Espriella lidera apuração apertada nas eleições presidenciais da Colômbia

Temores de contestação dos resultados podem incentivar protestos nas ruas e aumentar episódios de violência, contexto agravado pelo assassinato do candidato Miguel Uribe durante comício no ano anterior.
Criminosos que não se submeterem serão eliminados
A promessa de Espriella que resumia sua abordagem de segurança pública e conquistava eleitores desesperados.

Espriella venceu com promessas de linha-dura contra crime organizado, redução do Estado e revitalização da exploração de petróleo, conquistando eleitores preocupados com segurança. Petro contestou o resultado preliminar e pediu mobilização para supervisionar as atas; resultado oficial só será proclamado após escrutínio nesta segunda-feira com revisão de juízes.

  • Abelardo de la Espriella lidera com menos de 250 mil votos de diferença sobre Iván Cepeda
  • 26 milhões de colombianos votaram, participação de 63,5%
  • Resultado oficial será proclamado após escrutínio nesta segunda-feira (22 de junho)
  • Espriella é cidadão naturalizado dos EUA, republicano registrado, apoiado por Trump
  • Segurança pública foi a questão central que levou Espriella à vitória no primeiro turno

Abelardo de la Espriella, candidato de direita apoiado por Trump, lidera a contagem preliminar das eleições presidenciais colombianas com margem inferior a 250 mil votos sobre o esquerdista Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro.

A Colômbia fechou as urnas no domingo à noite com um resultado que divide o país ao meio. Segundo a contagem preliminar divulgada pelas autoridades eleitorais, o empresário Abelardo de la Espriella, um advogado de 47 anos sem experiência política anterior, superou o senador Iván Cepeda por uma margem inferior a 250 mil votos — uma diferença que representa menos de 1% do total de votos em um país de 40 milhões de eleitores. Espriella, cidadão naturalizado dos EUA que viveu em Miami e é republicano registrado, conquistou o apoio de Donald Trump com promessas de mão de ferro contra o crime organizado, redução drástica do Estado e expansão da exploração de petróleo.

A eleição de domingo foi o segundo turno de um processo que já havia surpreendido observadores no mês anterior. Cepeda, um filósofo de 63 anos e defensor veterano dos direitos humanos, havia liderado as pesquisas de intenção de voto antes da primeira rodada. Ele prometia dar continuidade aos projetos sociais do presidente Gustavo Petro, incluindo aumentos no salário mínimo e redução do desemprego. Mas quando os votos foram contados na primeira eleição, foi Espriella quem venceu — um resultado tão inesperado que o próprio Petro o contestou, embora Cepeda tenha reconhecido o resultado e avançado para o segundo turno.

O que levou Espriella à vitória foi simples e direto: a segurança pública. Pesquisas de opinião apontam consistentemente que a violência é a principal preocupação dos colombianos, à frente até mesmo da economia. As cidades enfrentam extorsão e pequenos delitos em expansão, enquanto grupos armados se multiplicam nas áreas rurais. Espriella respondeu a esse medo com propostas que ecoaram entre eleitores desesperados: construção de dez megaprisões, ofensiva militar contra criminosos e uma frase que resumia sua abordagem: "No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei." Ele admirava as políticas de Trump e do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e prometia importar seus métodos para a Colômbia.

Cepeda oferecia um caminho diferente. Queria continuar as negociações de paz com os grupos armados que lutam contra o Estado há décadas — na sexta-feira anterior à eleição, o governo Petro havia divulgado a libertação de cerca de cem guerrilheiros como sinal de progresso nessas tratativas. Mas em um país onde a insegurança cresceu nas percepções dos cidadãos, a promessa de negociação não conseguiu competir com a promessa de eliminação.

No domingo, 26 milhões de colombianos compareceram às urnas — uma participação de 63,5% do eleitorado. A votação transcorreu de forma tranquila, com observadores internacionais da OEA e da União Europeia presentes. Mas a tranquilidade da votação contrasta com as tensões que cercam o resultado. Petro afirmou durante a contagem preliminar que nenhum candidato pode ser declarado presidente até que o processo de escrutínio seja concluído — uma revisão formal que juízes e autoridades eleitorais farão nesta segunda-feira, examinando as atas de votação para corrigir inconsistências. O presidente também denunciou "interferência estrangeira" e pediu que a população mobilizasse-se para supervisionar as atas. Cepeda, por sua vez, prometeu fazer uma "supervisão muito clara, rigorosa e minuciosa" da apuração.

Essas declarações refletem temores reais. O Tribunal Eleitoral da Colômbia pediu explicitamente que todas as partes respeitem o resultado final. Autoridades temem que a contestação de um dos lados incentive protestos nas ruas e aumente episódios de violência. O contexto agrava essas preocupações: no ano anterior, Miguel Uribe, outro candidato de direita que era favorito nas pesquisas, foi assassinado durante um comício.

Se a vitória de Espriella for confirmada no escrutínio de segunda-feira, a Colômbia se juntará a uma onda de governos direitistas que varreu a América Latina nos últimos anos — Chile com Jorge Kast, Bolívia com Rodrigo Paz, e agora a Colômbia. Seria o maior triunfo dessa onda até agora, isolando os últimos redutos de governo de esquerda na região e redesenhando as alianças geopolíticas do continente. Espriella já afirmou em vídeo nas redes sociais que quer ser lembrado como "o reconstrutor da pátria". Mas primeiro, os juízes precisam revisar as atas.

No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei
— Abelardo de la Espriella
A realidade nos mostra um país dividido ao meio e interferência estrangeira tirando nossa liberdade
— Gustavo Petro
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que uma diferença de 250 mil votos em 26 milhões é considerada apertada?

Model

Porque em eleições presidenciais, especialmente em um país dividido, essa margem é fina o suficiente para que contestações sejam plausíveis. É menos de 1%. Se houvesse erros sistemáticos nas atas, o resultado poderia mudar.

Inventor

Petro contestou o primeiro turno e agora está pedindo supervisão. Isso não parece uma tentativa de preparar o terreno para contestar novamente?

Model

Sim, parece. Mas ele também reconheceu que obedecerá aos juízes. O que está acontecendo é que ambos os lados estão sinalizando que não aceitarão passivamente um resultado que não gostam — e isso cria risco real de conflito nas ruas.

Inventor

Como um empresário sem experiência política venceu um senador veterano?

Model

Espriella tocou em algo que Cepeda não conseguiu: o medo. A violência cresceu nas cidades. As pessoas queriam alguém que prometesse eliminar o problema, não negociar com ele. Cepeda oferecia continuidade; Espriella oferecia ruptura.

Inventor

E se Espriella vencer, o que muda para a América Latina?

Model

Muda tudo. A região inteira se torna mais direitista. Os últimos governos de esquerda ficam isolados. As alianças geopolíticas se redesenham — a Colômbia se aproxima mais de Trump, se afasta de Petro e de outros líderes progressistas.

Inventor

Há risco real de violência?

Model

Sim. Já houve assassinato de candidato no ano passado. Se o resultado for contestado e as ruas explodirem em protesto, as coisas podem sair do controle rapidamente.

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