Em meio à longa busca da medicina por formas de antecipar o câncer antes que ele avance, um exame de sangue chamado Galleri surge como um passo concreto nessa direção: testado pelo NHS britânico em cinco mil pacientes com sintomas suspeitos, o teste identificou corretamente dois em cada três casos de câncer e apontou a origem do tumor em 85% dos resultados positivos. Desenvolvido com base na detecção de mutações em fragmentos do código genético, o exame não promete certezas absolutas, mas oferece algo raro na oncologia — uma bússola mais precisa no momento em que o tempo ainda pode fazer difer
Exame de sangue britânico identifica mais de 50 tipos de câncer com resultados promissores
Com essa previsão, podemos decidir quais exames pedir em seguida
Por que um exame de sangue que identifica dois em cada três cânceres é considerado promissor se ele deixa passar um terço dos casos?
Porque o contexto importa. Hoje, muitos pacientes com sintomas vagos passam por uma odisseia de exames — radiografias, ultrassons, biópsias — sem saber por onde começar. O Galleri oferece uma bússola. Ele não é perfeito, mas reduz drasticamente o número de testes desnecessários.
Mas espera. Dos 5 mil pacientes, apenas 350 foram diagnosticados com câncer. Então estamos falando de uma população já selecionada — pessoas que já tinham sintomas suspeitos. Isso não é o mesmo que testar a população geral.
Verdade. E é por isso que o NHS está fazendo um segundo estudo em pessoas sem sintomas. Esse é o teste real.
E quanto aos 2,5% que tiveram resultado negativo mas depois foram diagnosticados com câncer? Isso não é preocupante?
É, mas também é esperado. Nenhum teste é 100% sensível. O que importa é se o teste muda o caminho clínico de forma útil — e parece que muda.
A questão que ninguém está respondendo ainda é: isso salva vidas? Detectar câncer mais cedo é ótimo, mas só importa se o tratamento mais precoce muda o resultado. Os dados sobre sobrevida ainda não existem.
Então é por isso que Crosby disse que mais pesquisas são necessárias?
Exatamente. Este é o primeiro passo. Os próximos passos vão determinar se a detecção precoce via Galleri realmente prolonga a vida.
E há outra coisa — o teste foi desenvolvido pela Grail, uma empresa californiana. Há incentivos comerciais aqui que precisam ser considerados.
Justo. Mas o NHS é rigoroso. Se os resultados em assintomáticos forem ruins, eles não vão expandir para um milhão de pessoas.
Le Pouls
- O câncer diagnosticado tarde demais ainda é uma das principais causas de morte evitável no mundo, e o Galleri entra em cena como uma tentativa de mudar essa equação com uma simples coleta de sangue.
- Em 75% dos casos em que o teste deu positivo, o diagnóstico de câncer foi confirmado — um índice que reduz drasticamente a jornada de incerteza dos pacientes e o volume de exames hospitalares necessários.
- A capacidade de localizar a origem do tumor em 85% dos positivos é o diferencial mais urgente: médicos que hoje pedem uma bateria de exames para sintomas vagos poderão direcionar investigações com muito mais precisão desde o início.
- Pesquisadores e especialistas alertam que o teste ainda não é suficiente para descartar o câncer com segurança, e que estudos maiores são necessários antes de qualquer conclusão definitiva sobre seu impacto clínico real.
- O NHS planeja expandir o programa para um milhão de pessoas em 2024 e 2025, caso os testes em pacientes sem sintomas — cujos resultados são esperados ainda em 2023 — confirmem a eficácia do Galleri também na detecção precoce silenciosa.
Em meio à longa busca da medicina por formas de antecipar o câncer antes que ele avance, um exame de sangue chamado Galleri surge como um passo concreto nessa direção: testado pelo NHS britânico em cinco mil pacientes com sintomas suspeitos, o teste identificou corretamente dois em cada três casos de câncer e apontou a origem do tumor em 85% dos resultados positivos. Desenvolvido com base na detecção de mutações em fragmentos do código genético, o exame não promete certezas absolutas, mas oferece algo raro na oncologia — uma bússola mais precisa no momento em que o tempo ainda pode fazer diferença.
Um exame de sangue testado pelo Serviço Nacional de Saúde britânico conseguiu identificar corretamente dois em cada três tipos de câncer em pacientes que buscavam atendimento médico com sintomas suspeitos. O teste, chamado Galleri, foi avaliado em cinco mil pessoas na Inglaterra e País de Gales, e os resultados — apresentados por pesquisadores da Universidade de Oxford — sugerem que a tecnologia pode transformar a forma como o câncer é diagnosticado.
O exame funciona detectando mutações em fragmentos do código genético associados a diferentes tipos de câncer. Entre os participantes com resultado positivo no Galleri, 75% foram de fato diagnosticados com câncer por métodos tradicionais. Já entre os com resultado negativo, apenas 2,5% receberam diagnóstico posterior — um índice que aponta para a utilidade prática do teste, ainda que não o torne definitivo.
