Eli Lilly busca aprovação nos EUA para tirzepatida como medicamento para perda de peso

O peso perdido pode retornar rapidamente após suspensão
Especialistas alertam sobre a sustentabilidade de longo prazo dos tratamentos com análogos de GLP-1.
Mark

Por que a Eli Lilly está buscando essa aprovação agora? Já não era suficiente ter um medicamento para diabetes?

Mimi

O mercado de obesidade é potencialmente muito maior. Quarenta por cento dos adultos americanos sofrem de obesidade, enquanto o número de diabéticos é menor. E esses novos medicamentos funcionam de forma muito mais eficaz do que as opções anteriores.

Luke

Mas vale notar que a empresa já estava prescrevendo informalmente para perda de peso antes dessa aprovação formal. Então a demanda já existia.

Mark

Qual é a diferença entre os resultados deste ensaio e o anterior?

Mimi

Este mostrou 15,7% de perda de peso em pessoas com diabetes tipo 2. O anterior, em 2021, mostrou 21% em pessoas sem diabetes. Ambos são significativos.

Luke

Mas são populações diferentes. Não podemos comparar diretamente. E os efeitos colaterais — náusea e diarreia — podem ser mais toleráveis para alguns do que para outros.

Mark

Qual é o risco real aqui?

Mimi

Há vários. Pessoas sem obesidade podem estar usando o medicamento apenas para perder alguns quilos. O acesso é desigual porque é caro e muitos seguros não cobrem. E quando as pessoas param de tomar, o peso volta.

Luke

Exatamente. E ainda não sabemos os efeitos de longo prazo. O ensaio durou 72 semanas, mas esses medicamentos são projetados para uso indefinido. Isso é um território desconhecido.

  • A tirzepatida já era usada informalmente para emagrecer por médicos americanos, revelando uma demanda reprimida que a aprovação oficial agora tenta organizar e legitimar.
  • Com um mercado global de obesidade projetado em US$ 54 bilhões até 2030, a corrida entre Eli Lilly e Novo Nordisk — fabricante do Wegovy e do Ozempic — se intensifica em ritmo acelerado.
  • O desabastecimento do Ozempic, impulsionado por sua popularidade nas redes sociais, serve de alerta: a demanda por esses medicamentos pode facilmente superar a oferta e desviar o acesso de quem mais precisa.
  • Especialistas apontam que o peso tende a retornar após a suspensão do tratamento, colocando em xeque a sustentabilidade de longo prazo e a real transformação que esses fármacos prometem.
  • A Eli Lilly prevê concluir sua solicitação regulatória nas próximas semanas, com expectativa de resposta da FDA ainda em 2023, tornando o desfecho desse processo um marco para toda a indústria farmacêutica.

Em um momento em que a obesidade afeta quase metade dos adultos americanos, a Eli Lilly deu um passo significativo ao anunciar que solicitará à FDA a aprovação da tirzepatida como tratamento formal para perda de peso — um medicamento que já existe, mas que até agora vivia nas margens dessa indicação. O ensaio clínico que sustenta o pedido revelou uma redução média de 15,7% do peso corporal, números que situam esse fármaco entre as intervenções mais eficazes já testadas para a obesidade. A decisão não é apenas científica: ela abre as portas para um mercado avaliado em dezenas de bilhões de dólares e reacende perguntas antigas sobre quem, afinal, terá acesso a esse tipo de solução.

A Eli Lilly anunciou que solicitará à FDA autorização para comercializar a tirzepatida — já aprovada para diabetes tipo 2 sob o nome Mounjaro — também como tratamento para obesidade. A decisão se apoia em um ensaio clínico de 72 semanas com mais de 900 participantes obesos ou com sobrepeso, no qual a dose mais elevada do medicamento produziu uma redução média de 15,7% do peso corporal, equivalente a cerca de 15 quilos. Os efeitos colaterais registrados foram principalmente gastrointestinais, leves a moderados, e não comprometeram a continuidade do tratamento.

Não é a primeira vez que a tirzepatida surpreende nos estudos de emagrecimento. Um ensaio anterior, publicado em 2021 com participantes sem diabetes, apontou redução de até 21% do peso corporal. O mecanismo do medicamento envolve a imitação do hormônio GLP-1, que atua em receptores cerebrais ligados ao controle do apetite — o mesmo princípio que sustenta o Wegovy, da concorrente dinamarquesa Novo Nordisk.

