Rússia aumentou uso de drones Geran a turbojato de 1500 em julho para 2800 em agosto, com meta de 80% deste tipo em novembro. Novos drones viajam a 300-600 km/h em altitudes de 4-6 km, impossibilitando defesa com espingardas e dificultando sistemas portáteis.
Drones a turbojato russos saturaram defesas ucranianas e reduzem taxa de abate
Agora conseguem derrubar apenas 60% deles
Porque é que estes drones a jato mudam tanto o jogo? Parece ser apenas uma questão de velocidade.
Não é só velocidade. É a combinação: voam entre 4 e 6 quilómetros de altitude, a 300-600 km/h. Isto significa que as armas convencionais não os alcançam, os sistemas portáteis de mísseis têm dificuldade, e os drones intercetores ucranianos não são rápidos o suficiente. É um problema tático completo.
Mas a taxa de abate caiu de 90% para 60%. Isso é o que a Ucrânia diz. Sabemos se estes números são verificados independentemente? E quanto à meta russa de 80% em novembro — isso é uma estimativa de uma fonte ou é confirmado?
A meta de novembro vem de fontes ouvidas pela RBC-Ukraine, não é confirmação oficial russa. Os números de agosto — 2800 drones — vêm da Força Aérea ucraniana. São os dados que temos.
E os drones antidrone que a Ucrânia está a desenvolver? Quando é que estarão prontos?
Não há data. Há quatro modelos em desenvolvimento, testes já foram feitos, mas o ministro da Defesa apenas disse que precisam de ser finalizados e produzidos em massa o mais rapidamente possível. É uma corrida contra o tempo.
Portanto, a Ucrânia não tem uma solução imediata. Está a contar com drones que ainda não existem em quantidade, enquanto a Rússia está a aumentar os lançamentos exponencialmente. Isso é um problema real.
Exatamente. E enquanto isso, os sistemas Patriot e Nasams estão saturados. Não há mísseis intercetores suficientes. É um problema de escassez de recursos.
E a resposta que Zelensky mencionou? Isso é militar ou diplomático?
Zelensky disse que já sabem onde vão atuar, mas que o momento será escolhido em função dos resultados pretendidos. Não especificou. Mas isto acontece enquanto Putin sinaliza abertura para negociações diretas.
Portanto, há sinais de abertura diplomática, mas também preparação para uma resposta estratégica. Não sabemos qual vai prevalecer.
Certo. Os enviados de Trump vão a Moscovo e Kiev este fim de semana. Tudo está em movimento.
The Pulse
- Rússia lançou 2800 drones a turbojato em agosto, quintuplicando o uso desde julho
- Novos drones viajam a 300-600 km/h entre 4-6 quilómetros de altitude
- Taxa de abate ucraniana caiu de 90% para 60% com os drones a jato
- Quatro modelos de drones antidrone em desenvolvimento na Ucrânia
Rússia aumentou uso de drones Geran a turbojato de 1500 em julho para 2800 em agosto, com meta de 80% deste tipo em novembro. Novos drones viajam a 300-600 km/h em altitudes de 4-6 km, impossibilitando defesa com espingardas e dificultando sistemas portáteis.
Drones russos com propulsão a jato reduzem a taxa de abate ucraniana de 90% para 60%, saturando sistemas de defesa como Patriot e Nasams, enquanto Kiev desenvolve drones antidrone e prepara resposta estratégica.
Durante oito dias consecutivos, Kiev e seus arredores vivem sob bombardeio ininterrupto. Ondas de drones russos chegam de dia e de noite, atingindo alvos espalhados pela cidade e região. Até recentemente, os militares ucranianos celebravam uma taxa de sucesso impressionante: conseguiam abater 90% dos aparelhos não tripulados que se aproximavam. Mas esse número mudou drasticamente. Agora, quando os drones russos vêm equipados com motores a turbojato, a Ucrânia consegue derrubar apenas 60% deles. A diferença é técnica, mas consequente.
