No final de dezembro de 2025, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal sobre operações com o Banco Master — e sua versão dos fatos colide com anotações internas apreendidas pela Polícia Federal. A tensão entre o que foi dito em juízo e o que foi registrado em documentos revela uma questão mais profunda: onde termina a estratégia comercial legítima e começa o resgate encoberto de uma instituição à beira do colapso? A investigação em curso busca, precisamente, distinguir o técnico do político, o ordinário do excepcional.
Ex-presidente do BRB admite conhecimento sobre risco de quebra do Banco Master
Se ia quebrar ou não, seria um problema dele
Costa admite que sabia do risco de quebra do Master, mas nega que a compra de carteiras visasse salvá-lo. Como essas duas coisas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo?
Segundo a defesa, a compra de carteiras começou em julho de 2024, antes de qualquer discussão sobre aquisição societária. Costa argumenta que era parte da estratégia ordinária do banco — o Master tinha ativos e tecnologia que o BRB precisava. O risco de quebra e a decisão de comprar carteiras podem ter sido eventos paralelos, não causais.
Mas as anotações internas dizem que Costa defendeu as compras especificamente porque "o Master vai quebrar". Isso não é paralelo, é causal. A defesa não explica essa anotação diretamente — apenas diz que agiu com diligência quando identificou problemas documentais.
E quanto aos R$ 51 bilhões excluídos? Isso não prova que o BRB estava tentando se proteger de um resgate?
Pode ser. Ou pode ser que o BRB tenha estruturado a operação de forma prudente, excluindo ativos problemáticos e mantendo condições de proteção. A defesa diz que isso era prática de mercado, que havia consultores externos, que o Banco Central estava envolvido.
Tudo isso é verdade, mas nenhum desses detalhes responde à pergunta central: por que o BRB comprou carteiras de um banco que estava à beira da quebra? A defesa oferece uma resposta estratégica — tecnologia, rede de correspondentes, patrimônio líquido. Mas não há confirmação independente de que essas eram as razões reais.
Os vídeos dos depoimentos estão disponíveis. Alguém pode verificar a consistência de Costa?
Sim, estão arquivados no STF e na PF, compartilhados com as defesas. Mas o que vemos agora é o que o Poder360 extraiu — fragmentos de um depoimento mais longo. O contexto completo pode mudar a interpretação.
E é por isso que essa história ainda está aberta. Temos uma contradição documentada entre o que Costa disse no depoimento e o que as anotações internas registram. A investigação precisa resolver isso.
The Pulse
- Costa afirmou ao STF que a eventual quebra do Master seria 'problema do fundador', mas anotações internas da PF registram ele próprio alertando que, sem as compras de carteiras, o banco colapsaria.
- A contradição entre o depoimento e os documentos apreendidos é o núcleo da investigação: o BRB teria usado operações rotineiras como cobertura para um resgate que jamais poderia ser anunciado publicamente.
- A defesa de Costa contra-ataca com números: R$ 51,2 bilhões em ativos problemáticos foram excluídos da operação, o que, segundo ela, demonstra que o BRB não absorveu cegamente os riscos do Master.
- O caso segue aberto no STF e na Polícia Federal, com vídeos dos depoimentos arquivados e disponíveis para escrutínio — a narrativa de Costa está documentada, mas sua consistência ainda será testada.
No final de dezembro de 2025, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal sobre operações com o Banco Master — e sua versão dos fatos colide com anotações internas apreendidas pela Polícia Federal. A tensão entre o que foi dito em juízo e o que foi registrado em documentos revela uma questão mais profunda: onde termina a estratégia comercial legítima e começa o resgate encoberto de uma instituição à beira do colapso? A investigação em curso busca, precisamente, distinguir o técnico do político, o ordinário do excepcional.
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, depôs no Supremo Tribunal Federal em 30 de dezembro de 2025 sobre as operações envolvendo o Banco Master. Sua posição foi clara: se o Master quebrasse, seria um problema do fundador Daniel Vorcaro, não seu. Mas documentos apreendidos pela Polícia Federal durante buscas no BRB contam uma história diferente — anotações atribuídas a uma diretora do banco registram Costa defendendo as compras de carteiras com um argumento explícito: sem elas, o Master quebraria.
No depoimento, Costa classificou a operação como 'técnica' e parte de uma estratégia ordinária de substituição de carteiras, iniciada em julho de 2024, antes de qualquer discussão sobre fusão ou aquisição societária. Quando o BRB identificou ativos com padrão documental problemático, afirma a defesa, a instituição comunicou o Banco Central, exigiu substituições e adotou medidas de contenção — tudo dentro dos procedimentos contratuais.
