Após três décadas de debate, a reforma tributária brasileira encontra seu primeiro grande teste eleitoral: o mecanismo de split payment, que redireciona impostos ao Estado no instante da compra, tornou-se símbolo de uma disputa mais profunda sobre quem deve carregar o peso da transição fiscal. O ministro Dario Durigan defende a inovação como antídoto à sonegação e promessa de modernidade; a campanha de Flávio Bolsonaro a descreve como forca ao capital de giro das pequenas empresas. O que está em jogo não é apenas uma ferramenta técnica, mas a permanência de uma reforma que levou uma geração pa
Durigan defende split payment como instrumento contra sonegação
Asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado
Por que o split payment é tão controverso? Parece uma coisa técnica.
É técnica, mas tem consequências reais. O sistema retira o dinheiro do imposto da conta da empresa no momento da venda. Para uma pequena empresa, isso significa menos dinheiro circulando para pagar fornecedores, funcionários, aluguel.
Mas o ministro diz que não prejudica o fluxo de caixa. Como sabemos que ele está certo?
Durigan diz que é um "processo dialogado" e que houve "ampla maioria" no Congresso aprovando. Mas a campanha de Bolsonaro está dizendo o oposto — que asfixia pequenas empresas.
Então é um conflito entre o que o governo diz e o que a oposição diz?
Exatamente. Nenhum dos dois lado apresentou dados concretos sobre impacto no fluxo de caixa. Durigan promete "apoio" se houver dificuldades, mas não especifica o quê.
A reforma foi aprovada depois de 30 anos de debate. Tem apoio de 100 especialistas, incluindo gente que trabalhou no governo Bolsonaro anterior.
Então por que Bolsonaro quer acabar com isso?
A campanha dele diz que sufoca pequenas empresas. Mas a implementação só começa em 2028 — ninguém sabe ainda qual será o impacto real.
E se Flávio vencer, pode mudar tudo. A reforma inteira fica em risco, não só o split payment.
Isso não gera insegurança para quem quer investir?
Durigan literalmente disse isso — que reverter a reforma geraria "insegurança" e "confusão" no ambiente de negócio. Mas é uma advertência, não uma prova.
Der Puls
- A campanha de Flávio Bolsonaro declarou abertamente que eliminaria o split payment caso vença a eleição, transformando um mecanismo tributário em linha de frente do debate presidencial.
- Pequenas empresas e economistas do PL alertam que o sistema sufoca o capital de giro de negócios já fragilizados, enquanto o governo insiste que o fluxo de caixa não será prejudicado.
- Mais de 100 especialistas, incluindo uma ex-assessora do próprio governo Bolsonaro, assinaram carta-manifesto pedindo que candidatos preservem a reforma, sinalizando que o consenso técnico transcende divisões partidárias.
- O calendário de implementação — obrigatório para operações B2B a partir de 2028 — torna a eleição de 2026 um ponto de inflexão real: a vitória do PL pode enterrar o mecanismo antes que ele entre em vigor.
- Durigan advertiu que reverter ou adiar a reforma gera insegurança jurídica e compromete o ambiente de negócios, enquanto prometeu suporte governamental para empresas em dificuldade durante a transição.
Após três décadas de debate, a reforma tributária brasileira encontra seu primeiro grande teste eleitoral: o mecanismo de split payment, que redireciona impostos ao Estado no instante da compra, tornou-se símbolo de uma disputa mais profunda sobre quem deve carregar o peso da transição fiscal. O ministro Dario Durigan defende a inovação como antídoto à sonegação e promessa de modernidade; a campanha de Flávio Bolsonaro a descreve como forca ao capital de giro das pequenas empresas. O que está em jogo não é apenas uma ferramenta técnica, mas a permanência de uma reforma que levou uma geração para ser aprovada.
Na quinta-feira, o ministro da Fazenda Dario Durigan foi a público defender o split payment — sistema que separa automaticamente o imposto do valor destinado ao vendedor no momento da compra — como uma inovação tecnológica aprovada por ampla maioria no Congresso após 30 anos de debate. A declaração veio em resposta direta à campanha de Flávio Bolsonaro, que dois dias antes havia prometido acabar com o mecanismo.
Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha do PL, foi categórica: "Claro que sim" ao ser perguntada se o partido eliminaria o split payment. Ela citou o senador eleito Carlos Bolsonaro e o economista Adolfo Sachsida como vozes "implacáveis" contra o sistema, descrevendo-o como algo que "simplesmente asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado".
Durigan rebateu ponto a ponto. Segundo ele, o mecanismo reduz a sonegação sem comprometer o fluxo de caixa das empresas, e qualquer dificuldade na transição receberá apoio governamental. O ministro também alertou que reverter a reforma significa gerar insegurança jurídica e prejudicar o ambiente de negócios — um risco que, segundo ele, não pode ser ignorado.
