Em São João de Meriti, um adolescente surdo de 15 anos atravessou uma fronteira que nenhum aluno da rede municipal havia cruzado antes: chegou à segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática em Libras, respondendo a dez questões apresentadas em sua própria língua. A trajetória de Davi Miguel Godoy Amorim não é apenas a de um estudante talentoso — é o reflexo visível de uma rede de apoio construída ao longo de anos por educadores, gestores e políticas públicas que apostaram na capacidade de quem, por muito tempo, ficou à margem das grandes competições.
Estudante surdo de Meriti avança na Olimpíada Brasileira de Matemática
Essa conquista é dele, mas também de todos que fizeram parte da sua caminhada
O que torna essa participação de Davi tão importante? Ele é só mais um estudante em uma olimpíada.
Ele é o primeiro aluno surdo da rede municipal a chegar à segunda fase. Isso significa que as estruturas de apoio — o CAEE, o Projeto Surdos, os professores — estão funcionando de verdade.
Mas quantos alunos surdos há na rede municipal? Sem esse número, não sabemos se é um avanço genuíno ou se há apenas um aluno surdo participando.
Entendo. E quanto ao desempenho dele na primeira fase — acertar oito de dez questões é bom?
Era o mínimo necessário para avançar. Ele atingiu exatamente o corte. Na segunda fase, a prova foi mais difícil, com questões discursivas que exigem justificativa.
Então ele passou no limite. Não sabemos ainda se ele vai bem na segunda fase ou se vai ficar para trás. Os resultados saem em 28 de outubro.
As professoras dele falam sobre interesse desde o 1º ano. Isso é documentado ou é impressão delas?
É o que as professoras relatam. Angélica Mendonça acompanhou Davi do 1º ao 5º ano e viu esse interesse se manter.
Sim, mas não há notas, avaliações formais ou dados que comprovem isso. É um relato qualitativo, importante, mas não é medida.
E a secretária de Educação — ela está dizendo que o Projeto Surdos é responsável pelo sucesso de Davi?
Ela está dizendo que quando há condições e oportunidades, os estudantes vão mais longe. Davi é um exemplo disso.
Mas não há comparação. Não sabemos quantos outros alunos surdos participaram da olimpíada em anos anteriores, ou se o Projeto Surdos é novo ou já existe há tempo. A causalidade não é clara.
Der Puls
- Pela primeira vez na história da rede municipal, um aluno surdo avançou para a segunda fase de uma olimpíada nacional de matemática — quebrando um silêncio institucional que durava décadas.
- A prova discursiva da segunda etapa elevou o nível de exigência: não bastava acertar, era preciso expor o raciocínio, colocando Davi diante de um desafio que vai além do cálculo.
- Professores que o acompanham desde o 1º ano e a diretora da escola reconhecem que a conquista é coletiva — construída em salas de aula, em laboratórios de ciências e em passeios pedagógicos do Projeto Surdos.
- O resultado da segunda fase, previsto para 28 de outubro, ainda é incerto — mas a secretaria municipal já enxerga na classificação de Davi a prova de que suas políticas de inclusão produzem efeitos reais.
Em São João de Meriti, um adolescente surdo de 15 anos atravessou uma fronteira que nenhum aluno da rede municipal havia cruzado antes: chegou à segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática em Libras, respondendo a dez questões apresentadas em sua própria língua. A trajetória de Davi Miguel Godoy Amorim não é apenas a de um estudante talentoso — é o reflexo visível de uma rede de apoio construída ao longo de anos por educadores, gestores e políticas públicas que apostaram na capacidade de quem, por muito tempo, ficou à margem das grandes competições.
Davi Miguel Godoy Amorim tem 15 anos e mora na Baixada Fluminense. No dia 2 de setembro, ele fez uma prova de matemática com uma diferença essencial: as dez questões foram apresentadas em Língua Brasileira de Sinais. Ele acertou pelo menos oito — o suficiente para se tornar o primeiro aluno surdo da rede municipal de São João de Meriti a avançar para a segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática em Libras.
A segunda etapa, realizada em 30 de setembro, trouxe um formato mais exigente: duas questões discursivas que pediam não apenas a resposta certa, mas a exposição do raciocínio. Davi aguarda o resultado, previsto para 28 de outubro, sem saber ainda como se saiu nessa fase mais difícil.
