Etanol fica competitivo em 4 estados, mas segue menos favorável na média nacional

O etanol pode ser competitivo mesmo com paridades acima de 70%
Executivos do setor argumentam que a vantagem econômica depende das características técnicas do veículo, não apenas do cálculo padrão.

Em um país que há décadas aposta no etanol como alternativa soberana ao petróleo, o biocombustível voltou a ganhar terreno em quatro estados brasileiros — Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo —, dobrando em uma semana o número de regiões onde abastecer com álcool é economicamente mais sensato. A queda acumulada de mais de 8% no preço médio nacional ao longo de um mês sugere que forças de mercado, oferta e sazonalidade estão realinhando, lentamente, a balança entre os dois combustíveis. Ainda assim, na média nacional, o etanol permanece ligeiramente aquém do limiar de competitividade plena, lembrando que a transição energética raramente acontece de forma uniforme pelo território.

  • O etanol rompeu a barreira de competitividade em quatro estados simultaneamente, dobrando em uma semana o número de regiões onde vale mais a pena abastecer com biocombustível.
  • A queda de 1,99% no preço médio nacional em uma semana e de 8,23% em um mês indica uma pressão contínua e crescente sobre os preços do etanol hidratado nos postos.
  • São Paulo concentra os extremos mais expressivos: maior queda semanal (2,72%), menor preço médio estadual (R$ 4,765/litro) e um posto onde o litro chega a R$ 4,07 — o mais barato do Brasil.
  • No outro extremo, o Rio Grande do Sul registra média de R$ 6,524 por litro, criando uma disparidade de mais de R$ 2,40 entre os estados mais baratos e mais caros do país.
  • Executivos do setor argumentam que o etanol pode ser vantajoso mesmo com paridade acima de 70%, a depender do veículo, abrindo espaço para que mais estados cruzem essa fronteira nas próximas semanas.

O etanol voltou a ganhar competitividade em quatro estados brasileiros na semana passada, dobrando o número de regiões onde o biocombustível supera a gasolina em custo-benefício. Goiás e Mato Grosso já ocupavam essa posição anteriormente; agora Minas Gerais e São Paulo se somaram à lista. Na média nacional, porém, o etanol ainda registra paridade de 70,42% em relação à gasolina — ligeiramente acima do limiar tradicional de 70% que define sua vantagem econômica.

Entre os quatro estados competitivos, Goiás lidera com a melhor paridade: 66,76%. São Paulo aparece em seguida com 69,14%, Mato Grosso com 69,44% e Minas Gerais com 69,92%. Executivos do setor ressaltam que esses números não contam toda a história — dependendo das características técnicas do veículo, o etanol pode ser vantajoso mesmo com paridades superiores a 70%.

O preço médio do etanol hidratado recuou 1,99% na semana, passando de R$ 5,186 para R$ 5,083 o litro. A queda não foi homogênea: 19 estados registraram redução, enquanto 9 estados e o Distrito Federal viram seus preços subirem. São Paulo, maior produtor e consumidor do país, teve queda de 2,72%, chegando a R$ 4,765 o litro — o menor preço médio estadual do Brasil. Goiás registrou o maior recuo percentual, de 2,96%, atingindo R$ 4,951 o litro.

As disparidades regionais são marcantes: dentro de São Paulo, há um posto onde o litro custa apenas R$ 4,07 — o menor preço registrado em qualquer bomba brasileira. No extremo oposto, o Rio Grande do Sul enfrenta média de R$ 6,524 por litro, criando uma diferença de mais de R$ 2,40 entre os dois extremos nacionais. Em um horizonte de um mês, a queda acumulada chega a 8,23% no país, com São Paulo liderando a retração com 10,90%, sinalizando que o etanol caminha, gradualmente, para ampliar sua vantagem em mais regiões.

O etanol voltou a ganhar terreno contra a gasolina em quatro estados brasileiros na semana passada, dobrando o número de regiões onde o biocombustível se tornou a opção mais econômica para abastecimento. Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis compilado pela AE-Taxas, Goiás e Mato Grosso já vinham nessa posição na semana anterior, mas agora Minas Gerais e São Paulo se juntaram à lista. Apesar desse avanço regional, a realidade nacional ainda desfavorece o etanol: na média dos postos pesquisados em todo o país, o biocombustível apresenta paridade de 70,42% em relação à gasolina, mantendo-se ligeiramente menos competitivo que o derivado do petróleo.