A Rússia, apesar das sanções económicas que a cercam, não parou de inovar. Começou importando drones iranianos — os Shahed — e depois adaptou o modelo. Nasceram o Geran e o Gerbera, este último feito de materiais baratos, projetado tanto para carregar explosivos quanto para saturar os sistemas de defesa aérea durante ataques maciços, funcionando como isco enquanto outros drones e mísseis atacam simultaneamente. Mas o verdadeiro salto veio quando os engenheiros russos desenvolveram versões com propulsão a jato. O Geran-3 apareceu nos céus ucranianos em 2025, seguido pelo Geran-5 no início deste ano e depois o Geran-4. Durante meses, o seu uso foi marginal nos ataques russos. Tudo mudou no verão. Em julho, o número de lançamentos destes drones a jato quintuplicou em relação ao mês anterior, chegando a 1500 unidades. Em agosto, a Rússia lançou 2800 drones a turbojato contra a Ucrânia, segundo dados da Força Aérea ucraniana. Fontes ouvidas pela agência RBC-Ukraine indicam que Moscovo pretende atingir 80% de ataques com este tipo de drone e apenas 20% com drones convencionais em novembro, o que, mantendo a produção prevista para setembro de 4700 drones dos vários modelos Geran, representa um desafio crescente para a defesa ucraniana.
A razão pela qual estes drones são mais difíceis de derrotar está na sua engenharia. O Geran-2 convencional alcança mais de mil quilómetros, mas viaja a apenas 200 km/h e a altitudes relativamente baixas, tornando-o um alvo relativamente fácil — um soldado com uma espingarda metralhadora consegue atingi-lo. Os novos modelos a jato, porém, aceleram entre 300 e 600 km/h e voam entre quatro e seis quilómetros de altitude, impossibilitando a defesa com armas de fogo convencionais e dificultando significativamente o uso de sistemas portáteis de mísseis. Além disso, os atuais drones intercetores de drones não possuem a velocidade necessária para os alcançar. A Rússia está a contornar o menor alcance destes drones a jato lançando-os de distâncias menores e, segundo relatos não confirmados, também do ar, potencialmente através de helicópteros Mi-28.
A Ucrânia, que desenvolveu e aplicou conhecimentos sobre drones de ataque como nenhum outro país — visível pelas notícias quase diárias de ataques com precisão a milhares de quilómetros — agora enfrenta um adversário que também inova. Para limitar os efeitos dos ataques russos, as defesas antiaéreas ucranianas combinam guerra eletrónica, mísseis intercetores de sistemas caros e escassos como Patriot, Nasams e Iris-T, e aviação. Segundo Yurii Ihnat, diretor de comunicação da Força Aérea, os pilotos tentam abater os drones com mísseis, mas também com os canhões dos aviões. A resposta ucraniana está em desenvolvimento. No domingo passado, no mesmo dia em que o presidente Zelensky estabeleceu como meta uma taxa de abate de 90% de todos os drones russos, o ministro da Defesa anunciou que quatro modelos de drones antidrone estão em desenvolvimento, capazes de abater os Shaheds com propulsão a jato, com testes já realizados. O desafio agora é finalizá-los e fabricá-los em massa no tempo mais curto possível. Yevhenii Khmara, ministro da Defesa, afirmou que a tarefa é levar estas soluções ao nível necessário o mais rapidamente possível e aumentar a produção para milhares de unidades.
Os ataques continuados têm aumentado a destruição das infraestruturas, danificado o parque habitacional e causado um número crescente de vítimas. Perante esta escalada, o presidente ucraniano disse estar preparada uma resposta, depois de ter falado com o chefe dos serviços de segurança, Oleksandr Poklad, numa conversa que ocorreu pouco depois de a sede do SBU ter sido atacada por um drone. Zelensky afirmou que já sabem onde vão atuar, mas que o momento da resposta será escolhido em função dos resultados pretendidos. Esta escalada militar ocorre em paralelo a movimentações diplomáticas. Vladimir Putin mostrou abertura para negociações diretas com a Ucrânia, e os enviados especiais de Donald Trump deslocam-se a Moscovo e Kiev neste fim de semana, sinalizando uma possível mudança no rumo do conflito.
Notable Quotes
Já sabemos onde vamos atuar, tendo acrescentado que o momento da resposta será escolhido em função dos resultados pretendidos— Presidente ucraniano Zelensky
A tarefa é levar estas soluções ao nível necessário o mais rapidamente possível e aumentar a produção para milhares de unidades— Ministro da Defesa Yevhenii Khmara