Estudantes desenvolvem cadeira de rodas controlada por expressões faciais com IA

Projeto visa beneficiar pessoas com tetraplegia e outras condições que comprometem severamente os movimentos do corpo, restaurando sua autonomia de deslocamento.
Devolver a pessoas o controle sobre seus próprios deslocamentos
O objetivo central do projeto de Fernando e Laura é restaurar autonomia de movimento para quem perdeu a capacidade de se deslocar convencionalmente.
Mark

Por que expressões faciais? Por que não tentar capturar outros tipos de movimento?

Mimi

Porque pessoas com tetraplegia severa perdem o controle do corpo inteiro, mas geralmente conseguem mover o rosto. É o que resta. Então você trabalha com o que a pessoa ainda consegue fazer.

Mark

Mas sorrir ou levantar a sobrancelha — isso não é algo que as pessoas fazem naturalmente o tempo todo? Não seria cansativo usar como comando?

Mimi

Exatamente por isso o projeto permite personalização. Cada usuário escolhe quais expressões são mais confortáveis para ele. Alguém pode preferir piscar, outro pode preferir sorrir. Não é um sistema rígido.

Mark

Eles já testaram com pessoas que realmente precisam disso?

Mimi

Ainda não. Estão no sexto protótipo em escala reduzida. Os testes com usuários reais são a próxima grande etapa. É aí que vão descobrir se a teoria funciona na prática.

Mark

Qual é o maior desafio técnico que você imagina?

Mimi

Reconhecer expressões faciais com precisão em tempo real, sem erros. Se a cadeira se move quando você não quer, ou não se move quando você quer, o sistema falha completamente. A margem de erro é zero.

Mark

E depois que conseguirem fazer funcionar?

Mimi

Querem adaptar cadeiras de rodas motorizadas já existentes. Não é criar do zero. É pegar o que as pessoas já têm e dar a elas uma forma de controlar.

  • Milhões de pessoas com tetraplegia dependem de terceiros para se deslocar — Fernando e Laura decidiram que expressões faciais poderiam mudar isso.
  • Aprender programação, eletrônica, modelagem 3D e sistemas embarcados ao mesmo tempo, ainda no ensino médio, exigiu um esforço que vai muito além do currículo escolar.
  • Seis protótipos em escala reduzida e dezoito meses de pesquisa depois, o projeto agora enfrenta sua maior transição: uma cadeira em tamanho real, pronta para ser testada.
  • O PDI do Biopark doou uma cadeira motorizada e o projeto já conquistou duas premiações em feiras de tecnologia do Paraná, sinalizando reconhecimento institucional crescente.
  • O verdadeiro desafio ainda está por vir: testes com usuários reais na FECET de Cascavel definirão se a solução funciona onde mais importa — na vida de quem precisa dela.

Em Santa Helena, dois jovens estudantes do ensino médio transformaram dezoito meses de aprendizado em uma resposta concreta a uma das perguntas mais humanas que existem: como devolver a alguém o controle sobre o próprio corpo. Fernando e Laura desenvolveram uma cadeira de rodas guiada por expressões faciais e inteligência artificial, oferecendo autonomia a pessoas com tetraplegia por meio do único movimento que muitas ainda preservam — o do rosto. O projeto, já premiado e em transição para testes com usuários reais, lembra que a tecnologia mais significativa é aquela que começa pela escuta de quem mais precisa.

Fernando Miguel Koch e Laura Garbozza, alunos do Colégio Donaduzzi em Santa Helena, passaram os últimos dezoito meses tentando responder a uma pergunta difícil: como devolver autonomia de movimento a quem perdeu o controle do corpo? A resposta que encontraram parte de um lugar que muitas pessoas com tetraplegia ainda preservam — o rosto.

Orientados pelo professor Lucas Garcia, os dois desenvolveram uma cadeira de rodas controlada por expressões faciais e inteligência artificial. Levantar as sobrancelhas, sorrir ou movimentar os lábios podem ser configurados como comandos de direção. O diferencial está na personalização: cada usuário escolhe quais expressões são mais naturais para ele, sem precisar se adaptar a um conjunto fixo de gestos.

