Com a Selic mantida em 15% ao ano pelo Banco Central, o Brasil atravessa um daqueles momentos raros em que o custo do dinheiro revela, ao mesmo tempo, o peso das incertezas e a magnitude das oportunidades. Especialistas apontam as NTN-Bs de longo prazo — títulos que protegem contra a inflação e ainda oferecem prêmios reais historicamente elevados — como a principal porta de entrada para quem busca rentabilidade em renda fixa. O debate, porém, não é apenas técnico: é sobre quanto tempo juros tão altos podem resistir à gravidade da realidade econômica.
Especialistas recomendam NTN-Bs como oportunidade em cenário de juros elevados
Juros reais elevados tendem a não se sustentar por muito tempo
Por que especialistas estão tão focados em NTN-Bs agora, especificamente?
Porque o prêmio real — o que você ganha acima da inflação — está em 7,6%, um nível historicamente raro. Se os juros caírem, como muitos esperam, esses títulos podem valorizar bastante.
Mas isso depende de uma queda de juros que ainda não é certa. Qual é a probabilidade real disso acontecer nos próximos dez anos?
E se os juros não caírem? Qual é o risco?
Se subirem de 7,5% para 8% ou 8,5%, você tem perdas, mas limitadas. O problema maior é se o ciclo de juros for muito mais longo e severo que o esperado.
Pelizza deixa claro que isso é um cenário real — juros em 11% ou 12% em três ou quatro anos é necessário para que esses investimentos funcionem bem. Ninguém sabe se isso vai acontecer.
Então quem deveria comprar NTN-Bs?
Investidores com perfil moderado ou arrojado que conseguem lidar com volatilidade e estão dispostos a esperar dez ou quinze anos.
E investidores conservadores? Eles estão fora dessa estratégia porque não conseguem tolerar a marcação a mercado negativa.
E as ações? Também estão baratas?
Sim, múltiplos ainda estão baixos. Se a Selic cair, a Bolsa pode se beneficiar bastante, especialmente setores como construtoras e varejo.
Mas novamente, isso depende de cortes de juros que ainda são incertos. A ASA projeta 300 mil pontos no Ibovespa, mas é uma projeção, não uma garantia.
Il Polso
- Com juros reais próximos de 7,6% ao ano, as NTN-Bs de dez anos atingem patamares raramente vistos na história recente do Brasil, criando uma janela que especialistas descrevem como excepcional.
- A tensão central está no tempo: se os juros reais convergirem para 4,5%, os títulos podem valorizar entre 30% e 40%; se o ciclo for mais severo que o esperado, os ganhos evaporam e as perdas aparecem.
- Investidores conservadores são alertados — a volatilidade das NTN-Bs pode gerar rentabilidade negativa no curto prazo, tornando essa estratégia adequada apenas para perfis moderados e arrojados.
- Na renda variável, ações brasileiras e fundos imobiliários seguem com múltiplos baixos, e um eventual corte mais agressivo na Selic poderia destravar setores como varejo, construtoras e small caps.
- A ASA mantém projeção de Ibovespa a 300 mil pontos em 2026, enxergando o momento atual como de repressão financeira em que ativos reais tendem a se valorizar progressivamente.
Com a Selic mantida em 15% ao ano pelo Banco Central, o Brasil atravessa um daqueles momentos raros em que o custo do dinheiro revela, ao mesmo tempo, o peso das incertezas e a magnitude das oportunidades. Especialistas apontam as NTN-Bs de longo prazo — títulos que protegem contra a inflação e ainda oferecem prêmios reais historicamente elevados — como a principal porta de entrada para quem busca rentabilidade em renda fixa. O debate, porém, não é apenas técnico: é sobre quanto tempo juros tão altos podem resistir à gravidade da realidade econômica.
O Banco Central encerrou janeiro mantendo a Selic em 15% ao ano, em decisão unânime. Para os especialistas ouvidos pelo Broadcast, esse patamar elevado não é apenas um dado macroeconômico — é uma oportunidade concreta de alocação, especialmente nas NTN-Bs, os títulos do Tesouro que combinam proteção contra a inflação com uma taxa prefixada de juros reais.
Papéis com vencimento em torno de dez anos estão sendo negociados a IPCA + 7,6%, um nível que Rogério Freitas, da ASA, considera historicamente raro. O argumento é direto: os juros reais de equilíbrio estrutural do Brasil não deveriam permanecer nesse patamar por muito tempo. Se convergirem para 4,5%, os títulos podem valorizar entre 30% e 40% ao longo de uma década. Mesmo em cenários adversos, com juros subindo para 8% ou 8,5%, as perdas tenderiam a ser limitadas. Bruno Shahini, da Nomad, reforça a lógica: títulos de maior duração atrelados à inflação criam uma janela de ganho pela marcação a mercado enquanto os juros reais permanecerem insustentavelmente altos.
