Na fronteira entre a quinta e a sexta-feira, o céu brasileiro oferece uma meditação sobre a geometria do cosmos: a Terra se interpõe entre o Sol e a Lua, cobrindo 96,2% do disco lunar com sua sombra. Não será a dramática Lua de Sangue que o imaginário popular aguarda, mas um espetáculo igualmente digno — uma Lua tingida de tons quentes, suspensa entre a escuridão e a luz, acessível a qualquer olhar que se volte para o alto sem necessidade de instrumento algum.
Eclipse lunar parcial desta semana não será 'Lua de Sangue'; entenda por quê
A Lua não mergulha totalmente, então fica avermelhada e logo depois deixa de ficar
Por que este eclipse não será uma Lua de Sangue se a Lua fica tão escura?
Porque a Lua não entra completamente na umbra — aquela sombra mais escura da Terra. Fica uma pequena faixa ainda iluminada. Para ser Lua de Sangue de verdade, o disco inteiro precisa estar dentro dessa região mais escura.
Então a Lua vai ficar vermelha ou não?
Vai ficar avermelhada em parte, sim. A região que estiver na umbra pode ganhar tons vermelhos e alaranjados. Mas não aquele vermelho intenso e uniforme que você vê numa Lua de Sangue total.
Como a Lua fica vermelha se está na sombra?
Porque a luz do Sol não desaparece completamente. Ela atravessa a atmosfera da Terra antes de chegar à Lua. A atmosfera filtra a luz azul, deixando passar o vermelho e o laranja — é o mesmo que acontece no pôr do sol.
Preciso de óculos especiais para ver?
Não. Ao contrário de um eclipse solar, não há risco para os olhos. Você pode olhar diretamente para a Lua sem proteção.
E se estiver nublado?
Aí não tem jeito. Nuvens vão bloquear a visão. Mas em todo o Brasil será possível ver todas as fases, se o tempo colaborar.
O Pulso
- Com 96,2% da Lua encoberta, o eclipse flerta com a totalidade sem jamais alcançá-la — uma fração mínima do satélite escapa da umbra e impede a transformação completa em Lua de Sangue.
- O fenômeno se desenrola por quase seis horas, mas o momento de maior tensão visual chega à 1h13 de sexta-feira, quando a escuridão sobre a Lua atinge seu pico máximo.
- A atmosfera terrestre age como um filtro, deixando passar comprimentos de onda vermelhos e alaranjados que banham a porção encoberta da Lua — o mesmo processo que pinta os horizontes ao amanhecer e ao entardecer.
- Nuvens são o único adversário real da observação: nenhum equipamento especial é exigido, e o fenômeno estará visível em todo o Brasil, do início ao fim, para quem tiver céu limpo.
Na fronteira entre a quinta e a sexta-feira, o céu brasileiro oferece uma meditação sobre a geometria do cosmos: a Terra se interpõe entre o Sol e a Lua, cobrindo 96,2% do disco lunar com sua sombra. Não será a dramática Lua de Sangue que o imaginário popular aguarda, mas um espetáculo igualmente digno — uma Lua tingida de tons quentes, suspensa entre a escuridão e a luz, acessível a qualquer olhar que se volte para o alto sem necessidade de instrumento algum.
Na noite entre quinta e sexta-feira, o Brasil terá uma rara oportunidade de contemplar um eclipse lunar que cobrirá 96,2% do disco da Lua. O fenômeno começa às 22h24 de quinta e atinge seu ponto máximo às 1h13 de sexta, quando a sombra da Terra quase engole completamente o satélite. Ainda assim, uma pequena fração da Lua permanecerá fora da umbra — a região mais densa da sombra — e é justamente esse detalhe que impede a formação da famosa Lua de Sangue.
A fase parcial, a mais visualmente impactante, dura cerca de três horas e dezoito minutos. Se incluídas as fases penumbrais, o eclipse completo se estende por aproximadamente cinco horas e trinta e oito minutos, encerrando-se perto das quatro da manhã. Mesmo sendo parcial, a Lua poderá exibir tons avermelhados e alaranjados na região coberta pela umbra: a atmosfera terrestre filtra a luz solar, dispersando o azul e deixando passar os comprimentos de onda mais longos — o mesmo fenômeno que colore os céus ao nascer e ao pôr do sol. A astrônoma Josina Oliveira do Nascimento, do Observatório Nacional, explica que a Lua adquirirá essa tonalidade enquanto estiver dentro da umbra e a perderá ao sair dela.
