Há doenças que não esperam, e a doença de Creutzfeldt-Jakob é uma delas. O piloto e influenciador Lito Sousa, 59 anos, internado no Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo, enfrenta uma condição neurodegenerativa rara causada por príons — sem cura conhecida, com progressão medida em meses. Sua esposa, Mila Seidl, transforma o desespero em apelo público, buscando uma brecha em estudos clínicos de Harvard e da Europa que ainda não abriram suas portas para ele. É a história antiga de quem luta contra o tempo com as únicas armas disponíveis: a voz e a esperança.
Esposa de Lito Sousa faz novo apelo por inclusão em testes clínicos experimentais
De ontem para hoje, ele já perdeu um pouco mais de visão
Por que esses testes clínicos em Harvard e na Europa não estão aceitando novos participantes agora?
Não sabemos os critérios específicos deles. Pode ser que tenham atingido o número de participantes que precisam, ou que estejam em uma fase de análise de dados. O que importa é que Lito está na lista de espera, mas o tempo não está do seu lado.
Mila disse que ele perdeu visão entre um dia e outro. Isso é típico dessa doença?
A velocidade é o que define a Creutzfeldt-Jakob. Não é uma doença que você convive anos. É meses. A perda de visão, os movimentos que desaparecem — tudo acontece muito rápido, e ninguém consegue prever exatamente quando cada coisa vai embora.
Ele estava lúcido quando ela gravou o vídeo?
Sim. Mila deixou claro que ele permanece lúcido. Isso torna tudo ainda mais pesado — ele está consciente do que está acontecendo com seu próprio corpo.
A família conseguiu preparar a casa para cuidados 24 horas. Isso muda algo?
Muda a qualidade de vida dele fora do hospital, mas não muda o curso da doença. É um conforto, não uma solução. O que eles procuram é algo que possa realmente interromper o que está acontecendo.
Mila mencionou que isso daria relevância a uma doença rara. Ela está certa?
Completamente. Quantas pessoas sabem que Creutzfeldt-Jakob existe? Quantas têm acesso a informação sobre ela? Quando alguém como Lito, que tem visibilidade, enfrenta isso, de repente a doença deixa de ser invisível. Outras pessoas podem se reconhecer nos sintomas, podem procurar diagnóstico mais cedo.
El Pulso
- Entre uma sexta e um sábado, Lito perdeu mais um pouco da visão — e sua esposa registrou isso ao vivo nas redes sociais, transformando a deterioração em urgência coletiva.
- A doença de Creutzfeldt-Jakob avança sem trégua: 90% dos pacientes morrem entre seis meses e um ano após os primeiros sintomas, e não existe tratamento capaz de deter sua progressão.
- Dois estudos clínicos experimentais — um em Harvard, outro em centros multicêntricos na Europa — representam as únicas possibilidades concretas de intervenção, mas ambos estão fechados para novos participantes.
- Mila Seidl apela diretamente ao público brasileiro, argumentando que incluir Lito nos testes não é apenas um ato de compaixão, mas uma forma de dar visibilidade a uma doença que a maioria das pessoas sequer sabe que existe.
- Lúcido apesar da perda progressiva de movimentos, Lito aguarda alta hospitalar enquanto a família organiza estrutura de cuidados 24 horas em casa — e sua esposa continua batendo em portas de laboratórios e universidades.
Há doenças que não esperam, e a doença de Creutzfeldt-Jakob é uma delas. O piloto e influenciador Lito Sousa, 59 anos, internado no Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo, enfrenta uma condição neurodegenerativa rara causada por príons — sem cura conhecida, com progressão medida em meses. Sua esposa, Mila Seidl, transforma o desespero em apelo público, buscando uma brecha em estudos clínicos de Harvard e da Europa que ainda não abriram suas portas para ele. É a história antiga de quem luta contra o tempo com as únicas armas disponíveis: a voz e a esperança.
No sábado à noite, Mila Seidl publicou um vídeo no Instagram com uma mensagem de urgência: seu marido, o piloto e influenciador Lito Sousa, estava perdendo a visão dia após dia. Aos 59 anos, Lito havia recebido o diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob — uma condição neurodegenerativa rara, causada por proteínas chamadas príons que assumem uma forma anormal e destrutiva no cérebro. Não há cura. Não há tratamento. E o tempo corre de forma implacável.
A história começou em julho, quando Lito foi internado no Albert Einstein após perder movimentos e sentir dormência no braço esquerdo. O diagnóstico inicial apontava para uma inflamação autoimune no sistema nervoso central. Ele chegou a receber alta, mas piorou e precisou retornar. Foi durante a segunda internação, após exames mais conclusivos, que veio a confirmação: Creutzfeldt-Jakob. Diferente do Alzheimer ou do Parkinson, que se desenvolvem ao longo de anos, essa doença se manifesta como uma demência que evolui em meses, acompanhada de alterações motoras e abalos musculares involuntários.
