Durigan defende split payment como instrumento contra sonegação

Asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado
Crítica da campanha de Flávio Bolsonaro ao mecanismo de split payment da reforma tributária.
Mark

Por que o split payment é tão controverso? Parece uma coisa técnica.

Mimi

É técnica, mas tem consequências reais. O sistema retira o dinheiro do imposto da conta da empresa no momento da venda. Para uma pequena empresa, isso significa menos dinheiro circulando para pagar fornecedores, funcionários, aluguel.

Luke

Mas o ministro diz que não prejudica o fluxo de caixa. Como sabemos que ele está certo?

Mimi

Durigan diz que é um "processo dialogado" e que houve "ampla maioria" no Congresso aprovando. Mas a campanha de Bolsonaro está dizendo o oposto — que asfixia pequenas empresas.

Mark

Então é um conflito entre o que o governo diz e o que a oposição diz?

Luke

Exatamente. Nenhum dos dois lado apresentou dados concretos sobre impacto no fluxo de caixa. Durigan promete "apoio" se houver dificuldades, mas não especifica o quê.

Mimi

A reforma foi aprovada depois de 30 anos de debate. Tem apoio de 100 especialistas, incluindo gente que trabalhou no governo Bolsonaro anterior.

Mark

Então por que Bolsonaro quer acabar com isso?

Luke

A campanha dele diz que sufoca pequenas empresas. Mas a implementação só começa em 2028 — ninguém sabe ainda qual será o impacto real.

Mimi

E se Flávio vencer, pode mudar tudo. A reforma inteira fica em risco, não só o split payment.

Mark

Isso não gera insegurança para quem quer investir?

Luke

Durigan literalmente disse isso — que reverter a reforma geraria "insegurança" e "confusão" no ambiente de negócio. Mas é uma advertência, não uma prova.

  • A campanha de Flávio Bolsonaro declarou abertamente que eliminaria o split payment caso vença a eleição, transformando um mecanismo tributário em linha de frente do debate presidencial.
  • Pequenas empresas e economistas do PL alertam que o sistema sufoca o capital de giro de negócios já fragilizados, enquanto o governo insiste que o fluxo de caixa não será prejudicado.
  • Mais de 100 especialistas, incluindo uma ex-assessora do próprio governo Bolsonaro, assinaram carta-manifesto pedindo que candidatos preservem a reforma, sinalizando que o consenso técnico transcende divisões partidárias.
  • O calendário de implementação — obrigatório para operações B2B a partir de 2028 — torna a eleição de 2026 um ponto de inflexão real: a vitória do PL pode enterrar o mecanismo antes que ele entre em vigor.
  • Durigan advertiu que reverter ou adiar a reforma gera insegurança jurídica e compromete o ambiente de negócios, enquanto prometeu suporte governamental para empresas em dificuldade durante a transição.

Após três décadas de debate, a reforma tributária brasileira encontra seu primeiro grande teste eleitoral: o mecanismo de split payment, que redireciona impostos ao Estado no instante da compra, tornou-se símbolo de uma disputa mais profunda sobre quem deve carregar o peso da transição fiscal. O ministro Dario Durigan defende a inovação como antídoto à sonegação e promessa de modernidade; a campanha de Flávio Bolsonaro a descreve como forca ao capital de giro das pequenas empresas. O que está em jogo não é apenas uma ferramenta técnica, mas a permanência de uma reforma que levou uma geração para ser aprovada.

Na quinta-feira, o ministro da Fazenda Dario Durigan foi a público defender o split payment — sistema que separa automaticamente o imposto do valor destinado ao vendedor no momento da compra — como uma inovação tecnológica aprovada por ampla maioria no Congresso após 30 anos de debate. A declaração veio em resposta direta à campanha de Flávio Bolsonaro, que dois dias antes havia prometido acabar com o mecanismo.

Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha do PL, foi categórica: "Claro que sim" ao ser perguntada se o partido eliminaria o split payment. Ela citou o senador eleito Carlos Bolsonaro e o economista Adolfo Sachsida como vozes "implacáveis" contra o sistema, descrevendo-o como algo que "simplesmente asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado".

Durigan rebateu ponto a ponto. Segundo ele, o mecanismo reduz a sonegação sem comprometer o fluxo de caixa das empresas, e qualquer dificuldade na transição receberá apoio governamental. O ministro também alertou que reverter a reforma significa gerar insegurança jurídica e prejudicar o ambiente de negócios — um risco que, segundo ele, não pode ser ignorado.

A implementação é escalonada: o split payment será obrigatório nas operações entre empresas a partir de 2028. Empresas do Simples Nacional puderam escolher entre permanecer no modelo atual ou migrar para um sistema híbrido; microempreendedores individuais permanecem no Simples puro por venderem diretamente ao consumidor final.