Nenhum equipamento especial é necessário para observar o eclipse — binóculos ou telescópios enriquecem a experiência, mas são opcionais. O principal obstáculo será o tempo: nuvens podem bloquear a visão em algumas regiões. O fenômeno também será visível em partes da América, Europa e África, mas o Brasil tem a vantagem de poder acompanhar todas as fases, do início ao fim. Quem estiver em estados com fuso horário diferente de Brasília deve ajustar os horários: em regiões com uma hora de atraso, o pico ocorrerá à 0h13.
Na noite entre quinta e sexta-feira, o Brasil terá uma oportunidade rara de observar um eclipse lunar que cobrirá quase a totalidade do disco lunar. O fenômeno começará às 22h24 de quinta-feira e se estenderá pela madrugada, atingindo seu ponto máximo às 1h13 de sexta-feira, quando 96,2% da Lua estará obscurecida pela sombra da Terra. Diferentemente de um eclipse total, porém, uma pequena porção do satélite permanecerá fora da umbra — a região mais escura da sombra terrestre — o que impede que a Lua adquira aquela tonalidade vermelha profunda característica da chamada Lua de Sangue.
O eclipse será visível a olho nu em todo o território brasileiro, sem necessidade de equipamento especial ou proteção ocular. A fase parcial, aquela em que o obscurecimento é mais evidente, durará aproximadamente três horas e dezoito minutos. Se considerarmos também as fases penumbrais — quando a Lua passa pela região mais clara da sombra terrestre — o fenômeno completo se estenderá por cerca de cinco horas e trinta e oito minutos, terminando próximo às quatro da manhã de sexta-feira.
Embora o eclipse seja parcial, a Lua poderá adquirir tons avermelhados ou alaranjados na região que estiver dentro da umbra. Isso ocorre porque parte da luz solar consegue atravessar a atmosfera terrestre antes de atingir a superfície lunar. A luz azul se dispersa com facilidade na atmosfera, enquanto os comprimentos de onda mais longos — vermelho e laranja — conseguem penetrá-la. É o mesmo processo que explica as cores do nascer e do pôr do sol na Terra. Josina Oliveira do Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional, esclarece que como a Lua não mergulha completamente na umbra, ela começará a adquirir essa tonalidade avermelhada e depois deixará de apresentá-la conforme sai dessa região de sombra.
Para acompanhar o fenômeno, não há exigências técnicas. Qualquer pessoa pode simplesmente olhar para o céu e contemplar o evento pelo tempo que desejar. Binóculos ou telescópios podem aprimorar a visualização dos detalhes da superfície lunar e da região coberta pela sombra, mas não são obrigatórios. O principal obstáculo será meteorológico: nuvens podem impedir ou prejudicar a observação em algumas regiões.
O eclipse será visível também em outras partes da América, além de regiões da Europa e da África. No Brasil, porém, há uma vantagem particular: será possível acompanhar todas as fases do fenômeno, desde a entrada da Lua na penumbra até o término do eclipse. Para quem deseja observar o momento de máximo obscurecimento — quando a Lua estará mais escura — é importante lembrar que isso ocorrerá à 1h13 de sexta-feira, e não durante a noite de quinta-feira. Em estados com fusos horários diferentes do horário de Brasília, os horários precisam ser ajustados: em regiões uma hora atrasadas, por exemplo, o pico ocorrerá à 0h13.
Citações Notáveis
Quando temos um eclipse total, quanto mais alinhados eles estão, mais tempo ela fica na umbra. Já neste caso, ela não mergulha totalmente nessa região, então vai começar a ficar avermelhada e, logo depois, vai deixar de ficar avermelhada.— Josina Oliveira do Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional
Para ver o eclipse da Lua não é preciso nenhum aparato, basta olhar e contemplar pelo tempo que quiser.— Josina Oliveira do Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional