sinal de suspensão.
  • Os advogados reagiram de imediato, argumentando que a falha provou a incapacidade do Estado de Idaho de realizar uma execução humana e constitucional.
  • O caso — já revisto por quatro tribunais sem resultado favorável à defesa — regressa agora ao limbo jurídico, com a sentença de morte em vias de expirar e os próximos passos ainda por definir.

Há quarenta e três anos Eugene Creech aguarda no corredor da morte, suspenso entre uma sentença pronunciada e uma morte que ainda não chegou. Na manhã de 28 de fevereiro de 2024, em Idaho, o sistema que deveria pôr fim à sua vida falhou antes de começar — a equipa médica não conseguiu estabelecer o acesso intravenoso necessário para a injeção letal. O que restou foi silêncio, um braço apertado por um diretor de prisão, e a pergunta antiga sobre onde termina a justiça e começa a crueldade.

Eugene Creech tinha 73 anos quando entrou na câmara de execução da prisão de máxima segurança perto de Kuna, em Idaho, na manhã de 28 de fevereiro de 2024. A execução estava marcada para as dez da manhã. Nunca chegou a acontecer.

Creech cumpria pena desde 1974, condenado por cinco homicídios em três estados. Sete anos depois de entrar na prisão, matou o seu companheiro de cela — e foi condenado à morte por um juiz, não por um júri, ponto que os seus advogados contestariam durante décadas. Quatro tribunais revisaram o caso sem anular a sentença.

Na câmara de execução, a equipa médica não conseguiu estabelecer uma via intravenosa para administrar a droga letal. O carrinho com o material foi movido para a frente da janela dos jornalistas, bloqueando a vista. Um técnico saiu para buscar mais equipamento. Em algum momento, Creech pareceu dizer 'amo-te' para alguém na sala. Após mais de uma hora de tentativas, o diretor da prisão aproximou-se, falou-lhe ao ouvido e apertou-lhe o braço. A execução foi suspensa.

Os advogados apresentaram de imediato um pedido de suspensão permanente, argumentando que a falha daquela manhã demonstrava a incapacidade do sistema prisional de Idaho de realizar uma execução humana e constitucional. A prisão anunciou que a sentença expiraria e que os próximos passos estavam a ser ponderados. Esta teria sido a primeira execução em Idaho em doze anos. Por enquanto, Creech continua vivo — e o caso permanece suspenso entre a morte ordenada e a vida que persiste.

Eugene Creech tinha 73 anos quando chegou à câmara de execução em Idaho na manhã de 28 de fevereiro de 2024. Estava ali porque, em 1981, havia espancado até à morte um colega de cela — um crime que o levou ao corredor da morte, onde permaneceria durante mais de quatro décadas. A execução estava marcada para as dez da manhã. Nunca chegou a acontecer.

Creech começara a cumprir pena em 1974, condenado por cinco homicídios cometidos em três estados diferentes, com suspeitas de outros crimes ainda não provados. Nessa altura recebeu prisão perpétua. Sete anos depois, dentro da prisão, matou o seu companheiro de cela — um ato que transformou a sua sentença. Um tribunal condenou-o à morte. Desde então, durante 43 anos, permaneceu no corredor da morte de várias prisões, enquanto os seus advogados argumentavam que a condenação era injusta e inconstitucional, particularmente porque havia sido imposta por um juiz e não por um painel de jurados. Quatro tribunais diferentes já tinham revisto o caso sem encontrar razão para anular a sentença.

Na prisão de máxima segurança perto de Kuna, em Idaho, a equipa médica começou os preparativos para a injeção letal. Mas algo correu mal. Os profissionais não conseguiram estabelecer uma via intravenosa — o acesso necessário para administrar a droga letal. O carrinho com o material foi movido para frente da janela onde os jornalistas observavam, bloqueando parcialmente a vista. Um membro da equipa teve de sair da câmara para buscar mais equipamento. Num determinado momento, Creech pareceu dizer "amo-te" para alguém que estava na sala. Pouco depois de uma hora de tentativas, o diretor da prisão aproximou-se dele, falou-lhe ao ouvido durante alguns minutos e depois apertou-lhe o braço. A execução foi suspensa.

Os advogados de Creech apresentaram imediatamente um pedido de suspensão permanente da pena. No documento, citado pela Associated Press, argumentaram que a falha técnica daquela manhã tinha provado a incapacidade do sistema prisional de Idaho de levar a cabo uma execução humana e constitucional. Pediam uma suspensão de emergência para evitar novas tentativas. A prisão anunciou que a sentença de morte de Creech expiraria e que os próximos passos estavam a ser considerados.

Esta seria a primeira execução em Idaho nos últimos 12 anos. O caso de Creech permanecia suspenso, entre a morte que o tribunal havia ordenado e a vida que continuava, por enquanto, a ser vivida.

Dada a tentativa de execução mal sucedida desta manhã, que prova a incapacidade do sistema de levar a cabo uma execução humana e constitucional, os advogados procuram preventivamente uma suspensão de emergência da execução
— Advogados de Eugene Creech, em petição à corte
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