No limiar de uma nova era para a mobilidade elétrica, uma montadora chinesa percorreu mais de mil quilômetros com um único carregamento, não em laboratório, mas em estradas reais, sob frio e durante quase 14 horas. O feito do sedã ET7 da Nio, equipado com uma bateria semissólida de 150 kWh fabricada pela WeLion, não é apenas um recorde de autonomia — é um sinal de que a indústria automotiva da China está redefinindo os limites do possível para os veículos elétricos. Enquanto o Brasil celebra os 528 km da BMW iX como referência nacional, o mundo observa uma tecnologia que quase dobra essa distâ
Elétrico chinês Nio ET7 alcança autonomia de mais de 1.000 km com bateria semissólida
Quase 14 horas de estrada com apenas 3% de bateria restante
Por que a Nio escolheu fazer esse teste justamente agora, com essas condições específicas?
Porque quer demonstrar que a tecnologia semissólida funciona no mundo real, não apenas em laboratório. Temperaturas baixas são o inimigo das baterias — reduzem a eficiência. Fazer o teste nessas condições torna o resultado mais convincente.
E por que a bateria não vem com o carro? Parece estranho vender um elétrico sem bateria.
É um modelo de negócio. A bateria é o componente mais caro e mais crítico. Alugando-a, a Nio mantém controle sobre a tecnologia, pode oferecer atualizações, e reduz o preço de entrada do carro para o cliente. Na Europa já funciona assim.
Mas isso não cria uma dependência do cliente com a marca?
Exatamente. É uma estratégia de lock-in. O cliente não é dono da bateria, então fica preso ao serviço mensal. Para a Nio, é receita recorrente. Para o cliente, é um risco — se a empresa falir ou sair do mercado, ele fica sem suporte.
Como isso se compara ao que a Tesla está fazendo?
A Tesla vende baterias junto com o carro. Mas as baterias da Tesla têm menos densidade energética que as da Nio neste teste. A Nio está apostando que a tecnologia semissólida é o próximo passo, e que o modelo de aluguel é a forma de monetizar isso.
E no Brasil? Quando chega?
Não há previsão. A Nio ainda não entrou no mercado brasileiro. Mas se essa tecnologia se consolidar na China e na Europa, é questão de tempo. O recorde brasileiro de 528 km com a BMW fica muito atrás.
Il Polso
- A 'ansiedade de autonomia' — o maior freio à adoção em massa de elétricos — foi desafiada de frente quando o ET7 cruzou quase 1.044 km entre Xangai e Xiamen com apenas 3% de bateria restante.
- O teste foi conduzido em condições adversas reais: temperaturas entre -2 e 12°C, sistema semiautônomo ativado e velocidade constante de 90 km/h, o que confere credibilidade científica ao resultado.
- A bateria semissólida da WeLion, com 260 Wh/kg no pacote completo e células que atingem 360 Wh/kg, supera as tecnologias atuais da Tesla e adiciona maior resistência ao fogo como bônus de segurança.
- O modelo de negócio da Nio separa o carro da bateria: o cliente compra o veículo e aluga a bateria mensalmente, reduzindo o custo inicial e mantendo a empresa no controle da tecnologia mais valiosa.
- No Brasil, o recorde homologado de 528 km pela BMW iX xDrive50 evidencia o abismo tecnológico que separa o mercado local do que a indústria chinesa já demonstrou ser possível.
No limiar de uma nova era para a mobilidade elétrica, uma montadora chinesa percorreu mais de mil quilômetros com um único carregamento, não em laboratório, mas em estradas reais, sob frio e durante quase 14 horas. O feito do sedã ET7 da Nio, equipado com uma bateria semissólida de 150 kWh fabricada pela WeLion, não é apenas um recorde de autonomia — é um sinal de que a indústria automotiva da China está redefinindo os limites do possível para os veículos elétricos. Enquanto o Brasil celebra os 528 km da BMW iX como referência nacional, o mundo observa uma tecnologia que quase dobra essa distância e promete chegar a outros mercados.
No último fim de semana de dezembro, o sedã elétrico ET7 da Nio partiu de Xangai de madrugada e chegou a Xiamen quase 14 horas depois — com apenas 3% de bateria restante. O CEO William Li acompanhou e transmitiu a jornada pelas redes sociais. O trajeto foi feito em temperaturas baixas, entre -2 e 12°C, com o sistema semiautônomo Navigate-on-Pilot+ mantido a 90 km/h, percorrendo mais de 1.044 km sem uma única recarga.
