Estudo alerta: plâncton em declínio no Atlântico Nordeste ameaça ecossistemas marinhos

Nenhum habitat pelágico foi classificado como bom em todo o Atlântico Nordeste
Resultado de análise de 60 anos de dados sobre saúde do plâncton em mares europeus.

Por seis décadas, o oceano foi registrando um silêncio crescente em suas camadas mais vitais. Um estudo abrangente liderado pela Universidade de Plymouth revelou que nenhum habitat pelágico do Atlântico Nordeste — de Portugal à Noruega — pode ser classificado como saudável, com o plâncton, responsável por metade do oxigênio que respiramos, em declínio acentuado. O que está em jogo não é apenas a saúde dos mares europeus, mas a estabilidade de cadeias alimentares, ciclos de carbono e a própria capacidade do oceano de sustentar a vida humana.

  • Nenhum habitat pelágico em todo o Atlântico Nordeste recebeu classificação 'boa' — os mares celtas, o Golfo da Biscaia e a costa ibérica foram marcados como 'Não Bons', enquanto o Grande Mar do Norte permanece em estado incerto.
  • O plâncton, que produz metade do oxigênio atmosférico e ancora toda a cadeia alimentar marinha, está perdendo biomassa e abundância em escala regional, com consequências diretas para a pesca comercial e o ciclo global do carbono.
  • Temperatura crescente da superfície do mar, acidificação oceânica, poluição por nutrientes e alterações na mistura das águas formam um conjunto de pressões interligadas que apontam para as mudanças climáticas como causa raiz.
  • Séries temporais de monitoramento de plâncton — algumas com décadas de dados insubstituíveis — estão sendo encerradas por falta de financiamento, justamente quando mais são necessárias para orientar políticas marinhas.
  • Cerca de 40 especialistas de 13 instituições europeias pedem mitigação climática urgente, redução do nitrogênio nas águas costeiras e novas tecnologias de monitoramento para evitar que futuras avaliações fiquem cegas por falta de dados.

O plâncton microscópico produz aproximadamente metade do oxigênio que respiramos, alimenta as cadeias que sustentam a pesca comercial e regula o carbono planetário. Um estudo de seis décadas liderado pela Universidade de Plymouth revelou que sua abundância está desaparecendo em vastas extensões do Atlântico Nordeste — a região que vai de Portugal à Noruega e abrange todo o Mar do Norte.

Os pesquisadores integraram dados de 23 conjuntos de monitoramento coletados por 13 instituições ao longo de décadas, combinando-os com observações de satélite para produzir a primeira avaliação quantitativa abrangente da saúde dos habitats pelágicos da Europa Ocidental. Os resultados foram inequívocos: nenhum habitat foi classificado como bom. Os mares celtas, o Golfo da Biscaia e a costa ibérica receberam a classificação de 'Não Bom', com declínios claros na biomassa do fitoplâncton e na abundância do zooplâncton. O Grande Mar do Norte ficou marcado como 'Incerto'.

Os principais fatores identificados — aumento da temperatura superficial do mar, acidificação, poluição por nutrientes e alterações na mistura das águas — convergem para uma causa comum: as mudanças climáticas globais. Por isso, os cientistas defendem que a redução global de emissões de carbono é a medida mais urgente, complementada por ações rigorosas contra a poluição por nitrogênio nas águas costeiras.

Há ainda um risco adicional: várias séries temporais de longo prazo estão sendo interrompidas por falta de recursos, justamente quando mais são necessárias. O estudo, publicado na revista Ecological Indicators e coordenado pela professora Abigail McQuatters-Gollopy com contribuições de cerca de 40 especialistas, alerta que futuras avaliações precisarão de dados mais abrangentes, melhor cobertura costeira e novas tecnologias como DNA ambiental. O tempo para transformar essas evidências em ação política, enfatizam os pesquisadores, está se esgotando.

O plâncton microscópico sustenta a vida nos oceanos de uma forma que poucos organismos conseguem. Produz aproximadamente metade do oxigênio que respiramos. Alimenta as cadeias que sustentam a pesca comercial. Regula o carbono planetário. Mantém o funcionamento básico dos ecossistemas marinhos. Mas um estudo de seis décadas, liderado por pesquisadores da Universidade de Plymouth, revelou algo perturbador: a abundância de plâncton está desaparecendo em vastas extensões do Atlântico Nordeste, a região que se estende de Portugal até a Noruega e abrange todo o Mar do Norte.

Os cientistas reuniram dados de 23 conjuntos diferentes de monitoramento de plâncton, coletados por 13 instituições de pesquisa ao longo de décadas, e os combinaram com observações de satélite para fazer a primeira avaliação quantitativa abrangente sobre a saúde dos habitats pelágicos da Europa Ocidental. Esses habitats — regiões de águas abertas dominadas por plâncton — são fundamentais para o funcionamento do oceano. Até agora, as avaliações para formulação de políticas descreviam as mudanças no plâncton de forma isolada, sem conseguir integrá-las em um quadro claro do estado regional. Este trabalho preencheu essa lacuna.

