Em São Paulo, a Polícia Federal abriu uma operação que conecta um eletricista da periferia a dezenas de milhões de reais movimentados por uma ONG com contrato público bilionário — revelando como estruturas formalmente simples podem abrigar fluxos financeiros de grande complexidade. O caso envolve o Instituto Conhecer Brasil, ligado à produtora do filme sobre Bolsonaro, e alcança um deputado federal, empresários e ao menos 49 pessoas e empresas investigadas por peculato, lavagem de dinheiro e fraudes licitatórias. A investigação, conduzida sob supervisão do ministro Flávio Dino no STF, levanta
Eletricista tesoureiro de ONG movimentou R$ 83 milhões e é alvo da PF
Um eletricista que faz reparos industriais virou tesoureiro de R$ 83 milhões
Como um eletricista que faz reparos industriais acaba como tesoureiro de uma ONG que movimenta R$ 83 milhões?
Essa é a pergunta central. Vanderlei tinha poderes formais para mexer em todas as contas do Instituto, inclusive as maiores. No papel, ele era o tesoureiro. Na prática, a estrutura parece ter sido montada dessa forma.
Mas a gente sabe que ele realmente movimentou esse dinheiro, ou é uma estimativa? A decisão do Dino diz que ele "teria movimentado" — isso é uma conclusão da investigação ou um fato confirmado?
É baseado na análise dos registros financeiros que levou à autorização da operação. Não é uma confissão, é o que os investigadores encontraram nos documentos.
E qual é a conexão com o deputado Mário Frias e o filme Dark Horse?
Frias é produtor-executivo do filme. Karina fez campanha para ele em 2022. As empresas de Feldman e Wemerson prestaram serviços tanto ao gabinete de Frias quanto ao Instituto Conhecer Brasil. É uma rede de pessoas e empresas que se cruzam.
Mas isso prova crime? Ou apenas que pessoas ligadas ao mesmo círculo fazem negócios juntas?
A investigação apura fraudes licitatórias e lavagem de dinheiro especificamente. O contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura é o ponto de partida — como foi assinado, quem ganhou com isso, se houve desvio.
O prefeito Ricardo Nunes disse que não há irregularidades. Ele está certo?
Nunes diz que a Controladoria abriu apuração e não encontrou nada até agora. Mas a PF está investigando crimes federais — peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa. São esferas diferentes. Uma não exclui a outra.
E Vanderlei está proibido de sair do Brasil, o que sugere que os investigadores o veem como figura central, não periférica.
The Pulse
- Um eletricista sem histórico financeiro aparente aparece nos registros como responsável por movimentar mais de R$ 83 milhões de uma ONG em menos de um ano.
- A operação da PF deflagrada nesta quinta-feira atingiu simultaneamente o deputado Mário Frias, dois empresários e o próprio tesoureiro, revelando a amplitude da teia investigada.
- As conexões entre o gabinete parlamentar de Frias, as empresas dos investigados e o contrato de R$ 108 milhões anuais com a Prefeitura de SP formam o núcleo da suspeita de organização criminosa.
- Vanderlei Natividade está proibido de deixar o Brasil, enquanto o prefeito Ricardo Nunes nega irregularidades e afirma que a Controladoria Municipal já apura o caso sem ter encontrado falhas até agora.
- A investigação abrange 49 pessoas e empresas e inclui crimes que vão de falsidade documental a lavagem de dinheiro, sinalizando que o inquérito ainda pode se expandir.
Em São Paulo, a Polícia Federal abriu uma operação que conecta um eletricista da periferia a dezenas de milhões de reais movimentados por uma ONG com contrato público bilionário — revelando como estruturas formalmente simples podem abrigar fluxos financeiros de grande complexidade. O caso envolve o Instituto Conhecer Brasil, ligado à produtora do filme sobre Bolsonaro, e alcança um deputado federal, empresários e ao menos 49 pessoas e empresas investigadas por peculato, lavagem de dinheiro e fraudes licitatórias. A investigação, conduzida sob supervisão do ministro Flávio Dino no STF, levanta questões sobre os limites entre o dinheiro público, o financiamento político e as redes de interesse que os cercam.
Na Brasilândia, zona norte de São Paulo, um eletricista chamado Vanderlei Magalhães Natividade virou alvo da Polícia Federal nesta quinta-feira. Ele aparece nos registros como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil, a ONG de Karina da Gama — produtora do filme Dark Horse sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Vanderlei morava numa casa simples no mesmo terreno da família de Karina e se apresentava como parente de consideração dela. Seu perfil no WhatsApp listava serviços de eletricista, câmeras de segurança e bombeiro — nada que sugerisse a gestão de dezenas de milhões de reais.
