Economistas reduzem previsão de déficit para 2026 e 2027, mas dívida segue em alta

Dívida segue em alta mesmo com melhora nas contas primárias
Economistas reduzem projeção de déficit, mas estimam que endividamento chegará a 87% do PIB em 2027.
Mark

Então o déficit primário caiu bastante de um mês para o outro. Isso significa que o governo está finalmente controlando seus gastos?

Mimi

Não exatamente. O déficit primário é só uma parte da história. É verdade que a mediana das projeções caiu quase R$ 7 bilhões para 2026, mas isso pode refletir tanto mudanças reais nas contas quanto revisões nas expectativas dos economistas sobre receita e despesa.

Luke

E é importante notar que mesmo com essa melhora, o governo ainda está projetando déficit primário, não superávit. A meta dele é superávit, então há ainda uma lacuna entre o que os economistas esperam e o que o governo quer alcançar.

Mark

Entendi. Mas então por que a dívida segue subindo se o déficit está caindo?

Mimi

Porque a dívida não é determinada só pelo déficit primário. Ela também cresce por causa dos juros que o governo paga sobre a dívida existente. Com a Selic em 14% ao ano, o gasto com juros é enorme.

Luke

Exatamente. A equipe econômica do governo argumenta isso, mas é importante ser claro: a dívida bruta vai de 83,2% do PIB em 2026 para 87% em 2027. Isso é uma trajetória de alta, não de estabilização.

Mark

Então mesmo que o governo melhore suas contas primárias, a dívida continua crescendo?

Mimi

Sim. É como estar em um buraco: você pode parar de cavar mais fundo, mas se estiver pagando juros altos sobre o que já deve, o buraco continua ficando mais profundo.

Luke

E há uma questão de timing aqui. O Banco Central estava cortando juros, mas a Selic ainda está em 14%. Se os juros não caírem significativamente, essa trajetória de dívida vai ser muito difícil de reverter.

Mark

A receita também subiu um pouco, certo?

Mimi

Sim, mas muito pouco. A receita líquida para 2026 subiu de R$ 2,574 trilhões para R$ 2,581 trilhões. É um aumento de menos de R$ 10 bilhões.

Luke

E as despesas também subiram. Então não há espaço real de manobra ali. O governo está apertado dos dois lados.

  • O déficit primário projetado para 2026 caiu quase R$ 7 bilhões em um único mês, e para 2027 a queda foi de cerca de R$ 10 bilhões — uma melhora concreta que surpreendeu pela magnitude.
  • Mesmo com esse avanço, o governo ainda está longe de suas próprias metas: quer superávit de 0,25% do PIB em 2026 e 0,5% em 2027, enquanto os economistas ainda projetam déficits expressivos nos dois anos.
  • A dívida bruta, em vez de recuar, deve chegar a 83,2% do PIB em 2026 e saltar para 87% em 2027 — trajetória que expõe o peso dos juros sobre o endividamento público.
  • Com a Selic em 14% ao ano, cada melhora nas contas primárias é parcialmente neutralizada pelo custo do serviço da dívida, criando um ciclo difícil de romper sem queda sustentada dos juros.
  • Receitas e despesas foram revisadas levemente para cima, sugerindo um ambiente de arrecadação um pouco mais favorável, mas também pressões persistentes sobre os gastos do governo.

A cada ciclo fiscal, o Brasil se depara com a mesma tensão entre progresso e estrutura: os economistas consultados pelo Ministério da Fazenda melhoraram suas projeções para o déficit primário de 2026 e 2027, reconhecendo avanços reais no controle das contas públicas. Ainda assim, a dívida bruta segue escalando — alimentada por uma taxa Selic que transforma cada ponto percentual de melhora primária em fardo adicional de juros. O relatório Prisma desta terça-feira (15) não anuncia vitória nem derrota, mas revela a geometria de um desafio que exige mais do que disciplina fiscal: exige tempo e juros menores.

O relatório Prisma divulgado nesta terça-feira (15) pelo Ministério da Fazenda apresentou um cenário de avanços reais, mas incompletos, para as finanças públicas brasileiras. A mediana das projeções para o déficit primário de 2026 recuou para R$ 52,3 bilhões — quase R$ 7 bilhões abaixo do estimado em agosto. Para 2027, a melhora foi ainda maior: de R$ 55 bilhões para R$ 45,4 bilhões, uma redução de cerca de R$ 10 bilhões em um único mês.

O governo, no entanto, mira muito além dessas projeções. Sua meta é transformar o déficit em superávit: 0,25% do PIB em 2026 (equivalente a R$ 34,3 bilhões) e 0,5% do PIB em 2027 (R$ 73,2 bilhões). Mesmo com margem de tolerância, a distância entre o que os economistas projetam e o que o governo pretende alcançar permanece considerável.

