Sob a influência de um El Niño que caminha para ser o mais intenso desde 1950, o Brasil se prepara para enfrentar entre três e cinco ondas de calor no trimestre setembro-novembro de 2026 — um número que excede o esperado mesmo em anos comuns. O Instituto Nacional de Meteorologia não apenas aponta para o fenômeno oceânico, mas reconhece uma tendência mais longa: desde 1979, o calor extremo cresce independentemente do El Niño, revelando a assinatura silenciosa do aquecimento global. Para o Sul do país, e especialmente para Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a primavera que se aproxima carrega c
El Niño intenso pode trazer até cinco ondas de calor ao Brasil até novembro
Ondas de calor vêm aumentando desde 1979, independentemente do El Niño
Por que esse El Niño é diferente dos anteriores?
A probabilidade de atingir nível "super" é superior a 90% já neste trimestre, e há 69% de chance de ser o mais forte desde 1950. Mas o mais importante é que o aquecimento global está amplificando tudo isso — ondas de calor vêm aumentando desde 1979, independentemente do El Niño.
Espera — a NOAA diz 69% de chance de ser o mais forte desde 1950, mas isso é uma projeção, não uma certeza. E o Inmet ressalva que um El Niño mais forte não provoca necessariamente impactos maiores em todas as regiões.
Então o que significa "super El Niño" exatamente?
Não é uma classificação científica oficial. É um termo popular para episódios muito fortes, quando a temperatura supera 2°C acima da média. Neste caso, a probabilidade de alcançar isso é superior a 90%.
Certo, mas "super" é linguagem de mídia, não de meteorologia. O que importa é que a anomalia pode superar 2,5°C, segundo a NOAA.
E para Santa Catarina, qual é o risco real?
Seis regiões têm maior propensão a chuvas extremas: Oeste, Meio-Oeste, Planalto, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e Sul catarinense. Isso pode favorecer cheias, inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos.
Mas o Inmet deixa claro que maior propensão não significa que esses eventos ocorrerão necessariamente. É importante não confundir probabilidade com certeza.
A primavera é realmente o período mais crítico?
Sim. Começa em 22 de setembro e tem naturalmente maior frequência de sistemas que trazem chuvas e temporais. Combinado com o El Niño intensificado, há consenso meteorológico de chuvas acima do normal, especialmente em outubro e novembro.
Consenso entre os modelos é bom, mas ainda é previsão. Setembro isoladamente deve ter chuva próxima da média na metade Leste de Santa Catarina, segundo o Inmet.
Como isso afeta a agricultura?
Na Região Sul, o excesso de umidade pode favorecer doenças nas lavouras, dificultar a colheita, comprometer a qualidade dos grãos e atrasar o plantio das culturas de verão. Já o inverno de 2026 já teve chuvas acima da média e tempestades severas frequentes.
Isso é um impacto real e documentado, mas depende também das vulnerabilidades específicas de cada local e dos sistemas meteorológicos locais, como o próprio Inmet ressalva.
The Pulse
- A probabilidade de o El Niño atingir nível 'super' — com anomalias oceânicas acima de 2°C — já supera 90%, e há 69% de chance de ser o mais intenso em mais de 70 anos.
- Seis regiões de Santa Catarina e o Rio Grande do Sul estão na linha de frente do risco: cheias, deslizamentos e enxurradas tornam-se cenários prováveis, não apenas possíveis.
- A agricultura do Sul enfrenta um paradoxo cruel — o excesso de umidade que afasta as geadas também compromete colheitas, favorece doenças nas lavouras e atrasa o plantio de verão.
- A primavera, que começa em 22 de setembro, amplifica tudo: é a estação naturalmente mais propícia a tempestades em Santa Catarina, e o El Niño intensificado potencializa esse padrão histórico.
- Modelos meteorológicos convergem: outubro e novembro devem registrar os maiores excessos de chuva, com o fenômeno permanecendo ativo pelo menos até o início de 2027.
Sob a influência de um El Niño que caminha para ser o mais intenso desde 1950, o Brasil se prepara para enfrentar entre três e cinco ondas de calor no trimestre setembro-novembro de 2026 — um número que excede o esperado mesmo em anos comuns. O Instituto Nacional de Meteorologia não apenas aponta para o fenômeno oceânico, mas reconhece uma tendência mais longa: desde 1979, o calor extremo cresce independentemente do El Niño, revelando a assinatura silenciosa do aquecimento global. Para o Sul do país, e especialmente para Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a primavera que se aproxima carrega consigo não apenas temperatura, mas a possibilidade concreta de chuvas extremas, inundações e perdas agrícolas.
No primeiro dia de setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia emitiu um alerta que reposiciona o Brasil diante de um trimestre incomum: entre setembro e novembro, o país pode enfrentar de três a cinco ondas de calor. Em anos sem El Niño, a expectativa para esse período é de dois a três episódios. A diferença, dizem os meteorologistas, não é acidental — e vai além do fenômeno oceânico. Desde 1979, o número de ondas de calor nesse trimestre cresce gradualmente, com ou sem El Niño, apontando para o aquecimento global como força de fundo.
O El Niño que se aproxima, porém, não é ordinário. A probabilidade de atingir o chamado nível 'super' — quando a temperatura da superfície do Pacífico supera 2°C acima da média — já ultrapassa 90%. A agência oceânica americana estima 69% de chance de este ser o episódio mais intenso desde 1950, com anomalias que podem chegar a 2,5°C. O fenômeno deve permanecer ativo pelo menos até o início de 2027.
Para a Região Sul, os efeitos se ramificam. Temperaturas acima da média e chuvas abundantes reduzem o risco de geadas tardias, mas o excesso de umidade traz doenças às lavouras, compromete a qualidade dos grãos e atrasa o plantio das culturas de verão. Santa Catarina recebe atenção especial: seis regiões — Oeste, Meio-Oeste, Planalto, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e Sul catarinense — apresentam maior propensão a chuvas extremas com acumulados elevados em poucos dias, criando condições para cheias, inundações e deslizamentos. No Rio Grande do Sul, o sinal é ainda mais consistente para episódios prolongados.
A preocupação central se concentra na primavera, que começa em 22 de setembro. A estação já é naturalmente a mais intensa em termos de tempestades para Santa Catarina; combinada ao El Niño intensificado, forma o cenário de maior atenção em décadas. Há consenso entre os modelos: volumes de chuva acima do normal para todo o trimestre, com os maiores excessos esperados em outubro e novembro. O Instituto ressalva que um El Niño mais forte não garante impactos maiores em todas as regiões — os efeitos dependem também de fatores locais. Mas a probabilidade está documentada, e o que vem a seguir dirá o quanto ela se concretiza.
Na terça-feira do primeiro de setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia divulgou um boletim que recoloca o Brasil sob aviso: entre agora e novembro, o país pode enfrentar de três a cinco ondas de calor. Em anos sem o El Niño, a expectativa para esse mesmo trimestre é de apenas dois a três episódios. A diferença não é marginal — estatisticamente, anos com o fenômeno registram uma onda de calor a mais do que o normal.
Mas há algo mais profundo acontecendo. Desde 1979, quando começou o registro sistemático, o número de ondas de calor no período de setembro a novembro vem crescendo gradualmente, independentemente de haver El Niño ou não. Os meteorologistas apontam para uma causa que transcende o fenômeno oceânico: o aquecimento global está deixando sua marca na frequência desses eventos extremos.
O El Niño que se aproxima não é um episódio comum. A probabilidade de ele atingir o que se chama popularmente de nível "super" — quando a temperatura da superfície oceânica supera 2°C acima da média — subiu para mais de 90% já neste trimestre. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos estima 69% de chance de este ser o El Niño mais intenso desde 1950, com anomalias que podem ultrapassar 2,5°C. O fenômeno deve permanecer ativo pelo menos até o início de 2027.
Na Região Sul, as consequências se desdobram em múltiplas direções. Temperaturas acima da média e chuvas abundantes manterão o solo úmido e reduzirão o risco de geadas tardias — à primeira vista, um alívio. Mas o excesso de umidade traz seus próprios problemas: doenças nas lavouras, dificuldades na colheita, grãos comprometidos em qualidade e atrasos no plantio das culturas de verão. A agricultura, que depende de equilíbrio, enfrenta um cenário de desequilíbrio.
Santa Catarina recebe atenção especial. Seis regiões do estado — Oeste, Meio-Oeste, Planalto, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e Sul catarinense — apresentam maior propensão a chuvas extremas entre setembro e novembro. A análise de anos com El Niño forte ou muito forte mostra que nessas áreas há maior probabilidade de chuvas intensas com acumulados elevados em poucos dias. Isso cria condições para cheias, inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos. No Rio Grande do Sul, o sinal é ainda mais consistente, especialmente para episódios prolongados. No Paraná, a atenção se concentra em áreas específicas: Sudoeste, Centro-Sul, Região Metropolitana de Curitiba, Serra do Mar e litoral.
O inverno de 2026 já deixou seu rastro — chuvas acima da média em diferentes períodos e maior frequência de tempestades severas. Mas a preocupação real começa com a primavera, que inicia em 22 de setembro. A estação tem naturalmente maior frequência e intensidade dos sistemas que trazem chuvas e temporais para Santa Catarina. A combinação entre a climatologia da primavera e o El Niño intensificado cria o cenário de maior atenção desde o estabelecimento do fenômeno. Há consenso entre os modelos meteorológicos: volumes de chuva acima do normal para o trimestre, com os maiores excessos esperados em outubro e novembro.
O El Niño funciona assim: o aumento da temperatura da superfície da água em uma faixa do Oceano Pacífico próxima ao Peru libera mais calor para a atmosfera e altera a circulação dos ventos e os padrões de chuva globais. Na Região Sul, o fenômeno dificulta o avanço das frentes frias pelo restante do país, fazendo com que os sistemas fiquem concentrados por mais tempo sobre o Sul, favorecendo volumes elevados de chuva. É um mecanismo simples em sua descrição, mas complexo em suas consequências.
O Instituto Nacional de Meteorologia ressalta um ponto importante: um El Niño mais forte não provoca necessariamente impactos maiores em todas as regiões. Os efeitos também dependem dos sistemas meteorológicos locais, da umidade do solo e das vulnerabilidades específicas de cada lugar. Da mesma forma, a análise de maior propensão a situações críticas não significa que eventos extremos ou desastres ocorrerão necessariamente. Mas a probabilidade está lá, documentada, esperando pelo que vem.
Notable Quotes
A combinação entre a climatologia da estação e a intensificação do El Niño torna a primavera o período de maior atenção desde o estabelecimento do fenômeno El Niño— Defesa Civil de Santa Catarina