Organizadora de eventos perdeu 3 mil contatos e sofreu transferências fraudulentas de R$ 3.350 realizadas por conhecidos enganados. Idosa de 64 anos também foi clonada via conta de vizinha e transferiu R$ 530 antes de ter celular restaurado automaticamente.
Duas mulheres sofrem golpe de clonagem do WhatsApp com prejuízo de R$ 3.880 em Assis
Os golpistas são pessoas muito inteligentes, muito convincentes, eles são treinados
Como é que um criminoso consegue tomar conta de uma conta de WhatsApp assim, do nada, com uma ligação?
A ligação é só o gatilho. Eles usam técnicas para obter o código de verificação — às vezes conseguem através de engenharia social, às vezes exploram vulnerabilidades. Uma vez que têm o código, entram na conta e mudam a senha. A vítima fica de fora.
E por que restauram o celular inteiro? Não seria mais fácil só usar a conta e sair?
Restaurar o aparelho apaga tudo — contatos, histórico, tudo. Impede que a vítima avise rapidamente seus conhecidos. Ganha tempo para os criminosos extrair o máximo de dinheiro antes que alguém desconfie.
Mas como alguém transfere dinheiro para um criminoso se recebe uma mensagem de um número desconhecido?
Não é um número desconhecido. É o WhatsApp de alguém que a pessoa conhece e confia. A mensagem vem do contato de um amigo ou cliente. A vítima não tem razão para desconfiar.
E se a pessoa ligar para confirmar?
Exatamente. Se ligar para o número real da pessoa, descobre que é fraude. É por isso que Márcia pediu para as pessoas confirmarem por telefone. Mas muita gente não faz isso — tem pressa, confia, ou o criminoso é convincente o suficiente.
O que mais assusta nessa história?
Que não é só dinheiro. Márcia perdeu 3 mil contatos profissionais, conversas, histórico de negócios. Para uma empresária, isso é tão grave quanto o roubo. E ela ainda está tentando recuperar tudo.
El Pulso
- Duas mulheres vítimas em Assis no dia 27 de julho
- Prejuízo total de R$ 3.880 em transferências fraudulentas
- Márcia Vergillio perdeu 3 mil contatos profissionais salvos no celular
- Idosa de 64 anos transferiu R$ 530 após ser enganada por conta clonada de vizinha
- Celulares foram completamente restaurados, apagando todos os dados
Organizadora de eventos perdeu 3 mil contatos e sofreu transferências fraudulentas de R$ 3.350 realizadas por conhecidos enganados. Idosa de 64 anos também foi clonada via conta de vizinha e transferiu R$ 530 antes de ter celular restaurado automaticamente.
Duas mulheres foram vítimas de golpe de clonagem do WhatsApp em Assis, com prejuízos totalizando R$ 3.880. Os criminosos assumiram controle das contas e restauraram completamente os celulares das vítimas.
Na segunda-feira, 27 de julho, dois telefones celulares em Assis foram invadidos por criminosos que não apenas roubaram acesso às contas de WhatsApp, mas apagaram completamente os aparelhos, deixando-os como se saíssem da fábrica. O prejuízo total chegou a R$ 3.880, dividido entre transferências bancárias fraudulentas e dados perdidos para sempre.
Márcia Vergillio, organizadora de eventos e proprietária de uma empresa de festas, foi a primeira a sofrer o ataque. Tudo começou com uma ligação recebida pelo próprio WhatsApp — uma voz do outro lado que não respondia quando ela perguntava quem era. Segundos depois, seu celular desligou. Quando conseguiu ligá-lo novamente, viu a tela inicial do Android, aquela que aparece em um aparelho novo saído da caixa. Nenhum contato. Nenhum aplicativo. Nada. "Eu me desesperei", lembrou.
O que tornou a situação ainda mais grave é que Márcia mantinha aproximadamente 3 mil contatos salvos no telefone — clientes, fornecedores, amigos acumulados ao longo de anos de trabalho. Assim que conseguiu religar o aparelho, começou a receber ligações de pessoas que não conseguia identificar porque seus contatos tinham desaparecido. Eram clientes e amigos avisando que alguém estava usando sua conta de WhatsApp para pedir dinheiro, solicitando transferências via PIX para contas diferentes a cada mensagem. "Os golpistas são pessoas muito inteligentes, muito convincentes, eles são treinados", disse Márcia, ainda indignada com o fato de seu nome ter sido usado para enganar pessoas próximas.
Embora Márcia não tenha transferido dinheiro diretamente aos criminosos, uma pessoa de sua confiança acreditou nas mensagens fraudulentas e realizou três transferências via PIX, totalizando R$ 3.350. A empresária ainda enfrenta dificuldades para recuperar suas informações. Conseguiu restaurar o WhatsApp, mas sua agenda de contatos continua voltando aos poucos, muitas conversas foram perdidas permanentemente, e ainda não conseguiu recuperar Instagram e Facebook. Ela pediu aos clientes que entrem em contato direto para confirmar agendas, já que todas as conversas anteriores desapareceram.
No mesmo dia, uma mulher de 64 anos também caiu na mesma armadilha. Os criminosos usaram a conta de WhatsApp de uma vizinha — que também havia sido clonada — para entrar em contato com a idosa. Acreditando que conversava com alguém conhecida, ela realizou duas transferências via PIX, somando R$ 530. Em seguida, recebeu um link e, ao acessá-lo, seu celular foi restaurado automaticamente, apagando contatos, aplicativos e dados armazenados. Felizmente, familiares e amigos desconfiaram das mensagens posteriores e não realizaram novas transferências, evitando prejuízos maiores.
A família registrou um boletim de ocorrência e solicitou o bloqueio das contas bancárias envolvidas, além de análise das transferências para tentar obter o estorno dos valores. O golpe funciona de forma simples mas devastadora: criminosos assumem o controle total da conta de WhatsApp da vítima, se passam por ela para solicitar dinheiro aos contatos, e frequentemente restauram completamente o aparelho para apagar rastros e impedir que a vítima avise seus conhecidos rapidamente. Márcia deixou um alerta para quem receber pedidos de dinheiro pelo WhatsApp: ligue para confirmar se realmente é a pessoa antes de transferir qualquer valor. Não mande dinheiro sem ter certeza.
Citas Notables
Quando liguei o aparelho, apareceu a tela do Android, como se eu tivesse acabado de comprar. Não tinha mais nenhum contato salvo e nem aplicativo.— Márcia Vergillio, organizadora de eventos
Quando receberem um pedido de dinheiro, liguem para confirmar se realmente é a pessoa. Não mandem dinheiro sem ter certeza.— Márcia Vergillio, em alerta às vítimas potenciais