EUA negam visto a Abbas pela 2ª vez; Trump acusa palestinos de descumprir compromissos

Pela segunda vez, Abbas não pode viajar; pela segunda vez, pode falar de longe.
O presidente palestino enfrenta negação de visto repetida, mas encontra caminho alternativo através da ONU.
Mark

Por que o governo Trump nega o visto de Abbas especificamente agora, dias antes da Assembleia Geral?

Mimi

Porque a Assembleia Geral é o palco mais importante do ano para líderes mundiais. Negar o visto é uma forma de Washington sinalizar desaprovação pública e limitar a visibilidade de Abbas.

Luke

Mas vale lembrar que Abbas conseguiu falar no ano passado por videoconferência. A negação do visto não o silencia completamente — apenas o afasta fisicamente.

Mark

O que exatamente os EUA acusam a Autoridade Palestina de não estar fazendo?

Mimi

O Departamento de Estado diz que palestinos não cumprem compromissos assumidos, continuam pagando benefícios a pessoas que os EUA classificam como terroristas, e glorificam atos de terrorismo em materiais públicos e escolares.

Luke

Essas são acusações graves, mas vale notar que "compromissos assumidos" não é especificado no comunicado. Quais compromissos exatamente? Isso importa para entender se há um desacordo real ou uma questão de interpretação.

Mark

É a primeira vez que isso acontece?

Mimi

Não. Em 2025, Trump já tinha revogado os vistos de Abbas e de outros membros da delegação palestina, usando os mesmos argumentos.

Luke

E naquela vez, a ONU votou para permitir que Abbas falasse por videoconferência de qualquer forma. Então a pergunta é: isso vai acontecer novamente?

Mark

Qual é o peso real dessas sanções anunciadas?

Mimi

Elas atingem membros da OLP e funcionários da Autoridade Palestina, ampliando a pressão além da questão do visto. É um sinal de que Washington está escalando a pressão.

Luke

Mas o comunicado não detalha quem especificamente será sancionado ou quais serão as consequências práticas. Sem esses detalhes, é difícil avaliar o impacto real.

  • Abbas é barrado pela segunda vez seguida de participar presencialmente da Assembleia Geral da ONU, aprofundando seu isolamento diplomático frente aos Estados Unidos.
  • Washington vai além da negativa de visto e anuncia novas sanções contra integrantes da OLP e funcionários da Autoridade Palestina, escalando a pressão sobre a liderança palestina.
  • O Departamento de Estado acusa a Autoridade Palestina de pagar benefícios a terroristas e glorificar atos de violência em declarações públicas e materiais escolares.
  • A ONU pode repetir o precedente de 2025 e autorizar Abbas a discursar por videoconferência — solução aprovada então por 145 países, contra os votos de EUA e Israel.
  • A tensão acumulada sinaliza que não há aproximação entre Washington e a liderança palestina, enquanto as sanções adicionais estreitam ainda mais o espaço de manobra diplomática de Abbas.

Pela segunda vez consecutiva, Mahmoud Abbas é impedido de cruzar as portas da Assembleia Geral da ONU em Nova York, após Washington negar-lhe o visto de entrada. O governo Trump amplia a pressão sobre a liderança palestina com novas sanções contra membros da OLP e da Autoridade Palestina, invocando acusações de vínculos com terrorismo e descumprimento de compromissos. O episódio revela uma fratura diplomática que vai além de um simples documento de viagem — é o retrato de uma relação entre dois atores que, por ora, falam línguas políticas irreconciliáveis.

Mahmoud Abbas não estará fisicamente em Nova York para a Assembleia Geral da ONU. Pelo segundo ano consecutivo, o governo dos Estados Unidos negou o visto ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, acompanhando a recusa com o anúncio de novas sanções contra membros da Organização para a Libertação da Palestina e funcionários palestinos.

O Departamento de Estado justifica as medidas acusando a Autoridade Palestina de continuar pagando benefícios a pessoas classificadas como terroristas e de glorificar a violência em declarações públicas e livros escolares. Para Washington, há uma 'falta de reformas' e ações que comprometem qualquer perspectiva de acordo de paz no Oriente Médio.

Em 2025, a negativa de visto não silenciou Abbas: a Assembleia Geral aprovou, com 145 votos favoráveis, uma resolução que permitiu sua participação por videoconferência. EUA e Israel votaram contra. O mesmo caminho pode se abrir novamente este ano, mas o contexto é mais pesado — as sanções adicionais desta semana vão além da questão do visto e atingem diretamente a estrutura da liderança palestina.