O peso político da disputa ficou evidente quando, no mês anterior, cerca de 100 especialistas — entre eles Vanessa Canado, ex-assessora especial do Ministério da Economia no governo Bolsonaro — assinaram uma carta-manifesto pedindo que todos os candidatos preservem a reforma. A mensagem é clara: se Flávio Bolsonaro vencer, o split payment pode não chegar a 2028.

Na quinta-feira, o ministro da Fazenda Dario Durigan subiu em defesa de um mecanismo que está no centro de uma disputa política sobre o futuro da reforma tributária brasileira. O chamado split payment — um sistema que separa automaticamente, no instante da compra, o imposto do valor que vai para o vendedor — é, segundo Durigan, uma inovação tecnológica que reduz a sonegação sem prejudicar o fluxo de caixa das empresas. Mas dois dias antes, a porta-voz da campanha de Flávio Bolsonaro havia dito o oposto: que um eventual governo do PL acabaria com o mecanismo.

Durigan foi direto. "O split payment é um instrumento tecnológico, uma inovação que foi incluída e debatida no Congresso e aprovada por ampla maioria, que garante a diminuição da sonegação. E não vai ter problema com o fluxo de caixa das empresas. Ele é um processo dialogado, sério e responsável", afirmou em entrevista. A defesa do ministro vinha em resposta a críticas que já vinham ganhando volume na campanha de Bolsonaro, onde economistas e senadores eleitos pelo PL argumentam que o sistema sufoca o capital de giro de pequenas empresas que já enfrentam dificuldades.

Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico da campanha de Flávio Bolsonaro, foi enfática ao ser questionada se o PL eliminaria o split payment: "Claro que sim". Ela citou nominalmente Carlos Bolsonaro, senador eleito pelo PL, e Adolfo Sacshida, economista da campanha, como vozes "implacáveis" contra o mecanismo, descrevendo-o como algo que "simplesmente asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado".

O split payment é parte da reforma tributária, aprovada após 30 anos de debate no Congresso. O sistema funciona assim: quando uma compra acontece, o tributo é direcionado ao poder público naquele mesmo momento, reduzindo drasticamente o espaço para que empresas deixem de recolher impostos. A reforma como um todo busca manter a carga tributária atual enquanto simplifica procedimentos, elimina distorções e acaba com a chamada tributação em cascata, onde o imposto incide várias vezes sobre o mesmo produto.

O calendário de implementação é escalonado. A partir de 2028, o split payment será obrigatório nas operações entre empresas — o chamado B2B. Empresas do Simples Nacional, com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões, tiveram a opção de escolher entre permanecer no modelo simplificado atual ou migrar para um sistema híbrido que permite aproveitar créditos tributários. Essa escolha foi feita em setembro para o primeiro semestre de 2027, mas pode ser alterada até o fim do ano. Microempreendedores individuais e nanoempreendedores permanecerão no Simples "puro" porque vendem direto ao consumidor final e não precisarão recolher impostos pelo split payment.

Durigan reconheceu que pode haver dificuldades na transição de um "pior sistema tributário do mundo" para um "moderno e transparente", mas prometeu apoio governamental. "As pequenas empresas não serão agora impactadas com a discussão do slip. Caso haja alguma dificuldade numa transição, vai haver apoio do governo. Transições normativas adaptando o calendário de maneira que a gente não jogue fora ou prejudique o grande ganho do país que é a reforma tributária", disse.

O ministro também alertou para os riscos de reverter a reforma. "Atrasar, prejudicar de alguma maneira ou querer prorrogar a reforma tributária é prorrogar as decisões que o Congresso tomou, com o apoio técnico do Ministério da Fazenda. É importante atentar para o nível de insegurança, para o ambiente de negócio, e evitar gerar confusão", declarou. Essa preocupação não é isolada: no mês anterior, cerca de 100 especialistas, acadêmicos, empresários e ex-autoridades da área econômica — incluindo Vanessa Canado, ex-assessora especial do Ministério da Economia durante o governo Bolsonaro — assinaram uma carta-manifesto defendendo a reforma aos candidatos à Presidência.

O que está em jogo é claro: a reforma tributária é uma mudança estrutural aprovada após três décadas de discussão, mas sua implementação depende de quem vencer a eleição. Se Flávio Bolsonaro chegar ao Palácio do Planalto, o split payment pode não chegar a 2028.

O split payment é um instrumento tecnológico, uma inovação que foi incluída e debatida no Congresso e aprovada por ampla maioria, que garante a diminuição da sonegação
— Dario Durigan, ministro da Fazenda
Asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado
— Daniella Marques, porta-voz da campanha de Flávio Bolsonaro
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