Demitir é mais fácil de dizer que fazer
No início de setembro de 2025, o Federal Reserve de Nova York divulgou uma pesquisa que contraria o alarmismo dominante: a inteligência artificial, ao menos por ora, não está varrendo empregos do mercado americano. As empresas preferem treinar seus trabalhadores a dispensá-los, e as demissões atribuídas à IA caíram de 10% para apenas 1% em um ano. O que emerge não é uma ruptura, mas uma reorganização silenciosa — com ganhos e perdas distribuídos de forma desigual, e os recém-formados carregando um peso desproporcional dessa transição.
- A adoção de IA pelas empresas quase dobrou em um ano, mas as demissões causadas pela tecnologia despencaram de 10% para 1% — o pânico, por ora, superou a realidade.
- Recém-formados universitários sentem o aperto mais agudo: as empresas estão contratando menos para posições que exigem diploma, tornando a entrada no mercado de trabalho mais difícil.
- A resposta mais comum das empresas não é substituir pessoas, mas capacitá-las — um terço das companhias de serviços já investe em treinamento para o uso de ferramentas de IA.
- Os pesquisadores alertam que demissões e cortes de contratação devem crescer nos próximos meses, mas acompanhados de maior busca por profissionais com domínio em IA, apontando para um equilíbrio tenso.
Um estudo do Federal Reserve de Nova York, divulgado em setembro de 2025, oferece um retrato mais tranquilo do que o imaginado por muitos: a inteligência artificial ainda não provocou uma ruptura no mercado de trabalho americano. A pesquisa, realizada com empresas da região de Nova York e norte de Nova Jersey, mostra que 40% das companhias de serviços já incorporaram IA em seus processos — um salto expressivo em relação aos 25% de um ano antes. No setor manufatureiro, a adoção cresceu de 16% para 26% no mesmo período.
Mas o dado mais revelador está no que as empresas fizeram — ou deixaram de fazer — com sua força de trabalho. Apenas 1% das empresas de serviços demitiu trabalhadores por causa da IA nos últimos seis meses, queda acentuada em relação aos 10% do ano anterior. No setor manufatureiro, nenhuma empresa relatou cortes. Há uma lacuna curiosa entre intenção e ação: no ano passado, 13% das companhias afirmaram que demitiriam, mas muito poucas realmente o fizeram.
Ainda assim, há sombras nesse quadro. Cerca de 12% das empresas de serviços contratou menos trabalhadores, e essa retração concentrou-se em posições que exigem diploma universitário. Recém-formados estão sentindo esse estreitamento, enfrentando dificuldades para conquistar suas primeiras oportunidades em um mercado mais seletivo.
O lado compensatório também é real: 11% das empresas de serviços contratou mais funcionários justamente por usar IA, e mais de um terço investe em treinamento dos trabalhadores atuais. A resposta predominante das empresas à tecnologia não é a substituição, mas a capacitação. Os pesquisadores reconhecem que demissões e cortes de contratação devem crescer nos próximos meses, mas esperam também maior demanda por profissionais com conhecimento em IA — um cenário de equilíbrio relativo, não de ruptura em massa.
Um estudo divulgado pelo Federal Reserve de Nova York no início de setembro oferece um retrato mais matizado do que muitos temiam: a inteligência artificial, até agora, não está provocando o caos no mercado de trabalho americano. As empresas relatam demissões modestas, e a tendência dominante não é substituir pessoas, mas treiná-las para conviver com a nova tecnologia.
A pesquisa entrevistou companhias na região de Nova York e norte de Nova Jersey, descobrindo que 40% das empresas de serviços já incorporaram IA em seus processos — seja em marketing, análise de dados, atendimento ao cliente ou gerenciamento de informações. Esse número representa um salto significativo em relação aos 25% registrados um ano antes. No setor manufatureiro, o crescimento foi de 16% para 26% no mesmo período. Mas números de adoção não contam toda a história. O que importa é o que as empresas fizeram com essas ferramentas em termos de pessoal.
Aqui está o dado que desmente o pânico: apenas 1% das empresas de serviços efetivamente demitiu trabalhadores nos últimos seis meses por causa da IA. Isso representa uma queda acentuada em relação aos 10% que disseram ter feito demissões no ano anterior. No setor manufatureiro, nenhuma empresa relatou demissões, nem espera fazer cortes nos próximos seis meses. Os pesquisadores observam uma curiosidade reveladora: no ano passado, 13% das empresas de serviços afirmaram que demitiriam trabalhadores, mas muito poucas realmente o fizeram. A lacuna entre a intenção e a ação sugere que as empresas estão encontrando maneiras de se adaptar sem descartar sua força de trabalho.
