O Etna, vulcão ativo mais alto da Europa, expele lava e cinzas há dias, atraindo 300 solicitações diárias de tours noturnos, três vezes acima do normal. Cerca de 2.000 pessoas sobem diariamente por conta própria, muitas sem guias, ignorando riscos e regras de segurança que limitam acesso independente a 2.400 metros.
Erupção do Etna atrai multidão de turistas; autoridades alertam para riscos
Todos querem vir ver a lava, atraídos por essa beleza única
Por que as pessoas correm para um vulcão em erupção quando sabem que é perigoso?
Porque a beleza é mais forte que o medo. Ver lava real, não em um documentário, muda algo na percepção. É raro, é visceral. As pessoas viajam para sentir coisas que não conseguem em casa.
Os guias estão pedindo para as pessoas pararem de subir sozinhas?
Estão alertando, mas não têm poder de coerção. Um guia pode dizer que é arriscado, que as trilhas estão lotadas, que viram gente de chinelo. Mas não pode impedir ninguém de subir. E a demanda é tanta que nem conseguem oferecer tours suficientes para todos.
E se alguém se machucar lá em cima?
Aí fica complicado. Resgate em um vulcão ativo é extremamente difícil. As autoridades sabem disso. Por isso o alerta amarelo. Mas alerta não para turista que já comprou a passagem aérea.
O aeroporto fechando não desestimula ninguém?
Ao contrário. Cria urgência. Se os voos estão sendo cancelados, as pessoas que conseguem chegar têm pressa de subir o vulcão antes de serem forçadas a partir.
Qual é a solução?
Não há solução fácil. Você não pode fechar o vulcão. Pode aumentar o número de guias, pode impor limites de visitantes por noite, pode melhorar a sinalização. Mas enquanto a lava estiver visível e as imagens circularem na internet, as pessoas vão vir.
The Pulse
- O Etna, vulcão ativo mais alto da Europa, expele lava e cinzas há dias
- Cerca de 300 solicitações diárias de tours noturnos, três vezes acima do normal
- Aproximadamente 2.000 pessoas sobem por conta própria todas as noites
- Limite de acesso independente: 2.400 metros; cume: 3.324 metros
- Centenas de voos cancelados no aeroporto de Catânia desde sábado
O Etna, vulcão ativo mais alto da Europa, expele lava e cinzas há dias, atraindo 300 solicitações diárias de tours noturnos, três vezes acima do normal. Cerca de 2.000 pessoas sobem diariamente por conta própria, muitas sem guias, ignorando riscos e regras de segurança que limitam acesso independente a 2.400 metros.
A erupção do vulcão Etna na Itália atrai milhares de turistas diariamente, sobrecarregando guias locais e gerando preocupações com segurança nas trilhas, enquanto cinzas fecham aeroporto de Catânia.
A lava descendo pelas encostas do monte Etna transformou o vulcão italiano numa atração turística de proporções inesperadas. Imagens do fluxo incandescente espalhadas pelas redes sociais e pela imprensa internacional atraíram multidões à Sicília, sobrecarregando operadores turísticos e deixando autoridades locais em alerta. O Etna, o vulcão ativo mais alto da Europa, entrou em erupção há vários dias, expelindo cinzas e lava de forma contínua — um espetáculo natural que ninguém quer perder, mas que ninguém está totalmente preparado para gerenciar.
Os guias turísticos que organizam excursões noturnas ao vulcão estão sendo bombardeados com pedidos. Daniele Perricelli, um operador local com 41 anos de experiência, comanda o Guide Etna, uma empresa que normalmente leva dezenas de visitantes ao vulcão cada noite. Nesta semana, porém, recebeu cerca de 300 solicitações por dia — três vezes acima do volume habitual. "Todos querem vir ver o fluxo de lava, todos se sentem atraídos por essa beleza única", explicou Perricelli à AFP. Seu relato captura a tensão central: o Etna em erupção é irresistível, mas também perigoso.
O problema não está apenas nos turistas organizados. Muitos visitantes — tanto turistas quanto moradores da Sicília — sobem o vulcão por conta própria, sem contratar guias, ignorando os riscos que a atividade vulcânica apresenta. Perricelli estima que cerca de 2.000 pessoas sobem todas as noites, lotando as trilhas. Ele viu gente de chinelo tentando alcançar a lava. Ernesto Maria Magri, outro guia local, observa que o interesse é compartilhado pelos próprios sicilianos, que frequentemente se aglomeram de forma desordenada nas encostas.
As regras de segurança existem, mas são parcialmente ignoradas. Os visitantes podem subir por conta própria até aproximadamente 2.400 metros de altitude, segundo os operadores turísticos. Além desse ponto, precisam estar acompanhados por um guia certificado. O cume fica a 3.324 metros. A diferença entre o limite de acesso independente e o topo é significativa — e é justamente nessa zona que os riscos se multiplicam.
A atividade vulcânica também afeta a infraestrutura regional. A Agência de Proteção Civil da Itália emitiu um alerta amarelo para o Etna, o segundo nível mais alto numa escala de quatro, indicando erupções frequentes e possíveis explosões. As emissões de cinzas forçaram o aeroporto de Catânia, porta de entrada de muitos turistas na Sicília, a suspender repetidamente os voos. Desde o sábado anterior, centenas de voos foram cancelados, criando um paradoxo: o vulcão atrai pessoas, mas também as impede de chegar.
Os guias locais estão numa posição delicada. Perricelli reconhece que muitos visitantes se aventuram sem orientação profissional porque não conseguem contratar um guia — a demanda simplesmente superou a oferta. Outros escolhem subir por conta própria para economizar. O resultado é um fluxo descontrolado de pessoas em um ambiente que, por mais belo que seja, permanece fundamentalmente instável. As trilhas lotadas, a falta de supervisão adequada e a atração irresistível da lava criam uma situação que nenhuma autoridade local esperava gerenciar simultaneamente.
Notable Quotes
Todos querem vir ver o fluxo de lava, todos se sentem atraídos por essa beleza única— Daniele Perricelli, guia local
Todas as noites sobem até 2.000 pessoas, as trilhas estão lotadas— Daniele Perricelli