A operação societária anunciada em março de 2025 foi estruturada com consultores externos e submetida à governança interna. O argumento central da defesa repousa na exclusão de R$ 51,2 bilhões em ativos e passivos do Master, cifra que, segundo Costa, demonstra que o BRB não estava simplesmente absorvendo os problemas da instituição. Havia segregação de riscos e diálogo com o regulador.
Costa também apresentou razões estratégicas para o interesse no Master: a instituição possuía rede de correspondentes bancários, expertise tecnológica e patrimônio líquido de R$ 5 bilhões — superior ao do próprio BRB. O Master teria sido a terceira instituição avaliada para aquisição, reforçando, na visão da defesa, o caráter técnico da decisão.
Os vídeos dos depoimentos estão arquivados no STF e na Polícia Federal, acessíveis às defesas. O que permanece em disputa é a interpretação: Costa diz que agiu pelo interesse do BRB; as anotações internas sugerem que ele sabia do risco de colapso do Master. A investigação continua buscando determinar se houve, de fato, um resgate encoberto de uma instituição privada por um banco público — disfarçado sob o rótulo de estratégia comercial ordinária.
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, compareceu ao Supremo Tribunal Federal em 30 de dezembro de 2025 para depor sobre operações envolvendo o Banco Master. Quando questionado sobre o risco de insolvência da instituição, sua resposta foi direta: se o banco quebrasse ou não, seria um problema do fundador Daniel Vorcaro, não seu. A declaração, obtida pelo Poder360, marca um ponto de tensão central na investigação que envolve tanto o STF quanto a Polícia Federal — porque documentos apreendidos durante buscas no BRB contam uma história diferente.
Em uma agenda encontrada pela PF durante as operações, anotações atribuídas a uma diretora do banco registram Costa defendendo a compra de carteiras de crédito com um argumento explícito: sem essas aquisições, o Master quebraria. A contradição é evidente. No depoimento, Costa nega que a operação tivesse como objetivo resgatar o Master, classificando-a como "técnica" e como parte de uma estratégia ordinária de substituição de carteiras. Mas as anotações sugerem que ele próprio havia alertado para o risco de colapso da instituição.
A defesa de Costa apresentou uma narrativa estruturada. As compras de carteiras originadas pelo Master começaram em julho de 2024, segundo a nota divulgada à imprensa, e antecederam qualquer discussão sobre uma possível fusão ou aquisição societária. Quando o BRB identificou ativos com padrão documental problemático, afirma a defesa, a instituição agiu com diligência: comunicou o Banco Central, exigiu substituição de ativos e adotou medidas de contenção. Tudo dentro dos procedimentos contratuais e das práticas usuais do mercado.
A operação societária anunciada em março de 2025 foi estruturada, segundo Costa, com participação de consultores externos independentes e submetida aos órgãos de governança. O ponto que a defesa enfatiza é a exclusão de R$ 51,2 bilhões em ativos e passivos do Master — uma cifra expressiva que, na visão de Costa, demonstra que o BRB não estava simplesmente absorvendo os problemas da instituição. Havia condições precedentes de proteção, havia segregação de riscos, havia diálogo com o regulador.
Mas o contexto mais amplo revela por que essa defesa importa. O Master tinha uma rede de correspondentes bancários que o BRB não possuía. Tinha expertise em tecnologia que a instituição pública enfrentava dificuldade em desenvolver. Tinha um patrimônio líquido de R$ 5 bilhões, superior ao do próprio BRB. Costa argumenta que a estratégia era tornar o banco público competitivo no mercado financeiro, não salvar uma instituição à beira do colapso. O Master foi a terceira instituição avaliada para aquisição, segundo ele.
Os vídeos dos depoimentos estão arquivados no STF e na Polícia Federal, disponibilizados às defesas e aos advogados envolvidos no caso. O material completo foi compartilhado com os clientes e assessores das partes citadas na investigação. Isso significa que a narrativa de Costa — sua clareza, sua consistência, seu compromisso com a verdade, como afirma sua defesa — está documentada e acessível para escrutínio.
O que permanece em aberto é a interpretação dos fatos. Costa diz que agiu por critérios técnicos e pelo interesse do BRB. As anotações internas sugerem que ele sabia, explicitamente, que o Master corria risco de quebra. A investigação do STF e da PF continua buscando estabelecer se houve, de fato, um resgate encoberto de uma instituição financeira privada por um banco público — e se as operações foram estruturadas de forma a disfarçar essa realidade sob o rótulo de estratégia comercial ordinária.
Notable Quotes
Se ia quebrar ou não ia quebrar, no final seria um problema dele— Paulo Henrique Costa, em depoimento ao STF
O BRB nunca teve um compromisso ou qualquer ideia de viabilizar uma salvação do Master— Paulo Henrique Costa, em depoimento ao STF