O que torna o Galleri especialmente valioso é sua capacidade de indicar a origem do tumor: em 85% dos casos positivos, o exame apontou corretamente a localização do câncer. Para o pesquisador Mark Middleton, isso resolve um problema concreto do dia a dia clínico — pacientes com sintomas vagos como perda de peso frequentemente precisam passar por múltiplos exames antes de um diagnóstico. Com o Galleri, os médicos podem direcionar as investigações com muito mais precisão desde o início.
O teste se mostrou particularmente eficaz para cânceres difíceis de detectar precocemente, como os de cabeça, pescoço, pulmão, pâncreas e intestino. Os resultados foram publicados na revista The Lancet Oncology e apresentados na conferência da Sociedade Americana de Oncologia Clínica em Chicago.
Especialistas como David Crosby, da Cancer Research UK, reconhecem o avanço, mas pedem cautela: estudos muito maiores serão necessários para confirmar se o teste realmente melhora os desfechos clínicos. O NHS também está testando o Galleri em pessoas sem sintomas, com resultados esperados ainda em 2023. Se positivos, o programa pode ser expandido para um milhão de pessoas em 2024 e 2025 — uma escala que, segundo Peter Johnson, diretor nacional para o câncer do NHS, poderia salvar milhares de vidas ao identificar o câncer quando ele ainda é altamente tratável.
Um exame de sangue testado pelo Serviço Nacional de Saúde britânico conseguiu identificar corretamente dois em cada três tipos de câncer em pacientes que procuravam médicos com sintomas suspeitos. O teste, chamado Galleri, foi avaliado em cinco mil pessoas na Inglaterra e País de Gales, e os resultados apresentados pelos pesquisadores da Universidade de Oxford sugerem que a tecnologia pode transformar a forma como o câncer é diagnosticado.
O exame funciona detectando mutações específicas em fragmentos do código genético que indicam a presença de diferentes tipos de câncer. Mais de 350 participantes do estudo foram posteriormente diagnosticados com câncer usando métodos tradicionais como imagens e biópsias, o que permitiu aos pesquisadores validar a precisão do teste. Entre aqueles que tiveram resultado positivo no Galleri, 75% foram de fato diagnosticados com câncer. Já entre os que tiveram resultado negativo, apenas 2,5% receberam diagnóstico de câncer posteriormente.
O que torna o teste particularmente valioso é sua capacidade de identificar onde o câncer se originou. Em 85% dos casos positivos, o exame apontou corretamente a localização do tumor. Segundo Mark Middleton, pesquisador que lidera o estudo, isso resolve um problema prático significativo. Quando um paciente chega ao consultório com sintomas vagos como perda de peso, os médicos frequentemente precisam solicitar vários exames diferentes para determinar se há câncer e, se houver, qual tipo. Com a previsão do Galleri, os clínicos podem direcionar seus testes com muito mais precisão desde o início, economizando tempo e reduzindo o número de visitas hospitalares que os pacientes precisam fazer.
Middleton ressalvou que o teste ainda não é preciso o suficiente para descartar completamente a presença de câncer, e que mais pesquisas são necessárias. Ainda assim, ele enfatizou à BBC News que a ferramenta se mostrou genuinamente útil na prática clínica. O teste é especialmente eficaz para detectar cânceres que costumam ser difíceis de identificar nos estágios iniciais, como os que afetam cabeça, pescoço, intestino, pulmão, pâncreas e garganta.
Os resultados foram apresentados na conferência da Sociedade Americana de Oncologia Clínica em Chicago e publicados na revista The Lancet Oncology. O NHS também está testando o Galleri em milhares de pessoas sem sintomas para verificar se consegue identificar cânceres ocultos. Os resultados iniciais desse segundo estudo são esperados ainda em 2023, e caso os resultados sejam positivos, o NHS na Inglaterra planeja expandir o programa para um milhão de pessoas em 2024 e 2025.
David Crosby, médico da organização Cancer Research UK, alertou que embora os achados sejam promissores, estudos muito maiores serão necessários para confirmar se o teste realmente melhora os resultados clínicos dos pacientes. Peter Johnson, diretor nacional para o câncer do NHS, descreveu o estudo como um primeiro passo importante na busca por identificar o câncer o mais rapidamente possível. A detecção precoce é fundamental porque muitos cânceres são altamente tratáveis quando encontrados nos estágios iniciais, e um teste de sangue simples que pudesse identificar dezenas de tipos simultaneamente teria o potencial de salvar milhares de vidas.
Citations marquantes
O teste foi 85% preciso na detecção da origem do câncer, e isso pode ser realmente útil porque muitas vezes não é imediatamente óbvio qual teste é necessário— Mark Middleton, pesquisador da Universidade de Oxford
A detecção precoce do câncer é vital e este teste pode nos ajudar a salvar milhares de vidas— Peter Johnson, diretor nacional para o câncer do NHS