Na fronteira entre a quinta e a sexta-feira, a Terra se interpõe entre o Sol e a Lua com uma precisão que a geometria celeste raramente oferece tão generosamente: 96,2% do disco lunar mergulhará na sombra terrestre, tingindo-se de tons que lembram todos os pores do sol do planeta ao mesmo tempo. O fenômeno, visível a olho nu de qualquer ponto do Brasil a partir das 22h24, convida cada observador a testemunhar, sem mediação tecnológica, a dança silenciosa dos corpos que nos cercam há bilhões de anos.
Eclipse lunar parcial será visível em todo o Brasil na noite de quinta para sexta
Como se todos os pôr do sol da Terra fossem projetados sobre a Lua
Por que este eclipse é tão especial se não é total?
Porque fica tão perto de ser total que parece um. Noventa e seis por cento da Lua coberta é quase tudo. Mas aquela pequena faixa que fica de fora faz toda a diferença — a Lua não fica completamente vermelha como numa Lua de Sangue.
E por que fica vermelha mesmo que seja parcial?
A luz do Sol passa pela nossa atmosfera antes de chegar à Lua. A luz azul se dispersa, mas o vermelho consegue atravessar. É como se todos os pôr do sol da Terra fossem projetados sobre a Lua.
Preciso de algum equipamento para ver?
Não. Basta olhar para o céu. Diferente de um eclipse solar, não oferece risco à visão. Binóculos ajudam a ver mais detalhes, mas não são necessários.
Qual é o melhor horário para acordar e ver?
Se você quer ver o pico máximo, é 1h13 de sexta-feira. Mas o eclipse começa às 22h24 de quinta. Se ficar acordado, pode acompanhar tudo.
E se estiver nublado?
Aí não há muito o que fazer. Nuvens impedem a observação. Mas no Brasil inteiro será visível se o tempo permitir — temos a vantagem de ver todas as fases do início ao fim.
Quanto tempo dura tudo?
A fase parcial, a mais visível, dura cerca de três horas e dezoito minutos. Se contar as fases penumbrais também, o eclipse completo se estende por cinco horas e trinta e oito minutos.
Il Polso
- Quase a Lua inteira desaparecerá na sombra da Terra no pico do eclipse, às 1h13 de sexta-feira — uma raridade que flerta com o eclipse total sem jamais sê-lo.
- A diferença de uma fina faixa iluminada muda tudo: sem o mergulho completo na umbra, a Lua não ficará uniformemente vermelha, mas exibirá uma tensão visual entre luz e escuridão no mesmo disco.
- Nuvens são o único adversário real da noite — quem estiver sob céu aberto não precisará de nenhum equipamento para viver o espetáculo completo.
- O Brasil tem vantagem sobre boa parte do mundo: daqui será possível acompanhar todas as fases, do início penumbral até o fim, ao longo de quase seis horas de evento.
- Quem ajustar o despertador para a madrugada encontrará a Lua coberta por tons alaranjados e avermelhados — o mesmo fenômeno físico que pinta de vermelho os entardeceres terrestres, agora projetado sobre a superfície lunar.
Na fronteira entre a quinta e a sexta-feira, a Terra se interpõe entre o Sol e a Lua com uma precisão que a geometria celeste raramente oferece tão generosamente: 96,2% do disco lunar mergulhará na sombra terrestre, tingindo-se de tons que lembram todos os pores do sol do planeta ao mesmo tempo. O fenômeno, visível a olho nu de qualquer ponto do Brasil a partir das 22h24, convida cada observador a testemunhar, sem mediação tecnológica, a dança silenciosa dos corpos que nos cercam há bilhões de anos.
Na noite de quinta para sexta-feira, a Lua atravessará a sombra da Terra de um modo que raramente se repete. Um eclipse lunar parcial cobrirá 96,2% do disco lunar em seu ponto máximo — espetáculo visível de qualquer lugar do Brasil sem telescópios ou binóculos. Basta olhar para o céu.
O fenômeno começa às 22h24 de quinta-feira e se estende pela madrugada. O momento mais intenso ocorre à 1h13 de sexta-feira, quando quase toda a Lua estará obscurecida. A fase parcial, em que a mudança é mais evidente, dura cerca de três horas e dezoito minutos; considerando também as fases penumbrais, o evento completo chega a cinco horas e trinta e oito minutos.
Embora visualmente próximo de um eclipse total, este será parcial porque uma pequena porção da Lua permanecerá fora da umbra — a região mais escura da sombra terrestre. No pico, uma faixa fina ainda iluminada contrastará com o resto do disco encoberto. Como explica a astrônoma Josina Oliveira do Nascimento, do Observatório Nacional, a Lua chegará a ganhar tons avermelhados, mas os perderá antes de completar o mergulho total.