O que torna o feito notável não é apenas a distância, mas a tecnologia por trás dela. A bateria semissólida de 150 kWh, fabricada pela WeLion New Energy Technology, oferece 260 Wh/kg no pacote completo — superando as baterias mais recentes da Tesla. Suas células individuais chegam a 360 Wh/kg. Além da densidade energética superior, os eletrólitos em gel, argila ou resina dessas baterias também aumentam a resistência ao fogo em relação às tecnologias convencionais.
Há, porém, um detalhe estratégico: essa bateria não é vendida junto com o carro. A Nio adota um modelo em que o cliente compra o veículo e aluga a bateria mensalmente — prática já presente em países europeus. Isso reduz o custo inicial e mantém a empresa no controle da tecnologia mais cara do veículo.
Para dimensionar o impacto: no Brasil, o elétrico com maior autonomia homologada é a BMW iX xDrive50, com 528 km segundo o Inmetro. O ET7 com bateria semissólida quase dobra esse número. A diferença aponta para uma mudança real na tecnologia de baterias e levanta a questão central: em quanto tempo esse avanço chegará aos mercados globais?
No último fim de semana de dezembro, um sedã elétrico chinês percorreu mais de mil quilômetros sem parar para recarregar. O ET7, fabricado pela Nio, saiu de Xangai no domingo de madrugada e chegou a Xiamen quase 14 horas depois, com apenas 3% de bateria restante — o suficiente para rodar mais 30 quilômetros se fosse necessário. William Li, CEO e cofundador da Nio, transmitiu a jornada pelas redes sociais, acompanhado por Shen Fee, diretora da divisão de baterias da empresa. O trajeto foi feito em temperaturas baixas, entre -2 e 12 graus Celsius, usando o sistema semiautônomo Navigate-on-Pilot+ mantido a 90 km/h.
O feito impressiona menos pela distância em si do que pela tecnologia que o possibilita. A bateria semissólida de 150 kWh que equipava o ET7 neste teste foi fabricada pela WeLion New Energy Technology e oferece uma densidade de energia de 260 Wh/kg no pacote completo — número que supera as baterias mais recentes da Tesla, que ficam abaixo de 300 Wh/kg. As células individuais alcançam 360 Wh/kg. Essas baterias semissólidas funcionam com eletrólitos de gel, argila ou resina, características que não apenas aumentam a densidade energética como também melhoram a resistência ao fogo em comparação com as tecnologias atuais.
Mas há um detalhe importante: essa bateria de 150 kWh não virá junto com o carro. A Nio, fabricante de veículos elétricos de luxo na China, adota um modelo de negócio onde os clientes compram o veículo sem a bateria e assinam um serviço mensal de aluguel dela — prática já comum em vários países europeus. Essa estratégia reduz o custo inicial do carro e permite que a empresa mantenha controle sobre a tecnologia mais cara e crítica do veículo.
Para colocar o resultado em perspectiva: no Brasil, o veículo elétrico com maior autonomia homologado é a BMW iX xDrive50, que alcança 528 quilômetros segundo dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, coordenado pelo Inmetro. O ET7 com sua bateria semissólida quase dobra essa distância. A diferença não é apenas numérica — ela aponta para uma mudança tecnológica real nas baterias que alimentam os carros elétricos, e para a possibilidade de que modelos como este cheguem em breve a mercados fora da China.
O teste da Nio também sinaliza como a indústria automotiva chinesa está acelerando em direção a soluções que resolvem um dos principais obstáculos à adoção em massa de veículos elétricos: a ansiedade de autonomia. Quando um carro consegue rodar mais de mil quilômetros sem recarregar, a experiência de uso se aproxima muito mais da de um carro com motor de combustão. E quando esse feito é alcançado em condições reais — temperaturas baixas, sistema semiautônomo ligado, trajeto longo — a demonstração ganha credibilidade. A pergunta agora é se essa tecnologia chegará aos mercados globais e em que prazo.
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A bateria semissólida oferece maior densidade de energia e resistência ao fogo do que as baterias atuais— Informações sobre tecnologia WeLion New Energy Technology