Dólar cai ante o real com corte de juros nos EUA; Ibovespa fecha em alta de 1,06%

O diferencial de juros entre Brasil e EUA atrai investidores para o Brasil
Economista-chefe do Ouribank explica por que o real se aprecia enquanto o dólar cai.
Mark

Por que o corte de juros nos EUA fez o dólar cair? Não deveria fortalecer a moeda americana?

Mimi

Não neste caso. O Fed cortou para 4-4,25%, mas o Brasil mantém a Selic em 15%. Esse diferencial de 11 pontos percentuais atrai investidores estrangeiros para aplicações brasileiras. Quando eles compram ativos aqui, precisam de reais, o que aumenta a demanda pela moeda e a faz apreciar.

Luke

Mas espera — Powell foi cauteloso na entrevista, certo? E o dólar subiu depois disso. Então o movimento não foi tão limpo assim.

Mimi

Verdade. Houve volatilidade. O mercado reagiu bem aos cortes projetados, mas Powell sinalizou que ainda há riscos inflacionários. Isso criou incerteza.

Mark

E o Ibovespa? Por que subiu se havia essa cautela?

Mimi

O índice subiu 1,06% porque o diferencial de juros favorável ao Brasil atraiu capital estrangeiro. Mesmo com a cautela de Powell, a rentabilidade relativa dos ativos brasileiros continuava atrativa.

Luke

Mas o índice chegou a ultrapassar 146.000 pontos e depois caiu. Quanto dessa alta foi sustentável?

Mimi

Boa pergunta. A reportagem não detalha se a queda foi significativa ou marginal. Sabemos que fechou em 145.593, mas não temos contexto sobre volatilidade intradiária além desse pico.

Mark

Então o que realmente mudou para o Brasil nesse dia?

Mimi

O diferencial de juros se tornou ainda mais atrativo. Com o Fed sinalizando mais cortes, a Selic em 15% fica ainda mais competitiva. Isso muda o cálculo de risco-retorno para investidores globais.

Luke

E quanto aos riscos que Powell mencionou? Inflação americana ainda é uma preocupação real?

Mimi

Sim, Powell foi claro sobre isso. Mas o Fed já começou a cortar, o que sugere que vê a inflação como menos urgente que o desemprego. Ainda assim, há incerteza.

Mark

Isso significa que o real pode continuar se apreciando?

Mimi

Se o diferencial de juros se manter e o Fed continuar cortando como projetado, sim. Mas mudanças nas políticas comerciais americanas ou na inflação podem reverter isso rapidamente.

Luke

A reportagem menciona "políticas comerciais volúveis do governo". Isso é importante, mas não é desenvolvido. Há risco real aí que não está totalmente mapeado.

  • O dólar recuou 0,42% para R$ 5,279 na manhã de quinta-feira, reagindo a uma combinação rara de decisões simultâneas de dois dos maiores bancos centrais do mundo.
  • O Fed cortou juros para a faixa de 4% a 4,25% ao ano — sua primeira redução em 2025 —, enquanto o BC brasileiro sinalizou que manterá a Selic em 15% por período prolongado, ampliando o diferencial que favorece o Brasil.
  • A cautela de Jerome Powell na entrevista coletiva pós-decisão, ao alertar que riscos inflacionários ainda persistem nos EUA, freou o otimismo: o dólar voltou a subir e o Ibovespa reduziu parte dos ganhos acumulados durante o pregão.
  • Ainda assim, o Ibovespa fechou em alta de 1,06%, aos 145.593 pontos, sustentado pela perspectiva de mais dois cortes de 0,25 ponto percentual nos EUA até o fim do ano, o que tende a tornar os ativos brasileiros ainda mais rentáveis relativamente.

Quando dois bancos centrais movem suas alavancas em direções opostas, o espaço entre elas se torna território fértil para o capital. Na quinta-feira, o Federal Reserve cortou juros pela primeira vez em 2025, enquanto o Banco Central do Brasil manteve a Selic em 15% — e esse diferencial, como uma corrente invisível, puxou investidores estrangeiros em direção ao real, derrubando o dólar e elevando a Bolsa. É a geometria clássica dos mercados globais: onde os rendimentos divergem, o dinheiro encontra seu caminho.

