Na segunda-feira, 20 de julho, Deyci Alejandra Omaña Ortiz — jornalista de formação e ex-atriz de filmes adultos conhecida como Amaranta Hank — tomou posse como senadora da Colômbia pelo Pacto Histórico, representando Norte de Santander até 2030. Sua chegada ao poder legislativo não é apenas a história de uma trajetória incomum, mas um espelho que a sociedade reluta em encarar: a mesma que consome conteúdo adulto em silêncio e nega voz pública a quem o produziu. Aos 33 anos, ela transforma uma contradição coletiva em mandato político.
Ex-atriz pornô assume cadeira no Senado colombiano e divide opiniões
A sociedade consome filmes adultos, mas nos nega a possibilidade de falar
O que torna esse caso tão divisivo? Ela foi eleita legitimamente.
Sim, mas há uma tensão entre dois tipos de crítica. Uma questiona se alguém com seu passado merece estar lá — isso é preconceito puro. A outra questiona se suas posições específicas sobre exploração sexual são suficientemente rigorosas. São debates diferentes.
Ela diz que sua experiência a qualifica para falar sobre desigualdade. Isso é verdadeiro?
É verdadeiro que ela viveu dentro de uma indústria que explora. Mas há quem diga que estar dentro não é o mesmo que ter uma análise crítica clara sobre como combatê-la. Seus críticos apontam que organizações de direitos humanos discordam de suas posições.
Por que ela menciona Cicciolina e Yvette Luhrs?
Para mostrar que isso não é novo, que há precedentes. Mas também para dizer: vejam, outras mulheres fizeram essa transição e continuaram atuando. Não sou um experimento único.
O Pacto Histórico a escolheu. Isso significa algo?
Significa que um partido de esquerda viu valor político em sua candidatura — em sua história, em suas promessas. Mas também gerou crítica interna: alguns dizem que o partido poderia ter escolhido uma mulher com outra trajetória na defesa dos direitos das mulheres.
Qual é o verdadeiro teste aqui?
Se ela consegue legislar de forma efetiva sobre os temas que promete — saúde mental, abuso sexual, exploração — independentemente de seu passado. E se a instituição consegue tratá-la como legisladora, não como curiosidade.
The Pulse
- A posse de Ortiz no Senado colombiano gerou reação imediata nas redes sociais, dividindo o país entre apoio e rejeição com uma intensidade raramente vista para uma senadora estreante.
- O centro da tensão não é apenas seu passado na indústria adulta, mas a pergunta que ela devolve aos críticos: por que uma mulher com essa trajetória não pode aspirar a um cargo eletivo?
- Organizações de direitos humanos contestam suas posições sobre prostituição e indústria do sexo, apontando que ela não abordaria adequadamente problemas como exploração sexual e tráfico de pessoas.
- Ortiz ancora sua agenda legislativa em direitos trabalhistas para profissionais do entretenimento adulto, saúde mental, prevenção do abuso sexual e combate à exploração de vulneráveis.
- Apoiada pelo maior partido do Senado colombiano — o mesmo do presidente Gustavo Petro —, ela chega com mandato garantido e a promessa de que vozes historicamente marginalizadas agora terão assento institucional.
Na segunda-feira, 20 de julho, Deyci Alejandra Omaña Ortiz — jornalista de formação e ex-atriz de filmes adultos conhecida como Amaranta Hank — tomou posse como senadora da Colômbia pelo Pacto Histórico, representando Norte de Santander até 2030. Sua chegada ao poder legislativo não é apenas a história de uma trajetória incomum, mas um espelho que a sociedade reluta em encarar: a mesma que consome conteúdo adulto em silêncio e nega voz pública a quem o produziu. Aos 33 anos, ela transforma uma contradição coletiva em mandato político.
Na manhã de 20 de julho, Deyci Alejandra Omaña Ortiz desceu de um carro e caminhou para tomar posse como senadora da Colômbia. Aos 33 anos, jornalista de formação e ex-atriz de filmes adultos conhecida como Amaranta Hank, ela passou a representar Norte de Santander até 2030 pelo Pacto Histórico — o maior partido do Senado colombiano, também o de Gustavo Petro.
Sua chegada ao poder não foi silenciosa. Ortiz havia ingressado na indústria adulta em 2017 e saído cerca de dois anos depois para construir uma carreira política. Quando o resultado das eleições foi divulgado em março, ela articulou uma crítica direta: a sociedade consome filmes adultos, mas nega espaço de poder a quem os produz. E quando questionada sobre sua capacidade para o cargo, respondeu com uma pergunta própria: por que uma mulher que trabalhou nessa indústria não pode aspirar a um cargo eletivo?
Ela não é a primeira a percorrer esse caminho. A italiana Cicciolina foi deputada entre 1987 e 1992. A holandesa Yvette Luhrs atuou como ativista política. No Brasil, Alexandre Frota foi deputado federal por São Paulo. Ortiz citou esses exemplos ao responder críticos conservadores, argumentando que sua experiência lhe permitiu compreender desigualdade, liberdade e economia popular.
