Índice do dólar sobe 0,37% para 102,58, maior nível desde abril de 2025, com investidores buscando segurança. Ataques dos houthis à Arábia Saudita e a petroleiros elevam preço do petróleo Brent 2,3% para US$107,17 o barril.
Dólar atinge maior cotação em 18 meses com tensões no Golfo e inflação nos EUA
Vemos espaço limitado para uma alta adicional do dólar
Por que o dólar sobe quando há tensão no Oriente Médio? Parece contraditório — o conflito deveria prejudicar a economia americana.
Não é sobre a economia americana estar bem. É sobre segurança. Quando há medo geopolítico, investidores em todo o mundo vendem ativos de risco e compram dólares porque historicamente o dólar é o refúgio mais confiável. É uma dinâmica de aversão ao risco.
Mas espera — o petróleo subiu 2,3%, o que normalmente prejudica a economia americana. Como isso é "seguro"?
Ótima observação. O dólar forte e o petróleo caro podem coexistir quando o medo geopolítico domina. Os investidores estão dizendo: "Não confio em nada agora, vou para dólares." É diferente de uma alta do dólar baseada em fundamentais econômicos fortes.
E quanto à inflação? A presidente do Fed de Cleveland falou sobre manter juros altos.
Sim, e isso também apoia o dólar. Juros mais altos tornam os ativos em dólares mais atraentes. Mas aqui está a tensão: se a inflação está realmente moderando, como alguns dados sugerem, por que o Fed manteria juros tão altos?
Exatamente. Joel Kruger disse que grande parte dos aumentos esperados nas taxas já está precificada. Então a pergunta é: o dólar já subiu o suficiente? Ou há mais espaço?
E o euro? Por que caiu tanto?
A França está em apuros fiscais antes das eleições de 2027. O spread entre títulos franceses e alemães atingiu 160 pontos-base — o maior desde 2012. Investidores estão fugindo de ativos europeus.
Mas Dan Tobon do Citi disse algo importante: não há "orientação realmente clara" sobre o que vai melhorar. Isso significa que ninguém sabe bem o que vem a seguir — nem para o dólar, nem para o euro.
Então tudo depende dos dados de inflação de quarta-feira?
Basicamente sim. É o próximo grande catalisador. Se a inflação vier mais alta do que esperado, o Fed pode sinalizar que manterá juros altos por mais tempo, o que apoiaria ainda mais o dólar.
Mas lembre-se: estamos a poucas semanas de uma eleição presidencial americana. Aumentar juros agora seria politicamente muito incomum. A barreira para o Fed agir é alta.
El Pulso
- Índice do dólar sobe 0,37% para 102,58, maior nível desde abril de 2025
- Petróleo Brent sobe 2,3% para US$107,17 o barril após ataques houthis
- Investidores aumentam posições otimistas em dólar para US$36 bilhões na semana de 7 de outubro
- Mercado precifica 78% de probabilidade de Fed manter taxas inalteradas este mês
- Euro cai para US$1,1156, perto da menor cotação em 17 meses
Índice do dólar sobe 0,37% para 102,58, maior nível desde abril de 2025, com investidores buscando segurança. Ataques dos houthis à Arábia Saudita e a petroleiros elevam preço do petróleo Brent 2,3% para US$107,17 o barril.
O dólar mantém sua maior cotação em 18 meses, impulsionado pela demanda por ativos de refúgio após intensificação de ataques no Oriente Médio e preocupações com inflação nos EUA.
Na segunda-feira, o dólar atingiu seu patamar mais elevado em dezoito meses, sustentado pela busca tradicional de investidores por ativos seguros enquanto tensões escalavam no Oriente Médio e preocupações com a inflação americana ganhavam peso nas mesas de operação. O índice do dólar, que mede a moeda americana contra seis outras divisas principais, avançou 0,37% para 102,58 pontos — o maior nível desde abril de 2025.
