Erika Hilton busca apoio para PEC que acaba com escala 6x1

Trabalhadores enfrentam jornadas de seis dias semanais com impacto na qualidade de vida e saúde, motivando a mobilização por redução de carga horária.
Dez anos é muito tempo para quem trabalha seis dias por semana
Erika Hilton explica por que sua proposta de implementação em um ano faz mais sentido que a transição gradual defendida pelo PT.

Hilton coleta assinaturas para protocolar PEC que implementaria escala 4x3 em um ano, diferente da proposta petista que prevê 5 dias com transição de dez anos. Deputada dialoga com lideranças partidárias para orientar bancadas; ministro Padilha discutirá tramitação de PEC alternativa do deputado Reginaldo Lopes desde 2019.

  • Erika Hilton (PSOL) propõe escala de 4 dias de trabalho com implementação em 1 ano
  • Reginaldo Lopes (PT) propõe 5 dias de trabalho com transição de 10 anos, na CCJ desde 2019
  • Hilton coleta assinaturas para protocolar PEC e busca apoio de líderes partidários
  • Ministro Padilha deve discutir tramitação da proposta alternativa do PT

Erika Hilton (PSOL) pretende conversar com Arthur Lira sobre PEC que propõe fim da escala 6x1, substituindo-a por jornada de até 4 dias de trabalho. Proposta concorre com projeto similar do PT que prevê transição de 10 anos.

Em Brasília, a deputada Erika Hilton está em movimento. A líder do PSOL na Câmara quer conversar com Arthur Lira, presidente da Casa, ainda esta semana — uma conversa sobre algo que viralizou nas redes sociais e agora ocupa espaço nas negociações políticas do Congresso: o fim da escala 6x1, aquele modelo de seis dias de trabalho seguidos por um único dia de descanso que marca a rotina de milhões de brasileiros.

Hilton apresentou uma proposta de emenda à Constituição que substitui esse regime por uma jornada de até quatro dias de trabalho por semana, com implementação em apenas um ano. Ela está recolhendo assinaturas de deputados para protocolar o texto e já tem feito ligações para líderes de seu campo político, pedindo que orientem suas bancadas a apoiar a medida. "Não falei ainda com o presidente Arthur; eu pretendo falar com ele assim que eu chegar em Brasília", disse ao Estadão/Broadcast na segunda-feira. "Já falei no telefone com algumas lideranças do nosso campo para pedir que deputados assinem."

A iniciativa de Hilton nasceu do diálogo com trabalhadores e foi inspirada por um movimento criado por Rick Azevedo, vereador eleito pelo PSOL no Rio de Janeiro, chamado "Vida Além do Trabalho". A deputada argumenta que uma transição muito lenta não faz sentido. "Meu texto nasce do diálogo com os trabalhadores, que não conseguem imaginar uma transição tão gradual. Me parece que dez anos é muito tempo", afirmou. Ainda assim, ela reconhece que há espaço para negociação. "Também acho que minha proposta tem margem para se negociar. Batalharemos pela PEC da maneira como ela está."

Mas Hilton não está sozinha nessa luta — e essa é a complicação. O deputado Reginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais, já apresentou uma proposta semelhante que está na Comissão de Constituição e Justiça desde 2019. O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, deve discutir a tramitação desse texto. As duas propostas, porém, diferem em pontos cruciais: enquanto Hilton quer quatro dias de trabalho com implementação em um ano, Lopes propõe cinco dias com uma transição de dez anos.

Lopes defende a gradualidade. Ele disse que seria possível reduzir o tempo de transição para oito ou até quatro anos, mas insiste que algum período de adaptação é necessário. Sua lógica é simples: reduzir uma hora de trabalho a cada ano, diluindo os impactos econômicos. "Você não pode ter impacto de custo e não pode ter impacto inflacionário", argumentou. Além disso, ele aponta que nem todos os modelos de negócio funcionam com apenas quatro dias — alguns precisam de cinco para manter a operação.

O que está em jogo aqui vai além de números e prazos. Milhões de trabalhadores brasileiros vivem sob a escala 6x1, sacrificando qualidade de vida e saúde em nome de uma jornada que o mercado considera padrão. A proposta de Hilton toca em algo que ressoa nas redes sociais e nas conversas de bar: a possibilidade de que as coisas mudem rapidamente. A de Lopes, mais cautelosa, reconhece que mudanças estruturais precisam de tempo e planejamento. Nas próximas semanas, enquanto Hilton coleta assinaturas e busca apoio de líderes partidários, o Congresso terá que decidir qual caminho seguir — se a urgência dos trabalhadores ou a prudência econômica prevalecerá.

Meu texto nasce do diálogo com os trabalhadores, que não conseguem imaginar uma transição tão gradual
— Erika Hilton
Você não pode ter impacto de custo e não pode ter impacto inflacionário
— Reginaldo Lopes
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Hilton acha que um ano é o tempo certo para implementar essa mudança tão radical?

Model

Porque ela conversou com trabalhadores que vivem essa realidade todos os dias. Para quem trabalha seis dias por semana, dez anos é uma eternidade — é quase uma vida inteira esperando por alívio.

Inventor

Mas Lopes tem um ponto sobre os custos, não tem? Uma mudança tão rápida não quebraria empresas?

Model

Talvez. Mas a questão é: quem paga o preço da estabilidade? Se a transição é lenta demais, são os trabalhadores que continuam pagando com sua saúde e tempo de vida.

Inventor

Então as duas propostas são inconciliáveis?

Model

Não necessariamente. Hilton mesma disse que sua proposta tem margem para negociação. O problema é que uma quer quatro dias, a outra quer cinco. Uma quer um ano, a outra quer dez. Tem espaço no meio.

Inventor

E se nenhuma das duas passar?

Model

Então continuamos como estamos — seis dias de trabalho, um de descanso, e milhões de pessoas sem tempo para viver.

Inventor

Qual é o papel de Padilha nessa história?

Model

Ele vai tentar mover a proposta de Lopes que está parada desde 2019. Basicamente, o governo está entrando nessa conversa, o que significa que pode haver mais pressão para algo acontecer.

Inventor

Mas por que agora? Por que isso virou viral agora?

Model

Porque Hilton colocou na mesa algo que as pessoas queriam ouvir — que é possível mudar rápido. Às vezes a política funciona assim: alguém diz em voz alta o que todo mundo está pensando, e de repente vira possível.

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