A Autoridade Palestina governa partes da Cisjordânia desde os acordos de Oslo nos anos 1990 e está ligada à OLP, que reúne diferentes grupos políticos palestinos. Desde que o Hamas tomou o controle de Gaza em 2006, a Autoridade Palestina perdeu influência sobre aquele território e mantém rivalidade aberta com o movimento.

A decisão desta semana é mais um capítulo de uma tensão que não dá sinais de arrefecimento. Abbas precisará encontrar formas de se fazer ouvir — por videoconferência ou por outros canais diplomáticos — enquanto enfrenta uma pressão crescente e cada vez mais concreta vinda de Washington.

Mahmoud Abbas não vai a Nova York este ano. Pela segunda vez consecutiva, o governo dos Estados Unidos negou o visto de entrada ao presidente da Autoridade Nacional Palestina para que ele participasse presencialmente da Assembleia Geral da ONU, que começa na próxima semana. A decisão foi anunciada pela AFP na quarta-feira, 16 de setembro, acompanhada de um comunicado do Departamento de Estado americano que vai além da simples recusa: Washington anunciou novas sanções contra integrantes da Organização para a Libertação da Palestina e funcionários da Autoridade Palestina.

O governo Trump justifica a medida acusando palestinos de terem falhado novamente em cumprir compromissos assumidos com os Estados Unidos. Segundo o Departamento de Estado, a Autoridade Palestina continua pagando benefícios a pessoas classificadas pelo governo americano como terroristas e glorifica atos de terrorismo em declarações públicas e livros escolares. O comunicado afirma que as sanções são consequência da "falta de reformas" e de ações que prejudicam as perspectivas de um acordo de paz no Oriente Médio.

Esta não é a primeira vez que Washington toma essa decisão. Em 2025, o governo de Donald Trump revogou os vistos de Abbas e de outros membros da delegação palestina, usando argumentos semelhantes: ligações com terrorismo, descumprimento de compromissos e prejuízo às negociações de paz. Mas naquela ocasião, a negativa de visto não impediu que Abbas participasse do encontro anual das Nações Unidas. Os países-membros da ONU aprovaram uma resolução autorizando o presidente palestino a fazer seu discurso por videoconferência. A proposta recebeu 145 votos favoráveis, enquanto Estados Unidos e Israel votaram contra, e seis países se abstiveram.

O mesmo caminho pode se repetir este ano. Embora Abbas não possa viajar fisicamente para Nova York, existe a possibilidade de que a ONU autorize novamente uma participação remota. A Assembleia Geral tem o poder de tomar essa decisão, como demonstrou no ano anterior. O que muda é o contexto: as novas sanções anunciadas esta semana ampliam a pressão sobre a liderança palestina além da questão do visto, atingindo diretamente membros da OLP e da Autoridade Palestina.

A Autoridade Palestina, para contexto, é a entidade que exerce funções de governo em partes da Cisjordânia desde os acordos de Oslo, na década de 1990. Ela está ligada à OLP, uma organização que reúne diferentes grupos políticos palestinos. Desde que o Hamas venceu as eleições legislativas palestinas de 2006 e assumiu o controle da Faixa de Gaza, a Autoridade Palestina perdeu o controle sobre aquele território, concentrando sua administração apenas em áreas da Cisjordânia. A OLP mantém uma relação de rivalidade com o Hamas.

A decisão desta semana reflete uma tensão contínua entre Washington e a liderança palestina. O governo Trump, ao negar o visto pela segunda vez e impor sanções adicionais, sinaliza que não há movimento suficiente da parte palestina em relação aos compromissos que os americanos exigem. Abbas terá que encontrar uma forma de se fazer ouvir na Assembleia Geral — seja por videoconferência, se aprovado novamente, ou através de outras canais diplomáticos — enquanto enfrenta essa pressão crescente de Washington.

A OLP e a Autoridade Palestina falharam novamente em cumprir compromissos assumidos com os Estados Unidos
— Departamento de Estado dos EUA
A Autoridade Palestina continua pagando benefícios a pessoas classificadas como terroristas e glorifica atos de terrorismo em declarações públicas e livros escolares
— Governo dos EUA
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