Entregador de 22 anos transforma rotina nas ruas em conteúdo viral nas redes sociais

Entregador já sofreu acidente de trânsito durante trabalho e convive com risco diário de acidentes nas ruas.
Um dia eu posso não voltar pra casa
Biel reflete sobre os riscos diários que enfrenta nas ruas como motoboy.
Mark

Por que você continua fazendo entregas se o conteúdo já gera renda?

Mimi

Porque as entregas são o que eu realmente faço. O conteúdo nasceu de mostrar isso, não o contrário. Se eu parar de entregar, perco a razão de estar nas redes.

Mark

Você tem medo das ruas?

Mimi

Tenho. Vejo acidentes todo dia. Aquilo fica na minha cabeça. Um dia eu saio daqui e não volto pra casa.

Mark

E então por que não sai agora?

Mimi

Porque aos 22 anos, isso é o que eu sei fazer bem. Preciso de um plano, não só de medo.

Mark

Seus seguidores veem você como um influenciador. Você se vê assim?

Mimi

Não. Eu sou um entregador que filma seu dia. Se deixar de entregar, deixo de ser quem sou.

Mark

O que você quer para daqui a cinco anos?

Mimi

Estar vivo, em primeiro lugar. Depois, longe das ruas. Mas ainda conectado com as pessoas que me acompanham.

Mark

Sua mãe sabe dos riscos?

Mimi

Sabe. Por isso eu faço vídeos com ela, com minha namorada. Quero que entendam que não é só diversão, é minha vida.

  • A cada cruzamento, Biel carrega o peso de uma meta diária e a memória de um acidente que quase o impediu de voltar para casa.
  • O que começou como registro espontâneo do cotidiano virou uma segunda profissão, com viagens patrocinadas e adesivos distribuídos a fãs nas calçadas.
  • A tensão entre a renda das entregas e a instabilidade da criação de conteúdo mantém Biel preso a dois mundos que se sustentam mutuamente — mas nenhum garante segurança.
  • Um vídeo sobre uma fritadeira elétrica para a mãe chegou a quase três milhões de visualizações, mostrando que a autenticidade ainda é a moeda mais valiosa das redes.
  • Biel já planeja sair das ruas, mas enquanto isso não acontece, pedala entre a fama e o risco com um mantra simples: quietinho pra morrer velhinho.

Nas ruas de uma cidade que nunca para, Gabriel Nunes encontrou uma forma de transformar a invisibilidade do trabalho de entregador em visibilidade digital. Com 22 anos, o motoboy conhecido como Biel acumula 190 mil seguidores ao documentar ganhos, riscos e pequenas vitórias do cotidiano — revelando que, por trás de cada entrega, há uma história humana que o algoritmo, surpreendentemente, quis ouvir. Sua trajetória levanta questões antigas sobre dignidade, reconhecimento e o preço que o corpo paga quando a sobrevivência depende das ruas.

Gabriel Nunes tinha 22 anos e já estava nas ruas desde cedo quando uma entrega o levou até a jornalista Maju Coutinho — um encontro que resumiu bem a estranheza de sua vida dupla: motoboy de dia, criador de conteúdo a qualquer hora.

Biel começou em 2022 fazendo entregas como renda extra enquanto trabalhava em uma farmácia. Quase por acidente, passou a registrar seu cotidiano nas redes sociais — corridas, ganhos, estratégias, pequenos dramas. O primeiro vídeo viralizou. Hoje, 190 mil seguidores acompanham sua rotina, e a produção de conteúdo se tornou uma segunda fonte de renda real, com viagens patrocinadas e até adesivos personalizados que ele distribui em encontros casuais nas ruas.

Sua meta diária oscila entre 350 e 500 reais, dependendo da demanda. Mas ele não se vê apenas como influenciador. A fama tem seu charme — e seu peso. Um vídeo em que presenteou a mãe com uma fritadeira elétrica e uma panela de arroz alcançou quase três milhões de visualizações, provando que a simplicidade ainda comove.