Segundo decisão do ministro Flávio Dino, do STF, Vanderlei teria movimentado mais de R$ 83 milhões do Instituto entre setembro de 2023 e agosto de 2024, com poderes para acessar todas as contas da ONG. O Instituto Conhecer Brasil gerencia um contrato anual de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo — o que torna a escala das movimentações ainda mais relevante para os investigadores.
A operação também atingiu o deputado federal Mário Frias, do PL, produtor-executivo do Dark Horse, e os empresários André Feldman e Wemerson Marinho da Gama — ex-marido de Karina. As empresas dos dois prestaram serviços ao gabinete de Frias em Brasília e também ao próprio Instituto Conhecer Brasil, dentro do contrato com a prefeitura. Wemerson era secretário-geral do Instituto quando o contrato com a gestão Nunes foi assinado, em junho de 2024, meses antes da reeleição do prefeito.
A investigação envolve 49 pessoas e empresas e apura peculato, lavagem de dinheiro, fraudes licitatórias e organização criminosa. Vanderlei está proibido de deixar o Brasil. O prefeito Ricardo Nunes negou irregularidades, afirmando que a Controladoria Municipal abriu apuração desde o início e não encontrou falhas até o momento. A defesa de Vanderlei e a produtora Karina da Gama não se manifestaram.
Na Brasilândia, zona norte de São Paulo, um eletricista que faz reparos industriais virou alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira. Seu nome é Vanderlei Magalhães Natividade, e ele aparece nos registros como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil, a ONG de Karina da Gama, produtora do filme Dark Horse sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Vanderlei morava numa casa simples no fundo de um terreno onde a família de Karina também residia. Quando repórteres da TV Globo estiveram lá em maio, ele se apresentou como parente de consideração da empresária. Seu perfil no WhatsApp listava suas atividades: eletricista industrial, segurança digital com câmeras e alarmes, controle de acesso, bombeiro. Nada que sugerisse a movimentação de dezenas de milhões de reais.
Mas segundo a decisão do ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal, Vanderlei teria movimentado mais de R$ 83 milhões do Instituto Conhecer Brasil entre setembro de 2023 e agosto de 2024. Os documentos do STF indicam que ele tinha poderes para mexer em todas as contas da ONG, inclusive naquelas onde ocorreram as operações financeiras mais volumosas. Isso é relevante porque o Instituto Conhecer Brasil gerencia um contrato anual de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo.
A operação desta quinta-feira não se limitou a Vanderlei. Também foram alvo de busca e apreensão o deputado federal Mário Frias, do PL, e os empresários André Feldman e Wemerson Marinho da Gama. Wemerson é ex-marido de Karina da Gama. Mário Frias é produtor-executivo do filme Dark Horse e recebeu serviços de campanha de Karina durante a eleição de 2022. As duas empresas desses empresários prestaram serviços ao gabinete de Frias em Brasília.
Os números revelam uma teia de conexões financeiras. A empresa Complexsys Soluções Integradas, de André Feldman, recebeu R$ 154 mil do gabinete de Frias entre setembro de 2024 e abril de 2026, usando cota parlamentar. A GTrend, de Wemerson Marinho da Gama, recebeu R$ 115,6 mil do mesmo gabinete entre abril de 2023 e agosto de 2024. A Complexsys também emitiu notas de serviço de auditoria de pontos de wi-fi para o Instituto Conhecer Brasil, dentro daquele contrato milionário com a prefeitura. A esposa de André Feldman, Débora Feldman, tinha outra empresa, a Fastfuture Tecnologias Emergentes, que também faturou com o ICB. Wemerson era secretário-geral do Instituto quando o contrato com a gestão Nunes foi assinado em junho de 2024, poucos meses antes da campanha municipal que reelegeu Ricardo Nunes.
A investigação, sob tutela do ministro Flávio Dino, envolve 49 empresas e pessoas físicas. Os crimes investigados incluem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraudes e crimes licitatórios. Vanderlei está proibido de deixar o Brasil. O prefeito Ricardo Nunes, em entrevista à GloboNews, negou irregularidades no contrato, afirmando que uma apuração foi aberta na Controladoria Geral do Município logo no início e que até o momento nenhuma irregularidade foi encontrada. A defesa de Vanderlei e a produtora Karina da Gama não retornaram os pedidos de comentário.
Notable Quotes
Foi aberta apuração na Controladoria logo no início. Até o momento nenhuma irregularidade no contrato com a prefeitura— Prefeito Ricardo Nunes, em entrevista à GloboNews