Os resultados foram inequívocos e alarmantes. Nenhum habitat pelágico em todo o Atlântico Nordeste foi classificado como bom. Os mares celtas, o Golfo da Biscaia e a costa ibérica receberam a classificação de "Não Bom". O Grande Mar do Norte foi marcado como "Incerto". A situação mais grave foi detectada nos habitats da plataforma continental, onde as comunidades de plâncton sofreram mudanças significativas, com declínios claros na biomassa do fitoplâncton e na abundância do zooplâncton. Seis combinações de habitat e região foram classificadas como "Não Boas", três como "Incertas" e uma não pôde ser avaliada por falta de dados.

Os pesquisadores identificaram os culpados principais: o aumento da temperatura da superfície do mar, as alterações nas condições de nutrientes, a diminuição do pH oceânico e mudanças na mistura das águas. Todos esses fatores estão interconectados e apontam para uma causa raiz comum — as mudanças climáticas globais. Por isso, os cientistas afirmam que a medida mais importante para proteger esses habitats é mitigar as mudanças climáticas através da redução global de emissões de carbono. Mas não é apenas isso. Eles também pedem ações mais rigorosas contra a poluição por nutrientes, particularmente nitrogênio, que degrada as águas costeiras.

Há um problema adicional que complica o futuro do monitoramento: várias séries temporais de longo prazo de plâncton na região estão sendo interrompidas ou correm risco de desaparecer devido à diminuição de recursos. Essas séries são essenciais para detectar mudanças ecológicas e informar políticas marinhas. O estudo, publicado na revista Ecological Indicators e liderado pela professora Abigail McQuatters-Gollopy, envolveu um consórcio de universidades europeias, organizações científicas e agências ambientais, com contribuições de cerca de 40 especialistas em plâncton que trabalham sob a OSPAR, a Convenção sobre os Mares Regionais do Atlântico Nordeste.

O trabalho complementa o Relatório de Estado de Qualidade da OSPAR de 2023 e representa a primeira avaliação quantitativa do estado do plâncton em regiões-chave como o Mar Céltico, o Golfo da Biscaia e o Mar do Norte. Os pesquisadores alertam que futuras avaliações precisam incluir conjuntos de dados mais abrangentes e de longo prazo, melhor cobertura de áreas costeiras e estuarinas, e novas tecnologias como imagens e DNA ambiental para capturar partes da comunidade de plâncton que atualmente estão sub-representadas.

O desafio agora é transformar essas evidências em ação prática. As mudanças no plâncton têm repercussões que vão muito além do próprio organismo microscópico. Afetam as cadeias alimentares, a viabilidade da pesca, o ciclo global do carbono e os benefícios que a humanidade extrai do oceano. Os pesquisadores enfatizam a necessidade urgente de estabelecer novas formas de colaboração entre cientistas e formuladores de políticas para gerar mais dados e determinar como alcançar um bom estado de conservação. O alerta é claro: alguns dos mares mais importantes da Europa estão mudando, e o tempo para agir está se esgotando.

A medida mais importante para proteger o funcionamento dos habitats pelágicos é mitigar as mudanças climáticas atuais, apoiando uma redução global nas emissões de carbono
— Pesquisadores da Universidade de Plymouth
As mudanças no plâncton têm repercussões que vão muito além do próprio plâncton. Elas afetam as cadeias alimentares, a pesca, o ciclo do carbono e os benefícios que a humanidade obtém do oceano
— Equipe de pesquisa do estudo
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o plâncton é tão importante que um declínio dele justifica um estudo de seis décadas?

Model

Porque o plâncton é invisível, mas sustenta tudo. Produz metade do oxigênio que respiramos. Alimenta os peixes que comemos. Absorve carbono. Se desaparecer, o oceano colapsa, e nós com ele.

Inventor

O estudo diz que nenhum habitat foi classificado como "bom". Isso significa que todos estão morrendo?

Model

Não exatamente. Significa que nenhum atende aos critérios de saúde ambiental definidos pela UE. Alguns estão piores que outros. A plataforma continental é a mais afetada, onde as mudanças são mais visíveis.

Inventor

Quais são os culpados? É só o aquecimento global?

Model

O aquecimento é o principal, mas não é isolado. A temperatura do mar sobe, o pH cai, os nutrientes mudam, a mistura das águas se altera. Tudo junto cria um ambiente onde o plâncton não consegue prosperar.

Inventor

Se os pesquisadores sabem o que fazer — reduzir emissões, controlar nutrientes — por que não está acontecendo?

Model

Porque essas são mudanças estruturais que exigem vontade política global. E porque há outro problema: os programas de monitoramento de longo prazo estão sendo cortados por falta de dinheiro. Sem dados, é difícil convencer políticos de que o problema é real.

Inventor

Então o estudo é um aviso que ninguém vai ouvir?

Model

Não é pessimismo. É um chamado para colaboração entre cientistas e formuladores de políticas. O estudo fornece evidências quantitativas. Agora depende de quem tem poder de decisão usar essas evidências para agir.

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