Em um momento em que a indústria de jogos busca equilibrar ambição criativa e pressão financeira, a Epic Games adiou seu aguardado shooter em parceria com a Disney — repleto de personagens Marvel e Star Wars — e ordenou que sua equipe adotasse um modelo de produção centrado em inteligência artificial generativa. A decisão, revelada pela Bloomberg, emerge de um projeto que consumiu mais tempo e recursos do que o previsto, num contexto de cortes de mil empregos e um investimento bilionário da Disney. O que está em jogo não é apenas um prazo, mas uma pergunta mais profunda sobre o lugar do trabal
Epic Games adia jogo com Disney e adota IA generativa em todo desenvolvimento
Chega de código escrito à mão
Por que a Epic Games faria uma mudança tão drástica no meio do desenvolvimento de um jogo de alto perfil?
Porque o projeto estava atrasando mais do que esperavam e eles já tinham cortado mil empregos em 2024. A pressão por eficiência é real.
Mas precisamos ser claros: o atraso foi porque subestimaram recursos e tempo, não porque faltava tecnologia. A IA é uma solução para um problema de planejamento.
A equipe interna parecia confiante nessa abordagem?
Não. Fizeram piadas nervosas, questionaram se funcionaria, esperavam que a empresa voltasse atrás. Havia ceticismo genuíno.
E isso importa porque são os próprios desenvolvedores dizendo que não acreditam no plano. Não é crítica externa — é gente dentro da Epic.
Qual é o papel da Disney nessa história?
Eles investiram US$ 1,5 bilhão e esperavam um jogo de qualidade. Agora estão vendo a Epic mudar completamente a estratégia de produção.
Mas a Disney não comentou. Não sabemos se aprovam, se foram consultados, ou se ficaram sabendo junto com a Bloomberg. Isso é um vazio importante.
Isso vai funcionar? Um jogo feito principalmente por IA pode ser bom?
Ninguém sabe ainda. É um experimento em larga escala com um título de alto orçamento.
E aí está o risco real: se falhar, a Epic terá perdido tempo e dinheiro. Se funcionar, muda tudo sobre como jogos são feitos. Mas estamos especulando — os fatos são só que eles estão tentando.
Le Pouls
- O jogo previsto para março foi adiado sem nova data, expondo a fragilidade de um projeto que a Epic subestimou em escala e complexidade.
- A empresa decretou o fim do 'código escrito à mão' e ordenou que arte e programação passassem a ser geradas por ferramentas de IA como o Claude, da Anthropic.
- Desenvolvedores reagiram com ceticismo e humor nervoso em videochamada, questionando se a IA seria capaz de corrigir os próprios erros que ela mesma produziria.
- A Epic defende a estratégia como 'desenvolvimento acelerado por IA, liderado por desenvolvedores', enquanto a Disney permanece em silêncio sobre a mudança de rumo.
- O projeto carrega o peso de um investimento de US$ 1,5 bilhão da Disney e de uma parceria que prometia múltiplos jogos — tornando o fracasso uma opção cara demais para ignorar.
Em um momento em que a indústria de jogos busca equilibrar ambição criativa e pressão financeira, a Epic Games adiou seu aguardado shooter em parceria com a Disney — repleto de personagens Marvel e Star Wars — e ordenou que sua equipe adotasse um modelo de produção centrado em inteligência artificial generativa. A decisão, revelada pela Bloomberg, emerge de um projeto que consumiu mais tempo e recursos do que o previsto, num contexto de cortes de mil empregos e um investimento bilionário da Disney. O que está em jogo não é apenas um prazo, mas uma pergunta mais profunda sobre o lugar do trabalho humano na criação de mundos imaginários.
A Epic Games adiou o lançamento de um shooter desenvolvido em parceria com a Disney, com personagens das franquias Marvel e Star Wars. O título estava previsto para março, mas a empresa decidiu mudar radicalmente sua abordagem: a partir de agora, a produção seguirá um modelo chamado internamente de 'AI first', com ferramentas de inteligência artificial generativa assumindo tarefas de código e arte que antes eram feitas por humanos.
Segundo o repórter Jason Schreier, da Bloomberg, um dos diretores do projeto comunicou em mensagem interna que o tempo do 'código escrito à mão' havia acabado. A arte do jogo também seria inteiramente gerada por fluxos de trabalho automatizados, cabendo aos desenvolvedores humanos apenas a direção criativa e o gerenciamento do processo.