O ponto mais delicado do relatório está na dívida bruta. Apesar da melhora primária, ela deve subir para 83,2% do PIB em 2026 e chegar a 87% em 2027 — acima das estimativas anteriores nos dois casos. O motivo é estrutural: com a Selic em 14% ao ano, o custo do serviço da dívida corrói os ganhos obtidos no resultado primário, impedindo que a trajetória de endividamento se estabilize.

No campo da arrecadação, as revisões foram positivas, ainda que modestas. A receita líquida projetada para 2026 subiu para R$ 2,581 trilhões, e para 2027 chegou a R$ 2,750 trilhões. As despesas também foram revisadas levemente para cima nos dois anos, sinalizando que as pressões sobre o gasto público não arrefecem. O quadro resultante é o de um governo que avança nas contas primárias, mas que ainda não encontrou o caminho para domar uma dívida crescente enquanto os juros permanecem elevados.

O relatório Prisma divulgado nesta terça-feira (15) trouxe sinais contraditórios sobre as finanças públicas brasileiras. Enquanto economistas consultados pelo Ministério da Fazenda reduziram significativamente suas projeções para o déficit primário do governo central nos próximos dois anos, a dívida pública segue em trajetória de alta, complicando o quadro fiscal geral.

A melhora nas contas primárias é concreta. A mediana das expectativas para o déficit primário em 2026 caiu para R$ 52,271 bilhões, uma redução de quase R$ 7 bilhões em relação à projeção de agosto, que apontava R$ 59,145 bilhões. Para 2027, o cenário é ainda mais favorável: os economistas agora estimam um déficit de R$ 45,350 bilhões, contra R$ 55 bilhões previstos um mês antes. Essa queda de aproximadamente R$ 10 bilhões representa uma melhora substancial nas expectativas sobre o comportamento das contas do governo.

No entanto, o governo enfrenta um desafio ambicioso. Sua meta é alcançar um superávit de 0,25% do PIB em 2026, o equivalente a R$ 34,3 bilhões, e de 0,5% do PIB em 2027, ou R$ 73,2 bilhões. Essas metas contam com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB e excluem certas despesas do cálculo, mas mesmo assim representam um salto significativo em relação aos déficits que os economistas ainda preveem.

O lado mais preocupante da projeção diz respeito à dívida bruta. Para 2026, o Prisma estimou que ela chegará a 83,2% do PIB, uma leve alta em relação aos 83% previstos em agosto. Para 2027, a situação piora: a expectativa é que o indicador salte para 87% do PIB, acima dos 86,7% estimados no levantamento anterior. Essa trajetória ascendente reflete um problema estrutural que a equipe econômica do governo tem destacado: apesar da melhora nas contas primárias, o endividamento segue elevado porque a taxa básica de juros permanece em patamares altos.

A Selic está atualmente em 14% ao ano, após quatro cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. Esse nível de juros eleva significativamente o gasto com serviço da dívida pública, tornando mais difícil reduzir o endividamento mesmo quando o governo consegue melhorar seu resultado primário. O Banco Central não indicou qual será seu próximo movimento com os juros, com a próxima reunião ocorrendo nesta terça e quarta-feira (14 e 15).

No lado da arrecadação, as expectativas também melhoraram ligeiramente. A receita líquida do governo para 2026 foi revisada para cima, passando para R$ 2,581 trilhões, de R$ 2,574 trilhões. Para 2027, a projeção é de R$ 2,750 trilhões, contra R$ 2,732 trilhões anteriormente. Essas pequenas elevações sugerem que os economistas veem um ambiente de arrecadação um pouco mais favorável do que imaginavam.

As despesas, por sua vez, também sofreram pequenas revisões para cima. Para 2026, a previsão subiu para R$ 2,625 trilhões, de R$ 2,624 trilhões. Para 2027, a projeção passou para R$ 2,792 trilhões, acima dos R$ 2,787 trilhões estimados anteriormente. Essas elevações nas despesas, ainda que modestas, indicam que o governo enfrenta pressões contínuas para manter ou expandir seus gastos.

O quadro que emerge é o de um governo que consegue melhorar suas contas primárias, sinalizando algum progresso no controle do gasto ou na arrecadação, mas que permanece preso a uma dívida crescente alimentada por juros elevados. A redução do déficit primário é real e significativa, mas insuficiente para reverter a trajetória de endividamento que preocupa economistas e mercado.

A equipe econômica do governo argumenta que o endividamento segue elevado apesar de uma melhora em resultados primários ao longo dos anos por conta do nível alto da taxa básica Selic, que eleva o gasto com juros da dívida pública.
— Ministério da Fazenda (conforme relatório Prisma)
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