Mas há um lado mais sombrio nessa história, ainda que modesto. Cerca de 12% das empresas de serviços que usam IA contrataram menos trabalhadores nos últimos seis meses. Esse número alinha-se com descobertas de pesquisas regionais de outros bancos federais, que encontraram executivos reportando redução na necessidade de pessoal. O detalhe preocupante: essa redução nas contratações concentrou-se em posições que exigem diploma universitário. Recém-formados estão sentindo esse aperto no mercado, lutando para encontrar suas primeiras oportunidades profissionais em um cenário onde as empresas estão sendo mais seletivas.
O lado compensatório é igualmente real. Cerca de 11% das empresas de serviços contratou mais trabalhadores especificamente porque usam IA, enquanto 7% das manufatureiras fizeram o mesmo. Olhando para frente, 10% a 15% dessas empresas planejam contratar novos profissionais nos próximos seis meses. Mais importante ainda: pouco mais de um terço das empresas de serviços e 14% das manufatureiras estão investindo em treinamento de seus funcionários atuais para que dominem essas ferramentas. Essa é a resposta mais comum das empresas à IA — não substituição, mas capacitação.
O padrão de adoção varia dramaticamente entre setores. Mais da metade das companhias em informação, finanças e serviços profissionais já usam IA, enquanto nenhuma empresa do setor agrícola indicou fazer uso da tecnologia. Setores de varejo, educação, saúde e lazer ficam no meio, com cerca de um terço a 45% das empresas já operando com essas ferramentas. A adoção de ferramentas pagas também cresceu: metade das empresas de serviços agora paga por soluções de IA, um aumento de 16 pontos percentuais em um ano. No setor manufatureiro, o salto foi ainda mais dramático, de 7% para 46%.
Os pesquisadores reconhecem que o cenário atual é apenas o começo. Esperam que demissões e reduções nas contratações aumentem nos próximos seis meses. Mas a expectativa simultânea é de mais contratações de profissionais que entendem IA, criando um cenário de relativo equilíbrio — não a substituição em massa que alimenta os piores cenários, mas também não uma absorção sem fricção. O mercado está se reorganizando, lentamente, em torno de uma nova realidade.
Notable Quotes
A IA está influenciando o recrutamento, com algumas empresas reduzindo as contratações e outras adicionando trabalhadores proficientes em seu uso— Pesquisadores do Federal Reserve de Nova York
Daqui para frente, espera-se que as demissões e a redução nos planos de contratação devido ao uso da IA aumentem— Pesquisadores do Federal Reserve de Nova York
The Hearth Conversation Another angle on the story
O estudo mostra que apenas 1% das empresas demitiu por causa de IA. Por que o número é tão baixo se a tecnologia é tão disruptiva?
Porque as empresas ainda estão descobrindo como usar IA. Não é uma ferramenta plug-and-play que substitui pessoas da noite para o dia. Muitas estão usando para análise de dados, marketing, atendimento ao cliente — tarefas que aumentam a produtividade, não necessariamente eliminam postos.
Mas 13% das empresas disseram que vão demitir nos próximos seis meses. Isso não contradiz o otimismo?
Não exatamente. Essa mesma porcentagem disse a mesma coisa no ano passado, e muito poucas realmente fizeram. Há uma diferença entre o que as empresas temem fazer e o que realmente fazem. O treinamento é mais barato e mais fácil do que demitir e recontratar.
Então por que recém-formados estão tendo dificuldade em encontrar emprego?
Porque a redução nas contratações está concentrada justamente em posições que exigem diploma universitário. As empresas não estão demitindo pessoas experientes — estão sendo mais seletivas com quem contratam. Para quem está começando, isso é um gargalo real.
Mas o estudo também diz que 11% das empresas contratou mais gente por causa de IA. Como isso funciona?
Essas empresas estão crescendo porque a IA as tornou mais eficientes e competitivas. Elas precisam de pessoas que entendam a tecnologia, que saibam interpretar dados, que consigam trabalhar ao lado dessas ferramentas. É um mercado diferente do anterior.
Qual é o cenário mais provável daqui para frente?
Provavelmente um ajuste lento. Mais empresas vão adotar IA, algumas vão fazer demissões, mas a maioria vai treinar quem tem. O mercado não vai desaparecer, mas vai exigir pessoas diferentes — ou pessoas que consigam se reinventar.