A implementação é escalonada: o split payment será obrigatório nas operações entre empresas a partir de 2028. Empresas do Simples Nacional puderam escolher entre permanecer no modelo atual ou migrar para um sistema híbrido; microempreendedores individuais permanecem no Simples puro por venderem diretamente ao consumidor final.
O peso político da disputa ficou evidente quando, no mês anterior, cerca de 100 especialistas — entre eles Vanessa Canado, ex-assessora especial do Ministério da Economia no governo Bolsonaro — assinaram uma carta-manifesto pedindo que todos os candidatos preservem a reforma. A mensagem é clara: se Flávio Bolsonaro vencer, o split payment pode não chegar a 2028.
Na quinta-feira, o ministro da Fazenda Dario Durigan subiu em defesa de um mecanismo que está no centro de uma disputa política sobre o futuro da reforma tributária brasileira. O chamado split payment — um sistema que separa automaticamente, no instante da compra, o imposto do valor que vai para o vendedor — é, segundo Durigan, uma inovação tecnológica que reduz a sonegação sem prejudicar o fluxo de caixa das empresas. Mas dois dias antes, a porta-voz da campanha de Flávio Bolsonaro havia dito o oposto: que um eventual governo do PL acabaria com o mecanismo.
Durigan foi direto. "O split payment é um instrumento tecnológico, uma inovação que foi incluída e debatida no Congresso e aprovada por ampla maioria, que garante a diminuição da sonegação. E não vai ter problema com o fluxo de caixa das empresas. Ele é um processo dialogado, sério e responsável", afirmou em entrevista. A defesa do ministro vinha em resposta a críticas que já vinham ganhando volume na campanha de Bolsonaro, onde economistas e senadores eleitos pelo PL argumentam que o sistema sufoca o capital de giro de pequenas empresas que já enfrentam dificuldades.
Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico da campanha de Flávio Bolsonaro, foi enfática ao ser questionada se o PL eliminaria o split payment: "Claro que sim". Ela citou nominalmente Carlos Bolsonaro, senador eleito pelo PL, e Adolfo Sacshida, economista da campanha, como vozes "implacáveis" contra o mecanismo, descrevendo-o como algo que "simplesmente asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado".
O split payment é parte da reforma tributária, aprovada após 30 anos de debate no Congresso. O sistema funciona assim: quando uma compra acontece, o tributo é direcionado ao poder público naquele mesmo momento, reduzindo drasticamente o espaço para que empresas deixem de recolher impostos. A reforma como um todo busca manter a carga tributária atual enquanto simplifica procedimentos, elimina distorções e acaba com a chamada tributação em cascata, onde o imposto incide várias vezes sobre o mesmo produto.
O calendário de implementação é escalonado. A partir de 2028, o split payment será obrigatório nas operações entre empresas — o chamado B2B. Empresas do Simples Nacional, com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões, tiveram a opção de escolher entre permanecer no modelo simplificado atual ou migrar para um sistema híbrido que permite aproveitar créditos tributários. Essa escolha foi feita em setembro para o primeiro semestre de 2027, mas pode ser alterada até o fim do ano. Microempreendedores individuais e nanoempreendedores permanecerão no Simples "puro" porque vendem direto ao consumidor final e não precisarão recolher impostos pelo split payment.
Durigan reconheceu que pode haver dificuldades na transição de um "pior sistema tributário do mundo" para um "moderno e transparente", mas prometeu apoio governamental. "As pequenas empresas não serão agora impactadas com a discussão do slip. Caso haja alguma dificuldade numa transição, vai haver apoio do governo. Transições normativas adaptando o calendário de maneira que a gente não jogue fora ou prejudique o grande ganho do país que é a reforma tributária", disse.
O ministro também alertou para os riscos de reverter a reforma. "Atrasar, prejudicar de alguma maneira ou querer prorrogar a reforma tributária é prorrogar as decisões que o Congresso tomou, com o apoio técnico do Ministério da Fazenda. É importante atentar para o nível de insegurança, para o ambiente de negócio, e evitar gerar confusão", declarou. Essa preocupação não é isolada: no mês anterior, cerca de 100 especialistas, acadêmicos, empresários e ex-autoridades da área econômica — incluindo Vanessa Canado, ex-assessora especial do Ministério da Economia durante o governo Bolsonaro — assinaram uma carta-manifesto defendendo a reforma aos candidatos à Presidência.
O que está em jogo é claro: a reforma tributária é uma mudança estrutural aprovada após três décadas de discussão, mas sua implementação depende de quem vencer a eleição. Se Flávio Bolsonaro chegar ao Palácio do Planalto, o split payment pode não chegar a 2028.
Bemerkenswerte Zitate
O split payment é um instrumento tecnológico, uma inovação que foi incluída e debatida no Congresso e aprovada por ampla maioria, que garante a diminuição da sonegação— Dario Durigan, ministro da Fazenda
Asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado— Daniella Marques, porta-voz da campanha de Flávio Bolsonaro