A reação da equipe foi longe de entusiasmada. Em uma videochamada recente, desenvolvedores responderam com ceticismo e piadas nervosas — alguns ironizaram a ideia de pedir ao próprio Claude que corrigisse os erros que ele mesmo gerasse. Outros manifestaram esperança de que a decisão fosse revertida, duvidando que a abordagem entregasse a qualidade esperada.
O diretor de comunicação da Epic, Jake Jones, reafirmou o compromisso da empresa com a estratégia, descrevendo os desenvolvedores como 'visionários e motores criativos' de tudo o que a empresa faz. A Disney não comentou a mudança.
O pano de fundo financeiro é revelador: em 2024, a Disney investiu US$ 1,5 bilhão na Epic em troca de participação acionária, selando uma parceria para múltiplos jogos. No mesmo ano, a Epic cortou mil empregos, em parte pela desaceleração das vendas de Fortnite. O projeto havia sido subestimado em pessoal e tempo — e a aposta na IA surge como tentativa de contornar esses gargalos. O que fica em aberto é se a eficiência conquistada virá acompanhada da qualidade que um jogo desse porte exige.
A Epic Games adiou o lançamento de um jogo de tiro que desenvolveria em parceria com a Disney, repleto de personagens das franquias Marvel e Star Wars. O título estava marcado para março, mas a empresa instruiu seus desenvolvedores a adotar uma estratégia radicalmente diferente: usar inteligência artificial generativa em praticamente todas as etapas da produção. Segundo informações do repórter Jason Schreier, da Bloomberg, a mudança de rumo reflete uma tentativa da empresa de acelerar um projeto que vinha atrasando mais do que o previsto.
Os desenvolvedores receberam orientações para implementar um modelo de produção que a empresa chamou de "AI first". Ferramentas como o Claude, da Anthropic, passariam a gerar código automaticamente. Um dos diretores do projeto, em mensagem interna consultada pela Bloomberg, foi direto: "Chega de código escrito à mão". A mesma lógica se aplicaria à arte do jogo — toda ela seria produzida através de fluxos de trabalho totalmente baseados em IA. O trabalho humano se concentraria em gerenciamento e direção criativa.
A reação dentro da Epic não foi uniforme. Em uma videochamada na semana anterior, parte da equipe respondeu com ceticismo e até humor nervoso. Alguns desenvolvedores fizeram piadas sobre como lidar com erros gerados pela inteligência artificial, perguntando ironicamente se deveriam pedir ao Claude para corrigir seus próprios erros. Outros expressaram esperança de que a decisão fosse revertida, argumentando que a abordagem não produziria os resultados esperados. O tom geral sugeria desconfiança em relação à viabilidade do plano.
Jake Jones, diretor de comunicação da Epic Games, respondeu aos questionamentos com uma declaração à Bloomberg que reafirmava o compromisso da empresa com a estratégia. "Estamos adotando o desenvolvimento acelerado por IA, liderado por desenvolvedores da Epic, que são os visionários e motores criativos de tudo o que fazemos", disse. A Disney, por sua vez, não respondeu imediatamente a pedidos de comentário sobre a mudança de direção.
O contexto financeiro por trás dessa decisão é significativo. Em 2024, a Disney havia investido US$ 1,5 bilhão na Epic Games em troca de participação acionária, e as duas empresas selaram uma parceria para múltiplos jogos que começaria justamente com este título de tiro. Naquele mesmo ano, porém, a Epic anunciou o corte de mil empregos, parcialmente atribuído às vendas mais lentas de Fortnite. O projeto com a Disney enfrentava desafios de produção: a Epic havia subestimado significativamente quantos funcionários e quanto tempo seriam necessários para desenvolvê-lo.
A mudança para um modelo centrado em IA generativa representa uma aposta da empresa em contornar esses gargalos de recursos e tempo. Trata-se também de um sinal mais amplo sobre como grandes estúdios estão respondendo às pressões de eficiência e rentabilidade. A decisão deixa em aberto questões sobre a qualidade final do produto e sobre o que essa transformação significa para o trabalho criativo no setor de desenvolvimento de jogos.
Citations marquantes
Estamos adotando o desenvolvimento acelerado por IA, liderado por desenvolvedores da Epic, que são os visionários e motores criativos de tudo o que fazemos— Jake Jones, diretor de comunicação da Epic Games
Chega de código escrito à mão. Toda a arte do jogo seria gerada com fluxos de trabalho totalmente baseados em IA— Diretor do projeto em mensagem interna