A caminhada até aqui foi acompanhada de perto. Angélica Mendonça, que foi sua professora do 1º ao 5º ano, lembra do interesse precoce do menino em aprender. A diretora Denize Souza reconhece que a conquista pertence a todos que fizeram parte da trajetória de Davi.
Esse suporte tem estrutura. A Secretaria Municipal de Educação mantém o Centro de Atendimento Educacional Especializado e o Projeto Surdos, que oferece laboratório de ciências, passeios pedagógicos e atividades culturais e esportivas. Para a secretária Eneila de Lucas, a classificação de Davi é a evidência de que essas políticas funcionam.
O que torna essa história significativa vai além de uma competição: é a primeira vez que um aluno surdo da rede chega a esse ponto. Isso não aconteceu por acaso — aconteceu porque estruturas foram montadas e porque educadores decidiram que estudantes surdos mereciam as mesmas oportunidades. Quando os resultados saírem, o município saberá se Davi foi ainda mais longe. Mas a conquista real já está registrada.
Davi Miguel Godoy Amorim tem 15 anos e mora em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. No dia 2 de setembro, ele se sentou para fazer uma prova de matemática como qualquer outro estudante — com uma diferença fundamental: as dez questões foram apresentadas em Língua Brasileira de Sinais. Davi acertou pelo menos oito delas, o número necessário para avançar. Com isso, tornou-se o primeiro aluno surdo da rede municipal a chegar à segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática em Libras.
O estudante do 9º ano da Escola Municipal Francisco Agostinho da Costa, no bairro Engenheiro Belford, havia se preparado para esse momento. A segunda etapa da competição aconteceu em 30 de setembro e trouxe um formato diferente: duas questões discursivas que exigiam não apenas a resposta correta, mas a apresentação do raciocínio por trás dela. Agora Davi aguarda o resultado, marcado para 28 de outubro, sem saber ainda como se saiu nessa prova mais exigente.
O caminho até aqui não foi isolado. Angélica Mendonça, professora que acompanhou Davi do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, viu desde cedo o interesse do menino em aprender. "Desde os primeiros anos, ele sempre demonstrou interesse em aprender. É muito gratificante acompanhar essa conquista", disse ela. A diretora Denize Souza também reconheceu o trabalho coletivo por trás da participação de Davi na olimpíada. "É uma alegria ver o Davi chegando tão longe. Essa conquista é dele, mas também de todos que fizeram parte da sua caminhada."
Esse suporte não é acidental. A Secretaria Municipal de Educação de São João de Meriti mantém o Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAEE), que coordena o Projeto Surdos. O programa oferece laboratório de ciências, passeios pedagógicos e atividades musicais e esportivas — iniciativas pensadas para ampliar as oportunidades de participação de alunos surdos na vida escolar. A secretária municipal de Educação, Eneila de Lucas, vê na classificação de Davi uma evidência de que essas políticas funcionam. "Essa conquista mostra que, quando oferecemos as condições e as oportunidades necessárias, nossos estudantes podem ir cada vez mais longe. O Davi representa o potencial da nossa rede municipal."
O que torna a história de Davi significativa não é apenas o fato de ele ter avançado em uma competição nacional. É que sua participação marca um ponto de inflexão: pela primeira vez, um aluno surdo da rede municipal de São João de Meriti chegou a essa etapa. Isso não aconteceu por acaso, mas porque estruturas de apoio foram montadas, porque professores investiram tempo, porque a secretaria de educação decidiu que estudantes surdos mereciam acesso às mesmas oportunidades que os demais. No fim de outubro, quando os resultados saírem, o município saberá se Davi avançou ainda mais — mas a conquista real já está registrada.
Bemerkenswerte Zitate
Desde os primeiros anos, ele sempre demonstrou interesse em aprender. É muito gratificante acompanhar essa conquista.— Angélica Mendonça, professora que acompanhou Davi do 1º ao 5º ano
Essa conquista mostra que, quando oferecemos as condições e as oportunidades necessárias, nossos estudantes podem ir cada vez mais longe.— Eneila de Lucas, secretária municipal de Educação