Na manhã de quinta-feira, 18 de setembro, o dólar abria em queda contra o real, cotado a R$ 5,279 — uma retração de 0,42% que traduzia, em números, o efeito combinado de duas decisões tomadas em continentes diferentes. Na véspera, o Federal Reserve havia reduzido sua taxa básica de juros para a faixa entre 4% e 4,25% ao ano, a primeira queda de 2025. No mesmo período, o Banco Central do Brasil confirmava a manutenção da Selic em 15% ao ano, com sinalização de estabilidade prolongada.

O diferencial criado por esse movimento duplo não passou despercebido pelos mercados. Analistas como Leonel Mattos, da StoneX, interpretaram o corte do Fed como sinal de que o comitê americano via riscos inflacionários menores e preocupações crescentes com o emprego — uma leitura reforçada pelas projeções de mais dois cortes de 0,25 ponto percentual até dezembro. Para Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, a lógica era direta: com a Selic em 15% e os juros americanos em queda, os ativos brasileiros se tornavam relativamente mais rentáveis, atraindo capital estrangeiro e pressionando o dólar para baixo.

O dia, porém, não foi linear. Durante a entrevista coletiva após o anúncio, Jerome Powell adotou tom cauteloso ao lembrar que a inflação americana ainda apresentava riscos. A reação foi imediata: o dólar reverteu parte da queda e o Ibovespa, que havia ultrapassado os 146.000 pontos durante a tarde, recuou dos picos. Mesmo assim, a Bolsa encerrou o pregão com ganho de 1,06%, aos 145.593 pontos — um resultado que refletia, acima da volatilidade do dia, a força do diferencial de juros como motor de atração de investimentos para o Brasil.

Na quinta-feira, 18 de setembro, o dólar abriu em queda contra o real. A moeda americana recuava 0,42%, cotada a R$ 5,279 às 9h07, refletindo duas decisões que reforçavam a atratividade do Brasil para investidores estrangeiros: o Federal Reserve havia cortado juros na véspera, e o Banco Central do Brasil mantinha a taxa Selic em 15% ao ano, sinalizando que a manteria nesse patamar por um período prolongado.

O movimento do câmbio não era isolado. Na quarta-feira, o dólar havia fechado em alta de 0,06%, a R$ 5,301, mas durante o pregão tocou R$ 5,27 quando o Fed anunciou sua decisão. O banco central americano reduziu a taxa de juros para uma faixa entre 4% e 4,25% ao ano — a primeira redução da taxa básica dos EUA em 2025, alinhada com as expectativas dos analistas. Além do corte imediato, o Fed sinalizou que mais duas reduções de 0,25 ponto percentual estavam previstas para as duas reuniões de política monetária restantes do ano.

Essa sinalização de futuros cortes refletia uma mudança na avaliação de risco do banco central americano. Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, interpretou o movimento como indicativo de que o comitê do Fed enxergava riscos inflacionários mais baixos e riscos mais elevados para o desemprego. Jerome Powell, presidente do Fed, havia mencionado nos últimos meses a possibilidade de reduzir juros, citando preocupações com a desaceleração do mercado de trabalho americano.

Porém, durante a entrevista coletiva após o anúncio, Powell adotou uma postura mais cautelosa, frisando que ainda havia riscos para a inflação americana. Essa cautela teve impacto imediato nos mercados: o dólar passou a subir e o Ibovespa reduziu os ganhos que havia acumulado.

Mesmo assim, a Bolsa brasileira encerrou o dia em alta. O Ibovespa fechou com ganho de 1,06%, aos 145.593 pontos. Durante a tarde, o principal índice da Bolsa havia ultrapassado os 146.000 pontos, impulsionado pelas projeções do banco central americano de mais cortes nos juros dos EUA até o final do ano. Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, explicou o movimento: o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos vinha atraindo investidores para o Brasil, pressionando o dólar para baixo. Com a Selic em 15% e os juros americanos em queda, a rentabilidade relativa dos ativos brasileiros se tornava mais atraente, criando um fluxo de capital que beneficiava a moeda local e o mercado de ações.

O fato de o Fed ter antecipado mais dos cortes de juros neste ano é um indício de que o comitê enxerga riscos inflacionários mais baixos e riscos mais elevados para o desemprego
— Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos vem atraindo investidores para o Brasil, pressionando o dólar para baixo
— Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank
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