Em véspera de eleições, a Folha de S.Paulo reuniu 81 vozes da sociedade civil — professores, economistas, artistas, líderes religiosos e especialistas — para iluminar o campo de candidatos à Assembleia Legislativa paulista. O exercício revela não apenas nomes, mas a pluralidade de visões sobre o que São Paulo precisa ser: um estado que cuida de seus mais vulneráveis, que endurece sua resposta à violência, ou que reinventa sua relação com o trabalho e o meio ambiente. Em toda eleição, a dificuldade não é apenas escolher um candidato — é primeiro enxergá-los.
Especialistas indicam 35 candidatos a deputado estadual em São Paulo
Educação é o principal instrumento de desenvolvimento humano
Por que a Folha decidiu consultar especialistas em vez de simplesmente listar os candidatos?
Porque um eleitor indeciso não precisa só de nomes — precisa de contexto. Quando um economista, um professor de direito e um líder religioso concordam que um candidato merece atenção, isso diz algo sobre a credibilidade dessa pessoa.
Mas quem são esses 81 consultados? A reportagem lista os nomes, mas não diz quantos indicaram cada candidato. Um nome pode ter sido citado por uma pessoa ou por vinte.
Verdade. A reportagem não quantifica as indicações. Isso deixa em aberto se alguns candidatos têm apoio mais amplo que outros.
E como a Folha escolheu os 81 consultados? Parecem ser pessoas de posição — professores de universidade de ponta, empresários, líderes institucionais.
Exatamente. Não há operários, não há pessoas que vivem em favelas, não há desempregados. É um painel de elite, mesmo que ideologicamente diverso. Isso molda quem aparece na lista.
Alguns dos candidatos listados — como JR Freitas, o motoboy, ou Carmen Silva, que morou na rua — têm trajetórias que desafiam essa lógica. Talvez tenham sido indicados justamente porque representam algo diferente.
Mas a reportagem não diz se esses candidatos foram indicados por consultados de origem semelhante ou por pessoas de fora daquele universo.
Não. E isso importa. Se JR Freitas foi indicado só por ativistas de esquerda, é uma coisa. Se foi indicado também por economistas e empresários, é outra.
A reportagem oferece o que conseguiu fazer — um mapa de candidatos que especialistas acham relevantes. Não é perfeito, mas é útil.
O que você acha que falta?
Saber quantas vezes cada candidato foi citado. E talvez uma nota sobre divergências — candidatos que alguns consultados apoiavam mas outros criticavam.
Concordo. A reportagem apresenta a lista como um consenso, mas provavelmente há desacordo. Mostrar isso seria mais honesto e mais informativo.
The Pulse
- Com 35 candidatos mapeados e perfis que vão de um motoboy do Capão Redondo a uma ex-prefeita de 91 anos, a disputa pela Assembleia paulista revela um campo eleitoral fragmentado e vivo.
- A tensão entre pautas progressistas — moradia, direitos LGBTQIA+, renda básica — e conservadoras — segurança pública, agronegócio, liberdade econômica — estrutura o debate e divide o eleitorado.
- Estreantes como a psicóloga trans Sofia Favero e o engenheiro periférico Abidan Henrique desafiam a lógica dos mandatos históricos, trazendo trajetórias que o parlamento raramente conheceu.
- Nomes consolidados como Leci Brandão, Eduardo Suplicy e Carlos Giannazi buscam renovar mandatos com propostas que carregam décadas de acúmulo político e simbólico.
- A consulta da Folha funciona como bússola para o eleitor indeciso, tentando transformar a opacidade de uma lista com centenas de candidatos em algo navegável e humanamente compreensível.
Em véspera de eleições, a Folha de S.Paulo reuniu 81 vozes da sociedade civil — professores, economistas, artistas, líderes religiosos e especialistas — para iluminar o campo de candidatos à Assembleia Legislativa paulista. O exercício revela não apenas nomes, mas a pluralidade de visões sobre o que São Paulo precisa ser: um estado que cuida de seus mais vulneráveis, que endurece sua resposta à violência, ou que reinventa sua relação com o trabalho e o meio ambiente. Em toda eleição, a dificuldade não é apenas escolher um candidato — é primeiro enxergá-los.
A Folha de S.Paulo ouviu 81 personalidades de áreas diversas — da academia à religião, da arte à segurança pública — para compor um mapa de 35 candidatos à Assembleia Legislativa de São Paulo. O resultado é um retrato da pluralidade política do estado, onde convivem veteranos de décadas e estreantes de trajetórias incomuns.
Entre os nomes mais experientes, Leci Brandão busca seu quinto mandato consecutivo pelo PCdoB, com foco em cultura e direitos de mulheres e população LGBTQIA+. Luiza Erundina, aos 91 anos, segue defendendo tarifa zero no transporte e políticas universais. Eduardo Suplicy propõe renda básica universal, e Carlos Giannazi, professor da rede pública, tenta o sexto mandato valorizando educadores e servidores.
O levantamento também ilumina candidaturas menos óbvias. Abidan Henrique, engenheiro formado pela USP nascido na periferia de Embu das Artes, fundou um cursinho para alunos de escola pública e disputa pelo PSB aos 30 anos. JR Freitas, motoboy e entregador de aplicativo do Capão Redondo, ganhou voz como coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos, defendendo remuneração mínima por entrega e transparência algorítmica.
