Em São Paulo, o Estado avança com passos deliberados rumo à transferência de sua maior empresa de saneamento ao setor privado — um movimento que reflete a aposta crescente de governos em todo o mundo de que a eficiência privada pode suprir onde a gestão pública encontra seus limites. O secretário Rafael Benini anunciou que os estudos técnicos para a privatização da Sabesp estarão prontos até o fim de março, enquanto um portfólio mais amplo de concessões — estradas, metrô e mobilidade metropolitana — desenha o contorno de uma nova relação entre o poder público paulista e a iniciativa privada.
Estudos para privatização da Sabesp estarão prontos até março, anuncia secretário
Passando isso para a iniciativa privada a gente acredita que resolve
Por que o governo escolheu março como prazo para os estudos da Sabesp? Isso é uma data realista?
Março marca o fim do primeiro trimestre do ano. É um prazo que permite ao governo apresentar um cronograma claro, mas também deixa espaço para ajustes. Realista ou não depende de quantos detalhes técnicos ainda faltam ser resolvidos.
A Sabesp é uma empresa essencial. Como o governo justifica entregar água e saneamento à iniciativa privada?
A lógica apresentada é que empresas privadas têm incentivos para manter a infraestrutura funcionando sem interrupções. Mas há uma tensão real: lucro e acesso universal nem sempre caminham juntos.
E quanto às estradas do Litoral? Por que elas têm tanto problema?
A Mogi-Bertioga sofre com chuvas intensas todo ano. É uma rodovia que liga o interior ao litoral, passa por terreno difícil. O governo acredita que um operador privado investiria em drenagem e manutenção preventiva porque teria receita de pedágio em jogo.
Levar metrô para fora de São Paulo soa ambicioso. Qual é o real alcance disso?
As linhas 10 e 14 já tocam municípios vizinhos, mas há cidades inteiras na região metropolitana sem acesso a transporte de massa. É um projeto de longo prazo, mas mostra que o governo pensa além da capital.
Qual é o risco maior nessa agenda toda?
Quando você privatiza infraestrutura essencial, você perde controle direto sobre preços e qualidade. Se algo der errado, o governo ainda é responsabilizado, mas tem menos ferramentas para agir rápido.
O Pulso
- Os estudos para a privatização da Sabesp correm contra o relógio: o prazo de março pressiona o governo a transformar intenção política em arquitetura técnica concreta.
- A Sabesp atende milhões de paulistanos, e qualquer mudança em sua estrutura de controle carrega o peso de decisões que afetam água, esgoto e o cotidiano de uma metrópole inteira.
- Além do saneamento, 1.800 quilômetros de rodovias e estradas do Litoral — cronicamente interrompidas pelas chuvas — estão na fila para serem entregues a operadores privados.
- Três projetos de transporte de massa — a linha 19 da CPTM e as linhas 10 e 14 do Metrô — sinalizam que a agenda vai além da capital e mira municípios metropolitanos ainda sem acesso ao transporte sobre trilhos.
- O secretário Benini deixou claro que o objetivo não é arrecadar, mas estruturar parcerias — uma distinção que reposiciona o papel do Estado como arquiteto, não como vendedor.
Em São Paulo, o Estado avança com passos deliberados rumo à transferência de sua maior empresa de saneamento ao setor privado — um movimento que reflete a aposta crescente de governos em todo o mundo de que a eficiência privada pode suprir onde a gestão pública encontra seus limites. O secretário Rafael Benini anunciou que os estudos técnicos para a privatização da Sabesp estarão prontos até o fim de março, enquanto um portfólio mais amplo de concessões — estradas, metrô e mobilidade metropolitana — desenha o contorno de uma nova relação entre o poder público paulista e a iniciativa privada.
Rafael Benini, secretário de Parcerias e Investimentos de São Paulo, usou o Fórum São Paulo Global para anunciar que os estudos técnicos da privatização da Sabesp — envolvendo viabilidade financeira, modelos de concessão e governança — estarão concluídos até o fim de março. Para Benini, a missão de sua pasta não é gerar receita, mas estruturar adequadamente as parcerias público-privadas que o governo pretende entregar nos próximos anos.