O gatilho imediato veio do Golfo Pérsico. Combatentes houthis do Iêmen, com apoio iraniano, intensificaram seus ataques contra a Arábia Saudita durante o fim de semana, e dois navios petroleiros foram atingidos. A escalada refletiu-se nos mercados de energia: o petróleo Brent subiu 2,3%, fechando a 107,17 dólares o barril, aproximando-se do maior preço em duas semanas. O conflito ofuscou um anúncio do presidente Donald Trump no domingo sobre um cessar-fogo no setor energético entre Ucrânia e Rússia — um acordo que já parecia frágil quando Kiev acusou Moscou de violá-lo durante a madrugada de segunda-feira. Para dimensionar a volatilidade: o petróleo Brent está quase 45% acima do patamar anterior ao início da guerra entre EUA, Israel e Irã.
Mas a história do dólar forte não é apenas sobre geopolítica. Beth Hammack, presidente do Federal Reserve de Cleveland, declarou nesta segunda que o banco central deveria adotar uma postura restritiva "relativamente rápido" para conter a inflação, que ela vê como mais disseminada do que alguns colegas reconhecem. Essa fala reforçou apostas de que o Fed manterá juros elevados — exatamente o tipo de sinalização que atrai capital para ativos denominados em dólares. Os operadores aumentaram significativamente suas posições otimistas na moeda: na semana encerrada em 7 de outubro, elas somavam cerca de 36 bilhões de dólares, contra apenas 8,4 bilhões três semanas antes, em grande parte em detrimento do euro.
Ainda assim, nem todos os analistas veem sustentação nesse movimento. Joel Kruger, estrategista de mercado do LMAX Group em Londres, alertou que a atual onda de aversão ao risco pode não se traduzir em valorização duradoura do dólar. Ele apontou dados econômicos em desaceleração, pressões inflacionárias em moderação e o fato de que grande parte dos aumentos esperados nas taxas do Fed já está precificada nos mercados. "Vemos espaço limitado para uma alta adicional do dólar", disse.
O verdadeiro teste virá na quarta-feira, quando o índice de preços ao consumidor dos EUA será divulgado — um dos últimos dados econômicos importantes antes da reunião de política monetária do Fed este mês. A confiança do consumidor americano já se deteriorou no início de outubro, prejudicada pelo aumento do custo de vida decorrente do conflito no Oriente Médio. Os operadores de mercado estão precificando uma probabilidade de 78% de que o Fed mantenha as taxas inalteradas neste mês, ante 51% no mês anterior, segundo a ferramenta CME FedWatch. Marc Chandler, estrategista-chefe de mercado da Bannockburn Global Forex, observou que um aumento de juros antes de uma eleição é tão incomum que "a barreira é um tanto alta" para que o Fed tome medidas.
O cenário de incerteza também afeta outras moedas. O euro caiu 0,4% para 1,1156 dólares, próximo da menor cotação em 17 meses, após registrar a quinta semana consecutiva de perdas. A queda foi impulsionada pela preocupação dos investidores com a saúde fiscal da França antes das eleições presidenciais de 2027. O spread entre os rendimentos franceses de dez anos e os alemães — considerados mais seguros — foi negociado a 140 pontos-base, tendo chegado a 160 na semana anterior, o maior nível desde 2012. Dan Tobon, chefe de estratégia cambial do G10 do Citi em Nova York, resumiu o impasse: "Não houve nenhuma melhora nem orientação realmente clara sobre o que vai melhorar a situação no curto prazo. Qual é a razão para comprar títulos europeus, para comprar o euro neste momento? É difícil encontrar uma, e por isso continuamos meio que à deriva."
O dólar também avançou contra outras moedas: subiu 0,2% para 158,66 ienes, enquanto a libra esterlina recuou 0,2% para 1,3203 dólares. Os investidores globais enfrentam um quebra-cabeça: buscam segurança em ativos denominados em dólares enquanto monitoram sinais de que a economia americana pode estar desacelerando. Os dados de inflação de quarta-feira podem oferecer clareza — ou aprofundar a incerteza que mantém os mercados cambiais em movimento.
Citas Notables
Não estamos convencidos de que essa última onda de aversão ao risco se traduzirá em uma valorização sustentada do dólar— Joel Kruger, estrategista de mercado do LMAX Group
Qual é a razão para comprar títulos europeus, para comprar o euro neste momento? É difícil encontrar uma, e por isso continuamos meio que à deriva— Dan Tobon, chefe de estratégia cambial do G10 do Citi