Recursos sairão de Tunísia, Eslováquia, Macedônia do Norte e Iraque para Panamá, Peru, Equador e Colômbia via equipamentos, treinamento e assistência técnica. O redirecionamento alinha-se com a política de 'América para os americanos' e a reafirmação da Doutrina Monroe, priorizando aliados de direita na região.
EUA redirecionam US$ 52 mi em verba militar para América Latina sob Trump
Reafirmar a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana
Por que Trump está movendo dinheiro militar de lugares como Iraque e Europa para a América Latina agora?
Ele vê a região como sua prioridade estratégica. A Doutrina Monroe — a ideia de que o hemisfério ocidental é esfera de influência americana — está sendo ressuscitada como política oficial. E ele quer consolidar aliados de direita antes que mudem as dinâmicas políticas.
Mas 52 milhões é uma quantia pequena no orçamento total. Isso é realmente sobre o dinheiro, ou é mais simbólico?
É principalmente simbólico. O valor é menos de 1% do programa anual. O que importa é o sinal: Trump está dizendo que a América Latina importa mais que a Europa agora.
E quanto a esse termo "narcoterrorismo" que especialistas dizem ser inadequado?
É a linguagem que a administração usa para justificar a intervenção. Permite que Trump enquadre isso como segurança hemisférica contra ameaças, não apenas como alinhamento político com governos de direita.
Então quando Trump elogia Keiko Fujimori e Abelardo de la Espriella, ele está realmente falando sobre combate ao narcotráfico, ou está consolidando uma aliança política?
Provavelmente ambos. Mas a sequência é clara: remove a Venezuela da lista de países de drogas, elogia seus novos aliados de direita, e canaliza recursos para eles. É uma estratégia integrada.
A Venezuela saiu da lista após Maduro ser capturado. Isso significa que o problema de drogas desapareceu lá?
Não há evidência de que desapareceu. Trump atribui a melhoria à sua administração, mas oito meses é pouco tempo para transformar estruturas de tráfico. A remoção da lista parece mais política que baseada em dados.
E isso ilustra o padrão: aliados recebem crédito e recursos; adversários recebem crítica e pressão. A política está moldando como os dados são apresentados.
Der Puls
- 52 milhões de dólares realocados de Tunísia, Eslováquia, Macedônia do Norte e Iraque para Panamá, Peru, Equador e Colômbia
- Venezuela removida da lista de países de drogas pela primeira vez em mais de 20 anos
- Abelardo de la Espriella (Colômbia) e Keiko Fujimori (Peru) eleitos em junho e elogiados por Trump
- Escudo das Américas reúne Argentina, Equador, El Salvador e Peru sob liderança de direita
Recursos sairão de Tunísia, Eslováquia, Macedônia do Norte e Iraque para Panamá, Peru, Equador e Colômbia via equipamentos, treinamento e assistência técnica. O redirecionamento alinha-se com a política de 'América para os americanos' e a reafirmação da Doutrina Monroe, priorizando aliados de direita na região.
O governo Trump notificou o Congresso americano sobre planos de redirecionar US$ 52 milhões em assistência militar de Europa e Oriente Médio para países latino-americanos aliados, refletindo a prioridade de reafirmar influência no hemisfério.
Na terça-feira 15 de setembro, o Departamento de Estado americano comunicou ao Congresso dos Estados Unidos um plano do governo Trump: redirecionar 52 milhões de dólares em assistência militar. O dinheiro sairia de quatro países — Tunísia, Eslováquia, Macedônia do Norte e Iraque — e seria enviado para quatro nações latino-americanas: Panamá, Peru, Equador e Colômbia. Segundo um funcionário do Departamento de Estado, os recursos financiariam equipamentos, treinamento e assistência técnica voltados para o que o governo chama de combate ao narcoterrorismo e à influência militar de adversários na região.
O movimento não é acidental. Chega dias após o secretário de Estado Marco Rubio visitar Peru, Colômbia e Equador anunciando cooperação militar expandida. E reflete uma reorientação clara das prioridades internacionais americanas sob Trump: menos Europa e Oriente Médio, mais América Latina. O montante — 52 milhões de dólares — representa menos de 1% do orçamento anual do Financiamento Militar Estrangeiro, que recebeu 6,16 bilhões de dólares em 2026. Mas o símbolo importa mais que o número.
Esta realocação é a materialização da política que Trump chamou de "América para os americanos", enunciada em sua Estratégia de Segurança Nacional publicada no ano anterior. A Casa Branca foi explícita: "Após anos de negligência, os EUA reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental." A Doutrina Monroe, formulada no século 19, estabeleceu que Washington considerava o continente americano sua esfera de influência exclusiva. Trump está ressuscitando essa linguagem como guia para sua política hemisférica.
O padrão de pensamento de Trump sobre gastos militares vem de longe. Em 1987, quando ainda era empresário, ele pagou anúncios em grandes jornais americanos argumentando que os Estados Unidos deveriam parar de financiar a defesa de países capazes de se defender sozinhos. Desde que retornou à Casa Branca no ano anterior, tem pressionado aliados europeus a aumentar investimentos em defesa, repetindo que os gastos americanos na Otan são desproporcionais comparados aos de outros membros da aliança.
Na semana anterior ao anúncio da realocação de fundos, Trump removeu a Venezuela da lista de principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas — a primeira vez em mais de 20 anos. A remoção ocorreu oito meses após uma intervenção americana que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro e transformou o país em algo próximo a um protetorado. Trump atribuiu a melhoria à sua administração, afirmando que a cooperação com o governo interino contra cartéis já produzia resultados.
Mas enquanto a Venezuela saiu da lista, outros países latino-americanos permaneceram: Colômbia, Bolívia, El Salvador, Equador, México, Guatemala, Costa Rica, República Dominicana, Honduras, Haiti, Nicarágua, Panamá e Peru. Trump, porém, tratou seus aliados de forma diferente. A Colômbia, disse ele, estava na lista "unicamente devido à incompetência e caos" do governo anterior de Gustavo Petro, que descreveu como extremista de esquerda. Isso, afirmou, deveria mudar com a liderança de Abelardo de la Espriella, eleito em junho e descrito como ultradireitista, que prometeu uma campanha agressiva contra o cultivo de coca.
Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori que governou Peru de 1990 a 2000, também eleita em junho, recebeu elogios de Trump por seu compromisso em trabalhar com os Estados Unidos contra o crime organizado. Fujimori anunciou na semana anterior sua entrada no Escudo das Américas, uma iniciativa de Trump que reúne países governados pela direita sob o pretexto de combater o narcotráfico. Argentina, Equador e El Salvador também integram a coalizão, todos saudados por Trump como "três dos maiores aliados dos EUA em nosso hemisfério" por sua "liderança, determinação e sucesso na luta contra o narcoterrorismo".
O termo "narcoterrorismo" — usado repetidamente pela administração — é considerado inadequado por especialistas para descrever os grupos criminosos latino-americanos. Mas a linguagem importa menos que a estratégia: Trump está consolidando uma aliança de governos de direita na região, canalizando recursos militares para eles, e usando a retórica de combate ao crime organizado como justificativa. É uma reconfiguração clara do tabuleiro geopolítico americano, com consequências que se estenderão muito além dos 52 milhões de dólares em questão.
Bemerkenswerte Zitate
Após anos de negligência, os EUA reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental— Casa Branca, na Estratégia de Segurança Nacional
A Colômbia está prestes a retomar seu lugar como nosso principal parceiro de segurança no hemisfério— Donald Trump, sobre o novo governo colombiano