Em um momento em que a ciência médica busca respostas mais precisas para a epidemia global de obesidade, um estudo clínico de 18 meses revelou que a tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro — supera a semaglutida do Ozempic em eficácia para perda de peso, com uma diferença de 6,5 pontos percentuais entre os dois tratamentos. A distinção reside na química: enquanto o Ozempic imita um único hormônio intestinal, o Mounjaro age sobre dois, ampliando o sinal de saciedade que chega ao cérebro. Para os 751 pacientes acompanhados, e para os milhões que enfrentam obesidade com comorbidades, esse dado
Estudo da Eli Lilly mostra que Mounjaro é mais eficaz que Ozempic para perda de peso
A ação dupla explica por que a perda de peso é maior e mais rápida
Por que a Eli Lilly decidiu fazer esse estudo agora? Parece conveniente que eles provem que seu próprio medicamento é melhor.
É verdade que há um interesse comercial óbvio. Mas o estudo acompanhou 751 pessoas por 18 meses com doses máximas de ambos os medicamentos — isso é um desenho robusto. O que importa é se os métodos foram rigorosos e se os resultados podem ser reproduzidos.
Exatamente. E aqui está o ponto: este é um estudo patrocinado pela Eli Lilly. Isso não invalida os dados, mas significa que precisamos saber se foi publicado em uma revista revisada por pares, quem conduziu a análise estatística, e se houve conflitos de interesse declarados. O artigo não deixa isso claro.
Então a diferença de 6,5 pontos percentuais é real ou pode ser exagerada?
A diferença é real nos dados que eles coletaram. Vinte vírgula dois por cento versus 13,7 por cento é o que aconteceu neste grupo específico. Mas "real" e "clinicamente significativo" são coisas diferentes. Para alguns pacientes, essa diferença pode mudar tudo. Para outros, 13,7% de perda de peso já é transformador.
E há outra questão: esses eram pacientes com comorbidades — hipertensão, apneia do sono, doença cardiovascular. Os resultados podem não se aplicar igualmente a alguém com apenas obesidade simples. O estudo foi desenhado para uma população específica.
Então qual medicamento um paciente deveria escolher?
Isso depende de muitos fatores que o estudo não captura: tolerância individual aos efeitos colaterais, custo, acesso, preferência pessoal. O Mounjaro pode ser mais eficaz em média, mas o Ozempic pode ser a escolha certa para uma pessoa específica.
E não sabemos quanto tempo esses resultados duram depois que o tratamento termina, ou como os dois se comparam em segurança a longo prazo. Este estudo é um ponto de dados importante, mas não é a palavra final.
Il Polso
- O estudo SURMOUNT-5 coloca pela primeira vez os dois medicamentos mais populares para perda de peso em confronto direto, com resultados que favorecem claramente o Mounjaro: 20,2% de redução de peso contra 13,7% do Ozempic.
- A diferença não é apenas estatística — para uma pessoa de 100 quilos, representa quase 7 quilos a mais de perda, uma margem que pode ser decisiva para pacientes com hipertensão, apneia do sono ou doenças cardíacas.
- A vantagem do Mounjaro está em sua ação dupla sobre os hormônios GLP-1 e GIP, sendo que o GIP pode aumentar a permeabilidade vascular e permitir que o GLP-1 alcance regiões do sistema nervoso normalmente inacessíveis.
- O estudo foi financiado pela própria Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, o que exige leitura crítica dos resultados, mesmo que a metodologia seja robusta e os números expressivos.
- Com a competição entre Mounjaro e Ozempic tornando-se cada vez mais direta no mercado de obesidade, este estudo deve influenciar prescrições médicas e decisões de pacientes em todo o mundo.
Em um momento em que a ciência médica busca respostas mais precisas para a epidemia global de obesidade, um estudo clínico de 18 meses revelou que a tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro — supera a semaglutida do Ozempic em eficácia para perda de peso, com uma diferença de 6,5 pontos percentuais entre os dois tratamentos. A distinção reside na química: enquanto o Ozempic imita um único hormônio intestinal, o Mounjaro age sobre dois, ampliando o sinal de saciedade que chega ao cérebro. Para os 751 pacientes acompanhados, e para os milhões que enfrentam obesidade com comorbidades, esse dado científico redefine o horizonte das escolhas terapêuticas disponíveis.
A Eli Lilly divulgou nesta quarta-feira os resultados do estudo SURMOUNT-5, que acompanhou 751 pessoas com obesidade ou sobrepeso e pelo menos uma comorbidade — como hipertensão, colesterol elevado ou apneia do sono — ao longo de aproximadamente 18 meses. Metade dos participantes recebeu a dose máxima de tirzepatida, o princípio ativo do Mounjaro; a outra metade tomou a dose mais alta de semaglutida, componente do Ozempic.
Os resultados foram expressivos: quem usou Mounjaro perdeu em média 20,2% do peso corporal, contra 13,7% com o Ozempic — uma diferença de 6,5 pontos percentuais que, na prática, representa cerca de 7 quilos a mais para uma pessoa de 100 quilos. Leonard Glass, vice-presidente sênior de assuntos médicos da Lilly, afirmou que o objetivo foi oferecer uma base científica sólida para médicos e pacientes na hora de escolher entre os dois tratamentos.