A cor avermelhada tem explicação física precisa: ao entrar na umbra, a Lua ainda recebe luz solar, mas filtrada pela atmosfera terrestre. Os comprimentos de onda azuis se dispersam e se perdem; os tons vermelhos, alaranjados e amarelados atravessam e iluminam a superfície lunar — o mesmo mecanismo que tinge de vermelho os pores do sol na Terra. A Nasa descreve o efeito como se todos os amanheceres e entardeceres do planeta fossem projetados sobre a Lua de uma vez.
Como não será um eclipse total, a Lua não ficará completamente vermelha como na chamada Lua de Sangue. A parte dentro da umbra poderá adquirir tons escuros e alaranjados, enquanto o restante permanece mais claro. O único obstáculo real será o tempo: nuvens podem dificultar a observação. O Brasil, porém, tem a vantagem de poder acompanhar todas as fases do início ao fim — algo que nem todos os países nas Américas, Europa e África conseguirão.
Na noite de quinta-feira para sexta-feira, a Lua atravessará a sombra da Terra de um jeito que raramente acontece. Um eclipse lunar parcial cobrirá 96,2% do disco lunar no seu ponto máximo, criando um espetáculo celeste visível de qualquer lugar do Brasil sem necessidade de telescópios, binóculos ou qualquer outro equipamento. Basta olhar para o céu.
O fenômeno começa às 22h24 de quinta-feira e se estende pela madrugada. O momento mais intenso ocorre à 1h13 de sexta-feira, quando quase toda a Lua estará obscurecida. Depois disso, o eclipse continua até aproximadamente 4h da manhã. A fase parcial, aquela em que a mudança é mais evidente, dura cerca de três horas e dezoito minutos. Se você considerar também as fases penumbrais — quando a Lua passa pela região mais clara da sombra terrestre — o evento completo se estende por cinco horas e trinta e oito minutos.
Embora visualmente próximo de um eclipse total, este será parcial porque apenas uma pequena porção da Lua permanecerá fora da umbra, a região mais escura da sombra da Terra. A diferença é crucial: em um eclipse total, toda a Lua mergulha nessa zona de escuridão. Aqui, ela não entra completamente. Isso significa que durante o pico, você verá uma faixa fina ainda iluminada enquanto o resto do disco fica coberto pela sombra. Conforme Josina Oliveira do Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional, quando o alinhamento é perfeito em um eclipse total, a Lua fica mais tempo na umbra. Neste caso, como ela não mergulha totalmente, começará a ganhar tons avermelhados e depois deixará de tê-los.
A cor avermelhada que pode aparecer durante o eclipse não é um acaso. Quando a Lua entra na umbra, a luz do Sol ainda a alcança, mas passa primeiro pela atmosfera terrestre. A luz azul se dispersa facilmente na atmosfera e se perde. Os comprimentos de onda mais longos — os tons vermelhos, alaranjados e amarelados — conseguem atravessar e atingem a superfície lunar. É o mesmo fenômeno que torna o pôr do sol vermelho na Terra. A Nasa descreve como se todos os amanheceres e entardeceres do planeta fossem projetados sobre a Lua de uma vez. Alessandra Abe Pacini, cientista do grupo de Física Espacial da Universidade do Colorado, explica que é como se a luz do Sol fosse filtrada pela atmosfera terrestre, deixando passar apenas o vermelho que depois se espalha e ilumina a Lua.
Porém, como este não será um eclipse total, a Lua não ficará completamente vermelha como na chamada Lua de Sangue. A parte do disco dentro da umbra poderá adquirir tons mais escuros, alaranjados ou avermelhados, mas o resto permanecerá mais claro. Quem quiser observar precisará apenas olhar para o céu — nenhum aparato é necessário. Ao contrário de um eclipse solar, não há risco à visão. Binóculos ou telescópios podem melhorar a visualização dos detalhes da superfície lunar e da região coberta pela sombra, mas não são obrigatórios.
O principal obstáculo será o tempo. Nuvens podem impedir ou dificultar a observação. No Brasil, porém, há uma vantagem: será possível acompanhar todas as fases do fenômeno, do início até o fim. Outros lugares nas Américas, Europa e África também verão o eclipse, mas nem todos conseguirão ver todas as etapas. Para quem quer captar o momento em que quase toda a Lua estará encoberta, o horário é preciso: 1h13 de sexta-feira, no horário de Brasília. Em estados com fusos diferentes, os horários precisam ser ajustados — em áreas uma hora a menos, por exemplo, o pico ocorrerá à 0h13.
Citazioni salienti
Para ver o eclipse da Lua não é preciso nenhum aparato, basta olhar e contemplar pelo tempo que quiser— Josina Oliveira do Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional
É como se a luz do Sol fosse filtrada pela nossa atmosfera e sobrasse esse vermelho que espalha a luz do Sol que incide sobre a Lua— Alessandra Abe Pacini, cientista do grupo de Física Espacial da Universidade do Colorado