Sua agenda legislativa inclui direitos trabalhistas e seguridade social para profissionais do entretenimento adulto, além de saúde mental, prevenção do abuso sexual e combate à exploração de pessoas vulneráveis. Mas a divisão é profunda: enquanto apoiadores argumentam que ela recebeu votos legítimos e representa uma realidade que existe independentemente do desconforto alheio, organizações de direitos humanos contestam suas posições sobre prostituição, apontando exploração estrutural que, segundo elas, ela não abordaria de forma adequada.
A presença de Ortiz no Senado colombiano será um teste contínuo — não apenas de sua capacidade política, mas de como uma instituição e a sociedade que a rodeia lidam com quem desafia seus próprios estereótipos.
Deyci Alejandra Omaña Ortiz desceu do carro na segunda-feira, 20 de julho, e caminhou para tomar posse como senadora da Colômbia. Aos 33 anos, ela carregava consigo uma trajetória que não se encaixa no molde tradicional do poder legislativo: jornalista de formação, ex-atriz de filmes adultos conhecida como Amaranta Hank, agora representante do departamento de Norte de Santander até 2030 pelo partido de esquerda Pacto Histórico.
Sua chegada ao Senado ecoou imediatamente nas redes sociais. Não era apenas a novidade de um rosto novo na câmara alta — era a ruptura de uma expectativa. Ortiz havia ingressado na indústria de filmes adultos em 2017 e saído dela cerca de dois anos depois para construir uma carreira política. Agora, com um mandato garantido, ela se tornava uma das figuras mais comentadas da política colombiana, e as opiniões se dividiram rapidamente.
O que a diferencia não é apenas seu passado profissional, mas a forma como ela o enfrenta publicamente. Aos 33 anos, Ortiz defende que profissionais da produção de conteúdo adulto tenham acesso a direitos trabalhistas, seguridade social e proteção legal contra exploração. Quando o resultado das eleições foi divulgado em março, ela articulou uma crítica que toca em algo mais profundo: a sociedade consome filmes adultos, mas nega espaço de poder a quem os produz. "O problema é que a sociedade consome filmes adultos, mas nos nega a possibilidade de falar em espaços de poder", disse ela. E quando questionada sobre sua capacidade para exercer o cargo, respondeu com uma pergunta própria: "Por que uma mulher que trabalhou na indústria pornográfica não pode aspirar a um cargo eletivo?".
Ela não é a primeira. A italiana Ilona Staller, conhecida como Cicciolina, foi eleita deputada em 1987 e permaneceu no Parlamento italiano até 1992. A holandesa Yvette Luhrs, ex-profissional do sexo, também trilhou um caminho semelhante como ativista política. No Brasil, Alexandre Frota atuou em filmes adultos antes de ser eleito deputado federal por São Paulo entre 2019 e 2023, e agora é vereador em Cotia. Ortiz citou esses exemplos ao responder críticos de setores conservadores, argumentando que sua experiência lhe permitiu compreender desigualdade, luta pela liberdade e economia popular — pautas que agora promete levar ao debate legislativo.
Além da defesa dos direitos de trabalhadores do entretenimento adulto, ela afirma que concentrará sua atuação legislativa em saúde mental, prevenção do abuso sexual e combate à exploração de pessoas vulneráveis. O Pacto Histórico, partido ao qual pertence, é o maior da bancada do Senado com 25 cadeiras e também o partido do presidente Gustavo Petro.
Mas a divisão de opiniões é real e profunda. Nas redes sociais, alguns defendem que seu passado não deve ser critério para avaliar sua capacidade política. Um internauta escreveu que ela recebeu votos que lhe garantiram o lugar, e que embora o tema deixe muitas pessoas desconfortáveis, o trabalho sexual existe e é trabalho. Negar a realidade de milhares de mulheres é negar seus direitos. Outros, porém, criticam não sua trajetória anterior em si, mas suas posições sobre prostituição e indústria do sexo — posições que organizações de direitos humanos contestam, apontando exploração sexual, cafetinagem e tráfico de pessoas como problemas estruturais que ela não abordaria adequadamente.
A transformação política que Ortiz menciona — uma que reconheça e integre vozes historicamente marginalizadas — já começou, segundo ela. Mas o caminho ainda é longo, e a presença dela no Senado colombiano será um teste contínuo de como a instituição, e a sociedade que a rodeia, lidam com quem desafia seus próprios estereótipos.
Notable Quotes
O problema é que a sociedade consome filmes adultos, mas nos nega a possibilidade de falar em espaços de poder— Deyci Alejandra Omaña Ortiz
Por que uma mulher que trabalhou na indústria pornográfica não pode aspirar a um cargo eletivo?— Deyci Alejandra Omaña Ortiz