A explicação para a diferença está na bioquímica dos medicamentos. A semaglutida imita apenas o hormônio GLP-1, produzido no intestino, que reduz o apetite ao agir no hipotálamo. A tirzepatida vai além: combina a ação do GLP-1 com a do GIP, outro hormônio que, segundo o endocrinologista Marcio Mancini, diretor do Departamento de Tratamento Farmacológico da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade, pode aumentar a permeabilidade dos vasos sanguíneos — permitindo que o GLP-1 alcance áreas do sistema nervoso normalmente inacessíveis e amplifique o efeito de redução do apetite.
O estudo chega em um momento de alta demanda por medicamentos para perda de peso. Tanto Mounjaro quanto Ozempic nasceram como tratamentos para diabetes, mas ganharam versões aprovadas especificamente para obesidade — Zepbound e Wegovy, respectivamente. Com a competição entre os dois tornando-se cada vez mais direta, os resultados do SURMOUNT-5 devem pesar nas prescrições médicas e nas escolhas de pacientes, especialmente aqueles que convivem com obesidade e outras condições de saúde associadas.
A Eli Lilly anunciou nesta quarta-feira um estudo que coloca seu medicamento Mounjaro à frente do Ozempic quando o assunto é redução de peso. A pesquisa, chamada SURMOUNT-5, acompanhou 751 pessoas com obesidade ou sobrepeso que também tinham pelo menos uma condição associada — hipertensão, colesterol elevado, apneia do sono ou doença do coração. Durante aproximadamente um ano e meio, metade recebeu a dose máxima de tirzepatida, o princípio ativo do Mounjaro, enquanto a outra metade tomou a dose mais alta de semaglutida, o componente do Ozempic.
Os números falam por si. Quem usou Mounjaro perdeu em média 20,2% do seu peso corporal. Quem tomou Ozempic perdeu 13,7%. A diferença de 6,5 pontos percentuais é substancial — significa que, para uma pessoa de 100 quilos, o Mounjaro resultaria em uma perda de aproximadamente 20 quilos contra 13,7 quilos com o Ozempic. Leonard Glass, vice-presidente sênior de assuntos médicos globais da divisão de cardiometabolismo da Lilly, explicou que o estudo foi conduzido para oferecer aos médicos e pacientes uma base científica sólida na hora de escolher qual medicamento prescrever ou usar.
A razão pela qual um funciona melhor que o outro está na química. A semaglutida, usada no Ozempic e no Wegovy, imita um único hormônio chamado GLP-1, produzido naturalmente no intestino. Esse hormônio controla os níveis de açúcar no sangue e, crucialmente, reduz a fome — o paciente simplesmente não sente tanta vontade de comer. A tirzepatida, porém, funciona de forma diferente. Ela não apenas imita o GLP-1, mas também imita outro hormônio chamado GIP. Essa ação dupla explica por que a perda de peso é maior e mais rápida.
Marcio Mancini, endocrinologista e diretor do Departamento de Tratamento Farmacológico da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, oferece uma perspectiva sobre como isso funciona no corpo. Os análogos de GLP-1 atuam em receptores no hipotálamo, a região do cérebro que controla o apetite e o sistema de recompensa — basicamente, a área ligada ao prazer e à satisfação. O GIP, por sua vez, ainda não é totalmente compreendido, mas há evidências de que ele possa aumentar a permeabilidade dos vasos sanguíneos, permitindo que o GLP-1 penetre em áreas do sistema nervoso que normalmente não alcançaria. Essa penetração adicional pode amplificar o efeito geral de redução de apetite.
O resultado do SURMOUNT-5 chega em um momento em que medicamentos para perda de peso estão em alta demanda. Tanto Mounjaro quanto Ozempic se tornaram populares além de seus usos originais — o Ozempic foi desenvolvido para diabetes, enquanto o Mounjaro também começou como tratamento para glicemia. Agora, com versões aprovadas especificamente para perda de peso (Zepbound para tirzepatida e Wegovy para semaglutida), a competição entre os dois é cada vez mais direta. Este estudo, financiado pela Eli Lilly, provavelmente influenciará como médicos prescrevem esses medicamentos e como pacientes decidem qual usar, especialmente aqueles que têm tanto obesidade quanto outras condições de saúde.
Citazioni salienti
Realizamos este estudo para suportar tanto os profissionais de saúde quanto os pacientes, para que possam tomar as decisões de tratamento mais adequadas e baseadas em evidências científicas— Leonard Glass, vice-presidente sênior de assuntos médicos globais da Eli Lilly
Há a possibilidade de que o GIP aumente a permeabilidade vascular para que o GLP-1 consiga penetrar em áreas do sistema nervoso que ele não penetraria— Marcio Mancini, endocrinologista e diretor do Departamento de Tratamento Farmacológico da Abeso