Os números são brutais: segundo o Ministério da Saúde, 90% dos pacientes morrem entre seis meses e um ano após o início dos sintomas. A sobrevida média após o diagnóstico é de apenas cinco meses. Diante disso, Mila voltou-se para os únicos pontos de luz disponíveis: dois estudos clínicos experimentais, um conduzido por Harvard e outro por centros multicêntricos na Europa. Ambos, no momento, não estão aceitando novos participantes.
Nas redes sociais, Mila fez um apelo que misturava desespero e fé no poder coletivo. Lembrou que brasileiro faz barulho, que consegue coisas que parecem impossíveis. E argumentou que incluir Lito nos testes seria mais do que uma exceção — seria colocar luz em uma doença rara que muitas pessoas nem sabem que existe. Lito permanece lúcido, apesar da perda progressiva de movimentos. A família já organiza uma estrutura de cuidados em casa para quando ele receber alta. E sua esposa segue, incansável, tentando encontrar qualquer brecha que possa desacelerar o que parece inevitável.
Mila Seidl gravou um vídeo no sábado à noite e o publicou no Instagram com uma mensagem que resumia a urgência de sua situação: seu marido, o piloto e influenciador Lito Sousa, estava perdendo visão dia após dia. Entre sexta e sábado, ela disse, ele havia perdido um pouco mais. Aos 59 anos, Lito havia sido diagnosticado com doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurodegenerativa rara que não tem cura e avança com velocidade implacável. Mila fazia um novo apelo nas redes sociais pedindo que ele fosse incluído em estudos clínicos experimentais — dois deles, conduzidos pela Universidade de Harvard e por centros multicêntricos na Europa, poderiam oferecer alguma esperança. Mas ambos, no momento, não estavam aceitando novos participantes.
A história de Lito começou em julho, quando ele foi internado no Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo após perder parte dos movimentos e sentir dormência no braço esquerdo. No início, o diagnóstico apontava para uma inflamação no sistema nervoso central, possivelmente autoimune. Ele passou por um ciclo de tratamento, voltou para casa, mas a melhora foi mínima. Piorou. Precisou voltar ao hospital. Durante a segunda internação, recebeu pulsoterapia e chegou a ser levado para a semi-intensiva por causa de uma inflamação neurológica. Houve um momento em que os sinais sugeriram que talvez não fosse Creutzfeldt-Jakob. Depois veio o resultado do exame que confirmou exatamente isso.
A doença de Creutzfeldt-Jakob é causada por uma proteína chamada príon que existe naturalmente no corpo, mas pode assumir uma forma anormal e destrutiva. Quando isso acontece, ela provoca uma deterioração muito rápida das funções cerebrais. Raphael Machado de Castilhos, neurologista do Departamento de Neurologia Cognitiva da Academia Brasileira de Neurologia, explica que é diferente do Alzheimer ou do Parkinson — também doenças neurodegenerativas, mas que se desenvolvem ao longo de anos. A Creutzfeldt-Jakob se manifesta como uma demência que evolui ao longo de meses. Os pacientes podem sofrer alterações motoras que lembram parkinsonismo, além de mioclonias, que são abalos musculares involuntários. Tudo isso acontece muito rápido.
Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 90% dos pacientes morrem entre seis meses e um ano após o início dos sintomas. A sobrevida média após o diagnóstico é de cinco meses. Atualmente, não existe tratamento capaz de interromper ou reverter a progressão da doença. Lito perdeu boa parte dos movimentos nas últimas semanas, mas permanece lúcido. A família obteve aprovação para montar uma estrutura de cuidados 24 horas em casa para quando ele receber alta do hospital.
Nas redes sociais, Mila dirigiu-se aos brasileiros com uma mensagem que misturava desespero e esperança. Disse que tinha certeza de que não soltariam a mão da família. Lembrou que brasileiro faz barulho, que consegue coisas impossíveis. Pediu que entendessem que incluir Lito nos testes não era apenas abrir uma exceção — era dar relevância a uma doença rara, potencializar a informação sobre ela, colocar luz em algo que muitas outras pessoas nem sabem que existe. Lito já havia enfrentado um câncer de próstata antes desse quadro atual. Agora, com 59 anos, enfrenta uma doença que avança sem piedade, e sua esposa segue batendo na porta de laboratórios e universidades, tentando encontrar uma brecha, qualquer possibilidade de tratamento que pudesse desacelerar o que parece inevitável.
Citas Notables
Tenho certeza, pelo que vocês estão mostrando, que vocês não vão soltar a nossa mão. A gente é brasileiro, e brasileiro faz barulho. A gente consegue coisas impossíveis.— Mila Seidl, esposa de Lito Sousa
É uma doença rara e muito grave. Ela se manifesta como uma demência rapidamente progressiva, que evolui ao longo de meses. É diferente do Alzheimer e do Parkinson, que também são neurodegenerativas, mas se desenvolvem ao longo de anos.— Raphael Machado de Castilhos, neurologista da Academia Brasileira de Neurologia