A ressalva vem de Cristian Pelizza, da Nippur Finance. Ele lembra que as NTN-Bs são voláteis e podem registrar rentabilidade negativa no curto prazo — e que, se o ciclo de juros se mostrar mais prolongado e severo do que o mercado antecipa, tanto os títulos indexados à inflação quanto os prefixados acima de 13% ao ano podem decepcionar. A estratégia, portanto, não é para todos.
Na renda variável, o cenário também guarda oportunidades. Ações brasileiras seguem com múltiplos baixos, fundos imobiliários ainda são negociados abaixo do valor patrimonial, e um corte mais agressivo na Selic — ainda incerto em ritmo — tenderia a beneficiar setores sensíveis à taxa de desconto, como construtoras, varejo e small caps. Freitas, da ASA, mantém a projeção de Ibovespa a 300 mil pontos em 2026, descrevendo o momento como de repressão financeira em que ativos reais e prêmios de risco continuarão sendo comprimidos para cima.
O Banco Central manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano na quarta-feira, 28 de janeiro, em decisão unânime do Comitê de Política Monetária. Com os juros neste patamar elevado, especialistas consultados pelo Broadcast apontam um cenário específico para quem busca rentabilidade: as NTN-Bs, conhecidas também como Tesouro IPCA+ no Tesouro Direto, emergem como a oportunidade mais atraente na renda fixa.
Essas títulos funcionam de forma simples — o investidor recebe um rendimento que acompanha a inflação medida pelo IPCA mais uma taxa de juros prefixada. No momento, papéis com vencimento próximo aos dez anos estão sendo negociados em torno de IPCA + 7,6%, um patamar que especialistas consideram raro nos últimos anos. Rogério Freitas, líder de investimentos da ASA, explica o raciocínio por trás dessa recomendação: os juros reais de equilíbrio estrutural de longo prazo no Brasil não deveriam permanecer em 7,5% indefinidamente. Se caírem para 4,5% — um cenário que ele considera positivo — os papéis poderiam valorizar entre 30% e 40% ao longo de dez ou quinze anos. Mesmo em um cenário menos favorável, com juros subindo para 8% ou 8,5%, as perdas permaneceriam limitadas.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, reforça essa visão. Ele argumenta que, dado o nível atual das taxas, uma alocação em títulos de maior duração — especialmente aqueles atrelados à inflação — faz sentido para investidores que buscam ganhos pela marcação a mercado. Na sua avaliação, esses patamares elevados de juros reais tendem a não se sustentar por muito tempo, criando uma janela de oportunidade.
Mas nem todos os investidores devem considerar essa estratégia. Cristian Pelizza, economista-chefe da Nippur Finance, alerta que as NTN-Bs apresentam alta volatilidade e podem gerar rentabilidade negativa a preços de mercado. Ele recomenda essas opções principalmente para investidores com perfis moderado e arrojado. Pelizza também aponta um risco importante: se o ciclo de juros for mais severo e rígido do que o esperado, e os juros não convergirem para algo em torno de 11% ou 12% nos próximos três ou quatro anos, os investimentos em ativos indexados à inflação ou prefixados podem não se mostrar vantajosos. Títulos prefixados acima de 13% ao ano também são atraentes, mas carregam esse mesmo risco estrutural.
Na renda variável, o cenário também apresenta oportunidades. Pelizza observa que há boas possibilidades em praticamente todas as classes de ativos. As ações brasileiras continuam sendo negociadas a múltiplos baixos, mesmo após as valorizações ocorridas no ano passado e no início de 2026. Fundos imobiliários também estão sendo negociados abaixo do valor patrimonial. Shahini destaca que um corte mais agressivo na Selic — ainda incerto em ritmo e magnitude — tende a beneficiar a Bolsa de forma geral, reduzindo a taxa de desconto aplicada aos fluxos de caixa das empresas. Setores mais sensíveis a essa dinâmica incluem empresas alavancadas, utilidades públicas, construtoras, varejo e small caps.
Freitas, da ASA, mantém uma visão mais otimista para as ações brasileiras. A instituição projetava que o Ibovespa, principal índice da Bolsa, chegasse a 300 mil pontos em 2026 — uma previsão que mantém no início deste ano. Ele descreve o ambiente atual como de repressão financeira, onde ativos reais e prêmios de risco continuarão sendo comprimidos, com a Bolsa subindo e commodities se valorizando. O cenário que emerge dos especialistas é o de um mercado em transição, onde as decisões de hoje sobre onde alocar recursos dependem fortemente de como se desenrolar o ciclo de juros nos próximos trimestres.
Citazioni salienti
Os juros reais de equilíbrio estrutural de longo prazo no Brasil não são 7,5%. Em um cenário positivo, esses 7,5% podem cair para 4,5%, representando um ganho de 300 pontos base.— Rogério Freitas, líder de investimentos da ASA
As NTN-Bs não são adequadas para todos os perfis de investidores. Essas opções fazem sentido principalmente para investidores com perfis moderado e arrojado.— Cristian Pelizza, economista-chefe da Nippur Finance