Chegar até aqui exigiu aprender programação, eletrônica, modelagem 3D e sistemas embarcados — conhecimentos que raramente aparecem juntos no ensino médio. O projeto já passou por seis protótipos em escala reduzida e agora avança para uma cadeira em tamanho real. No caminho, recebeu duas premiações em feiras de tecnologia do Paraná e o apoio do PDI do Biopark, que doou uma cadeira motorizada para a próxima fase.

A próxima etapa é também a mais decisiva: testes com usuários reais na Feira de Ciência, Engenharia e Tecnologia em Cascavel. Pessoas com tetraplegia e outras condições de mobilidade severa serão convidadas a usar o sistema, apontar dificuldades e sugerir melhorias. O projeto também prevê adaptar cadeiras motorizadas já existentes, reduzindo custos e ampliando o acesso.

O que Fernando e Laura constroem vai além de um projeto escolar. É uma tentativa concreta de devolver a pessoas com mobilidade extremamente reduzida o controle sobre seus próprios deslocamentos — e os próximos meses dirão se conseguiram.

Fernando Miguel Koch e Laura Garbozza, dois estudantes do ensino médio de Santa Helena, passaram os últimos dezoito meses trabalhando em um problema que afeta milhões de pessoas: como devolver autonomia de movimento a quem perdeu o controle do corpo. A resposta que encontraram está em um lugar que a maioria das pessoas com tetraplegia ainda consegue usar — o rosto.

Os dois alunos do Colégio Donaduzzi, orientados pelo professor Lucas Garcia, especialista em desenvolvimento de sistemas, estão criando uma cadeira de rodas que funciona através de expressões faciais. Levantar as sobrancelhas, sorrir, movimentar os lábios — cada um desses gestos pode ser configurado para comandar diferentes ações do equipamento. O sistema usa inteligência artificial para reconhecer essas expressões e transformá-las em movimento. O que torna o projeto particularmente inteligente é que cada usuário pode personalizar quais expressões são mais confortáveis e naturais para ele usar, em vez de ser forçado a aprender um conjunto fixo de comandos.

A jornada até aqui não foi simples. Fernando e Laura precisaram aprender programação, modelagem 3D, eletrônica, microcontroladores e sistemas embarcados — conhecimentos que raramente aparecem juntos em um currículo de ensino médio. O projeto já passou por seis protótipos em escala reduzida e agora está na transição para uma cadeira em tamanho real. Cada etapa exigiu pesquisa, construção, teste e refinamento. Não é trabalho de laboratório abstrato; é engenharia prática voltada para um problema concreto.

O que começou como uma observação de uma necessidade real ganhou apoio institucional. O PDI do Biopark, que integra o ecossistema de inovação local, doou uma cadeira de rodas motorizada para a próxima fase do trabalho. O projeto já recebeu duas premiações em feiras de tecnologia do Paraná, reconhecimento significativo para estudantes ainda no ensino médio. Agora, Fernando e Laura se preparam para apresentar o trabalho na Feira de Ciência, Engenharia e Tecnologia em Cascavel, onde esperam demonstrar a cadeira em tamanho real em funcionamento.

Mas o verdadeiro teste ainda está por vir. A equipe planeja envolver usuários reais — pessoas com tetraplegia e outras condições que comprometem severamente a mobilidade — para identificar dificuldades, receber sugestões e aperfeiçoar o sistema. Essa participação é fundamental. Não é possível saber se uma solução funciona de verdade até que as pessoas que mais precisam dela tenham a chance de usá-la.

O projeto também busca aproveitar cadeiras de rodas motorizadas já existentes, adaptando-as ao sistema desenvolvido pelos alunos. Isso reduz custos e oferece uma via de acesso para pessoas que já possuem equipamentos mas não conseguem controlá-los pelos meios convencionais. A intenção é clara: não é apenas criar algo novo, mas tornar a tecnologia acessível.

O que Fernando e Laura estão fazendo vai além de um exercício escolar. Estão transformando conhecimento adquirido em sala de aula em uma solução voltada para um problema real da sociedade. Estão devolvendo a pessoas com mobilidade extremamente reduzida o controle sobre seus próprios deslocamentos. Nos próximos meses, quando testarem a cadeira com usuários reais, saberão se conseguiram fazer exatamente isso.

O trabalho é coletivo e permite que os estudantes transformem conhecimentos adquiridos em sala de aula em soluções voltadas a problemas reais da sociedade
— Professor Lucas Garcia
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