O cálculo tradicional que define a vantagem econômica de um combustível sobre o outro estabelece que o etanol precisa custar pelo menos 30% menos que a gasolina para ser considerado realmente vantajoso. Em Goiás, a paridade atual é de 66,76%, a melhor entre os quatro estados. São Paulo fica em 69,14%, Mato Grosso em 69,44% e Minas Gerais em 69,92%. Esses números refletem uma realidade mais nuançada do que a simples comparação de preços sugere: executivos do setor argumentam que o etanol pode ser competitivo mesmo com paridades acima de 70%, dependendo das características técnicas do veículo em que o combustível é utilizado.

A queda de preços do etanol na semana anterior foi generalizada. O preço médio do etanol hidratado recuou 1,99% nos postos pesquisados nacionalmente, caindo de R$ 5,186 para R$ 5,083 o litro — uma redução de R$ 0,103 por litro. Essa tendência de baixa não foi uniforme: enquanto 19 estados registraram quedas, 9 estados e o Distrito Federal viram seus preços subirem. São Paulo, que é simultaneamente o maior produtor e maior consumidor de etanol do país e possui o maior número de postos avaliados pela ANP, experimentou uma queda ainda mais acentuada de 2,72%, chegando a R$ 4,765 o litro. Goiás registrou o maior recuo porcentual entre todos os estados, com queda de 2,96%, atingindo R$ 4,951 o litro.

Os extremos do mapa de preços revelam disparidades significativas. São Paulo não apenas teve a maior queda semanal, mas também apresenta o menor preço médio estadual do país, em R$ 4,765 o litro. Dentro do estado, existe um posto onde o etanol é vendido por apenas R$ 4,07 o litro — o preço mais baixo registrado em qualquer bomba brasileira. No outro extremo, o Rio Grande do Sul enfrenta o maior preço médio estadual, chegando a R$ 6,524 o litro, criando uma diferença de mais de R$ 2,40 entre os extremos nacionais.

Quando se observa a trajetória de preços em um horizonte mais longo, a tendência de queda se intensifica. No período de um mês, o preço médio do etanol caiu 8,23% em nível nacional. São Paulo lidera novamente essa métrica, com redução mensal de 10,90% nas bombas do estado. Essa sequência de quedas sugere uma pressão contínua sobre os preços do biocombustível, possivelmente relacionada a fatores como oferta aumentada ou demanda reduzida. O resultado prático é que o etanol se torna progressivamente mais atrativo para consumidores em regiões específicas, embora ainda enfrente resistência na média nacional, onde a gasolina mantém sua vantagem econômica tradicional.

Executivos do setor dizem que o etanol pode ser competitivo com paridade maior do que 70%, a depender do veículo em que o biocombustível é utilizado
— Setor de etanol
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que apenas quatro estados conseguem oferecer etanol mais competitivo se o preço caiu nacionalmente?

Model

Porque a competitividade depende da relação entre os dois combustíveis em cada região. Um estado pode ter etanol barato, mas se a gasolina local também caiu proporcionalmente mais, o etanol fica menos atrativo. São Paulo e Goiás têm condições ideais agora, mas em outros lugares a gasolina acompanhou ou até superou a queda.

Inventor

Esse limite de 30% de diferença — é uma regra rígida ou mais uma orientação?

Model

É mais uma orientação. O cálculo padrão assume um veículo médio, mas executivos do setor reconhecem que alguns carros conseguem aproveitar melhor o etanol. Um motor flex mais moderno pode ser competitivo mesmo com paridade de 70% ou 71%. Depende da engenharia do veículo.

Inventor

Por que Rio Grande do Sul tem preço tão mais alto que São Paulo?

Model

Provavelmente uma combinação de fatores: distância da produção, custos de logística, estrutura local de distribuição. São Paulo é o coração da indústria de etanol no Brasil, então tem vantagem natural de proximidade. Rio Grande do Sul fica longe dos principais polos produtores.

Inventor

Se o etanol caiu 8% em um mês, isso pode virar a maré nacionalmente em breve?

Model

É possível, mas não é garantido. Tudo depende do que acontecer com a gasolina. Se os preços internacionais do petróleo continuarem pressionando a gasolina para baixo também, a vantagem do etanol pode não se expandir. É uma corrida entre dois combustíveis, não apenas uma queda isolada.

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