No campo progressista, Ediane Maria atua com moradia popular e direitos de trabalhadoras domésticas; Sofia Favero, mulher trans e psicóloga, disputa pela primeira vez com apoio de Erika Hilton; Paula da Bancada Feminista compartilha o mandato com outras quatro codeputadas, focando no combate ao feminicídio. No campo conservador, Douglas Garcia e Lucas Bove, ambos do campo bolsonarista, concentram propostas em segurança, agronegócio e liberdade econômica.
Há ainda perfis temáticos marcantes: Tripoli, ambientalista com sete mandatos acumulados, propõe atendimento veterinário público; Caio França é autor da lei que garante canabidiol pelo SUS; o Delegado André Pereira foca na valorização de agentes de segurança. A consulta da Folha não resolve a escolha do eleitor — mas torna o campo visível, e isso, por si só, já é um serviço à democracia.
A Folha de S.Paulo consultou 81 personalidades de diferentes campos — professores universitários, economistas, líderes religiosos, artistas, especialistas em segurança pública — para mapear o cenário de candidatos a deputado estadual em São Paulo. O resultado é uma lista de 35 nomes que reflete a diversidade política e temática da disputa eleitoral no estado.
Entre os consultados estão figuras consolidadas na política paulista e estreantes que chegam agora à arena eleitoral. Leci Brandão, do PCdoB, busca seu quinto mandato consecutivo desde 2010, com foco em cultura, igualdade racial e direitos de mulheres e população LGBTQIA+. Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo e atual deputada federal pelo PSOL, aos 91 anos continua sua trajetória defendendo tarifa zero no transporte público e políticas universais em saúde e educação. Eduardo Suplicy, economista e um dos nomes históricos do PT, propõe renda básica universal e economia solidária. Carlos Giannazi, professor da rede pública desde 2007 na Assembleia, busca seu sexto mandato com ênfase na valorização de educadores e servidores públicos.
O espectro inclui também nomes mais jovens e com trajetórias menos convencionais. Abidan Henrique, do PSB, aos 30 anos, nascido na periferia de Embu das Artes, é engenheiro formado pela USP que fundou um cursinho pré-vestibular para alunos de escola pública. Duda Hidalgo, do PT, foi eleita vereadora mais jovem de Ribeirão Preto em 2020 aos 27 anos e agora tenta sua segunda candidatura à Assembleia. JR Freitas, do PSOL, é motoboy e entregador de aplicativo nascido no Capão Redondo que ganhou projeção como coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos, defendendo remuneração mínima por entrega e transparência nos algoritmos.
As propostas variam conforme o perfil e a origem política de cada candidato. Aqueles ligados a pautas progressistas enfatizam moradia, combate ao racismo, direitos das mulheres e população LGBTQIA+, e fortalecimento do SUS. Ediane Maria, do PSOL e coordenadora do MTST, eleita em 2022, trabalha com moradia popular e direitos de trabalhadoras domésticas. Sofia Favero, mulher trans e psicóloga pelo PSOL, disputa pela primeira vez com apoio da deputada federal Erika Hilton, defendendo SUS e proteção de minorias. Paula da Bancada Feminista, advogada criminalista do PSOL, compartilha a elaboração de propostas com outras quatro codeputadas, com foco em combate ao feminicídio e igualdade racial.
Candidatos alinhados a pautas conservadoras e de segurança concentram-se em endurecimento do combate à criminalidade, liberdade econômica e agronegócio. Douglas Garcia, do União Brasil, eleito em 2018, ficou conhecido por atuação bolsonarista e defesa de pautas conservadoras. Lucas Bove, do PL, tenta seu segundo mandato com foco em educação, segurança pública, agronegócio e liberdade econômica. Coronel Américo, do PL, eleito vereador de Bragança Paulista em 2024, é coronel reformado da PM que defende segurança pública e desenvolvimento do interior.
Há também candidatos com trajetórias marcadas por atuação em áreas específicas. Tripoli, do PSD, é advogado e ambientalista que exerceu quatro mandatos na Assembleia e três na Câmara dos Deputados, propondo ampliação de atendimento veterinário público e combate a maus-tratos. Caio França, do PSB, tenta seu quarto mandato e é autor da norma que garante fornecimento de medicamentos à base de canabidiol pelo SUS. Delegado André Pereira, do PSD, é especialista em inteligência policial que concentra propostas na valorização de agentes de segurança e investigação.
A consulta realizada pela Folha oferece ao eleitor indeciso um panorama que vai além de nomes conhecidos, mapeando candidaturas que refletem diferentes visões sobre as prioridades para São Paulo — desde educação e segurança até moradia, meio ambiente e direitos de grupos historicamente marginalizados. A diversidade de perfis e propostas indica um cenário eleitoral em que questões estruturais do estado disputam espaço com demandas específicas de setores e comunidades.
Notable Quotes
Minha função é ser uma ponte entre os trabalhadores e as autoridades— JR Freitas, motoboy e entregador de aplicativo do PSOL
Precisamos de mais mulheres nos espaços que constroem as políticas públicas— Estela Almagro, advogada do PT e vereadora eleita de Bauru com melhor votação da cidade