O cenário competitivo é intenso. A Morgan Stanley projeta que o mercado global de tratamentos para obesidade pode chegar a US$ 54 bilhões em 2030. Enquanto isso, o Ozempic — outro produto da Novo Nordisk com a mesma molécula do Wegovy — enfrentou desabastecimento após viralizar nas redes sociais como solução para perda de peso, evidenciando tanto o apetite do mercado quanto os riscos de uso indiscriminado.

Especialistas levantam alertas importantes: pessoas sem excesso de peso estão recorrendo a esses medicamentos por conta própria; muitos planos de saúde americanos não cobrem esses tratamentos de alto custo; e há indícios de que o peso perdido retorna rapidamente após a interrupção do uso. A Eli Lilly espera concluir sua solicitação regulatória nas próximas semanas e obter uma resposta da FDA até o final de 2023.

A Eli Lilly anunciou na quinta-feira que pretende solicitar autorização à FDA para comercializar a tirzepatida — seu medicamento para diabetes tipo 2 conhecido como Mounjaro — também como tratamento para perda de peso. A decisão segue resultados positivos de um ensaio clínico de 72 semanas envolvendo pouco mais de 900 participantes que eram obesos ou tinham sobrepeso, além de diabetes tipo 2.

O medicamento é administrado por injeção uma vez por semana. Nos participantes que receberam a dose mais elevada, a perda média de peso corporal foi de 15,7%, equivalente a 15,6 quilos. Os efeitos adversos mais frequentes foram problemas gastrointestinais leves a moderados — náusea e diarreia — que não impediram a continuidade do tratamento. A empresa informou que completará sua solicitação regulatória "nas próximas semanas" e espera obter uma decisão das autoridades americanas até o final de 2023.

Este não é o primeiro teste do medicamento para perda de peso. Um ensaio clínico anterior, realizado com participantes obesos e com sobrepeso que não tinham diabetes e publicado em revista científica em junho de 2021, mostrou resultados ainda mais expressivos: uma redução de cerca de 21% do peso corporal. A tirzepatida funciona imitando um hormônio gastrointestinal chamado GLP-1, que ativa receptores cerebrais responsáveis pela regulação do apetite.

O medicamento já é aprovado nos Estados Unidos desde maio de 2022 exclusivamente para tratamento de diabetes tipo 2, mas alguns médicos já o prescrevem para pacientes que desejam perder peso mesmo sem ter diabetes. Essa prática informal aponta para a demanda latente por esse tipo de tratamento em um país onde cerca de 40% dos adultos sofrem de obesidade.

A aprovação para perda de peso abriria um mercado potencialmente imenso. Segundo projeções da Morgan Stanley, o mercado global de tratamentos para obesidade pode alcançar 54 bilhões de dólares em 2030. A Eli Lilly não está sozinha nessa corrida. A empresa dinamarquesa Novo Nordisk já comercializa nos Estados Unidos um medicamento similar chamado Wegovy, aprovado pela FDA para obesidade desde junho de 2021. O Ozempic, outro produto da Novo Nordisk que usa a mesma molécula (semaglutida) e é indicado para diabetes, enfrentou períodos de desabastecimento após seus efeitos para perda de peso se tornarem populares nas redes sociais.

Essa popularidade, porém, trouxe preocupações. Especialistas alertam que pessoas sem excesso de peso estão usando esses medicamentos para perder alguns quilos, desviando-os de seu propósito original. Há também questões de acesso: nos Estados Unidos, muitos seguros de saúde não reembolsam esses fármacos de alto custo, criando barreiras para quem realmente precisa. Além disso, esses medicamentos são projetados para uso prolongado, e há evidências de que o peso perdido pode retornar rapidamente após a suspensão do tratamento, levantando questões sobre a sustentabilidade de longo prazo dessa abordagem terapêutica.

A empresa informou que completará sua solicitação regulatória nas próximas semanas e espera obter uma decisão das autoridades americanas até o final de 2023
— Eli Lilly
Especialistas alertam que pessoas sem excesso de peso estão usando esses medicamentos para perder alguns quilos
— Especialistas em saúde
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