A Sabesp é o projeto mais simbólico dessa agenda, mas está longe de ser o único. O governo paulista tem planos de conceder cerca de 1.800 quilômetros de rodovias à iniciativa privada, com atenção especial às estradas do Litoral — entre elas a Mogi-Bertioga, que sofre interrupções recorrentes a cada temporada de chuvas. A aposta é que operadores privados possam resolver gargalos que a gestão pública não conseguiu superar.
No campo da mobilidade urbana, o portfólio inclui a linha 19 da CPTM e as linhas 10 e 14 do Metrô de São Paulo. Mais do que ampliar a rede na capital, o governo quer levar transporte de massa a municípios da região metropolitana que ainda não contam com esse tipo de infraestrutura. Com o cronograma da Sabesp apontando para março, a expectativa é que o processo de licitação avance nos meses seguintes — consolidando a estratégia do Estado de transferir a operação de serviços críticos ao setor privado sob a premissa de maior eficiência e continuidade.
Rafael Benini, secretário de Parcerias e Investimentos do Estado de São Paulo, anunciou na segunda-feira que os estudos técnicos necessários para a privatização da Sabesp estarão concluídos até o final de março. O anúncio foi feito durante sua participação no Fórum São Paulo Global, evento organizado pelo Grupo Voto, onde Benini apresentou o portfólio de projetos de infraestrutura que o governo estadual pretende entregar à iniciativa privada nos próximos anos.
Segundo Benini, a missão de sua secretaria não é gerar receita para os cofres públicos através dessas operações, mas sim estruturar adequadamente as parcerias público-privadas. A Sabesp, companhia de saneamento que atende a região metropolitana de São Paulo e outras áreas do estado, é o projeto mais emblemático dessa agenda. Os estudos que devem estar prontos em março incluem análises de viabilidade financeira, estrutura de concessão e modelos de governança para a transferência da empresa ao setor privado.
Além da Sabesp, o governo estadual tem mira em 1.800 quilômetros de rodovias que poderão ser concedidas à iniciativa privada. Benini enfatizou que o estado pretende retomar as concessões de estradas no Litoral paulista, uma região que enfrenta problemas recorrentes de interrupção de tráfego durante períodos chuvosos. A rodovia Mogi-Bertioga, que liga o interior ao litoral, é particularmente afetada por essas ocorrências a cada ano. A transferência dessa responsabilidade para operadores privados, na avaliação do secretário, poderia resolver esses gargalos crônicos de infraestrutura.
O portfólio de concessões também inclui um ambicioso programa de mobilidade urbana. Benini citou três projetos estruturantes: a linha 19 da CPTM e as linhas 10 e 14 do Metrô de São Paulo. Esses projetos fazem parte de um plano maior que vai além dos limites da capital. O secretário mencionou que o governo pretende expandir o sistema metroviário para fora de São Paulo, levando transporte de massa para municípios da região metropolitana que ainda não possuem acesso a esse tipo de infraestrutura.
O cronograma apresentado por Benini sugere que a agenda de privatizações e concessões do governo estadual está em ritmo acelerado. Com os estudos da Sabesp previstos para março, a expectativa é que o processo de licitação e transferência da companhia possa avançar nos meses seguintes. A estratégia mais ampla reflete a aposta do governo de São Paulo em transferir a responsabilidade de manutenção e operação de infraestrutura crítica para o setor privado, sob a premissa de que operadores privados podem oferecer maior eficiência e continuidade de serviços.
Citações Notáveis
A ideia da secretaria não é trazer dinheiro para São Paulo, mas cuidar das Parcerias Públicos Privadas— Rafael Benini, secretário de Parcerias e Investimentos
Pretendemos levar o Metrô para fora de São Paulo— Rafael Benini