Estrela do cinema iraniano condenado a 99 chibatadas por 'relação ilícita' em caso de estupro

Uma atriz sofreu danos físicos e emocionais em relação não consensual, conforme reconhecido pela corte, sem reparação adequada.
O reconhecimento de que não foi consensual importa, mas não repara nada
A atriz reflete sobre a sentença que absolveu seu acusador de estupro mas o condenou por relação ilícita.
Mark

Como é possível absolver alguém de estupro mas condená-lo por relação ilícita no mesmo caso?

Mimi

A lei islâmica iraniana separa os crimes. Estupro exige prova de força ou coerção específica. Relação ilícita é qualquer intimidade fora do casamento. A corte acreditou que houve intimidade, mas não conseguiu provar — ou não acreditou — que foi forçada.

Mark

Então a vítima fica sem reparação?

Mimi

Exatamente. Ela obtém o reconhecimento de que não foi consensual, mas nenhuma indenização. O ator recebe chibatadas por quebrar a lei islâmica, não por prejudicá-la.

Mark

Por que ele fugiu do país?

Mimi

Provavelmente sabia que enfrentaria julgamento. Passou meses fora antes de retornar. Talvez esperasse que o tempo esfriasse as coisas, ou que conseguisse evitar a condenação.

Mark

A atriz parece resignada com o resultado?

Mimi

Ela diz que a confirmação de que foi não consensual importa. Mas há frustração implícita — ela reconhece que isso não repara nada do que sofreu. É uma vitória simbólica, não material.

Mark

Isso muda algo para as mulheres no Irã?

Mimi

Talvez. Mostra que o sistema pode reconhecer falta de consentimento, mesmo que não o chame de estupro. Mas também mostra os limites — a lei prioriza a moralidade sexual sobre a proteção das mulheres.

  • Uma acusação de estupro contra uma das maiores estrelas do cinema iraniano tornou-se pública em outubro de 2025, abalando o mundo do entretenimento no país.
  • Jamshidi fugiu para Turquia e Canadá antes de retornar ao Irã — um movimento que intensificou a atenção pública e levantou questões sobre responsabilização.
  • A Suprema Corte absolveu o ator da acusação mais grave, mas o condenou por 'relação extraconjugal ilícita', uma categoria legal que pune o ato, não a ausência de consentimento.
  • Apenas o ator foi sentenciado; a vítima não recebeu indenização nem reparação formal pelos danos físicos e emocionais reconhecidos pela própria corte.
  • Parsadoust declarou que o reconhecimento judicial da natureza não consensual da relação tem valor simbólico — mas admite que não cura as feridas que carrega.

No Irã, um dos atores mais conhecidos do cinema nacional foi absolvido de estupro pela Suprema Corte, mas condenado a 99 chibatadas por manter uma relação considerada ilícita sob a lei islâmica — uma distinção que revela como sistemas jurídicos fundados em normas religiosas podem reconhecer o dano sem nomear o crime. O caso de Pejman Jamshidi e da atriz Melika Parsadoust não é apenas um julgamento individual: é um espelho das tensões entre consentimento, moralidade codificada e justiça para as vítimas.

Pejman Jamshidi, estrela do cinema iraniano e ex-jogador de futebol, foi preso em outubro de 2025 acusado de estupro e sequestro de uma atriz. O caso rapidamente ganhou dimensão pública. Antes de enfrentar o julgamento, ele deixou o país, passando por Turquia e Canadá, antes de retornar ao Irã no início de 2026.

A Suprema Corte iraniana absolveu Jamshidi da acusação de estupro, mas o condenou com base no Artigo 637 do Código Penal Islâmico, que criminaliza relações íntimas fora do casamento quando não constituem adultério. A pena: 99 chibatadas. Curiosamente, apenas o ator foi sentenciado — a atriz, cuja identidade foi preservada, não recebeu condenação.

Melika Parsadoust, que o acusou, respondeu à decisão com palavras que carregam peso duplo. Disse que a sentença desfaz as 'narrativas falsas' que cercaram o caso, mas reconheceu que a confirmação judicial de que a relação não foi consensual tem significado para ela — mesmo sem reparar os danos que sofreu. A corte não ofereceu indenização.

O desfecho expõe uma fissura estrutural: a lei islâmica puniu a relação em si, não a ausência de consentimento. O sistema reconheceu que algo aconteceu, mas se recusou a enquadrá-lo como crime sexual. Para Parsadoust, o que resta é um reconhecimento parcial — suficiente para nomear, insuficiente para curar.

Pejman Jamshidi é uma das maiores estrelas do cinema iraniano. Ele também foi jogador de futebol. Em outubro de 2025, a polícia o prendeu sob acusação de estupro e sequestro de uma atriz. O caso virou público. Jamshidi deixou o país — passou pela Turquia e Canadá — antes de retornar ao Irã para enfrentar julgamento no início de 2026.

A Suprema Corte iraniana examinou as acusações. Absolveu Jamshidi da acusação de estupro. Mas o condenou por manter o que a lei islâmica chama de "relação extraconjugal ilícita". A condenação se baseia no Artigo 637 do Código Penal Islâmico do Irã, que criminaliza relações íntimas fora do casamento — quando não constituem adultério — e estabelece como punição 99 chibatadas.

O resultado é peculiar. Apenas o ator foi condenado. A atriz, cuja identidade foi preservada, não recebeu sentença. Melika Parsadoust, a mulher que o acusou, viu a corte rejeitar as acusações mais graves contra Jamshidi, mas reconhecer formalmente que a relação entre eles não foi consensual.

Parsadoust respondeu à decisão com uma declaração que carrega ambiguidade. Ela disse que a sentença prova que as "narrativas falsas" que cercaram o caso não tinham fundamento. Ao mesmo tempo, reconheceu que a confirmação judicial de que a relação foi não consensual importa para ela — ainda que não repare os danos físicos e emocionais que sofreu. A corte não ofereceu indenização.

O caso expõe uma tensão dentro do sistema legal iraniano. A lei islâmica sob a qual Jamshidi foi condenado criminaliza a relação em si, não necessariamente a falta de consentimento. O fato de a corte ter absolvido o ator da acusação de estupro — enquanto o condenava por manter uma relação ilícita — significa que o sistema reconheceu algo acontecer entre eles, mas não o enquadrou como crime sexual. Para Parsadoust, isso deixa uma ferida sem cicatrização legal adequada.

A confirmação de que a relação foi não consensual importa para ela, embora não repare os danos físicos e emocionais sofridos
— Melika Parsadoust, atriz acusadora
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