As ruas, porém, não perdoam distração. Biel já foi atingido por outro motoboy em um cruzamento enquanto corria atrás da meta. Desde então, carrega um mantra: 'Quietinho pra morrer velhinho.' O medo de não voltar para casa o faz pensar no futuro longe das entregas — um futuro que ainda não chegou, mas que ele já consegue imaginar. Antes de partir na entrevista com Maju, revelou quem receberia uma entrega especial: a namorada. 'Lanchão, ela merece', disse, antes de pegar a estrada mais uma vez.

Gabriel Nunes tinha 22 anos e já estava nas ruas desde as seis da manhã quando a campainha tocou para mais uma entrega. Ele não sabia que do outro lado da porta estava Maju Coutinho, a jornalista que conhecia apenas pela televisão. A surpresa o levou para dentro de uma casa, longe da correria, onde finalmente poderia almoçar — algo que adiava constantemente para cumprir suas metas diárias.

Biel, como é conhecido, trabalha como motoboy há alguns anos, mas sua história é mais complexa que a rotina comum das ruas. Começou em 2022 fazendo entregas como renda extra enquanto trabalhava em uma farmácia, cumprindo expedientes das seis da manhã até as duas e vinte da tarde. Naquele período, começou a registrar seu cotidiano nas redes sociais, documentando corridas, ganhos, estratégias de trabalho e os pequenos dramas do dia a dia. O primeiro vídeo viralizou. Os seguidores chegaram em grande número. Hoje, aos 22 anos, ele acumula 190 mil seguidores e transformou a produção de conteúdo em uma segunda fonte de renda, participando de viagens patrocinadas com outros criadores ligados ao universo das entregas por aplicativo.

Sua rotina mudou. Deixou a farmácia e assumiu as entregas como ocupação principal, equilibrando agora dois trabalhos que se alimentam um do outro. Quando a demanda está fraca, sua meta diária gira em torno de 350 reais. Em dias melhores, ultrapassa os 500. Mas ele insiste em não se definir apenas como influenciador. "Eu sempre gostei de mostrar meu dia a dia na internet", diz. A fama, porém, tem seu preço. Frequentemente é parado para fotos e autógrafos improvisados. Passou até a carregar adesivos personalizados para distribuir aos seguidores, transformando encontros casuais em momentos de conexão com seu público.

Mas as ruas também cobram seu preço. Biel já sofreu um acidente enquanto tentava cumprir sua meta diária, quando não prestou atenção em um cruzamento e foi atingido por outro motoboy. Desde então, adotou um lema que virou seu mantra: "Quietinho pra morrer velhinho". O receio de novos acidentes o faz pensar no futuro longe das entregas. "Eu vejo muito acidente diariamente. Então, aquilo fica muito na minha cabeça. Caramba, um dia eu posso vir trabalhar aqui no centro e acaba não voltando pra casa."

Apesar da descontração dos vídeos que produz, há uma seriedade subjacente em suas escolhas. Ele procura equilibrar trabalho e vida pessoal, reservando tempo para a namorada, viagens e manutenção da moto. Um de seus vídeos mais populares nasceu de uma meta simples: comprar uma fritadeira elétrica e uma panela de arroz para a mãe. O registro da surpresa alcançou quase três milhões de visualizações. Quando Maju Coutinho o entrevistou, antes de voltar para a moto, ele falou sobre quem receberia uma entrega especial feita por ele. A escolhida foi a namorada. "Lanchão, ela merece." Antes de partir, ouviu novamente o conselho que adotou como mantra. "Quietinho...", disse Maju. "Pra morrer velhinho", completou Biel, antes de pegar a estrada novamente.

Se eu almoço e fico muito tempo parado, acabo perdendo entregas e volto mais tarde pra casa. Prefiro cumprir a meta do dia mais rápido pra poder voltar pra casa mais rápido.
— Gabriel Nunes (Biel)
Eu vejo muito acidente diariamente. Um dia eu posso vir trabalhar aqui no centro e acaba não voltando pra casa.
— Gabriel Nunes (Biel)
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